Audio Profissional
Áudio: Do MIDI 1.0 ao MIDI 2.0 – Parte 1
Publicado
3 anos agoon
Por
Saulo Wanderley
O sistema MIDI – Musical Interface for Digital Instruments – foi concebido na década de 1970 e lançado na década de 1980, sendo até hoje melhorado.
Envolve tanto elementos de software quanto de hardware. Para entender com clareza seu funcionamento, e principalmente sua utilização prática, precisamos entrar no túnel do tempo e voltar à invenção dos sintetizadores na década de 1960.
O sintetizador é um instrumento musical que a princípio se utiliza de teclados para disparar timbres, mas depois vieram captadores para guitarras, percussões e até sopros. A sua produção dos timbres acontece por meios eletrônicos digitais, mas os primeiros sintetizadores, chamados de analógicos, porque usavam transistores, capacitores e resistores nos seus circuitos eletrônicos.
Estes sintetizadores analógicos só geravam sons puramente eletrônicos, através de osciladores, e não se dedicavam a simular instrumentos musicais tradicionais como os de hoje. Entre as décadas de 1960 e 1970, os sintetizadores analógicos fizeram sucesso exatamente por produzir timbres “inéditos”. Mas, se por um lado inovavam no timbre, eram muito limitados na polifonia – nada de acordes – e na afinação.
Os fabricantes, nessa época ainda atuando separadamente na tecnologia, adotaram um padrão para controlar a altura das notas pelo controle da tensão elétrica, o CV – control voltage – totalmente analógico, e sujeito à instabilidade das tensões. O aumento de de 1 volt fazia a altura da nota dobrar. Para os 12 valores de uma oitava, se precisava de 12 valores de tensão, com diferenças de décimos de volt, em um intervalo de 1 volt.
A precisão desses valores requeria diferenças de milésimos de volt, pois uma variação de 6% na afinação de uma nota alterava mais do que um semitom na sua altura. No final da década de 1970 entraram em cena os microprocessadores, permitindo a chegada dos primeiros sintetizadores polifônicos nos quais o processo de criação do timbre era analógica, mas o controle de sua criação e o acionamento no teclado era digital.
Começou a cair o custo dos sintetizadores, com as empresas se mexendo, ainda separadamente. Os chips começaram a aparecer pela Curtis (CEM) e a Solid State Micro Technology (SSM) oferecendo chips musicais de osciladores (VCO), filtros (VCF) e amplificadores (VCA). Empresas como a Sequential Circuits e a Oberheim desenvolviam sintetizadores de 4 a 8 vozes com processadores Intel 8080 e Motorola 6800.
Começando a pensar em dar as mãos, as empresas perceberam que estava ficando obsoleto o controle por CV, e a solução seria pelo digital. A Roland criou o sistema DCB Bus, que usava transferência de dados em paralelo. A Oberheim criou um sistema parecido, mas que causava interferência em aparelhos eletrônicos. E a Sequential Circuits transmitia sinal 20 vezes mais rápido do que o MIDI no seu sistema RS-232.
Mas estes sistemas não eram compatíveis entre si. Foi em uma convenção da AES de 1981 – assim como em outra convenção da AES de 2020 (lançando o MIDI 2.0) – que se iniciou a elaboração de uma proposta revolucionária de interface digital para sintetizadores inicialmente chamada de USI -Universal Synthesizer Interface, pelos engenheiros David Smith e Chet Wood, da Sequential Circuits.
Juntaram-se a eles Ikutaro Kakehashi da Roland e Tom Oberheim, e com mais colaboradores da Yamaha e da Kawai, que fazendo melhoramentos na proposta original chegaram ao MIDI 1.0. E na NAMM show do início de 1983, no stand da Sequential Circuits foi demonstrada a primeira conexão MIDI entre um sintetizador Prophet 600 e um Roland JP-6. A especificação MIDI 1.0 aconteceu em agosto de 1983.
Como uma das grandes preocupações das empresas era a acessibilidade, havia o interesse que seu custo não aumentasse o preço dos sintetizadores. E como na década de 1980 os chips UART de 16 bits eram muito caros, os códigos das mensagens MIDI foram colocados em chips de 8 bits. A velocidade de transmissão de dados então se limitou pelos chips de 8 bits e a necessidades de cabos e conectores baratos.
Por outro lado a grande vantagem do MIDI 1.0 foi nenhuma empresa se candidatar a tornar-se tornar proprietária do sistema, o que tornou o protocolo de domínio público. Já em 1984 todas as grandes empresas fabricantes de sintetizadores se reuniram na IMA – International MIDI Association, que mais tarde se tornaria a MMA – MIDI Manufacturers Association, e que recentemente em 2020 anunciaria o MIDI 2.0
Em 20 anos, de 1983 a 2003, foram desenvolvidas novas aplicações publicadas pela MMA, para uso de execução musical, sincronização por código de tempo, controle de equipamentos de estúdio, de equipamentos de luz e de efeitos visuais, dentre inúmeros outros, já que as especificações iniciais deixaram em branco muitos códigos de mensagens MIDI, prevendo expansões. Foram elas:
- 1983 – MIDI 1.0 Specification
- 1988 – Standard MIDI Files 1.0
- 1991 – General MIDI System Level 1
- 1991 – MIDI Show Control 1.0
- 1992 – MIDI Machine Control 1.0
- 1994 – General MIDI 2 Specification (não confundir com o atual MIDI 2.0)
- 1999 – Downloadable Sounds (DLS) Level 1 Specification
- 2000 – MIDI Media Adaptation Layer for IEEE-1394
- 2000 – RMID File Format
- 2001 – General MIDIDetailed Specification
- 2001 – General MIDI Lite Specification and Guidelines for Mobile Applications
- 2001 – Downloadable Sounds Level 2.1 Specification
- 2002- Scalable Polyphony MIDI Specification
- 2003 – XMF Specification
- 2003 – MIDI XML Specification
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Audio Profissional
Neumann revive uma lenda com o retorno do microfone valvulado M 50 V
Publicado
19 horas agoon
28/01/2026
A Neumann anunciou o relançamento do M 50 V, uma reedição fiel de um dos microfones mais icônicos da história da gravação.
Apresentado originalmente em 1951, o M 50 tornou-se uma referência para captação de orquestras e foi fundamental no desenvolvimento da técnica Decca Tree, ainda hoje padrão em gravações de música clássica e trilhas sonoras.
O novo M 50 V mantém o conceito acústico original, incluindo a cápsula omnidirecional de pequeno diafragma montada em uma esfera de 40 mm. Como atualização, a Neumann adotou um diafragma de titânio, que melhora a estabilidade e a durabilidade sem alterar o caráter sonoro que consagrou o modelo.

O microfone combina o circuito original com uma válvula subminiatura de ruído extremamente baixo e um conector selado contra interferências de RF, adequado às exigências dos ambientes modernos de gravação. A fonte de alimentação NM V incluída se ajusta automaticamente à tensão da rede elétrica e é compatível tanto com o novo M 50 V quanto com unidades históricas do M 50.
Segundo a Neumann, cada unidade é fabricada à mão na Alemanha, sob encomenda, com produção limitada e controle individual de qualidade. O modelo é voltado principalmente para gravações orquestrais, música para cinema e produções em estéreo, surround e formatos imersivos, preservando a mesma resposta de graves, imagem espacial e comportamento transitório que tornaram o M 50 um padrão da indústria.
Além do uso histórico na música clássica, o M 50 também foi amplamente utilizado como microfone de ambiência em gravações de pop e jazz, especialmente para baterias, metais e conjuntos, graças à sua resposta omnidirecional e à sua característica presença nas altas frequências.
Cabos
Como evitar a degradação de cabos, conectores e patchbays
Publicado
19 horas agoon
28/01/2026
Cuidados simples que evitam ruídos, falhas intermitentes e prejuízos no estúdio e na estrada.
Em estúdios, palcos e sistemas instalados, os cabos e conectores quase sempre são os primeiros a falhar — e os últimos a receber manutenção. Na prática, uma enorme parte dos problemas de ruído, perda de sinal e falhas intermitentes nasce exatamente aí: cabos cansados, conectores oxidados e patchbays mal cuidados.
A boa notícia: a maioria desses problemas pode ser evitada com procedimentos simples e rotina básica de manutenção.
Vida útil: cabos balanceados vs. desbalanceados
Nem todos os cabos envelhecem da mesma forma.
- Cabos balanceados (XLR, TRS balanceado) têm maior imunidade a ruído e costumam resistir melhor ao tempo, desde que bem construídos e bem tratados.
- Cabos desbalanceados (TS, RCA) são mais sensíveis a interferência e ao desgaste da blindagem. Em ambientes de uso intenso, sua vida útil costuma ser menor.
O que mais desgasta cabos:
- Dobras sempre no mesmo ponto
- Tração pelo conector
- Enrolamento incorreto
- Umidade, suor e poeira
Sinais claros de oxidação e fadiga
Alguns sintomas típicos:
- Estalos ao mexer no cabo
- Queda intermitente de sinal
- Mudanças de nível ou timbre sem explicação
- Conectores opacos, esverdeados ou com resíduos
Em patchbays, a oxidação interna costuma aparecer como:
- Canais que falham só em determinadas posições
- Contatos que “voltam” quando o patch é movimentado
Nesses casos, limpeza preventiva com produto específico para contatos costuma resolver — e prolongar bastante a vida útil do sistema.
Como enrolar corretamente (e por que isso muda tudo)
O método correto é o over-under (sobre–baixo), padrão em touring profissional.
Vantagens:
- Evita torção interna do condutor
- Reduz estresse mecânico no cobre e na malha
- Faz o cabo “cair reto” ao desenrolar
- Aumenta significativamente a vida útil
Enrolar sempre “girando para o mesmo lado” cria memória mecânica e, com o tempo, rompe o condutor por dentro, mesmo que o cabo pareça perfeito por fora.
Patchbay: o coração — e o ponto mais crítico
Em muitos estúdios, o patchbay é: “O coração do sistema e, muitas vezes, a maior fonte de problemas.”
Boas práticas:
- Exercitar os pontos de conexão periodicamente
- Limpar contatos uma ou duas vezes por ano
- Identificar tudo claramente
- Evitar cabos de baixa qualidade em rotas críticas
Um patchbay mal cuidado pode comprometer todo o sistema, mesmo com equipamentos de alto nível.
Soluções práticas para estúdio e estrada
No estúdio:
- Inventário e rodízio de cabos
- Testes periódicos com multímetro ou testador
- Limpeza preventiva anual
- Substituição imediata de cabos suspeitos
Na estrada e em eventos:
- Separar cabos por tipo e comprimento
- Usar bags ou cases ventilados
- Etiquetar tudo
- Nunca guardar cabos úmidos ou sujos
Infraestrutura invisível — mas crítica
Num mercado cada vez mais exigente em confiabilidade, cabos, conectores e patchbays deixaram de ser acessórios. Eles fazem parte da infraestrutura crítica do áudio.
Comprar bons cabos é importante. Cuidar bem deles é o que realmente protege o investimento. Que cuidados você toma?
Audio Profissional
Multilaser compra operação da Sennheiser no Brasil em aposta de R$ milhões no mercado de áudio profissional
Publicado
5 dias agoon
23/01/2026
Grupo que fabrica eletrônicos populares assume distribuição exclusiva de marca alemã premium, enquanto ex-parceira CMV sobe para comando regional na América Latina.
A Multilaser, conhecida por produzir TVs, computadores e eletroportáteis para o varejo de massa, acaba de entrar no segmento de áudio profissional pela porta da frente: assumiu a distribuição exclusiva da Sennheiser no Brasil, uma marca alemã de 80 anos que equipa estúdios, emissoras e salas de reunião corporativas no mundo inteiro.
O movimento não é uma simples troca de distribuidor. É uma reorganização estratégica que revela como fabricantes globais estão repensando suas operações na América Latina — e como empresas brasileiras com infraestrutura robusta podem capturar oportunidades em mercados de nicho e alto valor agregado.
Da parceria local ao comando regional
Por mais de uma década, a CMV Audio Group foi a parceira nacional da Sennheiser no Brasil. Agora, foi promovida a Regional Partner para toda a América Latina, exceto México. A mudança libera a empresa para focar em desenvolvimento de mercado e alinhamento estratégico regional, enquanto a Multilaser assume importação, logística, gestão comercial e estoque local.
Não é uma saída — é uma divisão de papéis. A CMV sobe na hierarquia e amplia território. A Multilaser entra com músculo operacional.
Para garantir a transição, Daniel Reis, sócio da CMV e executivo responsável pela operação latino-americana da Sennheiser, passa a integrar o quadro executivo da Multilaser. Parte da equipe técnica da CMV acompanha o movimento.
Por que a Multilaser?
A escolha tem lógica empresarial clara. A Multilaser opera um complexo industrial em Extrema (MG), duas fábricas na Zona Franca de Manaus e mantém laboratório de engenharia na China. Distribui mais de 3 mil produtos em 40 mil pontos de venda. Já trabalha com marcas internacionais como DJI, Targus e Toshiba.
Ou seja: tem escala, capilaridade e experiência em importação e logística. Exatamente o que faltava para a Sennheiser expandir no Brasil sem depender de estruturas externas ou prazos longos de importação.
O portfólio que a Multilaser passa a operar inclui microfones sem fio, sistemas de conferência, equipamentos de monitoramento e soluções para produção musical. O público-alvo não é o consumidor final, mas o canal profissional: integradores, locadores, revendedores e subdistribuidores.
O que está em jogo
Para a Sennheiser, trata-se de ganhar velocidade em um mercado que cresceu e se sofisticou. Eventos ao vivo voltaram com força, empresas investiram em salas de conferência híbridas, igrejas e universidades modernizaram infraestrutura de som. A demanda existe — mas só com operação local é possível atendê-la com agilidade.
Para a Multilaser, é a chance de migrar para segmentos de margem mais alta. Fabricar eletrônicos de consumo é um negócio de volume e margem apertada. Distribuir equipamentos premium para canais B2B é outra história: margens melhores, clientes recorrentes, contratos de maior ticket médio.
Para a CMV, representa consolidação regional. Sair da operação brasileira para assumir a América Latina não é rebaixamento — é expansão de mandato.
O desafio da execução
A infraestrutura está montada. A equipe de transição, definida. Mas resta a pergunta estratégica: a Multilaser conseguirá traduzir a filosofia de uma marca construída sobre precisão técnica e atendimento consultivo?
Áudio profissional não é mercado de prateleira. É relacionamento, suporte técnico, conhecimento de aplicação. A Sennheiser atende engenheiros de som, diretores técnicos de TV, gerentes de TI corporativo. Gente que não compra pelo preço — compra pela confiabilidade.
A Multilaser tem escala. Agora precisa provar que tem expertise.
Sinais de um mercado maduro
O acordo Sennheiser-Multilaser-CMV é sintoma de algo maior: o mercado brasileiro de tecnologia atingiu maturidade suficiente para que marcas globais confiem em estruturas nacionais para operar segmentos sofisticados.
Não é mais sobre importar e revender. É sobre ter capacidade de gerenciar cadeias complexas, manter estoque técnico, treinar canais especializados e garantir suporte pós-venda em escala nacional.
Para empresas brasileiras com ambição de crescer além do varejo de massa, esse é o caminho: capturar operações de marcas internacionais que precisam de infraestrutura local, mas não querem construí-la do zero.
A Multilaser apostou nisso. Agora é entregar.
Áudio
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