Iluminação
Iluminar o Mount Rushmore a até 180 metros de distância: o desafio da Elation no Freedom 250
Projeto da Illuminate combinou luz e fogos em um dos cenários mais exigentes dos EUA, com acesso limitado, equipamentos instalados na montanha e fixtures Proteus operando a longas distâncias.
Iluminar um monumento já é um desafio. Fazer isso em um Parque Nacional, com acesso restrito, terreno sensível, posições de luz instaladas na montanha e distâncias de até 600 pés, cerca de 183 metros, muda completamente a escala do problema.
Foi nesse cenário que a Illuminate Production Services desenvolveu o projeto de iluminação do Freedom 250 no Mount Rushmore National Memorial, realizado em Dakota do Sul. O show combinou iluminação e fogos de artifício em uma apresentação de aproximadamente 20 minutos, criada em conjunto com a Pyro Spectaculars.
A produção marcou também o retorno dos fogos de artifício ao Mount Rushmore pela primeira vez desde 2020.


O desafio não era apenas potência
Trabalhar dentro de um Parque Nacional trouxe restrições de acesso, exigências ambientais e poucas oportunidades para testar previamente o projeto no local.
Caleb Franke, da Illuminate, responsável pelo design e programação de luz, explicou que a equipe precisou confiar bastante no planejamento técnico antes de posicionar os equipamentos.
Um dos pontos centrais do projeto foram 16 Elation Proteus Brutus, instalados ao longo da Presidential Trail. Com saída de 75.000 lúmens, eles foram usados para iluminar as quatro faces do monumento a partir de diferentes ângulos.
As unidades estavam posicionadas a aproximadamente 300 a 600 pés dos rostos, o equivalente a cerca de 91 a 183 metros. Segundo Franke, havia dúvidas iniciais sobre se o nível de saída seria suficiente para vencer essa distância. Na prática, a intensidade foi mais do que adequada.
Feixes no ar e textura na rocha
Além dos Brutus, a Illuminate utilizou seis Proteus Atlas, voltados a efeitos de beam de longo alcance que interagiam visualmente com a fumaça dos fogos.
Dez Proteus Lucius foram instalados para iluminar as áreas rochosas ao redor das faces, adicionando cor, gobos e animação ao monumento.
A proposta não era apenas deixar o Mount Rushmore mais brilhante. O desenho buscava controlar sombras e criar uma leitura mais teatral da superfície, em contraste com a iluminação cotidiana, mais uniforme.


Equipamentos levados para o alto da montanha
Parte do sistema precisou ser instalada acima do memorial com apoio de uma equipe especializada em high-line rigging.
Quatro posições na montanha receberam, cada uma, seis Proteus Excalibur e três Pulse Panel FX. Os Excalibur produziram feixes aéreos acima das cabeças esculpidas, enquanto os Pulse Panel FX foram usados para iluminar a fumaça produzida pelos fogos.
Esse detalhe acabou se tornando parte importante da estética do show. Como parte dos fogos era disparada atrás das faces, a fumaça passava frequentemente diante das posições de iluminação e se transformava em uma superfície visual para os efeitos.
O posicionamento também foi pensado para que, da maior parte dos pontos de observação, o público visse os feixes e as cores, mas não as lentes das luminárias.
Controle distribuído pela área
A produção utilizou ainda equipamentos da Obsidian Control Systems, com Netron EN12 e splitters DMX10-5 para distribuir os dados de controle de iluminação ao longo do local.
A paleta trabalhou fortemente com vermelho, branco e azul, além de momentos com mistura CMY, gobos e animações.


Luz e fogos como uma única narrativa
Um dos aspectos mais interessantes do projeto foi a decisão de não tratar iluminação e pirotecnia como duas camadas independentes.
O show foi criado em previs e coordenado entre Caleb Franke e Kevin Gilfillan, da Pyro Spectaculars, de forma que houvesse momentos dominados pelos fogos, outros conduzidos pela luz e trechos em que os dois elementos trabalhassem juntos.
Esse talvez seja o ponto mais relevante do projeto para profissionais de iluminação: a potência dos equipamentos resolveu a distância, mas o impacto final veio da integração entre design, posicionamento, fumaça, pirotecnia e narrativa visual.
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