Músico
Estruturação do projeto musical: para realizar mais e melhor
Publicado
6 anos agoon
Por
Julio Salinas
Estruturar um projeto musical consiste em trabalhar principalmente os pontos a seguir. Mais abaixo, falo um pouco de cada um deles.
Quais são os pontos?
- Decisão clara
- Estabelecer a grande meta
- Entender que para chegar na grande meta é uma construção
- Definir os objetivos para dar os primeiros passos profissionalmente
- Capital inicial
- Planejamento financeiro
- Planejamento estratégico
Decisão clara
A decisão é a primeira coisa que você tem que tomar para viver de música.
Constantemente vejo pessoas que sonham com suas músicas atingindo muitas pessoas, com sua turnê, mas não passam disso, de sonho, pois não tomam a decisão real. Torna-se um estado do “VER para crer”. E desse jeito a pretensa carreira musical fica em segundo, terceiro, quarto plano, outras atividades são priorizadas e “SE” com o pouco que fazem para o sonho de viver de música der certo, aí sim é quando a carreira se torna prioridade.
Recomendo, no entanto, que seja o contrário: um “CRER para ver”. Ou seja, toma-se a decisão real e entra-se de cabeça. Não é fácil, eu sei, mas é necessário vencer essa primeira barreira, para algo maior.
Sua decisão real te dará força para lidar com a falta de apoio inicial, com portas fechadas. A sua decisão combinada com persistência, trabalho duro, planejamento e desenvolvimento do seu talento começarão a surtir alguns resultados, portas começarão a se abrir, algumas pessoas apoiarão, enfim, deixa de ser um sonho e torna-se uma meta palpável.
Estabeleça a grande meta
Costumo denominar a grande meta como aquele lugar maior em que a gente quer chegar na música.
A definição de onde queremos chegar exatamente é essencial para dar o rumo correto, evita distrações e desperdícios de tempo e dinheiro.
Qual o destino final que você pretende? Você precisa visualizar sua meta. Construir sua meta. Como parte inicial da estruturação do seu projeto, pense, imagine, deixe fluir sua essência, suas vontades e necessidades a fim de descobrir o que mais realizará você como profissional e artista da música.
E o que você fará depois de chegar na sua grande meta? Dá para imaginar, para visualizar como vai ser sua vida quando sua meta for alcançada? É bom pensar nisso também… É isso mesmo que você quer?
Tem uma cantora com quem estou trabalhando que foi bem específica e a definição da meta dela ficou muito clara. Ela falou assim: “Eu quero viver de música, quero ter reconhecimento artístico pela qualidade do meu trabalho e quero tocar as pessoas, divertir as pessoas por meio de composições maravilhosas.” E obviamente ela falou: “E gerar muito dinheiro, milhões de views e plays e ter fãs, e não seguidores.” Essa é a meta dela. Deixou bem claro.
Entenda que para chegar na grande meta é uma construção
A gente precisa apontar também em quanto tempo quer conquistar esses milhões de visualizações, shows cheios etc.
Vejo artista achando que em um ano vai conseguir. Em geral não se consegue. Então você precisa entender que é uma construção, tijolo por tijolo, que precisa fazer uma projeção.
Particularmente, sempre sugiro a gente fazer um plano inicial de quatro semestres. Basicamente, sentar, ver qual o momento do artista, qual o lugar em que pretende chegar e o que pode ser feito. Jamais garanto, porém, que em quatro semestres você vai estar lotando shows no Brasil inteiro, que você vai estar com uma infinidade de público e já vivendo de música. Não necessariamente. Tem casos que são mais rápidos e casos que levam um pouco mais de tempo. Mas a gente tem que fazer essa projeção.
Pego muito na questão do imediatisto. Isso prejudica demais. Nos poupa muita dor de cabeça e frustração quando temos a consciência de que é preciso tempo, preparação, amadurecimento, uma série de etapas e só por fim a realização e a conquista.
Defina os objetivos para dar os primeiros passos profissionalmente
Então ok, a sua meta é tal e você pretende atingi-la em tanto tempo. Como desmembramento da grande meta, você vai estabelecer os seus objetivos.
Me chegou um rapaz começando a carreira, naturalmente todo empolgadão, e eu fiz algumas perguntas básicas para ele: “Tá, e qual instrumento você toca?” “E você já fez ou faz aula de canto?” “E você compõe?” E ele não fazia nenhum dos três.
Já aconteceu casos de pessoas que não tocam nenhum instrumento, que não compõem, mais cantam, e aí a pessoa faz uma boa interpretação. Nesse caso a gente vai trabalhando com o que tem na mão, consegue um músico de apoio e a gente vai desenvolver o que é o ideal ou o necessário, o que tá em déficit no artista.
Enfim, trago essa questão para ilustrar que para conquistar a grande meta, você precisa verificar e estabelecer quais são suas necessidades e objetivos.
Vai fazer tudo sozinho? Terá uma equipe? Com quem ficará o financeiro, o administrativo/executivo, o marketing?
Precisa aprender um instrumento? Antes precisa comprar o instrumento? Precisa aperfeiçoar o canto? Quer fazer um som mais autêntico e autoral? Beleza, então precisa começar a compor. Como? Começa sozinho, se junta com pessoas que também estão começando, seja online ou presencial.
Então precisa apontar essas necessidades e objetivos, para organizar, realmente estruturar o projeto e para arrumar formas de realizar.
Independentemente do estágio da carreira, você precisa apontar os objetivos para cada período, o que precisa ter, o que quer, como vai conseguir. No fim das contas tudo isso vai ajudar a construir o planejamento financeiro e o planejamento estratégico (que veremos mais abaixo).
Capital inicial
O orçamento do projeto é o ingrediente sagrado e mais relevante. Por menor que seja, de alguém e de algum lugar ele precisa vir, ele precisa existir — e se usado com inteligência, ajudará a gerar mais recursos financeiros e até mesmo a conseguir um investidor.
Precisa ter criatividade para conseguir capital. Sempre estar ligado nas mais diversas possibilidades para rentabilizar a carreira, seja online ou no presencial.
Capital para quê? Produção, clipe, divulgação etc. etc. etc. Está claro que precisa de grana, certo?!
Planejamento financeiro
Dedique o máximo de tempo e atenção ao planejamento e à gestão do orçamento e mantenha o foco nas operações que resultem em lucro e resultados.
Se você mistura as suas finanças pessoais com suas finanças profissionais, sua carreira musical dificilmente sairá do lugar. Você tem que ter planejamento financeiro e você não tem como escapar disso.
Se você não tem dinheiro, você precisa arrumar formas de consegui-lo. Se você tem pouco dinheiro, lógico que seu orçamento e seu planejamento financeiro serão mais restritos. Você também tem que ver do que precisa abrir mão para priorizar a carreira.
Beleza, temos os objetivos definidos e a gente tem o capital, ele pode ser em maior ou menor grau, mas quando a gente entra para essa questão do planejamento financeiro a gente precisa ser muito disciplinado. Porque eu vejo também pessoas que colocam muita atenção e muitas ações no seu planejamento pessoal, nas suas finanças pessoais e não colocam na sua carreira musical — isso atrapalha muito. Então tenha disciplina e foco no planejamento financeiro da carreira musical.
Definindo a sua meta e os seus objetivos, ciente do quanto você tem de grana, de quanto você não tem, aí você faz um planejamento financeiro separando o seu pessoal do seu profissional.
No fim das contas, não tem muito segredo. Para cada objetivo/necessidade, precisa de tanto. Se tem, ok, separa. Se não tem, como pode conseguir? Tudo na ponta do lápis.
Planejamento estratégico
Sua meta bem definida e os seus objetivos claros, algum orçamento na mão, agora é hora de organizar as ações para curto, médio e longo prazos.
É comum o artista estar finalizando as músicas, necessitar de todo um processo de lançamento e ele já querer partir direto para o pré-save. Aí eu tenho que dizer que não é por aí, que antes tem coisa a se fazer, aponto o que tem que fazer depois.
Então o planejamento estratégico é que vai ajudar a direcionar e realizar uma sequência de ações, de forma correta, para você não fazer uma coisa antes da outra ou depois da outra.
Simplicidade, objetividade: o planejamento não precisa ser complicado para ser eficiente.
O quê, como e onde precisa ser feito? Por quem? Em qual tempo? Enfim, não é um bicho de sete cabeças.
Planejamento é a alma de uma boa realização. E se for com senso estratégico, melhor ainda.
Concluindo
A gente já trabalha com música, muitos não entendem, a gente não tem muito apoio e só vai ter mais depois que bombar. E depois que bomba todo mundo quer ajudar, mas antes disso a gente tem que colocar muita energia, muito trabalho. Então a gente precisa fazer planejamento e trabalhar mesmo para tirar as coisas do papel. Não dá para maratonar seriado sempre, não dá para ficar indo sempre para o rolê, não dá para ficar em grupo de WhatsApp falando amenidades e vendo memes. Quando vê, o dia passou. Mas quando o artista está realmente comprometido, ele faz seu planejamento, foca nos seus objetivos e na grande meta e faz a coisa acontecer dia após dia, ação após ação.
Bora?! Bora!!!
Vamos continuar esse papo por aqui ou pelos meus perfis sociais?! Instagram: @ruliosalinas / Youtube: canalruliosinas
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Músico
Como preparar o equipamento para sessões longas de gravação
Publicado
6 dias agoon
13/01/2026
Quando você sabe que vem por aí uma sessão longa — seja em estúdio, ao vivo ou em um fluxo híbrido — a chave não é apenas o músico ou o engenheiro estarem prontos: o equipamento também precisa do seu próprio “pré-show”.
Prepará-lo corretamente ajuda a evitar falhas, ruídos inesperados, perda de dados e até danos custosos. A seguir, um guia prático para deixar tudo estável antes de apertar o “rec”.
- Aquecimento das válvulas: a partida suave que evita dores de cabeça
Equipamentos valvulados — amplificadores, pré-amplificadores, compressores e alguns microfones — apresentam melhor desempenho após alguns minutos de aquecimento. Ligar e começar a gravar imediatamente pode provocar variações de timbre ou o surgimento de ruídos de fundo.
Recomendações rápidas:
- Ligue os equipamentos valvulados 10 a 20 minutos antes de gravar.
- Evite ciclos repetidos de liga/desliga; prefira períodos de uso longos e estáveis.
- Verifique se há cheiro estranho ou pequenos estalos em válvulas antigas — sinais de que podem precisar de substituição.
Esse cuidado simples garante um som mais estável, consistente e previsível ao longo da sessão.
- Testes de ruído: melhor identificar problemas antes do take perfeito
Quanto maior o tempo de gravação, maiores as chances de surgirem ruídos de aterramento, interferências, ventiladores, cabos desgastados ou fontes externas. Uma checagem rápida pode salvar o dia.
Checklist essencial:
- Verifique os ganhos e procure picos anormais nos pré-amplificadores.
- Ouça com fones se há hum de 50/60 Hz, zumbidos ou cliques.
- Organize e fixe cabos para evitar movimentos ou atritos.
- Confira ruídos de ar-condicionado, computadores e racks.
- Faça uma gravação-teste de um minuto e reproduza — alguns ruídos só aparecem na captura.
Detectar um problema antes evita retrabalho e ajuda a preservar o momento criativo.
- Backup de configurações em DSPs e pedaleiras: seguro contra imprevistos
Equipamentos digitais — DSPs, pedaleiras multiefeito, modeladores, mesas e processadores — dependem de presets e configurações que podem se perder por falhas elétricas, erros de firmware ou ajustes acidentais.
Antes de sessões longas:
- Faça sempre backup.
- Exporte presets e cenas para USB ou nuvem, quando disponível.
- Em sistemas como Helix, Quad Cortex, Headrush, Axe-FX ou Kemper, salve uma cópia completa da sessão ou projeto.
- Em DSPs de estúdio ou sala, preserve o arquivo do projeto antes de qualquer alteração.
Leva poucos minutos e pode evitar horas de reconstrução.
- Gestão de energia e proteção contra picos: o inimigo silencioso
Em sessões longas, o risco não está apenas no cansaço, mas também na instabilidade da rede elétrica. Uma alimentação inadequada pode gerar ruídos, perda de presets e até danos permanentes ao equipamento.
Boas práticas:
- Use reguladores de tensão ou power conditioners confiáveis.
- Instale protetores contra surtos em racks e pedaleiras.
- Sempre que possível, utilize um UPS (no-break) para evitar desligamentos repentinos.
- Não conecte equipamentos sensíveis no mesmo circuito de cafeteiras, iluminação ou ferramentas elétricas.
Com energia estável, o equipamento dura mais e a sessão flui sem interrupções.
Uma sessão longa de gravação não é apenas uma questão de resistência, mas de prevenção. Aquecer válvulas, checar ruídos, fazer backup de configurações e proteger a energia cria um ambiente confiável para que músicos, técnicos e engenheiros se concentrem no que realmente importa: capturar uma performance memorável.
Músico
Como evitar danos causados por energia elétrica instável
Publicado
2 semanas agoon
08/01/2026
Protetores, UPS, reguladores e os riscos de usar fontes baratas.
Na América Latina, a instabilidade elétrica é uma realidade diária: picos de tensão, quedas rápidas, microinterrupções e variações que podem ocorrer várias vezes ao dia… ou durante um show. Para músicos e profissionais de áudio, isso não é apenas um incômodo — é um risco direto para seus equipamentos. Interfaces, mesas, pedais, amplificadores, monitores de referência e computadores podem sofrer danos irreversíveis se não estiverem devidamente protegidos.
Por isso, entender como funciona a energia que alimenta seu setup e quais ferramentas usar para protegê-lo é tão importante quanto escolher um bom instrumento ou microfone.
Por que a energia é tão instável na América Latina?
Vários fatores explicam esse cenário:
- Infraestrutura elétrica antiga ou sobrecarregada
- Instalações improvisadas em palcos, bares e festivais
- Condições climáticas (tempestades, calor extremo, umidade)
- Uso simultâneo de equipamentos de alto consumo
- Variações de tensão típicas de áreas industriais ou rurais
O resultado: corrente suja, flutuações rápidas, interrupções inesperadas e picos que podem queimar componentes sensíveis.
Protetores, UPS e reguladores: o que cada um faz e quando usar
- Protetores contra surtos (surge protectors)
São a primeira linha de defesa.
- Absorvem picos repentinos de energia.
- Impedem que um raio ou um pico gerado por motores (ar-condicionado, geladeiras, iluminação) chegue direto ao equipamento.
Indicados para: pedaleiras, amplis, interfaces, monitores ativos.
Atenção: os mais baratos geralmente têm baixa capacidade de absorção e podem ficar inúteis depois de um pico forte.
- Reguladores de tensão
Mantêm a voltagem estável (idealmente entre 110–120V ou 220–230V, conforme o país).
- Evitam quedas que forçam o equipamento.
- Previnem sobretensões contínuas.
- Aumentam a vida útil de fontes, transformadores e estágios de pré-amplificação.
Indicados para: home studios, racks, mesas, sistemas de PA pequenos, pedais digitais e modeladores.
Um bom regulador ajuda também a reduzir ruídos, chiados e comportamentos instáveis em equipamentos sensíveis como interfaces USB ou processadores digitais.
- UPS / No Break
Essenciais quando você trabalha com computador.
- Permitem continuar operando por alguns minutos durante um apagão.
- Evitam perda de projetos, gravações e configurações.
- Mantêm energia estável para interfaces, HDs, controladores e DAWs.
Para home studios, o ideal é utilizar uma UPS de onda senoidal pura, especialmente quando alimenta interfaces de alto desempenho.
O problema das fontes baratas
Muitos músicos ainda utilizam fontes genéricas ou sem certificação. A curto prazo parecem uma “economia”, mas podem causar:
- Chiados e ruídos no sinal
- Quedas de corrente que desligam pedais ou interfaces
- Superaquecimento de pedaleiras
- “Hiss” permanente em amplificadores e mixers
- Danos em DSPs e componentes digitais
Fontes baratas não filtram adequadamente, não estabilizam a tensão e, em alguns casos, fornecem mais voltagem do que a indicada. Isso pode destruir:
- Pedais boutique (especialmente os de componentes vintage)
- Interfaces alimentadas por USB
- Equipamentos modeladores (Line 6, Fractal, Kemper)
- Mesas de pequeno porte
- Amplificadores valvulados (muito vulneráveis a sobretensões)
Como a energia instável afeta cada tipo de equipamento
Interfaces de áudio
- Desconexões
- Corrupção de drivers
- Falhas nos conversores AD/DA
- Ruídos digitais aleatórios
Mesas de som
- Travamentos em mesas digitais
- Chiados constantes em mesas analógicas
- Danos em amplificadores internos de mesas ativas
Pedais
- Alterações de timbre
- Reset no meio do show
- Perda de presets em pedais digitais
Amplificadores
- Hum constante por corrente suja
- Falhas em válvulas
- Queima de transformadores
Recomendações finais: proteção também é parte do seu som
Investir em proteção elétrica não é luxo, é uma etapa essencial no cuidado com seu equipamento. Considere:
- Usar sempre um protetor ou regulador dedicado ao seu setup
- Evitar ligar tudo em uma régua barata
- Verificar a instalação elétrica do local antes de tocar
- Usar UPS sempre que houver computador envolvido
- Optar por fontes certificadas e de qualidade
Equipamentos protegidos duram mais, funcionam melhor e trazem tranquilidade durante shows, ensaios e gravações. Em uma região onde a energia é imprevisível, prevenir não só evita prejuízos: garante que sua criatividade nunca dependa do nível de voltagem.
Instrumentos Musicais
Cuidado com instrumentos acústicos em clima tropical
Publicado
3 semanas agoon
01/01/2026
Como proteger madeiras, acabamentos e componentes em ambientes úmidos.
A conservação de instrumentos acústicos apresenta desafios específicos em regiões tropicais, onde a combinação de altas temperaturas e umidade constante acelera o desgaste de madeiras, cordas e partes estruturais. Dados citados por associações de luteria na América Latina indicam que níveis de umidade relativa acima de 70% podem causar deformações, perda de estabilidade tonal e falhas em colagens internas.
Umidade: o principal fator de risco
Em climas tropicais, a alta umidade afeta diretamente violões, guitarras acústicas, ukuleles, violinos, contrabaixos e instrumentos de percussão feitos de madeira. Entre os efeitos mais observados, luthiers destacam:
- Dilatação e retração das madeiras, causando trastejamento, abaulamento da tampa e alterações no braço.
- Enfraquecimento de colas e junções internas pela absorção de água.
- Envelhecimento acelerado das cordas e perda de definição tonal.
A umidade excessiva também favorece o surgimento de fungos, especialmente em instrumentos guardados por longos períodos em estojos fechados.
Controle ambiental: a medida mais eficaz
Especialistas recomendam manter a umidade relativa entre 45% e 55% como faixa segura para instrumentos acústicos. Para alcançar esse nível em regiões tropicais, as estratégias mais utilizadas incluem:
- Desumidificadores portáteis em salas de ensaio, estúdios e ambientes pequenos.
- Sacos dessecantes dentro de estojos rígidos.
- Evitar exposição direta a locais abafados, varandas ou ambientes sem climatização.
Ao contrário das regiões secas, o uso de humidificadores internos não é indicado, pois pode agravar o excesso de umidade na madeira.
Temperatura e incidência solar
As variações térmicas influenciam diretamente o comportamento estrutural dos instrumentos. Temperaturas altas podem amolecer colas e afetar acabamentos. As recomendações incluem:
- Não deixar instrumentos dentro de veículos.
- Evitar exposição prolongada ao sol em ensaios ao ar livre.
- Manter estojos afastados de fontes de calor e paredes externas.
Armazenamento seguro em regiões tropicais
A forma de guardar o instrumento tem impacto direto em sua estabilidade:
- Estojos rígidos oferecem proteção superior a capas, reduzindo a influência de variações ambientais.
- Armazenar o instrumento na posição vertical diminui a pressão sobre a tampa e o braço.
- Em áreas costeiras, técnicos recomendam revisão semestral de ferragens devido ao risco de corrosão salina.
Manutenção periódica
Um cronograma de manutenção ajuda a prevenir danos e prolonga a vida útil:
- Inspeção do ângulo do braço e do estado da ponte.
- Lubrificação discreta de tarraxas e verificação dos trastes.
- Limpeza com pano seco e produtos neutros, evitando ceras ou óleos inadequados.
- Troca regular de cordas, que se deterioram mais rapidamente em ambientes úmidos.
No caso de instrumentos de percussão, como congas e bongôs, o cuidado com peles naturais é essencial, já que absorvem umidade com facilidade.
Por que o clima tropical exige atenção constante
Luthiers de vários países observam que a degradação em climas quentes e úmidos ocorre de forma cumulativa. Pequenas variações diárias de temperatura e umidade modificam continuamente o comportamento das madeiras, exigindo monitoramento frequente e estratégias preventivas mais rigorosas do que em regiões de clima seco ou temperado.
Áudio
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