Gestão
NAMM alerta sobre impacto de tarifas em instrumentos musicais
A NAMM levou a Washington um alerta direto: se os Estados Unidos aplicarem novas tarifas sem excluir instrumentos, componentes e materiais musicais, o primeiro impacto pode aparecer nos produtos de entrada.
John Mlynczak, presidente e CEO da NAMM, foi incluído no painel de 8 de maio diante do comitê Section 301 do Office of the United States Trade Representative (USTR), dentro das audiências sobre excesso estrutural de capacidade produtiva.
A posição da NAMM é que instrumentos musicais não se encaixam bem em uma política tarifária pensada para setores estratégicos de manufatura pesada. Em seu testemunho, Mlynczak afirmou que a indústria norte-americana de produtos musicais representa US$ 9 bilhões dentro de um mercado global de US$ 19,5 bilhões, e que a NAMM representa mais de 10 mil empresas.
O dado mais sensível para lojas e distribuidores está nos instrumentos para iniciantes. Segundo a NAMM, em 2025 as importações norte-americanas de instrumentos de sopro caíram 27% e as de pianos, 20%. Para a associação, isso não apenas encarece o acesso, mas também reduz a base de futuros músicos, clientes e compradores de instrumentos profissionais.
O que a NAMM está pedindo
A NAMM pede que, caso o USTR recomende novas tarifas, seja criado um processo de exclusão para instrumentos musicais, componentes e materiais incluídos no Capítulo 92 do sistema HTS.
A associação sustenta que a cadeia de suprimentos de instrumentos depende de madeiras, metais, ímãs, peças e conhecimentos especializados que não podem ser substituídos rapidamente por produção local.
O argumento não é apenas cultural. É comercial. Segundo Mlynczak, as tarifas elevam os custos para fabricantes e varejistas norte-americanos, enquanto concorrentes estrangeiros podem comprar os mesmos materiais sem o mesmo peso tributário.
O USTR abriu essas investigações sob a Section 301 em 11 de março de 2026, mirando 16 economias, entre elas China, União Europeia, Japão, México, Índia, Coreia, Vietnã, Taiwan e Indonésia. A investigação busca determinar se certas práticas ligadas ao excesso de capacidade produtiva afetam o comércio dos Estados Unidos.
Por que isso importa para o canal
Para o varejo musical, o risco não está apenas em um aumento pontual de preços. Está no efeito em cadeia: instrumentos escolares mais caros, menor giro de produtos de entrada, pressão sobre margens e mais dificuldade para transformar estudantes em clientes de longo prazo.
A preocupação da NAMM toca em um ponto que as lojas conhecem bem: o primeiro instrumento raramente é o mais rentável, mas costuma abrir a relação com o cliente. Se esse acesso fica mais caro, todo o percurso posterior enfraquece — aulas, acessórios, upgrades, manutenção e futuras compras.
Depois das audiências, o USTR deve avançar para possíveis medidas específicas, o que abriria uma segunda etapa de comentários públicos. A NAMM afirmou que continuará acompanhando o processo e avisará seus membros quando surgir a próxima oportunidade de participação.
A leitura para a indústria é direta: o debate tarifário pode parecer distante, mas termina no preço do instrumento escolar, na margem da loja e na capacidade do canal de formar novos consumidores de música.
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