Mulheres luthiers: Rosanne Machado

Mulheres luthiers: Rosanne Machado

por 23/09/2020

Hoje apresentamos Rosanne Machado, luthier que nesse ano, junto com outros colegas, lançou a Mankato Guitars, baixos e guitarras artesanais inspirados em modelos antigos.

A Rosie Machado teve contato com a música desde muito cedo. “Tive o privilégio de ter pais que perceberam meu entusiasmo com a música e incentivaram o desenvolvimento desse contato,” conta. “Sempre gostei de ciência, de aprender o funcionamento das coisas e acho que essa minha curiosidade acabou transparecendo na música. Seja na escolha de fazer lutheria, seja nas minhas experimentações com gravações e produções.” 

Rosanne é a primeira mulher formada em luteria pela Universidade Federal do Paraná. Quer conhecer mais? Aqui vamos.

M&M: Por favor conte sobre o projeto da Mankato Guitars.

Rosanne: Esse ano lançamos a Mankato Guitars, uma pequena oficina que produz baixos e guitarras inspirados em modelos antigos. Tudo feito à mão, com muita paciência e carinho. Fazem parte desse projeto meus queridos Fábio Gorski, Luana Lima e Raysa Fontana.

M&M: Você fez alguma carreira relacionada ao mundo dos instrumentos?

Rosanne: Sim. Tenho muito orgulho em ser a primeira mulher formada em luteria pela Universidade Federal do Paraná, com especialização em instrumentos elétricos. O curso é uma experiencia imersiva no mundo dos instrumentos e conta com mestres luthiers que são referência no Brasil e no mundo.

M&M: Que instrumentos você faz?

Rosanne: Faço exclusivamente guitarras e baixos.

M&M: Faz tudo, desde o design até a fabricação mesmo?

Rosanne: No início costumava fazer tudo em casa. Hoje, com a oficina, foco mais no design e detalhes, compartilhando o processo de construção com meus colegas.

M&M: Por que escolheu esses instrumentos?

Rosanne: Por amor mesmo! Tenho loucura pelos modelos dos anos 1950 e 1960 e é incrível poder resgatar algumas características que são difíceis de encontrar em guitarras modernas nos meus instrumentos como, por exemplo, escalas mais curtas, formas simétricas, braços mais espessos e trastes mais finos.

M&M: É difícil (ou tem sido difícil) ser mulher e trabalhar neste segmento, que normalmente é ocupado por homens?

Rosanne: No começo do curso de luteria tive contato com alguns (poucos) homens que duvidaram da minha capacidade em lidar com equipamentos perigosos. É uma experiencia quase engraçada entrar numa loja de ferragens e o vendedor te atender como se você não soubesse o que está fazendo ali. Com o tempo, deixei o trabalho falar por si e as piadinhas se converteram em apoio e respeito. Minha formatura foi muito legal nesse sentido, rolou todo um reconhecimento em volta desse tema.

M&M: Uma mulher cria para outra mulher ou os conceitos podem atrair também público masculino?

Rosanne: Meu “clubinho” da guitarra sempre foi composto só por homens. Isso tem mudado cada vez mais e a Mankato Guitars tem um compromisso em aproximar as mulheres das guitarras. Esse ano desenvolvemos instrumentos especiais para o projeto Girls Rock Camp e vamos patrocinar as artistas Monica Agena (Produtora/Moxine/Ex-Natiruts), Erica Silva e Naíra Debértolis (Mulamba) com modelos exclusivos.

M&M: O que faz seus designs diferenciados?

Rosanne: A inspiração que vem de instrumentos antigos, o uso de madeiras locais e a construção artesanal.

M&M: Gostaria de destacar algum modelo seu?

Rosanne: O modelo de “Scout”, que ganhou esse nome por causa da personagem principal do livro “To Kill A Mockinbird”. Ela representa uma das primeiras garotas revolucionárias na luta por igualdade na literatura moderna.

Esse modelo é uma variação da Telecaster em toda “ostentação” que pude imaginar: corpo maciço, top de araucária, pintura translúcida, trastes finos, marcação da escala feita em osso (assim como o nut), mão em escala maior do que as guitarras modernas, friso no corpo e braço, captador dos anos 1950 e um trêmulo Bigsby. Um orgulhinho!

Mais informações no site, no Facebook ou no Instagram da Mankato Guitars e da Rosie.