Lojista
Sua loja vende produtos ou resolve problemas?
Se preços, especificações e avaliações estão disponíveis na internet, o que ainda faz um consumidor precisar de uma loja especializada?
Durante muito tempo, uma das principais funções de uma loja de instrumentos musicais era dar acesso ao produto. O consumidor precisava entrar no estabelecimento para conhecer uma guitarra, ouvir um sistema de som, comparar teclados ou entender as diferenças entre dois microfones.
A internet mudou essa lógica.
Hoje, antes de chegar ao balcão, o cliente pode ter assistido a dez demonstrações, comparado preços, lido avaliações e estudado especificações. Em alguns casos, conhece mais sobre determinado produto do que um vendedor generalista.
Isso não torna a loja menos importante. Mas muda a pergunta que ela precisa responder.
Se toda a informação está disponível online, qual valor a loja acrescenta à compra?
Informação não é o mesmo que solução
Imagine um cliente procurando uma interface de áudio.
Ele pode encontrar centenas de modelos online. O problema começa depois: quantas entradas realmente precisa? Vai gravar uma bateria? Precisa de MIDI? Qual microfone utilizará? O computador possui as conexões adequadas? Precisa de monitoramento direto?
A ficha técnica explica o que o produto faz. Um bom vendedor ajuda a determinar se aquele produto resolve a necessidade específica daquele cliente.
É nesse ponto que o comércio especializado recupera uma vantagem.
A venda começa antes da recomendação
Um erro frequente é apresentar produtos cedo demais.
“Qual microfone você está procurando?”
Talvez a primeira pergunta devesse ser:
“Para que você vai usar o microfone?”
Podcast, voz ao vivo, bateria, streaming e gravação doméstica podem exigir soluções muito diferentes.
Quanto melhor for o diagnóstico, menor será a possibilidade de uma recomendação equivocada.
A loja pode vender a solução completa
Aqui também aparece uma oportunidade para aumentar o tíquete médio.
Quem vende apenas uma interface compete em preço com dezenas de lojas. Quem entende que o cliente está montando um home studio pode identificar uma necessidade completa:
interface + microfone + cabo + pedestal + fones de ouvido + monitores.
Não se trata de acrescentar acessórios desnecessários. Trata-se de evitar que o consumidor leve apenas uma parte da solução.
Essa mudança de abordagem também altera a conversa sobre preço. Em vez de comparar somente quanto custa um produto, o cliente passa a avaliar quanto custa montar uma solução que efetivamente funcione para aquilo que pretende fazer.
O pós-venda também faz parte do produto
No comércio especializado, a experiência não termina no caixa.
Configuração, compatibilidade, instalação e dúvidas de uso fazem parte do processo. Quanto mais técnico for o produto, maior pode ser o valor desse suporte.
A loja física pode competir justamente onde o comércio puramente transacional encontra mais dificuldades: contexto, experiência, demonstração e relacionamento com o cliente.
Isso também ajuda a explicar por que duas lojas que vendem exatamente o mesmo produto podem entregar propostas de valor completamente diferentes.
Uma vende uma caixa.
A outra ajuda o cliente a colocá-la para funcionar.
A pergunta para o lojista
Se o mesmo produto da sua prateleira aparece em dezenas de sites, talvez sua vantagem competitiva não esteja no produto.
Pode estar em fazer com que o cliente saia da loja pensando:
“Agora sei exatamente o que preciso comprar.”
5 perguntas antes de recomendar um produto
- O que você quer fazer com esse equipamento?
- Quais equipamentos você já possui?
- Onde você vai utilizá-lo?
- Qual problema está tentando resolver?
- O que você precisa agora e o que pode ficar para uma segunda compra?
Ação para segunda-feira: escolha uma categoria importante da loja e peça à equipe que prepare cinco perguntas de diagnóstico que deverão ser feitas antes de apresentar qualquer produto.
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