Educação
Educação Musical: Mapeamento inédito traça retrato das iniciativas no Brasil
Primeiro levantamento desta natureza realizado no País, o Mapeamento de Projetos de Educação Musical foi desenvolvido pelo programa Brasil de Tuhu em parceria com a JLeiva
O Objetivo é, a partir dos dados coletados, fomentar iniciativas em rede e incentivar políticas públicas que fortaleçam projetos de educação musical no País. Primeiro passo neste sentido será a Bienal de Música e Cidadania, realizada pela Funarte entre os dias 14 e 16 de dezembro em Belo Horizonte.
Com iniciativas que se espalham de Norte a Sul, os projetos de educação musical oferecidos gratuitamente, sobretudo por organizações do terceiro setor, atendem a milhares de crianças e jovens do País.
Embora a maioria seja de pequeno e médio porte e atue exclusivamente nos municípios onde estão instaladas, estas iniciativas cumprem papel fundamental na disseminação do ensino da música no Brasil.
Muitas iniciativas são a porta de entrada de crianças e jovens ao universo musical (92% dos participantes destes projetos não tinham qualquer conhecimento prévio de música) e mesmo concentradas na região Sudeste (cerca de 52% das iniciativas), praticamente todos os estados brasileiros abrigam programas e ações neste sentido.
Elas também se mostram uma alternativa para profissionais da área, já que a maioria dos educadores destes projetos tem formação específica em música – 41% são
bacharéis, 37% são licenciados, 19% são mestres 9% são doutores – números relevantes em um setor onde nem sempre os educadores têm formação específica.
O grande gargalo, como era de se esperar, ainda é a captação de recursos, sendo que a quase totalidade das iniciativas depende de doações diretas, editais e leis de incentivo. Entre os projetos de pequeno porte, parcerias com supermercados, padarias, escolas, universidades e igrejas se sobressaem e demonstram que muitas iniciativas se mantêm com recursos escassos.
“Trouxemos um primeiro olhar sobre as organizações que ensinam, de forma independente, música para jovens e crianças no País para entender como funcionam, onde se encontram e quais seus principais desafios”, explica Paula Brandão, idealizadora do Brasil de Tuhu e uma das coordenadoras do mapeamento.
Foram contatados 2.040 projetos, sendo que 240 responderam ao questionário online aplicado entre dezembro de 2016 e março de 2017. Os resultados trazem dados sobre porte das organizações, público atendido, instrumentos e estilos musicais utilizados, formas de financiamento, métodos pedagógicos, capacitação profissional, ações de inclusão de pessoas com deficiência e principais desafios que estas iniciativas enfrentam.
“O mapeamento está em construção permanente, pois sabemos que existem muitos projetos que não foram alcançados e que, a cada ano, novas iniciativas surgem”, esclarece Paula Brandão. “Estaremos na 1ª Bienal de Música e Cidadania da Funarte para apresentar os resultados do mapeamento e, a partir deles, buscar pontos em comum entre os projetos presentes, incentivando trocas e ajudas mútuas”, diz.
Por ser o primeiro levantamento desta natureza realizado no País, o Mapeamento de Projetos de Educação Musical foi utilizado como base para a mobilização de organizações que participarão da Bienal, que será realizada de 14 a 16 de dezembro em Belo Horizonte.
“Tem muita gente fazendo coisas bacanas pelo Brasil afora. Temos que entender porque estas iniciativas não se falam, não se conhecem, não se ajudam. Neste encontro, queremos que gestores e educadores de projetos sociomusicais se conheçam, troquem informações, se juntem e, a partir daí, formem uma rede ativa, que inclusive fortaleça o diálogo com o próprio poder público”, levanta Marcos Souza, diretor do Centro de Música da Funarte.
Confira a conclusão do estudo
1 Boa parte dos produtores dedica-se apenas a um projeto em educação musical (ainda que atue também em outras áreas da cultura), de alcance moderado, tanto em número de beneficiados (até 500 pessoas por ano) quanto do ponto de vista geográfico (mais de 80% só atua em seu próprio município).
O conjunto das respostas, portanto, indica a predominância de agentes de pequeno ou médio porte.
2 Ainda que de pequena dimensão, os projetos parecem ter grande relevância social. A grande maioria oferece atendimento gratuito e mira um grupo social especialmente vulnerável no Brasil: os jovens. A ênfase nesse estrato é reforçada pela informação de que o público-alvo mais alcançado são jovens com pouca ou nenhuma formação musical.
3 A importância do setor para a inclusão é demonstrada também pela atenção a questões deacessibilidade. Seis em cada dez atendem pessoas com deficiência (embora o número de beneficiados poucas vezes passe dos cinco), e praticamente metade tem interesse em trabalhar melhor com o assunto.
Como em outras áreas, ainda falta a preocupação com a inclusão se estender também ao próprio quadro de funcionários e colaboradores.
4 Não fica clara a relevância das atividades voltadas a professores – que têm papel importante de disseminar conhecimento.
Uma pesquisa mais detalhada poderia indicar o quanto os projetos para esse grupo ajudam a replicar boas práticas.
5 Sobre a qualidade do trabalho oferecido pelos projetos, a pesquisa traz uma notícia boa e uma ruim.
A BOA
Muitas atividades são coordenadas por pessoas com conhecimento em música – relativamente poucos contam com bacharéis (28%) ou licenciados (12%) oriundos de outras áreas, além de 13% com profissionais sem formação. Como na música é frequente a presença de pessoas sem formação específica, os números deste levantamento parecem bons.
A MÁ
Prevalecem ações que ou não usam metodologia específica ou usam metodologia própria – o que, em alguns casos, pode ser um modo polido de se dizer que não há propriamente um método sistematizado em uso.
6 As entrevistas demonstram que o leque de atividades educativas utilizadas é bem amplo.
O predomínio é de concertos e shows didáticos – que, por si sós, têm potencial limitado. Mas chama a atenção a quantidade de propostas em que a formação continuada parece estar em primeiro plano.
7 Em comunicação, a ênfase nos meios digitais não é surpresa. Trata-se de uma área crescente, que requer pouco investimento.
O fato de uma parcela dos projetos se interessar em fazer capacitação na área, porém, pode indicar que essas ferramentas não estão sendo usadas em todo o seu potencial. O gargalo apontado em elaboração de estratégia de comunicação reforça essa impressão.
8 Os resultados sobre captação de recursos surpreenderam a equipe de pesquisadores.
Como o principal meio de contato foram bancos de dados de editais e leis de incentivo, o esperado era que esses mecanismos aparecessem com grande destaque em relação aos demais. O que sobressai, porém, são as captações sem incentivo — e o fato de nenhuma modalidade atingir grandes percentuais.
9 O peso das doações diretas tem de ser relativizado.
Alguns projetos de alcance comunitário recorrem aos moradores do entorno para arrecadar recursos em campanhas esporádicas – trata-se, assim, de pequenos valores. Entre os projetos que atingem mais pessoas, as leis de incentivo (sobretudo, a Rouanet) aparecem com vulto maior. De qualquer modo, apenas uma pesquisa mais específica, envolvendo perguntas diretas sobre valores, poderá explorar melhor esses pontos
O fato de o grande gargalo apontado pelos entrevistados ser a captação de recursosdeixa claro que as fontes ainda são vistas como insuficientes.
10 A pesquisa mostra, por fim, que há grande carência por capacitação em diversos setores. Nos quatro pontos apresentados no questionário, o interesse por capacitação ultrapassa o patamar de 3,7, acima dos que poderia ser tomado como sinal de interesse mediano (3 pontos).
A lista completa dos projetos que participaram do levantamento e os dados completos do Mapeamento de Projetos de Educação Musical podem ser acessados pelo site: https://brasildetuhu.com.br.
O Mapeamento foi viabilizado com o patrocínio da Wilson Sons e Governo Federal, via Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, e contou com a parceria da J. Leiva Consultoria.
Audio Profissional
AEA lança Learning Library, série educativa sobre técnicas reais de gravação
Projeto apresenta práticas de estúdio baseadas em sessões reais e voltadas a engenheiros de áudio.
A AEA anunciou a AEA Learning Library, nova série educacional em vídeo voltada a engenheiros de gravação, produtores e profissionais de áudio interessados em aprofundar técnicas de estúdio a partir de situações reais de gravação.
A série é apresentada por John Escobar, produtor, engenheiro e professor do Berklee College of Music, e explora como decisões técnicas surgem e evoluem durante uma sessão, influenciadas pela música, pelos músicos e pelo ambiente acústico.
Aprendizado baseado na prática de estúdio
Os primeiros episódios abordam situações comuns de gravação, especialmente em projetos de música acústica, artistas solo e pequenos conjuntos. Entre os temas tratados estão:
- Técnicas de microfonação mono e estéreo
- Posicionamento de microfones
- Controle de bleed e fase
- Uso de padrões polares e pontos nulos para equilíbrio sonoro
A proposta não é apresentar fórmulas fixas, mas mostrar como a escuta crítica orienta ajustes ao longo da sessão.
Cada episódio acompanha uma performance musical completa gravada em estúdio. Em seguida, Escobar analisa as escolhas feitas, compara resultados e ajusta o setup em tempo real, reproduzindo o fluxo natural do trabalho profissional.
Microfones ribbon no centro do processo
A fase inicial da série destaca o uso de microfones ribbon da AEA como ferramentas principais de gravação, mostrando aplicações em vocais, instrumentos acústicos e ensembles.
A abordagem busca demonstrar que esses microfones podem ser utilizados no dia a dia do estúdio, influenciando diretamente timbre, imagem estéreo e definição sonora.
Conteúdo técnico em espanhol para ampliar o acesso
A Learning Library foi produzida integralmente em espanhol, com foco em engenheiros e produtores da comunidade hispanohablante. A iniciativa responde à escassez de conteúdos técnicos aprofundados disponíveis fora do inglês.
Segundo Escobar, o objetivo é tornar o processo de decisão mais transparente e incentivar profissionais a confiarem mais na própria escuta: “A ideia era que os vídeos refletissem como a gravação realmente acontece: ouvir, reagir e ajustar conforme a sessão evolui”.
Os primeiros episódios da série já estão disponíveis no YouTube, direcionados tanto a estudantes quanto a profissionais que desejam aprimorar seu fluxo de trabalho em gravação.
Educação
Inscrições abertas para aulas gratuitas de música da Fundação Theatro Municipal
Inscrições abertas até o dia 22 de fevereiro para aulas gratuitas de música e dança nos polos CEU Três Pontes e CEU Parelheiros.
A Fundação Theatro Municipal de São Paulo, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, está com inscrições abertas até o dia 22 de fevereiro para aulas gratuitas de música e dança nos polos CEU Três Pontes e CEU Parelheiros. A iniciativa, que integra o projeto “FTM EXPANDIDA”, é voltada a crianças e adolescentes de 6 a 14 anos matriculados em escolas das redes municipal, estadual ou privada, visando promover a formação artística e o convívio social ao longo de 2026.
As vagas contemplam diferentes modalidades artísticas divididas por território. No CEU Três Pontes, os interessados podem se inscrever para Balé Clássico, Danças Brasileiras, Dança Contemporânea, Violão e Flauta Doce. Já no polo CEU Parelheiros, as opções incluem Balé Clássico, Danças Brasileiras, Flauta Doce, Violino e Trompete.
O processo de inscrição é totalmente gratuito e deve ser realizado pelos links abaixo ou no site oficial da Fundação Theatro Municipal. A iniciativa reforça o compromisso da Fundação Theatro Municipal em levar a expertise de seus corpos artísticos para além da região central, ocupando diferentes territórios da capital paulista.
Inscrições para Aulas Gratuitas – FTM EXPANDIDA 2026
- Prazo: Até 22 de fevereiro de 2026
- Público-alvo: Crianças e adolescentes de 6 a 14 anos (estudantes)
Inscrição:
Endereços:
- CEU Parelheiros: Rua Pedro Klein do Nascimento, s/n – Jardim Novo Parelheiros.
- CEU Três Pontes: Rua Cláudio da Costa, 19 – Jardim Pantanal.
Educação
Espacinho Musical abre inscrições para oficinas gratuitas de música em Embu-Guaçu
Projeto oferece cursos de violão, teclado e bateria para crianças e jovens do município. As vagas são limitadas e as inscrições ficam abertas até o dia 25/2.
O Projeto Espacinho Musical – Academia de Música está com inscrições abertas para os cursos gratuitos de Violão, Teclado e Bateria/Percussão voltado a crianças e jovens na cidade de Embu-Guaçu, SP. A formação terá carga horária total de 128h e tem início previsto para o dia 03 de março de 2026.
Nas aulas de violão, os alunos irão desenvolver técnica, ritmo e musicalidade desde os primeiros acordes. No curso de teclado, os participantes irão aprender leitura musical e coordenação com prática orientada. Os interessados no curso de bateria/ percussão irão explorar ritmo, tempo e precisão com exercícios práticos. Ao final, haverá uma apresentação de tudo o que foi desenvolvido ao longo do projeto.
Para as crianças e jovens, esses cursos promovem mais do que habilidades técnicas: são uma jornada de criatividade, autoconfiança e desenvolvimento integral, preparando-as para o futuro de forma lúdica e significativa. Todo o material necessário para as aulas são disponibilizados pela organização do curso.
As vagas são limitadas e as inscrições podem ser feitas até o dia 25 de fevereiro por meio deste link.
“Estou adorando a oportunidade de aprender uma coisa nova, isso mudou bastante minha rotina de forma positiva. Descobri uma paixão pelo violão que não sabia que existia e quando o curso terminar, quero continuar estudando”, declara Mônica Hilário – aluna formada em edição anterior do projeto.
A iniciativa é patrocinada pela Nutrify e é realizada pela Alexa Editora e Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo por meio do Programa de Ação Cultural – ProAC ICMS.
Espacinho Musical
- Inscrições: até dia 25 de fevereiro de 2026 | Link para inscrições
- Inícios das aulas: 03 de março de 2026
- Carga horária: 128h
- Local: Rua Independência, 220 – Casa 1, Centro, Embu Guaçu – SP.
Turmas:
- Turma 1 | Violão | Terça e Quinta | das 9h30 às 11h30
- Turma 2 | Violão | Segunda, Quarta e Sexta | das 14h30 as 16h30
- Turma 3 | Teclado | Terça e Quinta | das 9h30 às 11h30
- Turma 4 | Teclado | Terça e Quinta | das 14h30 às 16h30
- Turma 5 | Bateria | Segunda, Quarta e Sexta | das 9h30 às 11h30
- Turma 6 | Bateria | Segunda, Quarta e Sexta | das 16h30 às 18h30
Crédito da imagem: ISPAC
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