Gestão
Educação musical nas escolas: momento de expectativas
Publicado
8 anos agoon
Educação musical nas escolas: Diretora de Educação Musical da Anafima, a profa. dra. Liane Hentschke foi convidada para uma reunião na Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CEB/CNE), no dia 4 de outubro

Profa. Dra. Liane Hentschke: “Temos que garantir que toda criança e jovem tenha acesso à educação musical de qualidade e ministrada por um professor que saiba música”
Diretora de Educação Musical da Anafima, a profa. dra. Liane Hentschke foi convidada para uma reunião na Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CEB/CNE), no dia 4 de outubro, para discutir as questões que envolvem o ensino de música no Brasil e o documento da Base Nacional Curricular Comum (BNCC/Música). Após a reunião, ela enviou um parecer sobre a redação do que está previsto na BNCC e recomendações específicas para a efetivação do ensino de música nas escolas.
É fato que na Base Nacional Curricular Comum (BNCC) há uma discrepância entre a formação dos licenciados em Música e a suposição de que um professor tenha conhecimento de todas as áreas em que o componente curricular Arte está subdividido: Música, Artes Visuais, Teatro e Dança. O problema, entretanto, não para por aí. “Fiquei preocupada quando soube que, até aquele momento, a CEB/CNE não havia recebido nenhum documento de instituições e associações da área de Artes com sugestões à redação da última versão (terceira) da BNCC”, explicou a professora Liane.
Em 2006, quando houve o movimento para a criação da disciplina Música nas escolas, já havia uma resistência bastante grande por parte das autoridades, e um dos argumentos para a não criação de disciplina específica foi a falta de profissionais licenciados em Música para atuar nas escolas.
A área conseguiu, por meio da Lei 11.769, de agosto de 2008, a aprovação da obrigatoriedade de conteúdo de música no componente curricular Arte. Na prática, e segundo algumas pesquisas, o ensino de música acontece de forma efetiva onde há um profissional de música atuando. Daí a relevância da formação de licenciados em Música e a capacitação pedagógica de profissionais com formação na área.
Diante do delicado cenário em que a educação musical nas escolas se encontra, conversamos com a professora Liane Hentschke para fornecer um panorama sobre a BNCC e as mudanças sugeridas por ela referentes ao ensino de música nas escolas.
Entrevista Profa. Dra. Liane Hentschke
Música & Mercado: Qual é o status da educação musical nas escolas?
Liane Hentschke: Atualmente, Artes é o componente curricular, dentro do qual o ensino do conteúdo de música é obrigatório (Lei 11.769, de 2008). Mesmo com a aprovação da lei que institui a obrigatoriedade de conteúdos de música na Educação Básica, ainda presenciamos a dissociação entre a demanda de escolas (por professores polivalentes em Artes) e a formação de professores (licenciaturas específicas).
Observa-se, inclusive, que na elaboração de editais para concursos públicos na Educação Básica a maioria dos Estados e municípios mantém o caráter polivalente nas questões da prova, exigindo uma formação nas quatro áreas — Música, Artes Visuais, Teatro e Dança.
No entanto, é importante mencionar que muitas escolas no Brasil oferecem música como disciplina ou como atividade extracurricular, como bandas, grupos vocais e outros grupos instrumentais, e ainda experiências pedagógicas inovadoras na área.
Um problema que afeta a área de música, e que ainda está sem solução, é que não possuímos até o momento indicadores atinentes ao ensino de música. Os censos da Educação Básica não possuem dados sobre o ensino de música nas escolas, o que torna difícil estabelecer políticas públicas para a área. Os dados existentes dizem respeito ao componente curricular Artes.
Música & Mercado: O que é a BNCC e qual é a relação com o ensino da música nas escolas?
Liane Hentschke: A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento referência que vai nortear o que é ensinado nas escolas do Brasil em todas as áreas que compreendem a Educação Básica. Depois de aprovada, irá balizar a confecção de diretrizes estaduais e municipais e projetos político-pedagógicos nas escolas. A música é uma das “linguagens” (como mencionada na BNCC) do componente curricular Arte e prevê o desenvolvimento de habilidades específicas. O documento possui três versões, sendo que esta última está sendo analisada pelo Conselho Nacional de Educação e depois segue para o MEC.
Música & Mercado: Mesmo tendo como componente curricular Arte, em que música não será necessariamente uma disciplina, como podemos garantir que esta será trabalhada no Ensino Fundamental?
Liane Hentschke: Encaminhei ao CNE um questionamento que considero estruturante com relação ao ensino de Música nas escolas, ou seja, a BNCC/Arte, da forma como está redigida, pressupõe um professor para assumir o componente curricular Arte e ministrar conteúdos das quatro “linguagens” (Música, Artes Visuais, Teatro e Dança). No entanto, há muitos anos que a maioria dos cursos de formação de professores prevê licenciaturas específicas nas áreas.
No Brasil temos mais de 150 licenciaturas em Música e esse licenciado não recebe formação necessária para atuar nas outras Artes. Este é um momento histórico, muito delicado, e as associações de área (música) devem estar em sintonia e buscar pleitos comuns, ou seja, formas legais de garantir que crianças e jovens tenham acesso à aprendizagem musical nas escolas de Educação Básica. Cabe aqui mencionar um documento importante para a área de música: a Resolução nº 2 de 2016. Esta prevê, em cinco parágrafos, que escolas e o poder público devem agir de modo a garantir profissionais licenciados em Música para atuar na Educação Básica (§ 1º Inciso IV). Além disso, espaço físico adequado para a realização das aulas, formação continuada de professores de música, entre outras especificidades. É um documento que versa sobre questões do ensino de música nas escolas, não podendo ser assumido por um professor de Artes Visuais, ou Teatro ou Dança.
Música & Mercado: Como aconteceu o convite para participar da reunião da CEB/CNE?
Liane Hentschke: A partir do questionamento proposto, recebi um convite para participar de uma reunião da Câmara de Educação Básica do CNE. Nessa reunião expus os principais problemas que afetam o ensino de música nas escolas desde a LDB 5.692/71, quando do surgimento da disciplina Educação Artística.
Música & Mercado: Como o seu parecer pode colaborar para termos uma presença maior do ensino de Música no Ensino Fundamental?
Liane Hentschke: Foi após saber que nenhuma associação da área de música havia enviado sugestões de alteração à terceira versão que encaminhei o meu parecer. Este está dividido em três partes, sendo a primeira um breve apanhado histórico da aprovação de diretrizes, leis e uma resolução para o ensino de música nas escolas. A segunda recomenda, entre outras coisas, que nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o professor unidocente deve contar com o auxílio do professor de música para desenvolver suas aulas e atividades músico-culturais da escolas.
Nos anos finais do Ensino Fundamental, o conteúdo de música deve ser ministrado por um professor licenciado em Música e, em casos de ausência deste, por profissionais de música, com formação pedagógica específica, aferidos por universidades ou instituições da área. No item habilidades, propus uma redação mais específica voltada para resultados frutos de uma aprendizagem de música, incluindo a aprendizagem de um instrumento musical.
Música & Mercado: Quais são os próximos passos da BNCC?
Liane Hentschke: Após a análise e discussão da terceira versão da BNCC pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), será submetido ao ministro da Educação um conjunto de propostas para a revisão do documento. Essas propostas serão, ou não, homologadas pelo ministro da Educação, para que a BNCC entre em vigor como documento referência para a Educação Básica no Brasil.
Música & Mercado: Com o seu parecer, de que forma os Estados e municípios podem trabalhar o ensino musical efetivamente?
Liane Hentschke: O parecer que encaminhei está sendo apreciado pelo CNE, que irá deliberar sobre as alterações sugeridas. É importante colocar que provavelmente não haverá mudança estrutural no componente Arte, em que Música é conteúdo obrigatório, pois a BNCC possui uma estrutura que dificilmente será alterada. No entanto, a partir da BNCC aprovada, os Estados e municípios irão determinar de que forma o conteúdo de música será ministrado e por qual profissional.
É nesse momento que as instituições e associações de área devem estar atentas, pois o ensino de música pode acontecer como parte da grade curricular, como também em atividades extracurriculares em forma de grupos vocais, bandas, grupos instrumentais diversos, entre outras atividades. Temos que garantir que toda criança e jovem tenha acesso à educação musical de qualidade e ministrada por um professor que saiba música e tenha formação pedagógica para ensinar.
Música & Mercado: Na sua visão, como a tecnologia poderá ajudar a demanda da educação musical nas escolas?
Liane Hentschke: As tecnologias digitais fazem parte do cotidiano dos estudantes. Ignorar esse fato é distanciar o aluno daquilo a que ele tem acesso fora da escola. Por muitos anos discutimos o distanciamento do repertório a que o estudante tem acesso fora da escola com o que é trabalhado na escola. Hoje temos que questionar o distanciamento entre os meios para ouvir e fazer música dentro e fora da escola. Muitos países utilizam softwares, plataformas e computação em nuvem para mediar o ensino e a aprendizagem de música.
No Brasil ainda utilizamos o livro didático (impresso) como auxiliar, ou mesmo métodos específicos. O uso de tecnologias digitais deve ser amplamente explorado para ir ao encontro do que é desenvolvido nos demais campos do conhecimento, como matemática, ciências, entre outros. Esse recurso auxilia os estudantes no processo de inclusão digital e proporciona a aproximação de dispositivos digitais aos quais eles têm acesso fora da escola (celular, internet, entre outros). Além disso, desenvolve a criatividade, preparando os jovens para o processo de formação profissional futura, que está focado na inovação e transformação do mundo digital. Importante frisar que nenhuma tecnologia irá substituir o professor.
Música & Mercado: Com base na sua larga experiência nacional e internacional na área de música, qual seria a sua recomendação para atravessarmos este momento de reformas na Educação Básica?
Liane Hentschke: Sempre recomendaria uma ação proativa por parte das instituições e associações da área de música junto ao poder público. Isso inclui associações de cunho acadêmico, representantes da indústria e associações representativas da classe de música. Assim, formaremos um grupo sólido com propostas representativas de milhares de pessoas. O que temos no Brasil são pleitos isolados representando a falta de diálogo entre as instituições. Isso facilmente é percebido pelo poder público, que acaba desmerecendo a área.
Cito sempre como exemplo a NAMM (National Association of Music Merchants) dos EUA. Eles trabalham muito próximos das instituições e associações acadêmicas, o que no final reverte em ganhos para todos. Sem uma educação musical nas escolas (para milhões de crianças e jovens) não haverá um crescimento significativo para a área. E a recíproca é verdadeira: com uma indústria forte, preços para aquisição de instrumentos e material didático podem ser mais acessíveis e diversificados. No final todos saem fortalecidos.
A Anafima, ao criar uma Diretoria de Educação Musical, manifesta o seu protagonismo no sentido de iniciar um diálogo com instituições acadêmicas governamentais e não governamentais em prol da educação musical escolar e não escolar.
Quem é LIANE HENTSCHKE

Profa. Dra. Liane Hentschke
Doutora em Educação Musical pela University of London (hoje UCL), Inglaterra, com pós-doutorado na mesma instituição. Professora titular do Departamento de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foi secretária de Relações Internacionais da UFRGS entre 2008-2013 e diretora de Cooperação Institucional do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em 2013-2014. Foi presidente da International Society for Music Education (Isme) entre 2004 e 2010, e vice-presidente do International Music Council (IMC), órgão assessor de música para a Unesco (2009-2013). Ministrou palestras, conferências e publicou artigos científicos, capítulos de livros e prefácios no Brasil, Alemanha, Áustria, Austrália, Argentina, Chile, China, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra, Holanda, Hong Kong, Tailândia e Venezuela. Hoje atua como consultora e palestrante nas áreas de educação, educação musical, tecnologias digitais, motivação e internacionalização da educação. É sócia-diretora da empresa Conexão Sonora e diretora de Educação Musical na Associação Nacional da Indústria da Música (Anafima).
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Gestão
Tendências de gestão para 2026 que as lojas de música devem adotar
Publicado
1 mês agoon
15/01/2026
Eficiência operacional, inteligência de dados e cultura de serviço impulsionam o novo ciclo do varejo musical.
O setor de instrumentos musicais entra em 2026 com desafios claros: consumidores mais informados, margens pressionadas, concorrência digital global e cadeias logísticas que ainda se ajustam após anos de disrupções.
Para se manterem competitivas, as lojas especializadas precisam transformar sua gestão interna — não apenas o marketing ou a força de vendas. A seguir, as principais tendências de gestão empresarial que devem definir o varejo musical em 2026 — e como aplicá-las.
1) Gestão orientada por dados (Data-driven retail)
A intuição dá lugar à evidência.
O que envolve
- KPIs de giro por categoria (guitarras, áudio, teclados, percussão)
- Margem por fornecedor e por SKU
- Dados de abandono, recompra e ticket médio
- Análise de estoque versus sazonalidade
Ferramentas recomendadas
- CRM
- ERP integrado ao e-commerce
- Painéis simplificados de BI
Objetivo: decisões mais precisas e compras mais inteligentes.
2) Redução estratégica de estoque
Não se trata de ter mais produtos, mas os produtos certos.
Práticas para 2026
- Curadoria de portfólio baseada em giro
- Redução de SKUs pouco rentáveis
- Modelos de consignação com marcas
- Previsão de demanda baseada em dados históricos e sazonalidade (volta às aulas, festivais, fim de ano)
Resultado: menos capital imobilizado e fluxo de caixa mais saudável.
3) Cultura de serviço e experiência
O cliente não compara apenas preço, mas atendimento, suporte e confiança.
Foco em
- Onboarding do cliente no pós-venda
- Programas de fidelização reais (aulas, manutenção, ofertas premium)
- Protocolos de atendimento claros e mensuráveis
- Guias internos para demonstrações, linguagem e experiência em loja
Diferencial: a loja deixa de ser apenas um ponto de venda e passa a atuar como centro de apoio musical.
4) Profissionalização da equipe
Embora a indústria musical dependa historicamente de talento apaixonado, 2026 exige capacitação formal e metas claras de desempenho.
Ações
- Plano de formação: vendas consultivas, áudio e manutenção básica
- Avaliações trimestrais e objetivos mensuráveis
- Bonificação vinculada à satisfação do cliente, e não apenas ao volume de vendas
5) Serviços integrados como modelo de negócio
O valor não está apenas no produto.
Novos pilares
- Luthieria e manutenção
- Locação e test-drive estendido
- Escola de música integrada
- Salas privadas de ensaio
- Assistência técnica em pro-audio e informática musical
Essa diversificação reduz a dependência exclusiva das vendas e aumenta a fidelização.
6) Alianças estratégicas
Em vez de competir de forma isolada, as lojas ganham força ao se conectar ao ecossistema:
- Produtores locais
- Escolas e professores
- Casas de shows e igrejas
- Influenciadores e criadores
- Marcas boutique e luthiers
7) Digitalização operacional e automação
Menos tarefas repetitivas, mais foco no cliente.
Exemplos
- Controle automatizado de estoque
- Sistema de tickets para pós-venda
- Confirmações automáticas via WhatsApp
- Integração entre catálogo, faturamento e envio
8) Enfoque financeiro conservador e resiliente
Estabilidade será decisiva em 2026.
Boas práticas
- Reservas financeiras equivalentes a 3–6 meses de custos fixos
- Crédito negociado com fornecedores
- Planejamento de compras por sazonalidade
- Auditorias semestrais
As lojas de instrumentos musicais que prosperarão em 2026 serão as que conseguirem combinar:
- Visão estratégica e controle operacional
- Tecnologia e cultura de serviço
- Diversificação e eficiência
- Capacitação da equipe e proximidade com a comunidade
O instrumento já não é vendido apenas pela paixão: ele é gerido com disciplina, informação e experiência humana.
A mensagem-chave do ano: profissionalizar sem perder a alma musical.
Gestão
Tendências de marketing para 2026 que as lojas de música devem adotar
Publicado
2 meses agoon
06/01/2026
Segmentação precisa, conteúdo educativo e experiências híbridas impulsionam a próxima fase do varejo musical.
O mercado de instrumentos musicais entra em 2026 mais competitivo e digital do que nunca.
Após anos de transformação acelerada pelo e-commerce, pelo conteúdo curto e pela profissionalização dos músicos independentes, as lojas especializadas precisam atualizar suas estratégias para dialogar com um consumidor mais informado, exigente e multicanal.
A seguir, as principais tendências de marketing que os retailers do setor musical devem considerar para manter relevância e aumentar conversão.
1) Conteúdo educativo como núcleo da estratégia
Músicos — especialmente iniciantes e intermediários — buscam orientação antes de comprar.
Em 2026, as lojas mais bem-sucedidas não apenas vendem: ensinam.
O que fazer
- Séries de vídeos curtos com dicas de instrumentos
- Lives semanais com testes de equipamentos e Q&A
- Comparativos técnicos e guias de compra por estilo musical
- Minicursos gratuitos para geração de leads
Resultado esperado: mais autoridade de marca, maior retenção e conversão orgânica.
2) Microinfluenciadores e artistas locais
O marketing de influência continua forte, mas migra para perfis regionais, credíveis e próximos do público real.
Bandas da cidade, professores, técnicos e criadores independentes funcionam melhor do que celebridades.
Estratégias
- Embaixadores locais com incentivos reais
- Ativações em escolas e estúdios
- Depoimentos autênticos, sem roteiro comercial
3) Experiência híbrida: loja física + digital
O cliente quer tocar o instrumento e pesquisar/comprar online.
Ações eficazes
- Tours digitais da loja
- Agendamento para testes privados
- Chat ao vivo com especialistas
- “Compre e retire” + áreas de teste rápido
A venda presencial segue forte, sustentada por suporte digital contínuo.
4) Personalização e CRM aplicado
A segmentação refinada deixa de ser opcional.
O músico valoriza recomendações personalizadas de acordo com nível, estilo e orçamento.
Como implementar
- CRM com histórico de preferências e compras
- E-mails segmentados (bateristas, guitarristas, escolas, igrejas)
- Ofertas personalizadas e upselling técnico (cordas, peles, interfaces, cabos premium)
5) Conteúdo focado no processo criativo
O músico atual quer mostrar como cria, não apenas o que compra.
Formatos-chave
- Demos criativas
- Conteúdo “direto do home studio”
- Bastidores de gravação: “como fiz este loop/riff/groove”
- Play-along com instrumentos da loja
A criação emociona mais do que um catálogo frio.
6) Marketing educativo para pais
O aumento de estudantes jovens recoloca os pais no centro da decisão.
É fundamental uma comunicação clara, sem excessos técnicos, focada em valor pedagógico, durabilidade e serviço.
Mensagens importantes
- Guias “primeiro instrumento”
- Benefícios cognitivos da música
- Planos de upgrade e manutenção
7) Comunidade como diferencial competitivo
No mercado globalizado, a loja local vence quando se torna um ponto de cultura.
Propostas
- Jam sessions e showcases
- Clínicas com artistas
- Sessões de teste guiado para iniciantes
- Programas de fidelização para professores
Quem cria comunidade, mantém relevância.
8) Transparência e sustentabilidade
A nova geração valoriza empresas com propósito.
Aposta para 2026
- Políticas de reparo e reposição
- Programas de instrumentos recondicionados
- Comunicação ética sobre preços e procedência
Em 2026, as lojas que prosperam não competem apenas por preço ou estoque, mas por conexão, conhecimento e experiência.
As palavras-chave do ano serão:
- Ensinar antes de vender
- Integrar marketing digital + experiência in-store
- Criar comunidade musical local
- Personalizar o contato com cada músico
O consumidor já mudou. Agora, o varejo musical precisa tocar no mesmo ritmo.
Automação, venda consultiva e experiência omnichannel marcam o novo ciclo do varejo musical.
O comércio de instrumentos musicais chega a 2026 com um consumidor mais informado, digitalizado e exigente. As lojas já não podem depender apenas de estoque e atendimento tradicional: o mercado demanda experiências personalizadas, agilidade logística e assessoria especializada.
A seguir, uma análise das tendências de vendas que definirão o setor em 2026 e que os varejistas musicais precisam adotar para permanecer competitivos.
1) Venda consultiva: o vendedor se transforma em assessor musical
O cliente já pesquisou antes de chegar à loja. Ele busca confiança e orientação, não pressão.
Como aplicar
- Capacitação técnica contínua da equipe
- Scripts de recomendação por nível e estilo musical
- Demonstrações práticas e comparativas
- Acompanhamento pós-venda real (afinação, setup, dicas)
Objetivo: fidelizar e reduzir devoluções, aumentando o ticket médio.
2) Omnicanalidade real: o cliente compra onde quiser
A experiência deve ser fluida entre loja física, site e WhatsApp.
Ações
- Catálogo online atualizado com estoque real
- Click & Collect com atendimento rápido
- Testes na loja agendados pela web
- Chat com vendedor especializado em tempo real
Resultado: mais conversões e menos atrito.
3) Social selling e presença em plataformas de vídeo curto
TikTok, Instagram e YouTube Shorts já influenciam mais do que o Google nas compras musicais.
Estratégia
- Lives de venda (packs, kits, “teste e leve”)
- Catálogos integrados às redes sociais
- Vídeos curtos: demos, comparativos, dicas rápidas
- Criadores e professores locais amplificando o alcance
4) Modelos de assinatura e financiamento flexível
A acessibilidade impulsiona vendas. Gerações mais jovens preferem pagamento mensal à compra integral.
Oportunidades
- Planos Rent-to-own (aluguel com opção de compra)
- Assinatura de instrumentos para estudantes
- Pacotes mensais para estúdio (controlador + DAW + monitores)
- Financiamento em parcelas pequenas e transparentes
5) Programas de “upgrade” e recompra
O músico evolui e quer melhorar seu equipamento sem perder investimento.
Ações
- Programa de troca de instrumento
- Crédito mediante entrega de usados
- Venda certificada de produtos recondicionados
Benefício: retenção e atração de novos músicos.
6) Serviços como extensão da venda
A venda em 2026 não termina no balcão.
Serviços-chave
- Setup inicial gratuito
- Manutenção programada
- Afinação e calibração
- Upsell inteligente: cordas, baquetas, cabos premium, capas, cases
- Aulas presenciais e online associadas
7) Microexperiências na loja
A loja deixa de ser apenas ponto de venda e se torna um espaço musical.
Ideias
- Área de teste silencioso
- Miniestúdio demo
- Jam sessions intimistas
- Apresentações acústicas e clínicas
A experiência física volta a ser um diferencial.
8) Dados e CRM para segmentar e reter
O sucesso não está apenas em vender, mas em manter o cliente ativo.
Aplicações práticas
- Segmentação por instrumento, nível e orçamento
- E-mails personalizados conforme perfil
- Alertas de manutenção e reposição (cordas, peles)
- Promoções relevantes, não genéricas
É preciso fazer a diferença
O varejo musical entra em uma fase em que o diferencial está na experiência, no conhecimento e no relacionamento de longo prazo — e não apenas no estoque ou no preço.
As lojas que liderarão 2026 serão aquelas que adotarem:
- Venda consultiva e especializada
- Estratégias digitais com conteúdo útil
- Programas de financiamento, serviços e retenção
- Experiências híbridas que conectam comunidade e tecnologia
O lema do ano será claro: “Não é apenas vender instrumentos, é acompanhar a evolução do músico.”
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