Audiovisual
Rodrigo Casassus Coke: “O áudio está cada vez mais integrado ao audiovisual”
Senior Director para América Latina e Caribe da AVIXA analisa as oportunidades para empresas de áudio, distribuição e integração e explica o papel do Brasil no ecossistema Pro AV regional.
O mercado de áudio profissional está mudando de fronteiras. Sistemas que antes eram pensados de forma relativamente independente hoje fazem parte de projetos que combinam som, vídeo, iluminação, redes, controle, software, streaming e experiência do usuário.
Essa convergência está abrindo novas oportunidades para distribuidores, integradores, empresas de rental e profissionais que tradicionalmente atuavam no mercado musical ou de áudio. Instalação fixa, áudio sobre IP, broadcast AV, colaboração, espaços imersivos e automação são algumas das áreas que começam a fazer parte desse novo campo de atuação.
É nesse contexto que acontece a InfoComm América Latina 2026, de 21 a 23 de outubro, no World Trade Center da Cidade do México, com exposição ampliada, salas demo de áudio, Congresso AVIXA, treinamentos de fabricantes e conteúdos sobre inteligência artificial, experiências imersivas e novas tecnologias.
Música & Mercado conversou com Rodrigo Casassus Coke, CTS, Senior Director para América Latina e Caribe da AVIXA – associação que produz o evento –, para entender onde o áudio encontra o Pro AV, quais oportunidades estão surgindo para as empresas da região e como o Brasil se encaixa nessa transformação.

Música & Mercado: Para quem vem do áudio e do mercado musical, onde estão hoje os principais pontos de encontro com o Pro AV?
Rodrigo: A InfoComm é uma feira da indústria audiovisual profissional, mas os pontos de encontro com o mercado de áudio, produção musical, rental e live events são cada vez mais evidentes.
O áudio profissional está presente em praticamente todos os ambientes onde o AV gera valor: auditórios, igrejas, universidades, hotéis, centros de convenções, estádios, arenas, salas corporativas, espaços imersivos, eventos ao vivo e estúdios de produção.
O que mudou é que o áudio raramente aparece sozinho. Ele está integrado ao vídeo, à iluminação, ao controle, às redes, ao conteúdo e à experiência do usuário.
Para um profissional que vem do áudio ou do mercado musical, a InfoComm América Latina é uma oportunidade para enxergar novas aplicações para competências que ele já possui. Quem trabalha com captação, sonorização, operação, acústica ou sistemas para eventos pode encontrar caminhos em instalação fixa, áudio sobre IP, colaboração, broadcast AV, espaços corporativos, educação, hospitalidade, templos e experiências imersivas.
Hoje não basta entregar um sistema que soe bem. É preciso pensar também em controle, conectividade, operação, manutenção, escalabilidade e integração com outras tecnologias.
M&M: Que oportunidades a convergência entre áudio, vídeo, iluminação, redes e TI está criando?
A maior oportunidade está em ampliar o papel dessas empresas diante do cliente. Um distribuidor ou integrador que veio do áudio ou da iluminação pode continuar tendo sua especialidade como diferencial, mas precisa entender que o cliente final está buscando soluções completas.
Um projeto pode envolver som, vídeo, telas, câmeras, automação, streaming, sinalização digital, redes, software e suporte. Quando a empresa consegue participar de mais etapas desse processo, deixa de ser apenas fornecedora de um produto e passa a ser parceira na solução.
Isso abre espaço para novos serviços: projeto, engenharia, programação, treinamento, suporte técnico, manutenção, monitoramento remoto e atualização de sistemas.
Também permite atuar em projetos de maior valor, nos quais a decisão não depende apenas de preço, mas da capacidade de entregar confiabilidade, experiência e continuidade operacional.
A convergência não significa que todos precisam dominar tudo da noite para o dia. Significa que será cada vez mais importante criar parcerias, formar equipes e desenvolver uma visão mais integrada do projeto.

M&M: O que uma empresa de áudio precisa desenvolver para entrar no Pro AV?
Representar boas marcas continua sendo relevante, mas já não é suficiente para competir em muitos projetos. O mercado está exigindo mais conhecimento técnico, mais suporte e mais capacidade de integração.
Uma empresa que deseja crescer no Pro AV precisa desenvolver competências em engenharia, desenho de sistemas, redes, áudio e vídeo sobre IP, controle, interoperabilidade, software, suporte técnico e capacitação.
Também precisa conhecer melhor os diferentes segmentos em que pretende atuar. Um projeto para uma universidade é diferente de um projeto para um hotel, um templo, uma sala de reuniões, um auditório ou um centro de controle.
A formação profissional é essencial. Quanto mais capacitado está o canal, melhor ele consegue especificar, vender, instalar e dar suporte. Isso reduz problemas no campo e aumenta a confiança do cliente.
Na AVIXA, acreditamos que a profissionalização é uma das bases do crescimento da indústria na região. O mercado está buscando empresas que acompanhem o projeto de ponta a ponta, e isso cria uma grande oportunidade para quem já tem experiência prática no áudio e quer expandir para soluções mais completas.
M&M: Onde estão hoje as principais oportunidades de crescimento na América Latina?
Vejo oportunidades muito claras em instalação fixa de áudio profissional, especialmente em ambientes corporativos, educação, hospitalidade, templos, auditórios, arenas, centros de convenções e espaços de entretenimento.
Esses projetos exigem qualidade sonora, inteligibilidade, confiabilidade, facilidade de operação e integração com vídeo, controle e redes.
Também há muito crescimento em live events e experiências imersivas. A América Latina tem uma relação muito forte com eventos, música, entretenimento e encontros presenciais. Isso favorece empresas que já entendem de operação ao vivo e podem agregar novas camadas de vídeo, iluminação, conteúdo, interatividade e automação.
Outra área importante é o broadcast AV. Cada vez mais organizações estão produzindo e distribuindo conteúdo, mesmo sem serem emissoras tradicionais. Empresas, universidades, governos, igrejas, estádios e casas de eventos precisam gravar, transmitir e publicar conteúdo para diferentes plataformas.
Áudio sobre IP, colaboração híbrida, digital signage, monitoramento de sistemas e soluções conectadas também representam caminhos naturais para empresas de áudio.

M&M: Qual transformação tecnológica deverá ter maior impacto comercial nos próximos anos?
Todas terão impacto, mas acredito que a convergência entre AV, TI e software será a mais profunda do ponto de vista comercial.
Ela é a base que permite o avanço do áudio e vídeo sobre IP, da inteligência artificial, da colaboração avançada e das experiências imersivas.
Nos próximos anos veremos cada vez mais projetos em que o AV será parte da infraestrutura tecnológica das organizações. Isso muda a forma de vender, projetar, operar e manter os sistemas. Também aproxima a indústria audiovisual das áreas de TI, facilities, comunicação interna, inovação, marketing e experiência do cliente.
A inteligência artificial terá um papel muito importante, principalmente em automação, produção de conteúdo, transcrição, tradução, câmeras inteligentes, otimização de áudio, análise de dados e monitoramento.
Mas, para que essas aplicações entreguem valor, é preciso ter uma infraestrutura bem planejada.
Por isso, as empresas que conseguirem combinar experiência técnica tradicional com conhecimento de redes, software, dados e serviços terão uma posição muito competitiva na região.
M&M: Por que é um erro tratar a América Latina como um único mercado?
A primeira lição é que a América Latina não deve ser tratada como um único mercado. Existe proximidade cultural e muitos desafios em comum, mas cada país tem sua própria dinâmica, seu ritmo de investimento, sua estrutura de canais e suas prioridades.
O México tem uma escala muito relevante e uma relação forte com a América do Norte. O Brasil é um mercado enorme, com idioma, estrutura comercial, tributação e características próprias. A Colômbia tem uma comunidade muito ativa e oportunidades importantes em tecnologia, educação, eventos e corporativo. O Chile costuma apresentar alto nível de profissionalização em vários segmentos. A Argentina tem grande talento técnico e criativo, apesar dos desafios econômicos.
A América Central e o Caribe têm mercados menores, mas com oportunidades em hospitalidade, turismo, governo, educação e eventos.
Para uma empresa internacional, não basta traduzir materiais ou nomear um distribuidor regional. É preciso entender canais, suporte local, disponibilidade de produto, capacitação, formas de compra, financiamento, impostos e necessidades específicas de cada vertical.
O trabalho da AVIXA na região parte justamente dessa diversidade. Buscamos criar espaços de educação, conexão, inteligência de mercado e comunidade, respeitando as realidades locais.
Em 2026, também organizamos eventos InfoComm América Latina On The Road, com a ideia de levar parte da experiência da AVIXA e do conteúdo do nosso show para outros países da região, como Colômbia e Argentina. Continuaremos com esse formato em 2027 e estamos trabalhando para trazer o On The Road para São Paulo em julho. Fiquem ligados para mais novidades.

M&M: Que lugar o Brasil ocupa na estratégia regional da AVIXA?
O Brasil tem um papel muito importante na estratégia regional da AVIXA. Não apenas pelo tamanho do mercado, mas pela maturidade de muitos profissionais, pela força de segmentos como corporativo, educação, eventos, entretenimento, broadcast, templos, varejo e hospitalidade, e pela capacidade que o país tem de gerar projetos complexos.
O idioma é um fator relevante. Produzir conteúdo em português, oferecer capacitação adequada e dialogar com a comunidade brasileira na sua própria língua faz diferença.
Mas a questão vai muito além da tradução. O Brasil tem particularidades comerciais, tributárias, logísticas e culturais que precisam ser compreendidas.
Ao mesmo tempo, o Brasil não está isolado da América Latina. Muitos desafios são compartilhados com outros mercados da região: necessidade de profissionalização, formação técnica, suporte, integração entre AV e TI, crescimento do consumidor final especializado e busca por soluções mais eficientes.
Para nós, o Brasil é um mercado com identidade própria e também uma parte fundamental do ecossistema latino-americano. O objetivo é fortalecer essa conexão, ampliar o acesso à educação, aproximar a comunidade brasileira das discussões regionais e criar mais oportunidades de colaboração.
M&M: Por que o profissional brasileiro de áudio deveria acompanhar a InfoComm América Latina 2026?
A InfoComm América Latina 2026 chega em um momento muito relevante para o mercado. Segundo estudos da AVIXA, a indústria global Pro AV deve crescer de 332 bilhões de dólares em 2025 para 402 bilhões em 2030.
Na América Latina e Caribe, o mercado já representa uma oportunidade importante, impulsionada por empresas, governos, instituições educacionais, espaços de entretenimento, hotéis, venues e usuários finais que estão investindo em melhores experiências audiovisuais.
A edição de 2026 será realizada de 21 a 23 de outubro, no World Trade Center da Cidade do México. Teremos um piso de exposição maior, mais expositores e marcas, salas demo de áudio, Congresso AVIXA, conteúdos sobre inteligência artificial, experiências imersivas, treinamentos de fabricantes e atividades para diferentes perfis profissionais.
Para o público da Música & Mercado, acredito que a mensagem principal é que a InfoComm América Latina também é um espaço para quem trabalha com áudio. É uma oportunidade para entender como esse conhecimento pode se expandir para novos mercados, novas aplicações e novos modelos de negócio.
O credenciamento já está aberto e é gratuito. Esperamos receber profissionais de toda a América Latina na Cidade do México.

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