Coronavírus deixa equipe de roadies e eventos devastada: ‘É a primeira indústria a parar’

Coronavírus deixa equipe de roadies e eventos devastada: ‘É a primeira indústria a parar’

por 22/03/2020

De roadies, engenheiros de áudio, iluminação, cênicas e toda equipe técnica de show e eventos entram em choque após verem as empresas encerrando temporariamente as atividades: será o fim dos trabalhos neste ano?

De roadies, técnicos de som a fornecedores de toda estrutura de eventos: Tudo foi encerrado. Não há nada. O coronavírus dizimou temporariamente o entretenimento ao vivo no Brasil. A grande pergunta é: até quando?

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Ricardo Vidal, reconhecido técnico de P.A e produtor em estúdio “A situação é muito ruim. Diminuindo eventos e shows, penso que haverá uma quebradeira geral. Prevejo uma pequena retomada em dezembro, com muita fé”, desabafa. Vidal teve quinze eventos cancelados entre estrada e estúdio, além de uma turnê pela América.

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Marcos Pavan: situação difícil para toda categoria

A situação de Vidal é o espelho da paralização que está ocorrendo com as empresas produtoras de eventos de todo o pais. “A maior parte das locadoras vivem do dia à dia, dos eventos que pintam, sem um planejamento maior. Quanto mais uma catástrofe desta”, explica Fernando Ferretti, da Stagetec, fornecedora de equipamentos de áudio profissional.

Outra história comum neste momento de pandemia, Marcos Pavan, experiente técnico de som comenta: “Tive quatro shows na semana passada e na segunda-feira me cancelaram os 28 shows que já estavam fechados”.

Temporário show business shutdown

Milhares de técnicos freelancers ou contratados tiveram seus trabalhamos cancelados da noite para o dia.

O problema neste momento é a incerteza para toda classe da produção de shows e eventos. Por motivo de saúde pública, esta tormenta está prevista com, pelo menos, cinco meses sem perspectiva de emprego. O que fazer até lá? Quem remunerará os freelancers? Como sustentar as famílias?

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Esta situação não é exclusiva no Brasil, está ocorrendo no mundo inteiro. De acordo com uma matéria do jornal The Guardian, Tony Moran, diretor da empresa australiana CrewCare, todas as principais empresas de produção de eventos com música ao vivo e de cruzeiros da Austrália estão desistindo, ou desistiram, de sua equipe de meio período e período integral – e isso é apenas cerca de 10% da indústria, sendo o restante casual ou contratado. “É o primeiro setor a morrer”, diz Moran.

De acordo com os números mais recentes da Live Performance Australia, foram comprados 26,3 milhões de ingressos para apresentações ao vivo em 2018, em uma indústria no valor de US $ 2,2 bilhões – um aumento de 14,8% em relação ao ano anterior.

No Brasil, a Associação Brasileira de Empresas de Venda de Ingressos (Abrevin) não publicou nenhum dado oficial, porém, executivos de mercado confirmam o cancelamento ou adiamento de todos os eventos e trabalham para tentar reagendar os eventos para o segundo semestre.

“Este é um momento delicado e as decisões ainda não foram tomadas. Estamos analisando para semana que vem seguirmos por um caminho”, explica Renan Coutinho, CEO da Feeling, uma das empresas líder no mercado de shows e eventos corporativos.

A feira Music Show EXP, que está agendada para 24 a 27 de setembro, e focada no mercado de serviços e produtos para showbiz manteve a data. Para Daniel Neves, diretor da feira, “Vamos manter até segunda ordem. A economia não poderá parar o ano todo, temos fé que no início de agosto teremos um cenário equilibrado”.

Vida de roadie

A vida como roadie é um coquetel brutal quando se trata de saúde mental. As horas são longas e muitas vezes à noite, o que significa que seus colegas de trabalho são a ‘sua vida social’.

Quando você está em turnê, não há casa para onde ir no final do show. Quando você sai da turnê, fica quieto – e muitas vezes você está sozinho.

Com a renda é movida pelo trabalho como prestadores de serviços, não há licença, férias ou auxilio doença remuneradas e muitos estão no sistema de Micro Empreendedor Individual.

O cheque de pagamento desta semana paga as contas da próxima semana e não há o suficiente para depositar no banco e poupar para o futuro.

Todas essas empresas de eventos que sustentavam estes profissionais, agora têm horários vazios pela frente e tiveram que demitir funcionários.

Por enquanto, todo o trabalho deles se foi – as poucas reservas financeiras (quando há) secarão em breve e não há sinal de quando o setor voltará.

Esperança é a última que morre

O técnico de som Marcos Pavan comenta que “Estamos todos muitos preocupados, mas neste momento temos que nos unir para passar por está pandemia da melhor maneira.

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Jhony Nilsen: “Temos que pensar nos técnicos e demais da equipe”

Jhony Nilsen, da Showtime, empresa de produção de eventos com uma média de 160 eventos por ano, diz: “Temos que segurar o máximo a equipe, até por que vamos precisar deles, não pensar apenas como nós iremos sobreviver, mas também pensar nos técnicos e demais da equipe”

Já a tecnologia de streaming pode trazer um pouco de dinheiro de volta aos músicos e intérpretes, mas não ajudará a espinha dorsal de sua indústria: os roadies, equipes de tecnologia, gerentes de turnês e montadores que montam os shows que sustentam suas carreiras.

Vaquinhas coletivas estão circulando em alguns grupos de WhatsApp, sem esquecer que grandes empresas também estão se articulando, dentro do possível, para manter suas equipes de colaborares da ‘graxa’.

Neste domingo, dia 22 de março, Gustavo Montezano, presidente do BNDES, fez uma live no Youtube comentando do investimento do banco público neste período de crise Banco anunciou também que irá injetar R$ 55 bilhões na economia, o equivalente a quase todo o desembolso feito em 2019. Serão R$ 5 bilhões para micro, pequenas e médias empresas.

Mas a maior esperança ainda é a descoberta da cura para o Coronavírus.