Music Business
Royalties globais de criadores atingem recorde de EUR 13,1 bilhões em 2023
Em 2023, as arrecadações globais de royalties para criadores alcançaram um novo recorde de 13,1 bilhões de euros, com um aumento de 7,6% impulsionado principalmente pelo crescimento contínuo de receitas digitais e pela retomada de concertos ao vivo e apresentações públicas, setores que se recuperaram completamente após a pandemia.
O relatório “Global Collections Report 2024” da CISAC (Confederação Internacional de Sociedades de Autores e Compositores) revela uma transformação significativa no cenário de arrecadação. Depois de uma década de crescimento anual em dois dígitos, as arrecadações digitais subiram de forma mais moderada em 2023, com um incremento de 9,6%, somando 4,6 bilhões de euros. Agora, as plataformas digitais representam 35% do total das arrecadações, superando as transmissões de TV e rádio, que respondem por 30%.
Apesar do crescimento nos royalties digitais, muitos criadores relatam que os ganhos com plataformas de streaming ainda são insuficientes para sustentar uma carreira, principalmente para aqueles sem outras fontes de renda, como shows ao vivo. Em 2023, a arrecadação de transmissões de TV e rádio caiu 4%, refletindo a redução na audiência e na receita publicitária nesses meios.
A receita de concertos e apresentações públicas teve um aumento significativo de 22%, alcançando 3,3 bilhões de euros, o maior valor registrado. Esse crescimento reflete a recuperação de eventos ao vivo, como shows e exposições, em várias regiões.

O diretor-geral da CISAC, Gadi Oron, destacou a importância desses números, que reforçam a estabilidade e o potencial do setor para garantir rendimentos sólidos para os criadores. O presidente da CISAC, Björn Ulvaeus, alertou sobre o impacto da inteligência artificial no setor, ressaltando que sua adoção não deve comprometer os direitos autorais dos criadores. Já Marcelo Castello Branco, presidente do Conselho da CISAC, enfatizou a necessidade de que a criatividade seja valorizada além da “economia da atenção”, incentivando um crescimento sustentável que apoie o trabalho dos artistas.
Entre as regiões, a América Latina liderou o crescimento, com aumento de 29,2%, impulsionado pelo sucesso de repertórios locais em mercados como Brasil e México. A Europa Ocidental continua sendo a região com maior receita, representando 50,9% do total de arrecadações globais.
O relatório da CISAC destaca a resiliência do setor, sublinhando a recuperação de várias áreas artísticas e o crescimento em todas as regiões, em um cenário de constantes mudanças e desafios.
Leia mais sobre o relatório aqui.
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