Representação Comercial
José Ayres de Souza: legado do pioneiro que levou áudio e instrumentos ao interior paulista
Parceria com a LL Áudio mudou o varejo musical nos anos 1990 e inspira distribuidores até hoje
Quase um mês após a morte de José Ayres de Souza, 92, ocorrida em 7 de julho em São Paulo (SP), lojistas e representantes comerciais ainda destacam a influência do vendedor que saiu das rodovias para tornar-se referência no fornecimento de eletrônicos e instrumentos musicais no interior do Estado.
Da Kombi ao “Corujinha”
Nos anos 1980, Ayres cruzava cidades médias — Marília, Presidente Prudente, Araçatuba — em uma Kombi lotada de rádios Shepard e componentes eletrônicos. A guinada veio em 1991, quando firmou parceria com a nascente LL Áudio. O porta-fitas K7 Corujinha tornou-se campeão de vendas e abriu caminho para as caixas TW-20, TW-40 e TW-60, hoje lembradas por lojistas como ponto de virada na sonorização popular do interior.
“Sem o poder de convencimento do José, nossas caixas não teriam chegado tão longe”, recorda Cláudio Fernandes Rodrigues, que dividiu o volante e a prancheta de pedidos com o amigo por duas décadas.
Distribuição própria e sucessão familiar
Em 1995, a dupla transformou a experiência de estrada na microdistribuidora Ayres & Rodrigues, que passou a ofertar violões Ross, encordoamentos Rouxinol, componentes Dual Comp, suportes Brasforma e telefones Lepton. No início dos anos 2000, o sobrinho Marcos Ayres assumiu a logística e integrou pedidos por e-mail — prática incomum para o segmento naquela época e precursora do modelo digital que hoje sustenta boa parte das vendas de pequenas e médias empresas (PMEs).
Ética de trabalho que virou referência
Ayres manteve roteiro de visitas até os 85 anos e ficou conhecido por dois compromissos inegociáveis: preço justo e pagamento pontual ao fabricante. “Ele chegava com o produto, mas antes oferecia treinamento sobre como explicar cada botão da caixa de som”, lembra Rodrigues.
A família divulgou nota de despedida nas redes sociais: “A terra perdeu, mas o céu ganhou.” Para quem vive do mercado musical, o sentimento é de gratidão. O exemplo de empreendedorismo de José Ayres continua ecoando — tão alto quanto as TW-60 que ele ajudou a pôr nas prateleiras.

-
Empresas29 set 2026Fender diz que não vai recuar na guerra do Stratocaster e põe a PRS na mira
-
Music Business2 out 2026Música com IA e direitos autorais: o que conferir antes de usar o Suno
-
Audio Profissional29 set 2026Interfaces sem DSP proprietário: o modelo do estúdio profissional está mudando?
-
mercado5 out 2026A música volta a ser objeto: o que o mercado pode aprender com a retomada do físico
-
Audio Profissional1 out 2026Áudio sobre IP: quando deixa de ser tecnologia e se transforma em requisito comercial
-
Mesa de Som9 out 2026DiGiCo Quantum6³⁸ combina alta capacidade e workflow familiar para grandes produções
-
Audio Profissional6 out 2026TiMax leva áudio espacial ao Sambódromo no Carnaval do Rio 2026
-
Music China7 out 2026Music China 2026 reunirá mais de 1.600 expositores com foco em negócios e tecnologia
