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Entrevista: como gravar e produzir seu próprio álbum em casa

Ilustração da Redação Música & Mercado

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Entrevista: como gravar e produzir seu próprio álbum em casa

6 min de leitura

Mauro Cordeiro conta como fez a produção de áudio, mixagem e masterização dos álbuns do seu projeto Leatherjacks, banda de um homem só.

Apresentamos aqui um case no qual vários se verão refletidos. Vontade de tocar, de gravar, de produzir e, por diversos motivos e/ou motivações, tudo isso acaba sendo feito em casa, sozinho.

Essa é a situação pela qual Mauro Cordeiro, músico e produtor, vem passando nos últimos anos com seu projeto Leatherjacks, uma banda de um homem só onde ele não só toca todos os instrumentos, mas também canta, grava, produz, mixa, masteriza e se encarrega até da parte burocrática. Fazer tudo sozinho é possível sim!

Quer saber mais? Veja a entrevista a seguir.

M&M: Mauro, por favor conte sobre seu início no mundo da música.

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Minha história com a música começou por volta dos 5 anos, em 1990, mais ou menos. Me lembro como se fosse hoje, que a mina mãe tinha um vinil com uma coletânea de trilhas sonoras de filmes e comerciais de TV. Dentre esas músicas, lá estaba “Eye Of The Tiger”, da banda Survivor. Dali em diante nunca mais fui o mesmo! Ouvia aquela música incesantemente (e o faço até hoje rsrs). 

Me lembro que aos 10 anos de idade, em 1996, eu comecei a conhecer mais o som dos Mamonas Assassinas (Inesquecíveis), e as guitarras do Bento Hinoto, incríveis, além de outras referências como Bon Jovi e o Richie Sambora. Me lembro claramente que eu gravava os clipes de You Give Love a Bad Name e Livin´On a Prayer, tudo em VHS (risos). Então é muito gostoso relembrar minhas histórias de vida, e lembrar todas as tenras fases que eu vivenciei. 

Eu sou auto-didata como músico, mas sempre busquei estudar profundamente sobre Teoria Musical e composição, e lembro que desde os 10 a 12 anos, já escrevia em inglês, seguindo o exemplo de bandas como o Angra, etc. 

Eu sempre fui focado no violão e na guitarra, mas à medida que fui crescendo, comecei a querer conhecer mais sobre áudio e produção. E isso me incentivou automaticamente a me tornar um Multi-Instrumentista, e assim continuo firme e forte, sempre estudando

M&M: Como e quando nasceu o projeto Leatherjacks?

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O Leatherjacks começou por volta de Outubro de 2015, com o intuito de resgatar o bom e velho Hard Rock e Metal dos anos 80. A princípio o projeto era apenas um hobby, eu andava meio desiludido e sem expectativas, e nasceu a música “Burning Wire”, e logo depois “Crocodile´s Heart”. A principio, seria um EP, e o 1º disco, “The Lost Arks Of Rock And Roll”, pouco a pouco foi nascendo e finalmente lançado em 18 de Abril de 2017, tendo Burning Wire como seu hit principal, com mais de 16 mil views no YouTube e de maneira Independente, aonde apenas eu mesmo fiz minha própria mídia.

M&M: Você fez e produziu seu próprio álbum em casa, certo?

Exato! Todos os meus álbuns até agora têm sido produzidos na mina própria casa, home studio. Eu sou a prova viva de que a persistência, o estudo e a dedicação fazem nosso destino! Fiquei em média de 1 ano a 1 ano e meio para realizar cada álbum, aonde fiz a produção, mixagem e masterização, além de toda a parte burocrática, como cadastro dos ISRCs, Abramus, etc.

M&M: Você gravou cada instrumento e voz separados? 

Gravei e gravo todos os instrumentos e vozes separados, inclusive Backing Vocals (Vários Mauros cantando com ele mesmo haha). Os Baixos eu fiz na própria guitarra, e depois baixei 1 oitava usando o Song Surgeon, excelente software de Pitch Shift e Entonação, sem mudar a velocidade da música, além de permitir o inverso: você pode baixar a velocidade da música sem baixar o tom nem alterar o Pitch. Incrível.

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Meu equipamento de áudio é apenas uma M-Audio Mobile Pre, geração II, que uso desde 2010. Incrível interface, que me atende perfeitamente em tudo que necessito. Para microfonar a Voz, uso um microfone dinâmico Beyerdynamic, com bastante compressão para atenuar e equilibrar volumes. Ou seja, o som já vem comprimido durante a gravação, e depois na mixagem e efeitos, eu ainda comprimo a voz comprimida novamente, quase que num proceso de Parallel Compression. As guitarras não passam por nenhum amplificador analógico. Consegui os timbres “na raça” através do IK Multimedia Amplitube 3 e 4, e horas de tone chasing (busca pelo tom e pelo som perfeitos), bem como usei o mesmo proceso para o baixo (que também foi feito na guitarra). 

As baterías foram feitas também digitalmente, nota a nota, em MIDI, no próprio DAW (no meu caso, para montagem e gravação, uso o Studio One da PreSonus, e para mixagem uso o ProTools da Avid). Os softwares de bateria, eu misturo três timbres de bumbos e caixas, no Steven Slate, EZ Drummer e Addictive Drums. A soma deles cria um blend sonoro fantástico. Para os canais de Hihats, Room e Overheads, sempre utilizo o Addictive. Acho a simulação de sala acústica dele simplesmente fantástica.

E muitas vezes utilizei também alguns samplers para teclado, como o Element. Sensacionais também.

M&M: Importa a ordem da gravação?

Olha, acredito que como o ditado diz: “A ordem dos fatores não altera o produto”. Mas, em termos de interpretação e emoção, é sempre bom começar já tendo uma batería real/humana já pronta, sensacional e perfeita, ou no caso de samplers MIDI, no mínimo já poder ter pratos, dinámicas, coisas que já deixem EMOÇÃO na música. Gosto demais de construir o alicerce na bateria, porque o ritmo é tudo, especialmente baixo e bateria, e ainda mais de Heavy Metal. Tendo um baixo e uma bateria excelentes, o guitarrista já vai gravar com paixão. Tendo um baixo, bateria, e guitarra-ritmo excelentes, o solista já vai sair de si de tanta empolgação… Imagine como um vocalista vai cantar tendo tudo isso como “cama sonora” para ele acompanhar? Fica indescritível e INCRÍVEL. Então, nesse sentido, considero a orden um fator realmente importante sim. Não é regra imperativa, de forma alguma. Mas penso que muda a música da água pro vinho, seguramente.

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M&M: Então qual foi o software usado?

Studio One para gravar, editar e preparar tudo (software da PreSonus) e Pro Tools para mixar, fazer a pós (efeitos, etc.), exportar os bounces e depois masterizar (software da Avid).

Se quiser mais dicas ou precisar de algum tipo de ajuda para seu projeto, você pode contatar o Mauro através do site, Facebook, Instagram e YouTube do Leatherjacks.

 

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Redação M&M
Autor: Redação M&M

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