O barato é o marido da barata

O barato é o marido da barata

por 21/12/2017

Nunca esqueça que soluções baratas podem custar caro!

Interessante ouvir as crianças cantarolando a frase: “O barato é o marido da barata!”.

Confesso que me faz sorrir. Assim como tudo que as crianças fazem. Sempre inocentes na sua forma peculiar de pensar e resolver as coisas. Ainda, simples e lógicas, resolvem questões de maneira óbvia e sem medo de errar.

Mas de onde vem o medo de errar? Talvez o fato de não ligar para as consequências que o que tenha sido feito ou dito venha a trazer. Ou ainda a simples noção de que a maldade está em quem ouve e não em quem diz.

Seja de onde seja, notamos no mundo corporativo uma necessidade excessiva de explicar o explicado por aqueles que não possuem experiência suficiente. E o que a experiência nos traz? Posso afirmar que, entre muitas coisas, se encontra a falta de medo de errar!

Resumindo: uma pessoa experiente erra, mas sabe que errou, aceita o erro e resolve o problema sem medo de errar novamente.

Barato, mas caro

Já a tal ‘crise fantasmagórica’ que assola o País é percebida por alguns de maneira a erradicar a experiência mantendo a solução ‘mais em conta’, porém, com muito medo de errar. E quanto custa esse erro? Hoje: barato. Amanhã: o marido da barata.

Buscar soluções ‘baratas’ e não conscientes nem sempre é o melhor caminho a ser tomado em um mercado baseado no medo do erro e na torcida pelo erro alheio. Muito mais profundo do que saber economizar em tempo de crise é saber quanto essa economia vai custar lá na frente.

Uma economia malfeita, seja se desfazendo de um profissional experiente em troca de uma solução caseira simples ou a redução na qualidade de serviços, ou ainda, a redução da qualidade dos produtos para enfrentar a concorrência, pode se mostrar muito custoso a longo prazo, e o tempo é implacável e absolutamente ignorante em relação ao seu medo de errar ou não. O barato acaba sempre saindo mais caro. A solução econômica se faz a partir do momento em que se tem certeza de que a qualidade (seja da pessoa, produto ou serviço) será mantida. Ao não respeitar este simples parâmetro da vida corporativa, espere a conta, pois certamente ela virá.

Cortando custos

Entre as decisões mais comuns para economizar, a mais idiota que eu já vi é cortar o café! Como se o café fosse o culpado pelas decisões erradas tomadas na administração do negócio e qualquer subalterno que dele fizesse uso ficasse burro naquele instante. Porém, isso é feito com frequência em variados tipos de empresa. Já a questão “corta o salário mais alto e contrata outro mais barato” está entre as minhas favoritas. Aquela famosa “que tal cortarmos seus ganhos pela metade?” também é excelente. Como se pudéssemos dizer: “O.k.! Claro! Hoje, em meus e-mails, vou escrever somente consoantes para não desgastar meus neurônios”. Ou ainda: “Olha só: esta semana andarei de muletas para economizar minha perna direita”.

A economia se cria com maior inteligência, tentando caminhos novos toda vez que os que conhecemos se encontram bloqueados ou impedidos. Economia se implanta para ser mantida e sempre na busca de melhores resultados e não para ‘tapar um buraco’ ou servir de salva-vidas. Portanto, antes de cortar o café, pense quanto isso irá economizar em valores e custar em relacionamento.

Afinal, a experiência nos traz a certeza de que o que muitos chamam de economia, na verdade não passa de medo de errar.