Cultura
Fernando Vieira: O amor à música como legado
3 min de leitura
Jornalista Fernando Vieira faleceu e deixou um imenso legado. Cabe a todos manterem a chama da música acesa.
A morte de um amigo é sempre um momento de dor, mas se juntarmos a isso o legado e a importância de quem nos deixa, teremos uma amplitude de sentimentos que ultrapassa a saudade e o vazio da perda.
O jornalista gaúcho Fernando Vieira nunca tocou qualquer instrumento e sequer conhecia tecnicamente qualquer fase da criação ou execução musical.
Mas isso nunca impediu o seu amor pela música brasileira a ponto de se tornar silenciosa e discretamente o maior aglutinador da MPB das últimas décadas.
Ao criar a quase 40 anos a Festa Nacional da Música, um evento fechado até a virada do século, Fernando gestou, intencionalmente ou não, uma espécie de convenção da música brasileira onde centenas de artistas, produtores, técnicos, empresários, gestores e autoridades ligadas à arte faziam do encontro um canal de interlocução e convergência de ideias.
Das primeiras edições em Porto Alegre e mais tarde na serra gaúcha, a Festa Nacional da Música foi o germinal de várias propostas para a música e seus profissionais.
Sempre com a presença parlamentares de todas as vertentes ideológicas, mas ligados à defesa da música brasileira, além de vários ministros de estado, o evento virou o canal de anseios a propostas legislativas voltadas ao interesse da categoria.
Nos anos 90, liderados por Sérgio Reis, alguns artistas levantaram os primeiros movimentos pela volta do ensino musical às escolas e já em 2013 surgiu também a proposta da PEC da Música que foi aprovada em 2015 pelo Congresso Nacional e isentou de tributos as mídias de obras musicais brasileiras.
Para 2020, estava previsto o início da campanha pelo imposto zero para instrumentos musicais dando ao produto o tratamento de ferramenta de cultura como é recepcionado em países de primeiro mundo, e não objeto de lazer como é visto e taxado hoje no Brasil.
As primeiras sondagens e a viabilidade da proposta já tinham sido iniciadas junto a membros da área econômica do governo Bolsonaro e tiveram boa receptividade ao projeto.
Com a morte de Fernando, a música brasileira ficou mais pobre e perdeu o seu maior catalizador.
Desconhecido do Brasil e amado no meio musical de norte a sul, o jornalista dedicou uma vida inteira à música criando propostas, gerindo carreiras e grandes eventos.
Aos 72 anos e trabalhando com o mesmo afinco, seu coração pregou uma peça dolorosa na música brasileira.
Junto com ele foi um idealismo e uma dedicação que supera a compreensão de quem fica tentando imaginar como alguém assim pode deixar-nos de forma tão repentina e surpreendente.
Descanse em paz meu parceiro, a música seguirá colorindo nosso destino, mesmo quando ele nos deixa com lágrimas nos olhos pela dor de uma perda dessa dimensão.
A linda homenagem gravada por dezenas de artistas da MPB fala por si só.
Nela fica gravada o seu legado de amor e dedicação à nossa arte maior.
Que Deus o receba… com música!
-
Empresas29 set 2026Fender diz que não vai recuar na guerra do Stratocaster e põe a PRS na mira
-
Music Business2 out 2026Música com IA e direitos autorais: o que conferir antes de usar o Suno
-
Empresas22 set 2026Score Rings: educador brasileiro leva pauta musical de chão à Music China
-
Conecta+ Música21 set 2026Do hobby ao estudo: como uma visita à Conecta+ pode iniciar uma trajetória musical
-
Audio Profissional29 set 2026Interfaces sem DSP proprietário: o modelo do estúdio profissional está mudando?
-
Guitarra25 set 2026Astryx, primeira guitarra signature de Dany Villarreal chega através da PRS
-
Captadores22 set 2026Set signature de Tom Morello da EMG com captadores 85 e H
-
Amplificadores23 set 2026VOX reduz o formato, mas tenta preservar a resposta dos AC no novo AC MINI
