Harmonizando em um mundo dodecafônico, microtonal e dissonante 

Harmonizando em um mundo dodecafônico, microtonal e dissonante 

por 24/12/2020

“Paz na terra aos homens de boa vontade” era um desejo nobre e congregador, sempre pré natalino, e antecessor de um ano novo, anunciador de possíveis benesses, agregador de objetivos e expectativas. 2020 mudou tudo!

Um mundo que já estava mergulhado na “empatia do like caridoso”, nos excessos de virtualidade, no pânico da doença, isolou a todos mais ainda, no cárcere do medo, que é o mais letal dos vírus, pois mata a iniciativa, a esperança, e a criatividade.

No meio de tantas vítimas letais dessa doença (o tal COVID-19), há os que são quase “mortos vivos” consequentes da pandemia, pois esta, em efeito colateral, foi o ócio do profissional das artes que não estava no “topo” de sua área… Aqueles que não tinham visibilidade no “Mainstream”.

Em uma situação extremada, sem aglomerações e contato social, o músico prosseguiu, por amor como força motriz, apesar dessa morte social, e de uma população que entrou em negação de sua existência, ouvindo melodias, mas “surda” para as necessidades dos seres que entoavam os cânticos que lhes apraziam.

As “lives” só funcionaram para quem teve patrocínio à financiá-las, do contrário, eram shows gratuitos aos quarentenados, louváveis como caridade e benfeitoria, mas que não garantem a sobrevivência das cigarras que alegram tantas formigas.

O mercado da música estava melhor antes da pandemia?

Não, mas ainda havia a possibilidade de sair à procura de trabalho, de realizações, de progresso.

Pessoas sem trabalho, sem expectativas, pois o ganha pão deles, dependia de AGLOMERAÇÃO, se viram a mercê da doença e do descaso.

Eu sei o que será daqui para frente para nós, no mercado da música?

Claro que não… E o mais interessante é que não importa a dificuldade, mas como marchamos de encontro a ela, durante e depois.

Diante de tantas lojas fechadas, artistas sem trabalho, profissionais sem emprego, não me atrevo a entoar nenhum “discurso motivacional”, pois seria injusto.

Quem “mexe” com música, o faz por amor desde o início, porque não há meio mais ingrato e sem memória, onde o mérito some em segundos.

Como recuperar a altivez, se falta meios de elevação mercadológica? Ah, tá. .. SUA empresa até que foi bem apesar, ou mesmo devido à crise? Não te importa o setor como um todo? Não te importam os MÚSICOS?

Lamento informar, que você não É parte do mercado da música, você ESTÁ no mercado apenas, e pode mudar, sem sentir-se mal, se assim lhe convier, enquanto o músico, por amor, prossegue.

Talvez haja tantas melodias produzidas na história do mundo, que se faltarem novas canções e peças, o ouvinte nem se aperceba da falta de quem as faz.

Quantas pessoas não sabem nem o nome do interprete de uma música,  ou de quem a compôs?

Não é um texto de Clash, de mentoring… são palavras de observador atento.

Como músico,  produtor, e instrutor de música, só posso encerrar o texto desejando TUDO de melhor aos meus colegas de mercado, irmãos de profissão, que prosseguem, como eu, em um ato de Fé.

Fé e crença de vôo, mesmo no abismo, e invariavelmente, funciona meritocraticamente, no esforço, mas no acreditar em algo muito maior, invisível, intangível, mas realizador.

O músico a todo momento assim procede, ao expressar sua arte, que começa como um pensamento, uma idéia, e idéias realizadas são a expressão máxima da semelhança do homem com o CRIADOR.

FELIZ NATAL, E PRÓSPERO ANO NOVO. PROSSIGA NA SENDA DO BEM!