Guitarra
Entrevista: Luthier Roberto Reali
Publicado
6 anos agoon
Conheça o trabalho do luthier Roberto Reali e suas guitarras e lap steels de produção artesanal.
Fundada pelo luthier Roberto Reali, egresso da conceituada B&H Escola de Luthieria e com formação em design de produtos, a Reali Guitars é uma empresa paulista que atua no segmento custom shop de fabricação de guitarras e lap steels. Todos os instrumentos são fabricados de maneira artesanal, apresentam design exclusivo, utilizam madeiras selecionadas e certificadas.
Para conhecer melhor a empresa e os produtos por ela oferecidos, conversamos com o Roberto, que nos contou detalhes sobre seu início na profissão de luthier, os diferenciais das guitarras Reali, a importância em desenvolver modelos com desenho original, dentre outros assuntos.

Roberto Reali durante sua participação na Music Show 2019
Como começou sua trajetória na luthieria?
Roberto Reali: Acredito que como a maioria dos luthieres, começou pela paixão pela música, e não foi diferente comigo. Por volta dos 11 anos, ganhei minha primeira guitarra, e por ter tido contato com ferramentas desde criança por causa de meu pai, em pouco tempo já estava desmontando e montando, vendo como funcionava. Aprendi a regular minha própria guitarra, e como maioria de meus amigos também tocavam algum instrumento, comecei a regular os deles também, e logo de amigos dos amigos. Além disso, queria possuir mais guitarras, mas com o alto preço e as poucas opções para canhotos como eu, decidi construir minhas próprias guitarras. Resolvi então fazer o curso da B&H Escola de Luthieria e não parei mais. Inicialmente como hobby modificando minhas guitarras e construindo pra mim mesmo. Mas a paixão acabou falando mais alto e resolvi me dedicar totalmente a luthieria montando minha oficina.
Quais são os diferenciais das guitarras Reali?
Roberto Reali: Minhas guitarras são 100% artesanais, sem o uso de CNC, são todas feitas unicamente por mim, utilizando basicamente as mesmas técnicas de luthieria de antigamente quando as coisas eram feitas à mão. São guitarras com um design próprio, o modelo atual, a RR1, é inspirado na Les Paul, porém com um toque mais moderno e contemporâneo. Também busquei criar um instrumento com personalidade própria, tanto no visual quanto no som. Uso o comprimento de escala um pouquinho mais longo que o da Les Paul para dar um brilho/agudo extra, o que confere um timbre mais único/exclusivo. Além disso, utilizo apenas madeiras nacionais selecionadas e certificadas, os braços são feitos de uma única peça com corte radial para melhor estabilidade, o ângulo do headstock e das cordas no nut em relação às tarraxas são menores para manter melhor a afinação. É importante mencionar que o cliente tem total liberdade de escolha em relação aos captadores e as peças que queira usar na guitarra, sendo possível também personalizá-las.
Falando um pouco sobre design de guitarras, qual é a importância de desenvolver modelos próprios e não ficar preso apenas ao formato da réplica?
Roberto Reali: Sendo formado em design de produto, sempre quis criar novos modelos. Sou fã de todos os modelos clássicos e são neles que me inspiro, mas já existem muitos e com qualidade sendo feitos por aqui. Como designer, valorizo novas ideias, novos desenhos, algo mais exclusivo. Não acredito no certo ou errado, e sim no diferente, feito sob medida. Quanto mais opções e modelos existirem mais escolha teremos.
Você participou da última edição da Music Show (feira de instrumentos musicais e áudio), certo? Conte-nos como foi sua experiência.
Roberto Reali: Foi uma experiência ótima, a primeira exposição de que participei. É muito importante o contato direto do público com os expositores, podendo ver de perto seus produtos, com liberdade para testar e tirar qualquer dúvida diretamente com o fabricante ou construtor. Boa parte do público não conhecia meu trabalho e foi gratificante essa oportunidade de mostrar um pouco do que faço e ter tido uma ótima aceitação. Outro ponto muito legal foi conhecer pessoalmente outros expositores, não apenas os luthieres, mas também os fabricantes de captadores, pedais, pedalboard, amplificadores, hardware etc. Foi uma oportunidade que abriu portas para futuras parcerias.
Existem dificuldades em todas as profissões. Em sua opinião, quais são os maiores problemas enfrentados pelo luthier que atua no mercado brasileiro?
Roberto Reali: A maior dificuldade que tive foi montar minha oficina, ainda que pequena. Levei um tempo adquirindo todo equipamento e hoje faço toda a construção em meu local, que nunca ficará pronta, pois sempre estarei em busca de melhorias como: maquinário, ferramentas, pinturas, espaço…
Quais conselhos você daria para quem está cogitando trabalhar com luthieria?
Roberto Reali: Ah, cara… Pra ser sincero, acho que não escolhemos trabalhar com luthieria, ela que nos escolhe. Fazemos isso porque amamos música e instrumentos. O que aconselho é fazer um trabalho bem feito, com dedicação. Buscar sempre saber mais, estudar, ter persistência e paciência, aprender com seus erros e acertos, e principalmente acreditar no que faz.
Quais são os seus planos para 2020?
Roberto Reali: Pretendo apenas continuar construindo guitarras e lap steel, cada vez mais e melhores. De novidade, quero construir uma versão semiacústica de meu modelo. Quem sabe uma versão 12 cordas também, que é algo que já tenho em mente há um tempo.
Mais informações no Facebook e no Instagram da Reali Guitars.
*Autor: Álvaro Silva, apaixonado por música, guitarra e luteria. Criador do blog Guitarras Made In BraSil, espaço dedicado à divulgação dos trabalhos de profissionais brasileiros que produzem guitarras, contrabaixos e violões custom shop.
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O modelo combina alto desempenho, precisão para alta ganho e uma tampa de ébano Pale Moon de forte impacto visual.
A Cort Guitars apresentou a KX500 Pale Moon, guitarra elétrica desenvolvida para músicos que buscam desempenho técnico consistente e identidade visual diferenciada. O modelo já está disponível globalmente por meio de distribuidores locais e lojas online.
A KX500 Pale Moon possui corpo em mogno, gerando timbres quentes, com destaque para médios e graves definidos. A tampa de ébano Pale Moon confere visual marcante, acentuado pelo acabamento Natural Black Burst fosco de poro aberto, que valoriza o desenho natural da madeira.
O braço parafusado de cinco peças em maple torrado e nogueira melhora estabilidade e ressonância. O perfil em “D” mede 19,5 mm no primeiro traste e 21,5 mm no décimo segundo, com escala de 25,5″. A escala em ébano Macassar possui 24 trastes jumbo de aço inoxidável, raio de 15,75″, marcadores laterais luminescentes e inlays em formato de gota. O conjunto inclui nut Graph Tech Black TUSQ de 43 mm e tensor de dupla ação com ajuste tipo spoke nut.
Na parte eletrônica, o modelo traz humbuckers Seymour Duncan Nazgul (ponte) e Sentient (braço), voltados tanto para alta ganho quanto para passagens mais dinâmicas, com graves sólidos e definição nos limpos e solos. O controle é simples, com volume, tone e chave de três posições.
O hardware inclui tarraxas com trava Cort e ponte hardtail Cort com string-through-body, contribuindo para sustain e transferência de vibração. De fábrica, a KX500 Pale Moon vem equipada com cordas D’Addario EXL110.
Guitarra
As guitarras mais vendidas no mundo em 2025 e quais tendências explicam seu sucesso
Publicado
1 mês agoon
18/12/2025
Análise para o leitor de Música & Mercado sobre o que está impulsionando o mercado global de guitarras e por que certos modelos se destacam.
O mercado mundial de guitarras continua em crescimento em 2025: o segmento de guitarras elétricas está especialmente forte, e o volume de vendas já movimenta bilhões de dólares.
Este artigo analisa quais modelos estão liderando as vendas, por que estão sendo tão procurados e quais tendências globais merecem atenção. A ideia é oferecer informação útil tanto para músicos quanto para distribuidores, luthiers e profissionais do setor.
Quais modelos estão entre os mais vendidos
Embora nem sempre sejam divulgados dados exatos de volume por modelo em todos os mercados, existem pistas consistentes:
- Um relatório da Reverb indica que as marcas dominantes em vendas em 2024 foram Fender, Gibson, PRS e Epiphone.
- Outra análise aponta que, em 2025, as guitarras elétricas estão vendendo ao dobro do ritmo das acústicas em nível global.
- Sobre modelos específicos: entre os mais recomendados para 2025 aparece a PRS SE CE 24 Standard pela versatilidade, qualidade de construção e bom preço.
- No segmento de entrada, a Squier Sonic Telecaster é outro exemplo de alta rotatividade devido à sua acessibilidade.

Fatores que explicam por que se vendem tanto
A seguir, alguns dos principais motivos por trás do forte desempenho do mercado de guitarras e dos modelos mais vendidos:
Domínio da guitarra elétrica
Segundo diversos relatórios, em 2025 o segmento elétrico cresce mais rápido que o acústico: os dados sugerem uma relação de aproximadamente 2 para 1 nas vendas de elétricas em relação às acústicas. Isso ocorre por motivos como maior versatilidade tonal, demanda em gêneros populares e influência das redes sociais, que favorecem estilos elétricos.
Modelos de valor intermediário com alta qualidade
As marcas têm oferecido modelos de “nível médio” que entregam construção, som e desempenho muito próximos aos de linhas superiores, mas com preços mais acessíveis. Isso atrai iniciantes e músicos intermediários que desejam fazer upgrade. A PRS SE CE 24, por exemplo, destaca-se nesse segmento.
Influência da internet, redes sociais e ensino online
O interesse por tocar guitarra segue elevado graças aos tutoriais online, criadores de conteúdo e maior acessibilidade aos instrumentos. O crescimento do mercado também está ligado ao avanço da educação musical online.
Mercados emergentes e produção globalizada
Países fora do eixo tradicional EUA/Europa já representam uma parcela significativa da demanda. Ao mesmo tempo, a fabricação e a distribuição global mais eficientes têm permitido reduzir custos e ampliar o alcance das marcas.
Tendência de estilos clássicos com releituras modernas
Modelos que resgatam designs icônicos (como Telecaster, Stratocaster, Les Paul) com atualizações modernas têm boa saída. Os consumidores buscam familiaridade somada a melhorias técnicas.
Mercado de usados e renovação constante
Embora este artigo trate de vendas de instrumentos novos, é relevante notar que o mercado de guitarras usadas também cresce e impulsiona ciclos de troca.

Quais são as implicações para a indústria musical
- Distribuidores e lojas: investir em modelos elétricos de valor intermediário e manter bom estoque com prazos curtos de entrega.
- Fabricantes e marcas: apostar em versões de entrada, atualizar clássicos e acompanhar a expansão dos mercados emergentes.
- Músicos e instrutores: entender que a demanda por guitarras elétricas continua a crescer, abrindo oportunidades para ensino, conteúdo online e serviços de manutenção.
- Mercado latino-americano (e Brasil): muitas das tendências globais também se refletem localmente — modelos elétricos, preços acessíveis, ensino online e novas gerações buscando seu primeiro instrumento.
Em 2025, o mercado de guitarras vive um momento de consolidação elétrica, com modelos bem posicionados em preço e qualidade, forte influência digital e expansão global. Embora nem todos os dados de unidades por modelo estejam disponíveis publicamente, a combinação de relatórios e guias especializadas permite identificar quais instrumentos dominam as vendas e por quê.
Para quem atua em distribuição, fabricação, ensino ou está simplesmente buscando sua próxima guitarra, compreender essas dinâmicas é fundamental para tomar melhores decisões. A guitarra não é apenas um símbolo cultural — é também um produto extremamente vivo dentro da indústria musical global.
O mercado de guitarras vive um momento de expansão, com novos fabricantes, modelos especializados e uma demanda crescente tanto de músicos profissionais quanto de entusiastas avançados.
Nesse cenário, uma pergunta segue presente em estúdios, fóruns e lojas: vale mais a pena investir em uma guitarra boutique ou escolher um modelo de uma grande marca?
Não existe resposta única. Cada opção oferece benefícios e limitações — e entender esses pontos ajuda a tomar uma decisão mais informada, alinhada ao som desejado, ao orçamento e ao propósito musical.
O que define uma guitarra boutique
As guitarras boutique, geralmente fabricadas por luthiers ou oficinas especializadas, se caracterizam por:
- Produção limitada
- Construção manual e materiais selecionados
- Alto nível de personalização (madeiras, perfil do braço, eletrônica, ferragens)
- Identidade estética diferenciada
Seu principal atrativo está na sensação personalizada, no detalhamento artesanal e na possibilidade de obter um instrumento único.
Vantagens
- Qualidade de construção extremamente alta
- Seleção rigorosa de materiais e componentes
- Som exclusivo e bem definido
- Ergonomia e ajustes feitos para o músico
- Relacionamento direto com o luthier (suporte, manutenção, personalização)
Desvantagens
- Preço significativamente mais alto
- Valor de revenda menos previsível
- Prazos de entrega longos
- Variação entre unidades (não há duas guitarras idênticas)
Grandes marcas: tradição, escala e consistência
Fabricantes como Fender, Gibson, Ibanez, PRS ou Yamaha representam o padrão global de produção industrial.
Vantagens
- Consistência entre unidades
- Garantia e suporte global
- Ampla disponibilidade em lojas
- Valor de revenda mais estável
- Catálogos diversificados (iniciante ao premium)
Desvantagens
- Menor possibilidade de personalização
- Algumas séries sacrificam detalhes para atender altos volumes
- Seleção de materiais baseada em escala e logística
- Risco de pagar mais pela marca, especialmente nas linhas superiores
Oportunidades em 2026: por que essa escolha importa mais agora
O setor musical vive um encontro entre tradição e inovação:
- Home studio: cresce a demanda por guitarras silenciosas, com humbuckers noiseless ou configurações versáteis.
- Palcos pequenos: instrumentos mais leves são cada vez mais procurados.
- Música independente: muitos artistas buscam identidade sonora própria — favorecendo guitarras boutique.
- Produção global: marcas consolidadas lançam linhas premium feitas em lotes menores, reduzindo a distância para o trabalho artesanal.
Ao mesmo tempo, luthiers latino-americanos e espanhóis ganham relevância internacional, oferecendo alta qualidade a preços competitivos.
Como escolher de acordo com seu perfil
- Músico profissional de estúdio / turnê
Ideal: grandes marcas ou boutique de alta estabilidade. É essencial ter confiabilidade, fácil reposição e consistência entre instrumentos.
- Produtor ou criador de conteúdo
Ideal: guitarras versáteis com eletrônica moderna. Grandes marcas costumam oferecer mais opções plug-and-play.
- Artista em busca de estética e sonoridade próprias
Ideal: boutique. Instrumentos únicos, com personalidade e ampla personalização.
- Orçamento limitado
Ideal: linha média de grandes marcas. Melhor custo-benefício e menor risco.
- Colecionador ou entusiasta avançado
Ideal: boutique ou séries especiais das grandes marcas. Instrumentos com valor emocional, estético e histórico.
Depende de você
Não se trata de “qual é melhor”, mas de qual opção responde à sua música, às suas necessidades e ao seu investimento possível.
As guitarras boutique oferecem exclusividade, artesanato e identidade sonora única.
As grandes marcas garantem consistência, disponibilidade e estabilidade no mercado.
Em um cenário cada vez mais diverso, a melhor escolha é aquela que equilibra emoção, funcionalidade e propósito musical.
E você — prefere uma peça artesanal única ou um clássico testado em todos os palcos?
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