Fábrica
Rozini: A viola que ganhou o Brasil
A particular história da Rozini permitiu à empresa crescer em um ambiente globalizado, instável e pouco favorável à fabricação no País. Enquanto concorrentes buscam novas alternativas na Ásia, a família Rozini investe na produção nacional
A particular história da Rozini permitiu à empresa crescer em um ambiente globalizado, instável e pouco favorável à fabricação no País. Enquanto concorrentes buscam novas alternativas na Ásia, a família Rozini investe na produção nacional

José Roberto e Tayler Rozini
Fundada há 21 anos por José Roberto Rozini, sobrenome com o qual se batizou a empresa, a Rozini é uma das raras fábricas de instrumentos de cordas que não migraram sua linha de produção para a Ásia.
José Roberto possui um estilo simples, aberto, sempre com um jeito franco de colocar suas opiniões. Ele recebeu a Música & Mercado para esta entrevista em seu escritório, na Lapa, em São Paulo.
“Há 21 anos, vendi os quatro primeiros cavacos da Rozini para a loja Mônaco Instrumentos Musicais. Até hoje eles são clientes”, conta Rozini. Nesta linha de empresário perseverante, nota-se que as ações, pensamentos e posturas têm como base a integridade e a parceria. “Eu não aceito perder um cliente, faço de tudo para ele estar satisfeito e tê-lo como meu parceiro. Todos os meus instrumentos têm um ano de garantia, coisa que poucas empresas fazem, pois confio na qualidade do meu produto. Sempre faço tudo para garantir a satisfação dos meus clientes”, enfatizou José Roberto.
Ao lado dele na empresa hoje se encontra Tayler Rozini, seu filho, que participa do negócio há 17 anos. Ele trabalhou nove anos na produção e continua dando suporte nessa área, somado ao trabalho realizado na parte de exportações. Também dentro da estrutura da empresa está Sanny, filha de José Roberto, que entrou na organização mais recentemente. Ela se encarrega da parte administrativa, com a experiência de ter atuado em bancos e estudado no exterior — ficou na Califórnia por três anos para se aperfeiçoar; voltou para o País para ajudar na organização da Rozini.
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A companhia hoje tem 90 funcionários, que trabalham em uma área de aproximadamente 4.000 m². Tanto a fábrica como o escritório ficam no mesmo endereço, na zona norte de São Paulo. É uma história interessante, a da família Rozini. Vamos conhecê-la?
QUANDO TUDO COMEÇOU
M&M: Como foi o início da empresa junto ao luthier José ‘Zé’ Pereira?
José Roberto Rozini: Foi uma grande satisfação! Foi como conhecer meu segundo pai. O sr. Zé Pereira e o sr. Epifânio, que já trabalharam em grandes empresas de instrumentos musicais, tinham uma pequena oficina de consertos e fabricavam alguns cavaquinhos quando eu os conheci. Pedi para eles fabricarem o corpo de madeira para pandeiros, mas eles disseram que não sabiam fabricar percussão, que sua única experiência era com instrumentos de cordas. Pedi então para revender seus cavaquinhos nas lojas — naquele momento eu era representante comercial — e foi aí que tudo começou. Juntamos a experiência dos dois para fazer instrumentos do jeito que os músicos queriam e com a qualidade que eu exigia. Pedi para eles aumentarem a produção, e assim eu compraria tudo o que produzissem. O sr. José Pereira disse que já não estava com idade para contratar novos funcionários e que daria muito trabalho para aumentar a produção. Foi quando propus para eles trabalharem para mim, e eu contrataria novos funcionários e compraria máquinas para ajudar a aumentar a produção. E assim começou. Colocamos o nome de Rozini e em quatro meses mudamos para um local maior. Em um ano já tínhamos dez funcionários.
M&M: Você achou que a empresa teria o crescimento que se vê atualmente?
José Roberto: Sim, só não imaginava que seria em tão pouco tempo. Em tudo que me comprometo a fazer, quero ser o melhor. Não importa o que estou fazendo, sempre procuro fazer o melhor.
M&M: E o que é a Rozini hoje do seu ponto de vista?
José Roberto: A empresa praticamente mantém uma linha desde a fundação. Sempre fui meio chato na questão da qualidade. Isso é uma coisa minha, odeio quando vou a uma loja comprar alguma coisa e sou mal atendido, então, mesmo que eu queira aquele produto, acabo não comprando pelo mau atendimento. E isso eu coloquei na minha empresa desde a fundação. Quero fazer um produto bom, com um preço justo e atender o meu cliente da melhor forma possível. Não quero que um cliente ou consumidor final fique insatisfeito com meu produto. Nem que eu tome prejuízo, não importa, ele tem de estar satisfeito.
M&M: O primeiro produto fabricado foi o cavaquinho. Como surgiu a ideia de expandir a linha com outros instrumentos de corda e por que decidiu focar só os instrumentos usados na música brasileira?

M&M: Mas hoje você está em um ambiente de negócios com concorrentes que vêm da China, Japão, Estados Unidos, Indonésia, Coreia, e continua fabricando tudo aqui.
José Roberto: Sim, tudo fabricado no Brasil — 100% dos instrumentos da Rozini são fabricados por nós no Brasil e a produção ainda é totalmente artesanal. Nada é terceirizado. Essa é uma das minhas maiores prioridades, produzir no Brasil, gerando emprego e tendo foco total na qualidade.
M&M: Mas como equacionar custo e ao mesmo tempo ter lucratividade com tanta competição de fora?
José Roberto: Faço questão de não olhar o preço do meu concorrente. Sempre quis fazer o melhor instrumento que posso, que eu tenho condição. A gente pesquisa, estuda, analisa, já desmontei meia dúzia de violões… Então vou fazer isso, vou fazer o melhor que puder, vou ver meu custo, pôr a minha margem de lucro e trabalhar. Podemos ouvir: “Ah! O do concorrente é mais barato”, mas o que eu posso fazer? O meu produto custa isso e vai ser vendido a isso. Só porque o do outro é mais barato eu vou baixar? Não dá, pois assim não vou sobreviver.
M&M: Vocês investiram num momento em que todas as fábricas ou a maior parte das grandes indústrias de violão estavam desmontando suas estruturas e importando…
Tayler Rozini: A escolha do caminho que meu pai fez foi interessante. Ele falou: “Não vou brigar com esse tanto de instrumento barato que está entrando para o mercado. Não tenho como, senão vou produzir, vender e não vou ter meu lucro. Então vou seguir um outro caminho, vou tentar brigar com os melhores. Terei minha margem de lucro, mas vou ter de fazer bem, vou ter de contratar gente, vou ter de comprar máquina para fazer uma coisa bonita e ter sucesso nesse segmento de mercado”. E foi aí que deu certo, a decisão foi acertada. Daí a empresa começou a crescer, enquanto outras empresas estavam tendo dificuldade.
José Roberto: Nós hoje temos uma credibilidade que poucas empresas nacionais têm. Quando se fala em Rozini, o cliente pensa: “Rozini pode ser caro, mas é muito bom”. Então o cliente, o consumidor, já nos conhece, já sabe que é um produto de qualidade, que é um produto que ele vai comprar hoje e vai praticamente acompanhá-lo a vida toda, porque não vai dar defeito, não vai estragar daqui a dois anos. É um instrumento para o resto da vida. A gente cresceu muito em cima disto: da credibilidade do produto.

José Roberto: Sim. Sempre estamos abertos a trabalhar e ajudar o lojista. Fazemos vitrines da marca para as lojas, workshops em diversas regiões, o que for bom para os lojistas. Eles sabem que podem contar conosco.
M&M: Quantos clientes a Rozini atende hoje?
José Roberto: Hoje estamos com cerca de 800 lojas ativas e 1.200 cadastradas ao todo, mais alguns clientes na Alemanha, França e Israel.
M&M: E qual é a produção anual da empresa?
José Roberto: Estamos com uma produção de aproximadamente 35 mil instrumentos por ano, sem contar a percussão.
ROZINI: UMA NOVA ETAPA
M&M: Que outras estratégias comerciais estão aplicando na empresa neste momento particular?
José Roberto: Estamos muito focados em expandir as exportações. Neste momento de crise brasileira, as empresas que já exportam estão saindo na frente. Em 2016, participamos de uma feira em Los Angeles, onde pretendemos voltar em 2017, além de explorar também a Europa. Estamos passando por uma reestruturação completa no setor de marketing. Sentimos a necessidade de mudanças com relação ao marketing para avaliar futuros projetos.
M&M: Tayler, qual foi sua maior lição depois de levar seus instrumentos a feiras internacionais?
Tayler: Foi na feira NAMM deste ano. Aluguei um slatwall todo preto, que iria dar destaque às madeiras, que são todas naturais, e coloquei a marca em dourado, para destacar, mas os instrumentos não estavam despertando muito interesse. Quando fui andar um pouco pela feira, vi que outros estandes, principalmente os asiáticos, eram todos muito simples, só com alguns instrumentos pendurados e o nome da empresa. Percebi que estavam achando que os instrumentos eram chineses, mas quando alguém se interessava, sentava e começava a tocar algum deles, eu explicava que éramos brasileiros, com produtos feitos à mão, madeira 
M&M: E atualmente vocês vendem para quais países?
José Roberto: Para a Europa principalmente, em especial a Alemanha, mas vendemos um pouco para a França.
Tayler: Agora também para Israel. Fechamos dois pedidos para Israel e eles adoram nossos instrumentos. Eles postam vídeos no Facebook sempre dizendo: “Olha o pessoal aqui de Israel tocando com seus instrumentos”. É muito legal.
M&M: Qual categoria de instrumentos?
Tayler: Eles adoraram o sete cordas e o bandolim. Eles já têm essa tradição de guitarras portuguesas, cítaras, instrumentos bem diferenciados nessa loja e também no nosso catálogo, mas ficaram encantados especialmente com nosso sete cordas.
José: Estamos confiantes na qualidade de nossa linha de percussão para a Europa, então vamos explorar mais esse mercado. Esperamos crescer mais 10% a 15% quando isso acontecer.
M&M: Penso que como fabricante o treinamento de seu staff é algo fundamental. Como a Rozini atua nessa área?
José Roberto: Há alguns anos fizemos um grande treinamento de capacitação que se chamava Treinamento para Qualidade Total. Durou um ano e oito meses. Foi uma das melhores coisas que fiz na empresa. Hoje, como o quadro de colaboradores aumentou muito, estou pretendendo fazer esse treinamento novamente.
M&M: Em novembro a Rozini completará 22 anos. A essa altura do campeonato, quando você olha para trás e vê seus filhos assumindo, tomando parte da empresa, como se sente?
José Roberto: Bastante orgulhoso de ter conseguido tudo isso que a gente tem hoje. Você pode perguntar se eu tenho dinheiro. Não, eu não tenho dinheiro. Eu tenho uma fábrica bem estruturada com um estoque grande, bom, porque tudo que ganhei eu coloquei dentro da fábrica. Mas nunca pensei que chegaria a esse ponto. Apesar de nunca ter deixado o ‘barco passar’ sem ter entrado nele, nunca.

José Roberto: Uma coisa que eu sempre falei bastante para os dois é que sejam sinceros sempre, nunca mintam, jamais. Sejam humildes e sinceros — falar a verdade, isso eu acho a melhor coisa do mundo. É gostoso você fazer isso. Às vezes machuca, dói, tem vezes em que perde até um negócio, mas não importa. Você está sendo sincero e está satisfeito com isso.
M&M: E perante a concorrência?
José Roberto: A gente conversa. Gosto de sair para visitar clientes e sinto muito esse respeito que eles têm pela Rozini. Isso me deixa orgulhoso e confiante em continuar lutando com o produto brasileiro. Eles acreditam muito na marca. Hoje a marca está com uma credibilidade fantástica. Eu não esperava em 20 anos ter a força que a Rozini tem hoje, o respeito que ela tem perante os lojistas do Brasil inteiro, e isso está nos ajudando muito.
SOBRE PRODUTOS
M&M: Sabemos que você sempre teve o sonho de acompanhar a linha de cordas com uma linha de percussão. 
José Roberto: Sim. Para completar uma linha de produtos tipicamente brasileiros, necessitava de uma linha de percussão, então resolvi fazer uma linha de primeiríssima qualidade para públicos exigentes.
M&M: Falem um pouco sobre o investimento na área fabril que fizeram nos últimos anos.
José: Sempre que tínhamos algum problema ou se demorava muito para produzir, eu pesquisava alguma máquina que fizesse aquele serviço tão bem quanto o funcionário e mais rápido, então fomos evoluindo e melhorando.
Tayler: Nós não temos nada automatizado. Os processos é que foram melhorando para chegar perto do perfeito. Já a cabine é excelente, enorme, trabalham três pessoas com três carrinhos lá dentro; é pressurizada, só que não tem nenhum robô. Eu ainda estou trabalhando com o rapaz com o pincelzinho e com a pistolinha de tinta. Os maiores aprimoramentos que tivemos foram nos processos. A busca por madeira boa, por colas melhores, tintas melhores e o treinamento da turma para atingir a qualidade que esperamos.
ROZINI E SEU CAMINHO PELA FRENTE
M&M: E agora, pensando no futuro?
José Roberto: O futuro da Rozini é muito promissor, principalmente pelo que ela já conquistou nesses 21 anos. Também pelo que já falamos, sobre a credibilidade e a confiança do lojista.
Meus principais concorrentes estão importando, somos praticamente a maior empresa fabricando 100% no Brasil. Isso ajuda, pois os clientes querem um produto nacional. Outra coisa, se um produto quebrar, nós trocamos ou consertamos. A Rozini dá um ano de garantia.

Até hoje não demiti nenhum funcionário por conta da crise e pretendo não fazê-lo, pois sei que, se eu fizer, ele terá dificuldades por conta de o desemprego estar muito grande. Sei que uma hora esse País vai andar, e quando andar quero ter meu funcionário aqui. Aliás, fizemos contratações em 2016. Então, eu acredito muito no futuro, mas dependo dos políticos que façam esse país ir para a frente. Vamos continuar trabalhando muito, como fizemos em 2016, e mesmo com a crise, tivemos um crescimento de 10%.
Tayler: Também acho que vai ser bom. Só não dá para saber o quão rápido será, pois a cada mês é uma notícia nova. Eu e a Sanny estamos pensando muito em um foco de qualidade. Fazemos reuniões semanais com todos os funcionarios, estamos conversando para saber onde podemos trabalhar para acertar na qualidade dos instrumentos.
Meu foco agora é manter a qualidade, esperar a situação melhorar para fazer novos investimentos, comprar novos equipamentos, desenvolver novos produtos e pensar na exportação, porque preciso de mercado internacional agora, pois a gente já atende cerca de 90% do nacional. Quero continuar indo para a feira em Anaheim, quem sabe a algumas outras também. Precisamos mandar os nossos instrumentos para fora.
M&M: José, o que significa a Rozini para você?
José Roberto: Tudo! Minha vida, orgulho da família Rozini, muita satisfação por ter chegado até aqui. Também tenho muito orgulho em saber que meu filho está do meu lado para dar continuidade à jornada. Ele trabalha comigo há muitos anos e já está pronto para dar continuidade à Rozini.

Audio Profissional
BandBox chega ao Brasil e inaugura categoria de amp portátil inteligente com IA que trabalha sem internet
Solo a R$ 1.699 e Trio a R$ 3.599 chegam ao mercado nacional com separação de instrumentos em tempo real, mixer de quatro canais e até 10 horas de autonomia
Existe um problema que todo músico que estuda, ensina ou cria fora do estúdio conhece bem. O cubo de prática básico não entrega o que o músico de hoje precisa. Montar um rig com pedalboard, amplificador e ferramenta de aprendizado custa espaço, peso e dinheiro. E os amplificadores portáteis com entrada para instrumento que existem no mercado, em geral, funcionam mais como alto-falante do que como equipamento de músico de verdade.
O JBL BandBox foi construído para atacar exatamente essa lacuna — e chegou ao Brasil no dia 7 de abril de 2026 com um lançamento que, por si só, já disse alguma coisa sobre a proposta do produto.
Um palco para quem usa instrumento de verdade
O evento aconteceu em São Paulo e foi conduzido por Fabiano Carelli, guitarrista do Capital Inicial há mais de duas décadas. Não um apresentador de palco, não um influenciador de tecnologia — um músico profissional que conhece a rotina de quem toca ao vivo e em estúdio.
Ao lado dele, uma lista que atravessou gerações e estilos: Clemente, fundador dos Inocentes e figura central da Plebe Rude; Charles Gavin, baterista da primeira formação dos Titãs; Rayane Fortes, cantora, guitarrista e multi-instrumentista cearense que virou todas as cadeiras no The Voice Brasil e hoje acumula projeção internacional; Thaide, nome do hip-hop nacional; e Felipe Vassão, produtor com múltiplos Grammy Latinos no currículo — responsável por álbuns de Emicida e Jota.pê, com mais de 400 mil seguidores no Instagram e um canal ativo sobre produção musical.
O evento foi lotado, com presença de jornalistas, lojistas de todo o Brasil, criadores de conteúdo e convidados do mercado. E o que aconteceu no palco não foi demonstração controlada: os músicos pegaram o BandBox ao vivo, sem ensaio prévio, e mostraram o equipamento em uso real. O resultado surpreendeu. Ver um instrumento sendo amplificado, efeitos sendo trocados em tempo real e a separação de elementos funcionando diante de uma plateia que entende de som é diferente de ver um vídeo institucional. É a diferença entre acreditar no produto e entender o que ele faz.
O que é o BandBox — e por que o enquadramento importa
A linha tem dois modelos. O BandBox Solo é compacto: até 30W de saída, uma entrada de guitarra ou microfone, reprodução de música via Bluetooth, afinador, metrônomo, looper, pitch shifter, modelos de amplificador e efeitos clássicos como phaser, chorus, tremolo e reverb. A bateria dura até seis horas. Conecta ao computador por USB-C e funciona como interface de áudio direta para o DAW — sem equipamento adicional.

O BandBox Trio é o modelo para grupos: 135W com woofer de 6,5″ e dois tweeters de 1″, quatro entradas simultâneas para instrumentos e microfones, mixer de quatro canais com tela LCD integrada, efeitos de microfone, bateria substituível e até 10 horas de autonomia. Dá para plugar guitarra, baixo, microfone e ainda ter canal livre. Ambos se conectam ao app JBL One para controle avançado de equalização, modelos de amp e cadeia de efeitos — mas os recursos básicos funcionam sem ele, direto no hardware.
O enquadramento correto não é caixa Bluetooth, não é cubo de prática, não é amp de palco. É uma categoria nova: amplificador portátil inteligente, com ferramentas de prática, criação e gravação no mesmo bloco.
A Stem AI: o diferencial que a imprensa internacional foi testar
O recurso central da linha é a tecnologia Stem AI: separação em tempo real de vocais, guitarra e outros elementos de qualquer música reproduzida via Bluetooth, sem necessidade de internet e sem upload prévio de arquivo. O músico escolhe o que quer remover ou isolar — a guitarra para aprender um solo, a voz para cantar por cima, a bateria para trabalhar o groove — e o processamento acontece direto no hardware.
Aplicativos como o Moises fazem algo parecido, mas exigem que o arquivo seja enviado antes. O BandBox faz isso enquanto a música toca. Essa diferença tem consequência prática real em sala de aula, em sessão de prática e no palco de um evento como o que aconteceu ontem em São Paulo.
A imprensa especializada testou e foi direta. O Guitar World classificou a ferramenta como uma das melhores que já viu para prática com IA. O Sound on Sound, referência técnica do setor de áudio, destacou que a inclusão de separação de stems em hardware autônomo, sem dependência de processamento em nuvem, é genuinamente significativa. A ressalva presente nos testes é que a separação não é perfeita em músicas com arranjos muito densos — mas o ponto relevante é que ela funciona bem o suficiente para uso prático real, e isso a imprensa confirmou com produto em mão.

O que isso inaugura para o ecossistema
Há uma geração de músicos — estudantes avançados, professores, produtores que trabalham em casa, criadores de conteúdo musical — para quem o setup ideal precisa ser compacto, completo e capaz de gravar. Esses músicos vivem hoje entre soluções parciais: o cubo básico que amplifica mas não tem recursos, o pedalboard que tem recursos mas ocupa espaço, a interface de áudio que grava mas não amplifica.
O BandBox tenta condensar tudo isso. Para professores e escolas de música, o Trio tem apelo direto: quatro entradas, ferramentas de acompanhamento com controle de elementos, looper e interface de gravação em um único equipamento portátil que substitui um rig inteiro em aulas individuais ou em grupo pequeno. Para o criador de conteúdo musical, a interface USB-C e a Stem AI são o argumento principal — gravar direto no DAW e montar acompanhamentos customizados em tempo real são funcionalidades com encaixe direto nesse perfil. Para o músico profissional que leva o instrumento de um lugar para o outro, o Solo é o equipamento que ele não encontrava nessa faixa.
E para as lojas de instrumento, o BandBox inaugura uma conversa nova. Não compete com o cubo de entrada. Compete com a decisão de não comprar nada — porque o músico ainda não encontrou um produto que fizesse tudo que ele precisava em um formato que coubesse na sua rotina.
O essencial
O JBL BandBox chega ao Brasil num momento em que o mercado de instrumentos carece de produtos que traduzam tecnologia de software em hardware portátil sem inflar o preço além do razoável. A separação de elementos em tempo real sem internet, combinada com amplificação, efeitos e interface de gravação em um só dispositivo, não tem precedente direto nessa faixa de preço e formato no Brasil — e o lançamento de ontem, com músicos de verdade mostrando o produto em uso real, foi a forma mais honesta de apresentar isso ao mercado.

Efeitos, Pedais e Acessórios
Fuhrmann rebate rumores sobre o fechamento da empresa
Influencer declarou que a fabricante de pedais havia encerrado suas atividades.
A disseminação de informações falsas, popularmente conhecidas como fake news, é um dos maiores desafios da era digital. A desinformação não apenas afeta pessoas, mas também pode gerar danos significativos para empresas, setores produtivos e até comunidades inteiras. Recentemente, a fabricante de pedais Fuhrmann enfrentou um exemplo desse fenômeno, quando informações incorretas foram divulgadas por um influenciador digital.
Em um vídeo publicado por Leo Godinho (removido por violar os Termos de Serviço do YouTube), dois modelos antigos de pedais da Fuhrmann foram avaliados, mas o conteúdo incluiu afirmações incorretas sobre a empresa. Entre as declarações, Godinho afirmou que “fontes semi-oficiais” teriam confirmado o encerramento das atividades da Fuhrmann no Brasil, sugerindo ainda que a marca estaria operando exclusivamente por meio de vendas online e, possivelmente, descontinuaria até mesmo essa operação.
Ao buscar esclarecimentos, o CEO da Fuhrmann, Jorge Fuhrmann, classificou o caso como “extremamente preocupante” e lamentou o impacto da desinformação nas redes sociais. Ele assegurou que a empresa está, na verdade, em plena atividade e preparando lançamentos para 2025. “Não faria sentido algum investir no desenvolvimento de novos produtos para, depois, encerrar as atividades”, afirmou.
Investimentos em tecnologia e produção local
Com sede em Penápolis, interior de São Paulo, a Fuhrmann mantém sua operação em uma fábrica de 650 m², onde produz cerca de 800 pedais por mês. Segundo a empresa, ao longo de seus 18 anos de atuação, tem investido consistentemente na qualificação de colaboradores, em novas tecnologias e em maquinário avançado para aprimorar processos.
Os pedais da nova linha são mais compactos e eficientes, equipados com componentes SMDs (Surface-Mount Devices) que são montados automaticamente, trazendo inovação e modernidade aos produtos da marca. Jorge Fuhrmann destacou ainda que a empresa não possui planos de terceirizar sua produção.
Combate à desinformação
Como medida para evitar episódios similares no futuro, a Fuhrmann anunciou a criação de uma seção especial em seu site voltada à imprensa, influenciadores e ao público em geral. O objetivo é divulgar notas oficiais e esclarecer dúvidas sobre a empresa e seus produtos, combatendo possíveis boatos antes que eles se espalhem.
O episódio reforça a importância de verificar informações antes de compartilhá-las, especialmente em um ambiente digital onde rumores podem ganhar grandes proporções rapidamente.
Cultura
Música transforma vidas de presos em projeto de ressocialização
A ressocialização de detentos no Brasil tem ganhado novas dimensões com projetos que unem capacitação profissional e arte.
Iniciativas como o Sons da Liberdade, no Acre, e o Baqueart, em Pernambuco, utilizam a fabricação de instrumentos musicais para proporcionar aos internos uma oportunidade de recomeçar suas vidas de maneira digna, oferecendo uma nova perspectiva de reintegração social e profissional. Além de promoverem o desenvolvimento de habilidades técnicas, esses projetos utilizam a música como ferramenta de transformação, criando oportunidades reais para os presos saírem do sistema penitenciário com novas chances no mercado de trabalho.
Sons da Liberdade, realizado pelo Instituto de Administração Penitenciária (Iapen)
No Acre, o projeto Sons da Liberdade, realizado pelo Instituto de Administração Penitenciária (Iapen), se consolidou como uma referência nacional na ressocialização de detentos através da luthieria, a arte de fabricar instrumentos musicais. Desde maio de 2024, os reeducandos são capacitados a construir violões e guitarras de alta qualidade em uma oficina que proporciona 222 horas de aulas práticas e teóricas. O coordenador do projeto, Luiz da Mata, destaca que a iniciativa tem como objetivo oferecer aos detentos a chance de aprender uma nova profissão, preparando-os para o mercado de trabalho após o cumprimento de suas penas.
O reconhecimento da qualidade dos instrumentos fabricados pelos presos foi evidenciado durante a Expoacre 2024, onde os violões confeccionados na oficina chamaram a atenção de visitantes e músicos locais. “A madeira é de qualidade, e por ser feito por reeducandos, é algo muito interessante, muito gratificante”, comentou o músico Rafael Jones, que visitou o estande do Iapen durante o evento. Além do sucesso na Expoacre, o projeto Sons da Liberdade foi convidado para expor seus instrumentos na Conecta+ Música & Mercado, a maior feira de música da América Latina, um reconhecimento significativo da qualidade do trabalho realizado dentro do sistema penitenciário.
Jardel Costa, policial penal e instrutor de luthieria no Sons da Liberdade, enfatizou a satisfação dos detentos em ver seu trabalho sendo apreciado pela comunidade. “Eles têm ficado muito felizes, tanto com o instrumento pronto, quanto com o fruto do trabalho, também com as pessoas vindo ver o instrumento, tocar neles, ver que é um instrumento bom, de qualidade, que não perde em nada para um instrumento profissional”. Essa valorização do trabalho contribui diretamente para a autoestima dos reeducandos e reforça o potencial transformador da arte dentro do ambiente prisional.
Projeto Baqueart, no Centro de Ressocialização do Agreste (CRA)
Paralelamente, em Pernambuco, o projeto Baqueart, no Centro de Ressocialização do Agreste (CRA), localizado em Canhotinho, também promove a reintegração social por meio da música. Desde agosto de 2024, os detentos participam de aulas teóricas e práticas de fabricação artesanal de instrumentos de percussão, como zabumbas, surdos e pandeiros. Segundo Paulo Paes, secretário de Administração Penitenciária e Ressocialização de Pernambuco, o projeto busca oferecer uma formação técnica que permita aos internos sair do sistema penitenciário com condições de sustentar suas famílias e viver com dignidade.
Além da capacitação técnica, o projeto Baqueart se destaca pela abordagem ambientalmente sustentável, com a produção totalmente artesanal e manual, sem o uso de produtos químicos ou máquinas. Sérgio Reis, professor responsável pela formação dos internos, destacou a importância do método: “O processo é totalmente manual, respeitando o meio ambiente e ensinando uma nova forma de trabalho para os internos”.
A valorização do trabalho dos detentos no projeto Baqueart também é recompensada com remuneração e direito à remição de pena, conforme previsto na Lei de Execução Penal. “O Baqueart faz parte de uma transformação maior no sistema penitenciário de Pernambuco, onde trabalho, renda e educação são pilares fundamentais”, afirmou Alexandre Felipe, superintendente de Trabalho e Ressocialização. A iniciativa tem sido vista como um modelo a ser seguido, com planos de expansão para outras unidades prisionais no estado.
Essas iniciativas de luthieria dentro do sistema prisional não apenas promovem a capacitação técnica dos detentos, mas também oferecem um meio de abstração e reabilitação emocional por meio da música. Para Daniel Neves, presidente da ANAFIMA (Associação Nacional da Indústria da Música), os projetos têm uma importância multifacetada: “A fabricação de instrumentos musicais pelos detentos atua em dois parâmetros: a criação de um ofício e a abstração que o instrumento proporciona. Foi louvável a atitude das diretorias de ambos sistemas penitenciários que trouxeram estas atividades aos detentos”.
Ao capacitar os internos para uma nova profissão e permitir que eles utilizem a música como forma de expressão e superação, os projetos Sons da Liberdade e Baqueart demonstram o potencial transformador da arte dentro do sistema penitenciário. Essas iniciativas oferecem aos detentos uma oportunidade real de reescreverem suas histórias e de retornarem à sociedade com dignidade e novas perspectivas de vida.
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