Audio Profissional
Audiobrazil: escola de áudio com TPM: técnica, prática e música
Publicado
8 anos agoon
Por
Saulo Wanderley
Fernando Marques, da Audiobrazil, explica como criou a escola com o mérito de nascer do esforço e visão aliando a música à técnica e a prática
Desde 2014, um grupo formado no encontro anual da AES Brasil – Audio Engineering Society – propôs a criação de uma grade curricular para os cursos de áudio no país, baseado na experiência de alguns cursos nacionais e do exterior. Este conteúdo teria 1/3 de matérias técnicas, 1/3 de matérias musicais e 1/3 de prática. A Audiobrazil já vinha a algum tempo trabalhando com a mesma ideia, e já coloca à disposição do mercado seus cursos e serviços em São Paulo. Fernando Marques explica como nasceu e se desenvolveu todo o projeto, que tem o mérito de ter nascido de um esforço autodidata de quem tem a visão para aliar a música à técnica de forma prática.
M&M – Como nasceu a ideia de criar a Audiobrazil?
Fernando Marques – A Audiobrazil nasceu de forma muito espontânea, inicialmente não houve nenhum tipo de intenção de criar uma escola. Na época, ano 2007, já trabalhava na área há muitos anos, havia passado por inúmeros estúdios em São Paulo, já tinha minha produtora, e entre produções, gravações e mixagens gostava de participar de fóruns de áudio, na verdade era um grande passatempo para mim, pois me divertia e escrevia sobre o que mais gostava de fazer. Sempre que podia respondia dúvidas de quem estava iniciando e tentava sempre contribuir nas discussões, muitas vezes de forma bem humorada, sem nenhuma pretensão em dar aulas.
Não demorou muito para que, tanto meu trabalho como minhas participações nesses fóruns, despertassem interesse em algumas pessoas que começaram a me procurar pedindo aulas. No começo tive uma certa resistência para lecionar, não me via como professor, logo depois gostei da idéia justamente porque as pessoas me motivavam ao relatar os resultados obtidos, elogiavam a didática adotada, e quando me dei conta estava desenvolvendo uma metodologia própria, escrevendo um material considerável de aulas, e pouco depois iniciava uma primeira turma.
À medida em que a escola crescia chamávamos reforços para incorporar nosso corpo docente. A idéia era chamar especialistas de diversas disciplinas do áudio e da produção musical para somar conosco e assim oferecer o melhor ensino possível. Alguns profissionais passaram nesse tempo todo e foram vitais para o desenvolvimento do que é a Audiobrazil.
A escola tem seu nome entre as pioneiras na forma inovadora de ensinar áudio e produção musical no Brasil no que tange a aplicação do conteúdo, estamos hoje entre as principais escolas do segmento, não só em estrutura, mas principalmente em qualidade de ensino, possuímos um feedback muito positivo não só de ex-alunos, mas por parte de contratantes e grandes nomes do mercado, o que nos deixa extremamente orgulhosos, pois estamos contribuindo para o fortalecimento de nossa profissão, renovando com qualidade a nossa classe, conduzindo as pessoas que estão ingressando nesse meio e levando muitos às suas realizações profissionais, além de que é uma responsabilidade muito grande de nossa parte para com nossos alunos, pois estamos lidando muitas vezes com futuros e sonhos.
M&M – Antes da ideia, como foi a sua formação envolvendo o áudio?
FM – Desde a minha mais tenra idade já tinha uma forte ligação com a música, era o que pretendia fazer como profissão, tanto que comecei estudando música. Me apaixonei pelo áudio e produção musical quando me vi dentro de um estúdio e comecei a ter contato com esse mundo, senti que era da música que queria viver, porém de uma outra forma que não fosse exatamente como músico, na verdade queria estar na parte técnica e no processo da produção musical em si.
Sou o proprietário de uma escola e praticamente autodidata. Na minha época as informações, tanto de áudio como de música, eram bem mais restritas e de difícil acesso. Aprendi muito trabalhando com grandes profissionais, porém o caminho foi tortuoso, foram anos de grandes desafios em busca do conhecimento e de um lugar no mercado, pois a curva de aprendizado de um autodidata não é nada fácil, quem diz que é simples está mentindo. Me lembro que na época o acesso aos profissionais e estúdios eram bem mais restritos, entre as diversas lembranças que tenho estão as tentativas de achar estúdios para trabalhar na lista telefônica, batia de porta em porta e muitas vezes levava um não, porém minha persistência foi maior do que tudo, tanto que quando ingressei eu tive sorte de trabalhar com diversos profissionais de grande expressão.
Atualmente um dos objetivos da nossa escola é fazer com que nossos alunos não passem pelas mesmas dificuldades que passei e que muitos profissionais da minha época passaram, tentando transferir à eles toda a bagagem adquirida. Não ensinamos apenas a trabalhar, mas mostramos nossas experiências e como eles encontrarão os desafios do mercado fora do ambiente da escola.
Não iludimos nossos alunos, acho que é exatamente por isso que existe uma grande satisfação e aceitação por parte deles, eles sabem que o caminho ainda assim é grande e que haverão dificuldades pela frente, preparamos nossos alunos para as enfrentarem, deixamos claro que o desenvolvimento profissional em qualquer que seja a profissão demanda tempo de lapidação, e isso não é diferente no áudio. Uma das grandes vantagens de ser orientado por bons professores é que o conhecimento adquirido aliado ao preparo torna esse desenvolvimento bem mais objetivo, sem perda de tempo e sem grandes traumas, ensinamos inclusive ética profissional e valorização de nosso trabalho.
Apresentamos à esses alunos um conteúdo de qualidade, que vai ajudá-los a filtrar as informações que hoje em dia há aos montes na internet, e muitas delas não são de grande valia, ou até mesmo desencontradas e errôneas, o que infelizmente pode induzir o iniciante a começar de forma inapropriada e perder muito tempo por conta disso. Também existe o preparo para que possam chegar a suas próprias conclusões sobre o que precisam para trabalhar em suas respectivas situações e necessidades.
M&M – Quanto à equipe, quantas e quais as incumbências de cada membro?
FM – Cada membro que trabalha em nossa empresa tenta contribuir de forma positiva com seus melhores atributos, desde quando começamos dividimos muito bem o que cada qual assume. Os professores, por exemplo, sempre são direcionados ao que melhor respondem dentro do campo vasto que é o áudio. Tivemos algumas equipes que ficaram por muitos anos e que contribuíram muito para nossa escola, já tivemos professores com grandes currículos e bagagens internacionais, formados fora do país, mas formação acadêmica não é necessariamente um requisito indispensável para dar aula em nossa escola, pois por si só não compõem o professor, somos extremamente seletivos e rigorosos, analisamos diversos aspectos, além do conhecimento, experiência e didática que são os que mais pesam, nos focamos também em outras qualidades, tais como, inteligência emocional e socialização com nossos alunos.
M&M – Até agora, quantos alunos passaram pela escola?
FM – A Audiobrazil tem centenas de alunos formados. Muitos estão trabalhando e se sustentando com áudio, o que para nós é uma grande vitória. Nosso objetivo é muito mais do que ser apenas uma escola que fornece conhecimento, vamos além disso. O intuito é capacitar e ajudar essas pessoas na realização de seus objetivos e fazer com que nosso mercado melhore em condições e respeito para com o profissional, tentando colocar pessoas, além de capacitadas, com uma mentalidade profissional diferente, que preza o respeito e honra sua classe.
M&M – Quais os alunos que se destacaram? Já existem alguns com atuação destacada no cenário do áudio paulistano ou de outra cidade/estado?
FM – Existem inúmeros casos de sucesso, temos alunos que se destacaram nacionalmente e que estão trabalhando com grandes produtores e artistas, outros que estão na estrada, há casos de alunos que montaram seus estúdios, produtoras e empresas de sonorização, e estão bem colocados no mercado, e existem até alguns alunos que prestaram concursos públicos e trabalham hoje em teatros nessas prefeituras.
Tivemos um caso de uma aluna que mandamos para estagiar em Los Angeles, e recebemos elogios por parte dos profissionais de lá pela expertise dela e pela forma com que a preparamos. Um outro caso de âmbito internacional foi um aluno que passou uma temporada nos Estados Unidos onde fez a parte técnica de igrejas e também foi requisitado a dar treinamentos de áudio para as igrejas pelas quais passou. Tudo isso foi algo muito gratificante para nós e que marcou nossa história.
M&M – Sobre o equipamento, como está o setup da Audiobrazil atualmente?
FM – Contamos com equipamentos como consoles Allen Heath e Soundcraft, placas da Focusrite, monitores Adam, caixas passivas JBL, potência Crown, microfones Audio Technica, inclusive estamos em uma parceria exclusiva com eles, computadores Macintosh, entre demais equipamentos que compõem nossa estrutura. Contamos também com salas tratadas acusticamente, projetadas por nós, pois também somos uma empresa do setor de projetos acústicos.
M&M – Fale um pouco sobre o equipamento no início da escola e sua implementação ao longo do tempo de existência.
FM – Começamos em um estrutura bem menor do que temos atualmente, não só de equipamentos, mas em tamanho. Na época tínhamos equipamentos mais simples, porém a qualidade de ensino sempre foi nosso forte, tanto que sempre ensinei meus alunos que tiramos som daquilo que temos em mãos, o trabalho é em boa parte de suas responsabilidades. Obviamente, devido ao nosso crescimento foi inevitável as parcerias com grandes empresas, com as quais conseguimos facilidades para melhorar nossos equipamentos, assim como todo o investimento feito com recurso próprio da escola.
[blockquote style=”2″]Existe sim gente boa fazendo bons equipamentos aqui no Brasil, mas vejo constantemente a dificuldade dessas pessoas, que na maioria das vezes prefere fazer por encomenda do que ter uma indústria com larga produção.[/blockquote]
M&M – Existe uma diferenciação da grade curricular para os interessados em áudio ao vivo e em estúdio?
FM – Sim. Na verdade eles começam juntos em uma mesma base, onde é transmitido todo o fundamento de forma sólida para que eles possam se aprofundar em suas devidas escolhas. Depois de cumprida a etapa de preparo cada qual vai para sua especialização e vão se preparar para as situações de cada trabalho, com técnicas próprias exigidas no segmento pretendido.
M&M – Quanto aos itens de equipamento nacionais e estrangeiros? Na sua opinião existe produto nacional que alcança a qualidade dos importados?
FM – Para mim o problema da indústria nacional não é nem a competência das mesmas, e sim o fato de tudo que é produzido aqui ter alto custo tributário, não só na produção, mas em encargos sobre componentes eletrônicos importados que muitas indústrias nacionais utilizam, já que muitas peças nem são produzidas em nosso país.
O Brasil é um país que não produz tecnologia nesse setor, inclusive por falta de incentivo estatal em pesquisas, isso causa uma verdadeira covardia ao competir com os produtos importados, mesmo com os encargos que eles sofrem ao entrar no país, que – diga-se de passagem – também são altíssimos, e nesse ponto começamos a entrar no mérito de quanto o nosso país dificulta a indústria de equipamentos eletrônicos, na qual o áudio está inserido.
Existe sim gente boa fazendo bons equipamentos aqui no Brasil, mas vejo constantemente a dificuldade dessas pessoas, que na maioria das vezes prefere fazer por encomenda do que ter uma indústria com larga produção. A conclusão a que chego é que hoje não podemos comparar os equipamentos nacionais com os importados, porém não podemos dizer que nossa indústria de equipamentos de áudio é ineficiente e culpar os engenheiros dessas empresas que fazem verdadeiros milagres. Eles têm uma enorme dificuldade de trabalhar com as últimas tecnologias do mercado, incluindo o uso de kits de desenvolvimento que facilitam a vida do trabalho dos engenheiros, entre outras limitações.
Na verdade o assunto é complexo e entra no mérito tributário, econômico, da falta de incentivo tecnológico e podemos dizer também que cultural, já que marcas estrangeiras consagradas são consolidadas pelo nome, o que traz ao público uma certa credibilidade. Vejo que muitas indústrias nacionais preferem ficar com clientes de entrada para vender com preço mais acessível e atender essa fatia do mercado.
M&M – Os alunos que procuram a escola já têm seu home studio em formação, vêm de algum estúdio onde trabalham, ou procuram ainda sem nenhum ou pouco equipo? Qual o perfil da maioria?
FM – Podemos dizer que recebemos perfis dos mais variados, temos desde alunos que ingressam em nossos cursos sem nenhuma estrutura e sem nunca ter entrado em um estúdio, como outros que já trabalham há anos e buscam por conhecimento e direcionamento em suas carreiras, ou até mesmo ingressam com intuito de se aperfeiçoarem em cursos mais específicos e avançados que oferecemos, pois temos além de cursos de formação, cursos rápidos e objetivos para aqueles que buscam melhoria em seus trabalhos. Para aqueles que não possuem nenhum tipo de experiência e gostariam de ter uma estrutura mínima, nós aconselhamos começar a estudar, pois com o tempo terão condições plenas de decidir as melhores aquisições para seus propósitos.
Você pode gostar
-
Vale a pena estudar produção musical hoje?
-
AES anuncia conferência sobre áudio para VR, AR e jogos imersivos em 2026
-
Formatos de arquivos de áudio e conversão sem perda de qualidade
-
Prolight + Sound Guangzhou 2025 encerra com presença internacional recorde
-
Espanha: Discoteca Big Ben reabre as portas com sistema de som Voice-Acoustic
-
Audient iD48: Nova interface de áudio de 8 canais
Audio Profissional
Neumann revive uma lenda com o retorno do microfone valvulado M 50 V
Publicado
16 horas agoon
28/01/2026
A Neumann anunciou o relançamento do M 50 V, uma reedição fiel de um dos microfones mais icônicos da história da gravação.
Apresentado originalmente em 1951, o M 50 tornou-se uma referência para captação de orquestras e foi fundamental no desenvolvimento da técnica Decca Tree, ainda hoje padrão em gravações de música clássica e trilhas sonoras.
O novo M 50 V mantém o conceito acústico original, incluindo a cápsula omnidirecional de pequeno diafragma montada em uma esfera de 40 mm. Como atualização, a Neumann adotou um diafragma de titânio, que melhora a estabilidade e a durabilidade sem alterar o caráter sonoro que consagrou o modelo.

O microfone combina o circuito original com uma válvula subminiatura de ruído extremamente baixo e um conector selado contra interferências de RF, adequado às exigências dos ambientes modernos de gravação. A fonte de alimentação NM V incluída se ajusta automaticamente à tensão da rede elétrica e é compatível tanto com o novo M 50 V quanto com unidades históricas do M 50.
Segundo a Neumann, cada unidade é fabricada à mão na Alemanha, sob encomenda, com produção limitada e controle individual de qualidade. O modelo é voltado principalmente para gravações orquestrais, música para cinema e produções em estéreo, surround e formatos imersivos, preservando a mesma resposta de graves, imagem espacial e comportamento transitório que tornaram o M 50 um padrão da indústria.
Além do uso histórico na música clássica, o M 50 também foi amplamente utilizado como microfone de ambiência em gravações de pop e jazz, especialmente para baterias, metais e conjuntos, graças à sua resposta omnidirecional e à sua característica presença nas altas frequências.
Cabos
Como evitar a degradação de cabos, conectores e patchbays
Publicado
17 horas agoon
28/01/2026
Cuidados simples que evitam ruídos, falhas intermitentes e prejuízos no estúdio e na estrada.
Em estúdios, palcos e sistemas instalados, os cabos e conectores quase sempre são os primeiros a falhar — e os últimos a receber manutenção. Na prática, uma enorme parte dos problemas de ruído, perda de sinal e falhas intermitentes nasce exatamente aí: cabos cansados, conectores oxidados e patchbays mal cuidados.
A boa notícia: a maioria desses problemas pode ser evitada com procedimentos simples e rotina básica de manutenção.
Vida útil: cabos balanceados vs. desbalanceados
Nem todos os cabos envelhecem da mesma forma.
- Cabos balanceados (XLR, TRS balanceado) têm maior imunidade a ruído e costumam resistir melhor ao tempo, desde que bem construídos e bem tratados.
- Cabos desbalanceados (TS, RCA) são mais sensíveis a interferência e ao desgaste da blindagem. Em ambientes de uso intenso, sua vida útil costuma ser menor.
O que mais desgasta cabos:
- Dobras sempre no mesmo ponto
- Tração pelo conector
- Enrolamento incorreto
- Umidade, suor e poeira
Sinais claros de oxidação e fadiga
Alguns sintomas típicos:
- Estalos ao mexer no cabo
- Queda intermitente de sinal
- Mudanças de nível ou timbre sem explicação
- Conectores opacos, esverdeados ou com resíduos
Em patchbays, a oxidação interna costuma aparecer como:
- Canais que falham só em determinadas posições
- Contatos que “voltam” quando o patch é movimentado
Nesses casos, limpeza preventiva com produto específico para contatos costuma resolver — e prolongar bastante a vida útil do sistema.
Como enrolar corretamente (e por que isso muda tudo)
O método correto é o over-under (sobre–baixo), padrão em touring profissional.
Vantagens:
- Evita torção interna do condutor
- Reduz estresse mecânico no cobre e na malha
- Faz o cabo “cair reto” ao desenrolar
- Aumenta significativamente a vida útil
Enrolar sempre “girando para o mesmo lado” cria memória mecânica e, com o tempo, rompe o condutor por dentro, mesmo que o cabo pareça perfeito por fora.
Patchbay: o coração — e o ponto mais crítico
Em muitos estúdios, o patchbay é: “O coração do sistema e, muitas vezes, a maior fonte de problemas.”
Boas práticas:
- Exercitar os pontos de conexão periodicamente
- Limpar contatos uma ou duas vezes por ano
- Identificar tudo claramente
- Evitar cabos de baixa qualidade em rotas críticas
Um patchbay mal cuidado pode comprometer todo o sistema, mesmo com equipamentos de alto nível.
Soluções práticas para estúdio e estrada
No estúdio:
- Inventário e rodízio de cabos
- Testes periódicos com multímetro ou testador
- Limpeza preventiva anual
- Substituição imediata de cabos suspeitos
Na estrada e em eventos:
- Separar cabos por tipo e comprimento
- Usar bags ou cases ventilados
- Etiquetar tudo
- Nunca guardar cabos úmidos ou sujos
Infraestrutura invisível — mas crítica
Num mercado cada vez mais exigente em confiabilidade, cabos, conectores e patchbays deixaram de ser acessórios. Eles fazem parte da infraestrutura crítica do áudio.
Comprar bons cabos é importante. Cuidar bem deles é o que realmente protege o investimento. Que cuidados você toma?
Audio Profissional
Multilaser compra operação da Sennheiser no Brasil em aposta de R$ milhões no mercado de áudio profissional
Publicado
5 dias agoon
23/01/2026
Grupo que fabrica eletrônicos populares assume distribuição exclusiva de marca alemã premium, enquanto ex-parceira CMV sobe para comando regional na América Latina.
A Multilaser, conhecida por produzir TVs, computadores e eletroportáteis para o varejo de massa, acaba de entrar no segmento de áudio profissional pela porta da frente: assumiu a distribuição exclusiva da Sennheiser no Brasil, uma marca alemã de 80 anos que equipa estúdios, emissoras e salas de reunião corporativas no mundo inteiro.
O movimento não é uma simples troca de distribuidor. É uma reorganização estratégica que revela como fabricantes globais estão repensando suas operações na América Latina — e como empresas brasileiras com infraestrutura robusta podem capturar oportunidades em mercados de nicho e alto valor agregado.
Da parceria local ao comando regional
Por mais de uma década, a CMV Audio Group foi a parceira nacional da Sennheiser no Brasil. Agora, foi promovida a Regional Partner para toda a América Latina, exceto México. A mudança libera a empresa para focar em desenvolvimento de mercado e alinhamento estratégico regional, enquanto a Multilaser assume importação, logística, gestão comercial e estoque local.
Não é uma saída — é uma divisão de papéis. A CMV sobe na hierarquia e amplia território. A Multilaser entra com músculo operacional.
Para garantir a transição, Daniel Reis, sócio da CMV e executivo responsável pela operação latino-americana da Sennheiser, passa a integrar o quadro executivo da Multilaser. Parte da equipe técnica da CMV acompanha o movimento.
Por que a Multilaser?
A escolha tem lógica empresarial clara. A Multilaser opera um complexo industrial em Extrema (MG), duas fábricas na Zona Franca de Manaus e mantém laboratório de engenharia na China. Distribui mais de 3 mil produtos em 40 mil pontos de venda. Já trabalha com marcas internacionais como DJI, Targus e Toshiba.
Ou seja: tem escala, capilaridade e experiência em importação e logística. Exatamente o que faltava para a Sennheiser expandir no Brasil sem depender de estruturas externas ou prazos longos de importação.
O portfólio que a Multilaser passa a operar inclui microfones sem fio, sistemas de conferência, equipamentos de monitoramento e soluções para produção musical. O público-alvo não é o consumidor final, mas o canal profissional: integradores, locadores, revendedores e subdistribuidores.
O que está em jogo
Para a Sennheiser, trata-se de ganhar velocidade em um mercado que cresceu e se sofisticou. Eventos ao vivo voltaram com força, empresas investiram em salas de conferência híbridas, igrejas e universidades modernizaram infraestrutura de som. A demanda existe — mas só com operação local é possível atendê-la com agilidade.
Para a Multilaser, é a chance de migrar para segmentos de margem mais alta. Fabricar eletrônicos de consumo é um negócio de volume e margem apertada. Distribuir equipamentos premium para canais B2B é outra história: margens melhores, clientes recorrentes, contratos de maior ticket médio.
Para a CMV, representa consolidação regional. Sair da operação brasileira para assumir a América Latina não é rebaixamento — é expansão de mandato.
O desafio da execução
A infraestrutura está montada. A equipe de transição, definida. Mas resta a pergunta estratégica: a Multilaser conseguirá traduzir a filosofia de uma marca construída sobre precisão técnica e atendimento consultivo?
Áudio profissional não é mercado de prateleira. É relacionamento, suporte técnico, conhecimento de aplicação. A Sennheiser atende engenheiros de som, diretores técnicos de TV, gerentes de TI corporativo. Gente que não compra pelo preço — compra pela confiabilidade.
A Multilaser tem escala. Agora precisa provar que tem expertise.
Sinais de um mercado maduro
O acordo Sennheiser-Multilaser-CMV é sintoma de algo maior: o mercado brasileiro de tecnologia atingiu maturidade suficiente para que marcas globais confiem em estruturas nacionais para operar segmentos sofisticados.
Não é mais sobre importar e revender. É sobre ter capacidade de gerenciar cadeias complexas, manter estoque técnico, treinar canais especializados e garantir suporte pós-venda em escala nacional.
Para empresas brasileiras com ambição de crescer além do varejo de massa, esse é o caminho: capturar operações de marcas internacionais que precisam de infraestrutura local, mas não querem construí-la do zero.
A Multilaser apostou nisso. Agora é entregar.
Áudio
Neumann revive uma lenda com o retorno do microfone valvulado M 50 V
A Neumann anunciou o relançamento do M 50 V, uma reedição fiel de um dos microfones mais icônicos da história...
Como evitar a degradação de cabos, conectores e patchbays
Cuidados simples que evitam ruídos, falhas intermitentes e prejuízos no estúdio e na estrada. Em estúdios, palcos e sistemas instalados,...
Multilaser compra operação da Sennheiser no Brasil em aposta de R$ milhões no mercado de áudio profissional
Grupo que fabrica eletrônicos populares assume distribuição exclusiva de marca alemã premium, enquanto ex-parceira CMV sobe para comando regional na...
NAMM 2026: JH Audio volta com novos produtos e aposta no futuro dos IEMs
A JH Audio confirmou sua presença no NAMM Show 2026, que acontece de 20 a 24 de janeiro no Anaheim...
NAMM 2026: Schoeps apresentará soluções para estúdio, ao vivo e aplicações imersivas
Marca exibirá as linhas Colette e CMIT e demonstrará sistemas de gravação espacial em Anaheim. A Schoeps Microphones confirmou sua...
Leia também
Iniciativa inspirada em Villa-Lobos leva concertos gratuitos a escolas públicas de SP
Brasil de Tuhu une educação, cultura e inclusão; em agosto, passa por cidades da Grande São Paulo e interior. A...
Teatro Opus Città anuncia inauguração com atrações nacionais e internacionais
Espaço cultural na Barra da Tijuca funcionará em soft opening ao longo de 2025 e terá capacidade para até 3...
Harmonias Paulistas: Série documental exalta grandes instrumentistas de SP e homenageia Tom Jobim
A música instrumental paulista ganha um novo espaço com a estreia da série Harmonias Paulistas, produzida pela Borandá Produções e...
Falece o reconhecido baterista Dudu Portes
O mundo musical despede Dudu Portes, deixando sua marca no mundo da percussão. Nascido em 1948, Eduardo Portes de Souza,...
Música transforma vidas de presos em projeto de ressocialização
A ressocialização de detentos no Brasil tem ganhado novas dimensões com projetos que unem capacitação profissional e arte. Iniciativas como...
Paraíba: Editais do ‘ICMS Cultural’ incluem projeto para estudar música
Edital do Programa de Inclusão Através da Música e das Artes (Prima) planeja oferecer 392 vagas para jovens paraibanos que...
Academia Jovem Orquestra Ouro Preto abre vagas para 2024
Criado para promover o ensino da prática orquestral, projeto abre edital para jovens músicos. As inscrições vão até 20 de...
Conselho Federal da OMB emite nota de repúdio ao Prefeito de Maceió. Entenda.
Desrespeito à legislação local acende debate sobre valorização da cultura alagoana. O conflito entre a classe artística de Maceió e...
Quem Canta Seus Males Espanta: Sandra Sofiati e seu Corpo Sonoro
Nesse novo artigo de Quem Canta Seus Males Espanta, vamos sair um pouco dos instrumentos “externos”, e nos voltar para...
Talibã Queima Instrumentos Musicais no Afeganistão
Centenas de músicos fugiram do Afeganistão para escapar das restrições do Talibã à música, afetando a cultura musical O Talibã,...
Maestro Evandro Matté fala sobre o Multipalco
À frente de três orquestras, a do próprio Theatro São Pedro, e da Orquestra Jovem, fruto de um projeto social,...
Multipalco: Viagem ao centro da arte
Música & Mercado foi ao centro da capital gaúcha visitar a história cultural do Rio Grande do Sul em uma...
Como obter patrocínio de 100 mil ou mais para realizar seu projeto de música
Adriana Sanchez mostra como obter patrocínio de 100 mil ou mais para realizar seu projeto de música. Criadora da banda...
Exportação de música brasileira, uma boa ideia!
O Brasil possui uma série de dificuldades na exportação de sua música para uma audiência internacional, mesmo assim, exportar é...
Presidente da Anafima recebe medalha de reconhecimento cultural do Governo de SP
Daniel Neves recebeu a honraria durante o Prêmio Governo do Estado de São Paulo para as Artes 2022, na noite...
Retomada de eventos em 2021 recuperou 300 mil postos de trabalho, sem recuperar nível de emprego de 2019
Retomada de eventos em 2021 recuperou 300 mil postos de trabalho, sem recuperar nível de emprego de 2019. A evolução...
OneBeat Virtual: inscrições de intercâmbio virtual para músicos
Embaixada e Consulados dos EUA abrem inscrições de intercâmbio virtual para músicos até 11 de fevereiro O OneBeat Virtual busca...
Manual de procedimentos do profissional da música
Guia básico sobre conceitos que os profissionais da música deveriam aplicar nas suas carreiras e no trato com outros no...
Câmara Setorial de Instrumentos Musicais do Paraná visita presidente da câmara Municipal de Curitiba
Yuris Tomsons, destacado pela Associação Comercial do Paraná para fazer a interlocução com os presidentes das comissões permanentes da Câmara...
Make Music: Robertinho Silva, Milton Nascimento e João Donato recebem homenagem no evento
Homenagem a Robertinho Silva, Milton Nascimento e João Donato: produção convida músicos de todo o Brasil para participar. Saiba como...
Presidente Prudente inaugura espaço dedicado a bandas de garagem
Espaço Garagem em Presidente Prudente contou com o apoio da loja Audiotech Music Store Presidente Prudente/SP – O prefeito Ed...
Música & Mercado apoia campanha em favor de artistas impactados pela pandemia
Idealizada e promovida pela Beetools, iniciativa destinará 25% da receita líquida das matrículas nos cursos da startup para garantir uma...
Governo anuncia liberação de R$ 408 milhões em recursos para o setor de eventos
Secretaria Especial da Cultura afirma que auxílio deve ficar disponível ainda no primeiro semestre. Na última terça-feira (9), o governo...
Brasileiro promove boa saúde entre músicos
Empresário brasileiro promove boa saúde entre músicos. Marcos Mendes, empresário, investidor no ramo de nutracêuticos, é um constante apoiador na...
Opinião: Música é agente de mudança
Arte não é algo que seja isento de ideologia, porque o pensamento e o sentimento são suas bases enquanto materia-prima....
Opinião: Me lembro como se fosse hoje
O mercado da música está passando por diversas mudanças, mas também está mudando o consumidor e o músico, com uma...
Opinião: É tempo de aprender… Música!
E lá se vai 1/3 do ano trancado em casa. Desde março, pais que trabalham, filhos que estudam, todos se...
Saúde: Automotivação no mercado da música
Todos nós fazemos música, e realizamos sonhos. Nunca se esqueça disso! Você sabe o que significa a palavra motivação? O...
Música para quem vive de música – Volume 14
Continuamos apresentando grandes discos e filmes para sua cultura musical. Hoje temos Def Leppard, Sonny Rollins e Plebe Rude. Def...
Fernando Vieira: O amor à música como legado
Jornalista Fernando Vieira faleceu e deixou um imenso legado. Cabe a todos manterem a chama da música acesa. A morte...
Trending
-
Gestão3 semanas agoTendências de marketing para 2026 que as lojas de música devem adotar
-
Músico3 semanas agoComo evitar danos causados por energia elétrica instável
-
Gestão4 semanas agoTendências de vendas para 2026 para lojas de música
-
Instrumentos Musicais4 semanas agoCuidado com instrumentos acústicos em clima tropical
-
Audio Profissional5 dias agoMultilaser compra operação da Sennheiser no Brasil em aposta de R$ milhões no mercado de áudio profissional
-
Audio Profissional3 semanas agoLana Del Rey impulsiona sua turnê por estádios com SSL Live
-
NAMM Show3 semanas agoNAMM Show 2026 terá mais de 200 sessões educacionais
-
Audio Profissional3 semanas agoCelestion apresenta o novo TSQ2460 de 24”, seu driver LF mais potente e durável







