Audio Profissional
Como montar seu home studio – Capítulo IV
Recapitulando: o seu home studio já tem microfones, monitores de áudio e interfaces. Próximo passo: os mixers.
O que falta agora, além do cérebro do seu setup, do qual falamos um pouco em todas as edições passadas, que é o programa de computador conhecido como DAW (Estação de Trabalho de Áudio Digital) ? Bom, se eu dissesse que mais nada, estaria mentindo até pra mim mesmo, pois todos os dias surge no mercado um outro item, que, no começo parece dispensável, com o tempo se torna necessário, e depois imprescindível…
Nas fotos de estúdios quase sempre o equipamento que mais se destaca é o item onde o operador passa a maior parte do tempo, conhecida como mesa de som, console, mixer e outros apelidos. Mesmo hoje sendo quase que totalmente substituídos pelos mixers virtuais das DAWs, continuam tendo sua utilidade, e muitos operadores não trocam o prazer de puxar um fader com o dedo, pelo seu equivalente virtual puxado pelo mouse.
Aí vem a pergunta do iniciante: Se eu já tenho um computador com um programa que tem uma mesa de som virtual, microfones, interfaces e monitores de áudio, para que eu precisaria de um mixer físico? A princípio pode parecer que não precisa, mas algumas situações vão surgir em que um pequeno, médio ou mesmo grande mixer será muito útil. E o que diferencia um mixer pequeno de um médio ou grande?
A princípios pelo tamanho, olhando mais atentamente pela quantidade de botões, faders e chaves, e entendendo melhor pela quantidade de entradas e saídas. Aqui é preciso esclarecer que quando um fabricante anuncia um mixer de 8 entradas, por exemplo, podem ser apenas 4: quatro entradas estéreo. Ou anuncia 12, mas são 8 entradas mono e 2 estéreo. É preciso ficar atento, primeiro, nas entradas mono e/ou estéreo.
Outro item controverso é a quantidade de pré-amplificadores. Um mixer de 12 canais pode ter prés-amplificadores somente nos 8 canais mono. Os prés – como são chamados abreviadamente – são úteis para melhorar o sinal de entrada quando vários instrumentos ou microfones são gravados ao mesmo tempo. Por isso um mixer com 2 ou mesmo apenas um pré, pode servir para gravar vários canais, um de cada vez.
Se você usa microfones condensadores, vai precisar – assim como na interface – do chamado Phanton Power, que é uma alimentação elétrica indispensável para o funcionamento deste tipo de microfone. Como já vimos, cada tipo de microfone, os dinâmicos, os condensadores e os de fita, tem uma aplicação específica, então o mixer deve servir aos tipos de microfones que você tem ou vai usar.
Outro diferencial entre os modelos de mixer é conhecido como FX, uma sigla usada em áudio para designar efeitos, como reverb, delay, etc.. Um mixer com FX tem efeitos para serem usados nos sinais de instrumento e microfone que entram, e sem FX não tem estes efeitos. O preço de um mixer com FX obviamente é maior do que o de um que não tenha tais recursos.
Um mixer pode ter amplificação própria, o que também vai encarecer seu custo, mas por outro lado, se você for usar monitores de áudio passivos – que não têm amplificação – eis um casamento feliz, pois o mixer vai poder mandar o seu sinal já amplificado para os monitores que não amplificam. Isso pode ser mais útil em sistemas de som para apresentações ao vivo, do que em estúdios.
Como vimos na edição em que tratei de interfaces, existem hoje equipamentos “dois e um” e até “três em um”. Há mixers pequenos, médios e grandes que já vêm com sua interface de boa qualidade embutidas. Mais um fator a ser pensado ao adquirir todos os equipamentos e suas interligações. Há mixers no mercado que além de mixar, trabalham como interfaces e também como controladores. Mas vamos por partes.
Trata-se de um equipamento que vai ser usado para controlar todo o seu setup, então, precisa ser adquirido de acordo com o sua utilização. Se você vai apenas sequenciar em MIDI, colocando de vez em quando sua voz e um violão, um mixer de 2 canais vai poder reunir estes dois áudios – voz e violão – e enviar através de sua saída como um canal apenas, já mixado, para uma interface modesta de apenas 2 canais, liberando um.
Da mesma forma, uma bateria microfonada por 5 ou mais microfones poderá ser mixada e através da saída do mixer enviada para apenas um canal da interface. Perceberam a utilidade do mixer? Por isso mesmo é tem este nome – mixer – pois nele poderemos fazer muitas misturas e enviá-la para a interface. Por isso é importante que o mixer tenha preferencialmente mais de uma saída.
Explico: Em um mixer de médio para grande, existe a saída principal, e saídas auxiliares, inclusive para os fones de ouvido. A saída principal geralmente é ligada no sistema de amplificação e/ou monitores de áudio. As saídas auxiliares podem ser usadas para direcionar o sinal para sua interface, e a saída dos fones para que você ouça tudo o que estará sendo mixado.
Outro recurso é a possibilidade de reunir um grupo de canais de entrada, e modificar o seu sinal grupalmente. Há mixers médios e grandes que têm este recurso, além de outras opções como ligar um aparelho de efeitos em um ou vários canais, e inseri-los separadamente em cada canal. Um mixer com FX tem o recurso de inseri-los internamente, da mesma forma.
Poderíamos ficar várias edições falando sobre os recursos dos mixers, analógicos e digitais, seus controles pelos faders ou pelo monitor do computador, por um tablet ou mesmo smartphones, ligações por cabos, multicabos ou via cabos de rede Ethernet, transmissão sem fio dos canais, e logicamente de seus preços entre centenas de reais ou centenas de milhares de dólares…
Como sempre, reuni algumas sugestões com preços médios de pouco mais de R$ 1 mil até R$ 3,5 mil. O que quase sempre é a faixa de preços para se ter um mixer decente. Há opções no mercado com “muitos canais a mais”, e outros recursos que nem sempre vão ser úteis, destinados a som ao vivo ou aplicações que não sejam as de um home studio. Vamos a elas:

R$ 1.200 – Yamaha AG06 – Mixer e Interface de Áudio USB
6 canais, sendo 2 mono com pré-amplificadores, 2 entradas conjugadas/estéreo P-10 e 2 entradas conjugadas/estéreo P-2, 2 saídas estéreo P-10 e uma P-10 estéreo para fone de ouvido. Entrada e saída P-2 para headset. Phanton Power em 1 canal, Direct Box, conexão USB, compatível com iPad e com uma versão reduzida da DAW Cubase para PC e Mac. Uma boa escolha para começar no mundo dos mixers.
R$ 1.300 – Yamaha MG10XU – Mixer & Interface de Áudio USB
10 canais, sendo 4 monos com pré-amplificadores e 3 entradas estéreo em P-10, 2 saídas, uma principal balanceada (XLR) e outra auxiliar (P-10), compressor com potenciômetro de controle, 24 efeitos SPX, Phanton Power, chaves de atenuação nos 4 canais mono, compatível com iPad, 2 entradas e saída de áudio a 24bits/192 kHz, sem versão do Cubase.

R$ 1.500 – Allen&Heath ZED 10 – Mixer
10 canais, sendo 4 monos com combo XLR, 2 estéreos P-10 e um estéreo P-2. Equalizadores de 3 bandas, 2 auxiliares, retornos estéreo e playback, interligação USB para entrada e saída via computador, saídas principal (XLR), para monitor (P-2) e para gravação (P-2). As entradas 3 e 4 são de alta impedância para guitarras com ganho de até 26dB. Uma opção para guitarras e violão de nylon. Acompanha o Cubase.
R$ 2.000 – Mackie ProFX 12v2 – Mixer & Interface de Áudio USB
12 canais, sendo 4 monos e 4 estéreos. 6 prés Mackie Vita, 16 efeitos ReadyFX, equalizador gráfico de 7 bandas na saída, e de 3 bandas em todas as entradas, interface USB embutida, saídas principal e de monitoração XLR, entradas e saídas RCA e de fones com controles de volume individuais, fonte de alimentação interna e a “legendária” construção reforçada dos mixers da marca.
R$ 2.500 – Allen & Heath ZED 10FX – Mixer
10 canais, sendo 4 monos com combo XLR, 2 estéreos P-10 e um estéreo P-2. Equalizadores de 3 bandas, 2 auxiliares, retornos estéreo e playback, interligação USB para entrada e saída via computador, saídas principal (XLR), para monitor (P-2) e para gravação (P-2). As mesma características da ZED 10, mas com 16 efeitos de time-delay ZED-FX, sends de FX e as entradas 3 e 4 com alta impedância. Acompanha o Cubase.
R$ 2.500 – Mackie 1202 VLZ4 – Mixer
12 canais com headroom alto, sendo 4 monos e 4 estéreos, 4 prés “de boutique” Onyx com 60 dB de ganho, equalizadores de 3 bandas em todas as entradas, 2 sends e 2 returns, 4 inserts para efeitos externos, botões principais selados, Phanton Power, entradas e saídas RCA. Quase as mesmas características da ProFX 12v2, sem a interface de áudio e com a fonte externa.
R$ 3.000 – Yamaha MGP 12X – Mixer
12 canais, sendo 4 monos e 4 estéreos, 4 grupos e 2 sends e 2 FX. Phanton Power em 6 canais, entrada USB, controle via aplicativos DSP para edição de configurações em iPod e iPhone, 16 efeitos SPX e 8 REV-X, equalizadores X-pressive e compressor. Trata-se de uma mesa analógica com uso de tecnologia digital como o DSP Stereo Hybrid Channel, sem versão do Cubase.
R$ 3.000 – Mackie ProFX 16v2 – Mixer & Interface de Áudio USB
16 canais, sendo 8 monos e 4 estéreos. 10 prés Mackie Vita, 4 grupos, 16 efeitos ReadyFX, equalizador gráfico de 7 bandas na saída, e de 3 bandas em todas as entradas, interface USB embutida, saídas principal e de monitoração XLR, entradas e saídas RCA e de fones com controles de volume individuais. Mesmas características da 12v2, com mais canais, controle de entrada e roteamento USB.
R$ 3.000 – Zoom R16 – Mixer, Interface de Áudio USB e Controlador
16 canais, sendo que 8 podem ser gravados simultaneamente e 8 de playback, controlados pela DAW – Cubase (incluso), Logic, Live e Sonar – processador com 135 efeitos, afinador, modelagem de amplificadores, compressor, leitor de cartões SD e SDHC, Phanton Power, inversão de fase, tem microfone interno e pode operar com 6 pilhas AA. Opção para quem leva o equipo em viagens.

R$ 3.500 – Allen & Heath ZED Power 1000 – Mixer
12 canais, sendo 8 monos e 2 estéreos, equalizador gráfico de saída de 9 bandas, amplificador próprio classe D de 1 mil watts, fonte toroidal, podendo operar em saída L+R, mono LR + foldback ou mono LR + sub. 2 entradas funcionam sem DI com alta impedância para guitarras. Muito portátil, pesa 10 kg e é uma opção para viagens constantes, pela sua construção robusta.
Como se pode perceber, os mixers apresentam personalidades diferentes, sendo que as marcas costumam ter linhas com modelos desde 2 canais até, 16, 24 ou 32, com as mesmas características. No mercado nacional a maioria deles, até 16 canais, são encontrados com relativa facilidade, e os que tem maior quantidade de canais são mais difíceis de serem encontrados.
Nas descrições existem alguns termos – como sends, returns, etc. – que serão devidamente explicados nas nossas próximas seções, quando trataremos da linguagem usada pelos profissionais de áudio, termos e referências. É como você levar a caminhonete ao mecânico e, não conhecendo os termos técnicos, acabar confundindo a troca da lona do freio com troca da lona da carroçaria. Melhor aprender ou pode pagar preço errado…
Audio Profissional
WDC Networks passa a distribuir soluções Harman em áudio profissional
Parceria reforça estratégia de consolidar presença no mercado Pro-AV no Brasil.
A WDC Networks anunciou a inclusão das soluções da Harman em seu portfólio de áudio profissional, em um movimento que amplia sua atuação no mercado Pro-AV no Brasil.
A parceria foi apresentada oficialmente ao mercado no dia 25 de março de 2026, durante evento na sede da empresa, em São Paulo, voltado a integradores de diferentes regiões do país. A apresentação contou com a participação de Bruno Moura, vice-presidente e general manager da Harman para a América Latina.
Com o acordo, a WDC passa a distribuir inicialmente as marcas AMX, BSS, Crown e JBL, ampliando sua oferta para projetos de pequeno, médio e grande porte. A empresa também trabalha na introdução da marca Martin, voltada a aplicações de entretenimento e iluminação arquitetural.
Segundo a companhia, a integração das soluções da Harman fortalece a estratégia de atuação como fornecedor completo para o mercado, reunindo em um único portfólio tecnologias de processamento, controle, amplificação e sonorização.
De acordo com Bruno Rigatieri, diretor Comercial e de Marketing da WDC Networks, a nova parceria complementa o conjunto de marcas já distribuídas pela empresa, permitindo atender diferentes etapas de projetos de áudio profissional com maior abrangência.
A iniciativa ocorre em um contexto de expansão do mercado de áudio e vídeo profissional no país, com aumento da demanda por soluções integradas em projetos corporativos, eventos e entretenimento.
Audio Profissional
QSC chega ao varejo especializado com canal dedicado a PA profissional
Quick Easy assume distribuição da marca americana no Brasil em acordo que amplia acesso das linhas CP, K e L Class a revendas, integradores e locadoras.
A QSC ganha um canal de distribuição especializado no mercado brasileiro. A Quick Easy, distribuidora de Holambra (SP) com atuação consolidada em áudio profissional e painéis de LED, passa a responder pela comercialização das linhas da fabricante americana junto ao varejo especializado, integradores e locadoras de eventos. O acordo envolve a WDC Networks como elo logístico e foi apresentado hoje, 1º de abril, a representantes comerciais em São Paulo.
A entrada da Quick Easy como canal de distribuição muda a dinâmica de acesso à QSC no Brasil. A fabricante americana — conhecida pelas linhas de caixas acústicas CP, K e L Class e por processadores e amplificadores de potência usados em instalações de médio e grande porte — passa a ter uma distribuidora com foco específico no segmento de PA profissional, um mercado onde igrejas evangélicas respondem pela maior parte das instalações B2B no país.
O que muda para quem compra e especifica
Para lojistas e integradores, o movimento significa acesso estruturado a um portfólio que até agora chegava ao mercado por um caminho menos direto. A Quick Easy tem histórico de distribuição em marcas de desempenho técnico exigente — passou pela Electro-Voice, pela Funktion-One e pela Samson — e opera com rede de representantes comerciais com cobertura nacional.
As linhas QSC estarão disponíveis também no modelo TaaS (Technology as a Service), estrutura de aquisição por mensalidade operada pela WDC Networks, listada na B3, que já atua como distribuidora da marca desde 2024.
Demonstração técnica em ambiente real
A apresentação das linhas QSC ocorreu nas instalações da R3 Eventos, locadora de equipamentos de áudio, luz e imagem sediada na zona sul de São Paulo — escolha que colocou o produto em funcionamento no ambiente onde ele efetivamente opera, diante de profissionais que especificam e compram.
José Evânio, diretor da Quick Easy, sinalizou que a empresa pretende apresentar as soluções QSC na próxima edição da Conecta+ Música & Mercado, prevista para novembro em São Paulo.
“Estamos trabalhando fundo nas políticas comerciais. Essa parceria entre QSC, Quick Easy e WDC vai ser um marco. A partir de agora, a QSC vai começar a chegar em todas as lojas do Brasil”, afirma José Evânio, diretor da Quick Easy.
Audio Profissional
Sennheiser lança DeviceHub, plataforma na nuvem
Solução permite monitoramento remoto, controle por níveis de acesso e operação escalável de dispositivos conectados.
A Sennheiser anunciou o lançamento do DeviceHub, uma plataforma em nuvem desenvolvida para centralizar a gestão de dispositivos AV em ambientes corporativos e educacionais.
Disponível em versão beta pública, a solução inicia com suporte para a linha TeamConnect Bar e faz parte de um plano de expansão com novos dispositivos ao longo de 2026.
Monitoramento e controle remoto
O DeviceHub permite acesso via navegador com recursos como:
- monitoramento em tempo real
- diagnósticos e alertas
- controle de acesso baseado em perfis
A proposta é oferecer visibilidade completa do sistema e permitir ações preventivas antes que falhas impactem reuniões ou aulas.
De acordo com Iain Horrocks, a plataforma representa um avanço na gestão de ecossistemas AV conectados.
Gestão em larga escala
A plataforma organiza os dispositivos por salas, prédios, campus ou regiões, refletindo a estrutura real das operações.
Com isso, equipes podem:
- gerenciar múltiplos ambientes em uma única interface
- navegar rapidamente entre locais
- visualizar o status do sistema de forma clara
O lançamento acompanha a demanda por soluções centralizadas em ambientes híbridos e distribuídos.
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