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Radar Latino: 5 movimentos que podem mudar o negócio da música

Ilustração da Redação Música & Mercado

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Radar Latino: 5 movimentos que podem mudar o negócio da música
6 min de leitura

Entre 14 e 19 de setembro de 2026, várias notícias deixaram sinais mais amplos do que seus próprios títulos. Algumas falam de investimento, outras de varejo, distribuição, inteligência artificial ou grandes encontros internacionais. Mas todas apontam para uma mesma transformação: os canais pelos quais música, tecnologia e experiências são vendidos e monetizados estão mudando.

Nesta edição do Radar Latino, Música & Mercado seleciona cinco movimentos que merecem ser observados além da notícia isolada.

1. NAMM Show 2027 abre as inscrições: a agenda comercial começa agora

As inscrições para o The NAMM Show 2027 já estão abertas. O evento acontece de 26 a 30 de janeiro de 2027, no Anaheim Convention Center, enquanto os pavilhões de exposição funcionam entre os dias 28 e 30. A NAMM pretende reunir fabricantes, varejistas, distribuidores, artistas, creators, profissionais de tecnologia, educadores e mídia para negócios, lançamentos, capacitação e networking. 

A programação anterior à abertura da exposição também está sendo ampliada, com iniciativas como NAMM AI Marketing Summit, TEC Tracks Studio Summit, TEC Tracks Live Sound Summit, Entertainment Technology Summit e Music Education Leaders Summit. 

Por que isso importa agora se a feira acontece apenas em janeiro? Porque, para distribuidores, lojas e empresas latino-americanas, o valor da NAMM começa antes da chegada a Anaheim. É agora que se identificam marcas, agendam-se reuniões, estudam-se novas representações e se definem objetivos comerciais.

O sinal para a América Latina: deixar a preparação para dezembro pode significar chegar tarde às conversas comerciais mais relevantes.

2. Fever recebe US$ 250 milhões: capital continua apostando em experiências ao vivo

A plataforma de cultura e entretenimento Fever anunciou uma rodada primária de financiamento de US$ 250 milhões, liderada pela EQT e com participação da Point72 Private Investments, Baillie Gifford e outros investidores. A companhia classificou a operação como a maior rodada primária já realizada por uma empresa de tecnologia dedicada ao entretenimento ao vivo. 

Segundo a Fever, sua receita mais que triplicou nos últimos três anos, mantendo EBITDA positivo. A empresa atua na interseção entre ticketing, descoberta de eventos, marketing e experiências presenciais, além de ser proprietária da DICE. 

O movimento chama atenção justamente no momento em que grande parte dos investimentos em tecnologia está concentrada em inteligência artificial.

O sinal para a América Latina: mesmo com a rápida digitalização da indústria, continua entrando capital significativo em negócios baseados em presença física. Shows, venues, festivais, ticketing e infraestrutura para live entertainment permanecem como áreas de crescimento.

Em 15 de setembro, a Universal Music Group processou a DistroKid em um tribunal federal de Delaware. A UMG acusa a plataforma de distribuição de infringir direitos autorais e distribuir milhares de gravações não autorizadas ou modificadas, incluindo conteúdo gerado por inteligência artificial. A DistroKid rejeitou as acusações e afirmou que defenderá suas práticas. O processo ainda não foi julgado. 

Três dias depois, UMG, Sony Music e outros selos ampliaram a disputa contra a Suno, com uma nova ação envolvendo mais de 60 mil gravações que, segundo os autores do processo, teriam sido utilizadas sem autorização para treinamento dos modelos. As acusações ainda serão analisadas judicialmente. 

A discussão começa, portanto, a ir além da pergunta sobre como a IA é treinada. Outra questão ganha importância: qual é a responsabilidade da empresa que distribui ou monetiza esse conteúdo?

O sinal para a América Latina: artistas independentes, selos, publishers e agregadores da região precisam acompanhar essa evolução. Novas exigências de identificação, rastreabilidade ou retirada de conteúdo podem alterar rapidamente a operação das plataformas usadas globalmente.

4. Gibson transforma Gustavo Cerati em mais do que uma guitarra signature

A Gibson Custom apresentou a Gustavo Cerati ES-335, criada em parceria com o espólio do artista argentino e baseada em sua ES-335 de 1965. Apenas 60 unidades serão produzidas, disponíveis exclusivamente no novo Gibson Garage Miami. As vendas começaram em 18 de setembro, e este é o primeiro grande lançamento exclusivo associado à nova loja. 

Seria fácil tratar a novidade apenas como outra guitarra signature. Comercialmente, porém, há uma estratégia mais ampla.

A Gibson combina três elementos: um artista de enorme relevância para a música latino-americana, escassez extrema e exclusividade de ponto de venda.

Nesse contexto, a guitarra também se transforma em instrumento de geração de tráfego e posicionamento do Gibson Garage Miami.

O sinal para a América Latina: produtos signature podem cumprir uma função muito maior do que simplesmente ampliar um catálogo. Eles podem ser usados para fortalecer lojas, gerar experiências e criar motivos concretos para o consumidor visitar um espaço físico.

5. PRS quer transformar pesquisa online em visitas aos dealers

A PRS Guitars incorporou as ferramentas Store Locator e Product Locator da Locally ao PRSGuitars.com. A integração permite que consumidores pesquisando um instrumento no site da marca encontrem dealers autorizados próximos e, quando o lojista compartilha seus dados de estoque, consultem também a disponibilidade local do produto. 

A iniciativa mostra uma abordagem interessante para a relação entre fabricante, digital e varejo.

Em vez de tratar o site oficial e as lojas físicas como canais concorrentes, a PRS utiliza o próprio tráfego digital para encaminhar consumidores com intenção de compra aos dealers.

Segundo a Locally, o sistema busca aumentar a visibilidade dos varejistas, aproximar pesquisa de produto e estoque disponível e encurtar a jornada entre descoberta online e compra presencial. 

O sinal para a América Latina: essa pode se tornar uma questão central para o varejo musical. Fabricantes acumulam audiência e dados por meio de seus próprios sites e redes sociais. O ponto estratégico é saber quanto desse tráfego será devolvido ao canal que mantém estoque, demonstra o produto e oferece suporte local.

O sinal da semana

As cinco notícias parecem tratar de assuntos diferentes, mas existe um fio condutor: a disputa por quem controla a relação com o cliente.

A NAMM concentra relações comerciais. A Fever conecta audiências e experiências. As majors tentam estabelecer responsabilidades na distribuição digital. A Gibson usa exclusividade para levar consumidores a um espaço próprio. A PRS faz um movimento complementar: usa seu site para direcionar compradores aos dealers.

Para o mercado latino-americano, talvez essa seja uma das perguntas mais importantes dos próximos anos: quem controla a relação com o cliente — a marca, o distribuidor, a loja, a plataforma ou quem controla os dados?

As notícias desta semana mostram que essa disputa já está acontecendo.

Redação M&M
Autor: Redação M&M

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