Audio Profissional
Como montar seu home studio – Capítulo XVI
Seguimos com os DAWs, falando agora do Studio One – Arranjador & Scratch Pad.
Continuando a insistir que um produtor musical deve conhecer no mínimo os assuntos e procedimentos musicais básicos – como escalas, intervalos, formação e encadeamento de acordes, instrumentação, transposição etc. – vamos desta vez analisar algumas funções do Studio One que permitem a um arranjador trabalhar mais à vontade, criando alternativas para pistas, que podem ser trocadas para testes, ensaios, adaptações e outras tarefas na criação de uma obra musical.
Até algum tempo atrás arranjar era o processo de administrar uma composição em um contexto, incluindo a orquestração, criar partes e criar gestões musicais para realizar uma música. Hoje, o termo arranjo é mais frequentemente usado no sentido de ordenar seções de uma composição. Por isso a janela principal do Studio One é chamada de Arrange Window. Mas uma série de novas funções centradas na nova Arranger Track foram acrescentadas para auxiliar nesta forma de composição. Como uma terminologia lógica nunca foi o forte do programa, vamos focar na Arranger Track e no Arrange View e colocá-los para trabalhar, pois funcionam muito bem na prática.

A essência das funções de arranjo está em delimitar faixas de tempo como seções de uma música. Seções são identificadas na pista Arranjador, e, uma vez atribuídos nomes a elas, poderão ser movidas, duplicadas e tratadas como eventos, facilitando as experimentações na estrutura da composição. O processo básico é muito simples. Clique no botão da Arranjador na série de botões que acendem e apagam acima da lista de pistas na tela de arranjo (tela principal) do projeto para abrir esta nova pista.
Nela, arraste do começo para o fim de uma seção – com a ferramenta pincel – e uma seção de arranjo será criada com um nome padrão baseado nas partes mais comuns da estrutura (Introdução, Estrofe, Refrão).
Você pode renomear como quiser, do menu Evento. Uma vez criadas, as seções de arranjo podem ser manipuladas como eventos, arrastadas, ser clicadas apertando a tecla ALT e arrastando para criar e posicionar uma cópia e outros procedimentos. Você também pode criar uma seção de arranjo de uma seleção, usando o comando Adicionar seleção à Seção do Arranjador no menu Evento.

Este comando pode ser associado a um atalho de tecla, que não existe por padrão, logo, precisa ser criado. Uma vez criadas as seções, copie e duplique cada uma na área de arranjo, mas existe ainda o Inspetor de Arranjo que pode substituir o Inspetor de Pista.
Do menu superior Visualizar clique para mostrar os dois Inspetores em Inspetor – daí aparecem os Inspetores de Pista e de Evento. Então clique na área da etiqueta do Arranjador, e o Inspetor de Arranjo substituirá o Inspetor de Pista:

As seções podem ser arrastadas na lista para rearranjar sua ordem ou trocar uma pela outra. Fique atento no menu pop-up, para não substituir uma seção que queira inserir, por exemplo. Arrastar segurando a tecla ALT cria uma cópia e as teclas DEL removem uma seção selecionada. Os botões Duplicar (2 quadrinhos) e Deletar (sinal – ) no topo da lista também realizam as mesmas funções. Clicando no começo à esquerda de uma seção se coloca o cursor ali, para se ouvir seções até em ordens diferentes durante o playback (on the fly). A seção que está rolando é indicada por um ícone em forma de palheta de guitarra à esquerda do nome da seção na lista. Clicar com o botão direito no quadro da pista no Inspetor de Arranjo abre outras opções.

As funções de arranjo são melhor exploradas quando usadas em conjunto com os Scratch Pads do Studio One. Eles reunem material para ser copiado para um local “seguro” (abaixo da timeline), onde você pode mexer com ele sem afetar o material original. Quando este material é uma seção do arranjo, eis aí o mecanismo ideal para desenvolver ideias ou criar variações de uma seção, uma vez que o material pode pode ser levado de volta à janela principal para incrementar ou substituir o original. Os Scratch Pads são otimizados para criar variações, não apenas para adicionar ou editar partes, você pode experimentá-las no contexto musical, configurando tempo diferente, fórmula de compasso, tonalidade em cada Scratch Pad.
O limite para as variações reside no fato que você estará usando as mesmas pistas no Scratch Pad e na timeline principal. Logo, não se pode usar instrumentos virtuais diferentes, ou outros canais MIDI. As pistas do Scratch Pad compartilham os mesmos canais no mixer. Para sair dessa limitação só usando a automação. Você pode copiar materiais para um Scratch Pad (ou mover, se preferir) e tocá-los enquanto deixa deixa o original na área principal de arranjo. Alternativamente, pode copiar o original para um Scratch Pad para salvaguardá-lo e tocar na área principal.

Nos dois casos a ideia é a segurança ao mexer no arranjo. O material copiado para um Scratch Pad não é um clone, mas uma cópia separada. O segredo está ao nomear e renomear. Digamos que você cria um refrão (Chorus) e o copia para dois Scratch Pads, os edita, um para ser um meio-refrão, e o outro um refrão duplo. Os nomes nas duas variações e no original na área principal serão “Chorus” (ou qualquer outro nome criado), e será necessário ouvir cada um para saber quem é quem. Troque os nomes para “Meio-Refrão” e “Refrão-Duplo” e o problema está resolvido.
Há várias maneiras para capturar seções para os Scratch Pads e levá-las de volta. A mais fácil é arrastar, como tudo no Studio One. Crie um novo Scratch Pad e copie uma seção da Arranger Track na área principal arrastando-as da Arranger Track para o Scratch Pad. Segurar a tecla ALT copia e move a seção. Arrastar do Scratch Pad para a área principal funciona igual. Mas note que se você arrastar na Arranger Track os eventos se movem com a seção, mas, se você arrastar só os eventos, a seção não vai junto com eles. Compor fica mais fácil com as facilidades da Arranger Track, como construir loops. O comando Copy Loop to Scratch Pad serve para isso.

Criando uma seção de arranjo de um loop, ou uma seleção, e os copiando para um novo Scratch Pad. Se você não quiser achar os comandos no menu principal, os Scratch Pads podem podem ser gerenciados usando o menu drop-down perto do botão de Scratch Pad na barra de ferramentas. É recomendável criar atalhos de tecla com comandos de Rename, Add, Delete e Duplicate Scratch Pads na página Keyboard Shortcuts.
Nos Inspetores Arranger Track Inspector e Scratch Pad Inspector aparecem todas as seções de arranjo em cada Scratch Pad. No Arranger Track Inspector, clicando à esquerda de uma seção a ativa, a tornando visível na timeline da Arrange View e sendo tocável. Isso significa que você poderá entre seções na timeline e em qualquer um dos Scratch Pads enquanto o Studio One rola. Assim fica bem fácil ouvir todas as estruturas e escolhendo entre elas.
Combinar as seções de arranjo com os Scratch Pads é um grande e criativo melhoramento no seu fluxo de trabalho. Vários estilos de composição são beneficiados com a criação fácil de uma livraria de ideias e variações, experimentáveis em várias combinações. Para explorar bem o recurso é essencial a criação de atalhos de tecla e macros.
Audio Profissional
Subwoofer CRMS-LFE18sl mkII da Alcons Audio com design ultrafino
Sistema LFE incorpora driver de 18” e resposta estendida para aplicações de alta exigência.
A Alcons Audio anunciou o CRMS-LFE18sl mkII, um subwoofer de perfil ultrafino desenvolvido para aplicações de alta exigência em ambientes de cinema, estúdios e espaços de mixagem profissional.
O modelo faz parte da série CRMS (Cinema Reference Monitor Systems) e foi projetado como um sistema LFE (Low Frequency Effects), com foco em oferecer reprodução precisa em baixas frequências, com controle de transientes e resposta linear.
O sistema integra um driver de 18 polegadas de alta excursão com dupla bobina de 3”, capaz de atingir deslocamentos de até 30 mm, o que permite maior faixa dinâmica em comparação com subwoofers convencionais.
Um dos diferenciais do CRMS-LFE18sl mkII é seu design compacto, com profundidade reduzida, o que facilita sua instalação em espaços limitados, permitindo configurações em parede, teto ou estruturas suspensas sem comprometer o desempenho acústico.
O subwoofer oferece uma resposta em ambiente que pode se estender abaixo de 10 Hz, juntamente com alta precisão na reprodução de impulsos, características essenciais para aplicações onde a fidelidade em baixas frequências é crítica.
Para sua operação, o sistema foi otimizado para trabalhar com controladores amplificados dedicados da marca, que integram processamento específico para ajuste de fase, otimização de resposta e compensação de cabeamento, com o objetivo de manter consistência em diferentes configurações.
O CRMS-LFE18sl mkII é voltado para estúdios de pós-produção, salas de mixagem, cinemas de alto padrão e ambientes onde se exige reprodução precisa de efeitos de baixa frequência, consolidando a tendência de soluções de alto desempenho em formatos mais compactos.
Audio Profissional
BandBox chega ao Brasil e inaugura categoria de amp portátil inteligente com IA que trabalha sem internet
Solo a R$ 1.699 e Trio a R$ 3.599 chegam ao mercado nacional com separação de instrumentos em tempo real, mixer de quatro canais e até 10 horas de autonomia
Existe um problema que todo músico que estuda, ensina ou cria fora do estúdio conhece bem. O cubo de prática básico não entrega o que o músico de hoje precisa. Montar um rig com pedalboard, amplificador e ferramenta de aprendizado custa espaço, peso e dinheiro. E os amplificadores portáteis com entrada para instrumento que existem no mercado, em geral, funcionam mais como alto-falante do que como equipamento de músico de verdade.
O JBL BandBox foi construído para atacar exatamente essa lacuna — e chegou ao Brasil no dia 7 de abril de 2026 com um lançamento que, por si só, já disse alguma coisa sobre a proposta do produto.
Um palco para quem usa instrumento de verdade
O evento aconteceu em São Paulo e foi conduzido por Fabiano Carelli, guitarrista do Capital Inicial há mais de duas décadas. Não um apresentador de palco, não um influenciador de tecnologia — um músico profissional que conhece a rotina de quem toca ao vivo e em estúdio.
Ao lado dele, uma lista que atravessou gerações e estilos: Clemente, fundador dos Inocentes e figura central da Plebe Rude; Charles Gavin, baterista da primeira formação dos Titãs; Rayane Fortes, cantora, guitarrista e multi-instrumentista cearense que virou todas as cadeiras no The Voice Brasil e hoje acumula projeção internacional; Thaide, nome do hip-hop nacional; e Felipe Vassão, produtor com múltiplos Grammy Latinos no currículo — responsável por álbuns de Emicida e Jota.pê, com mais de 400 mil seguidores no Instagram e um canal ativo sobre produção musical.
O evento foi lotado, com presença de jornalistas, lojistas de todo o Brasil, criadores de conteúdo e convidados do mercado. E o que aconteceu no palco não foi demonstração controlada: os músicos pegaram o BandBox ao vivo, sem ensaio prévio, e mostraram o equipamento em uso real. O resultado surpreendeu. Ver um instrumento sendo amplificado, efeitos sendo trocados em tempo real e a separação de elementos funcionando diante de uma plateia que entende de som é diferente de ver um vídeo institucional. É a diferença entre acreditar no produto e entender o que ele faz.
O que é o BandBox — e por que o enquadramento importa
A linha tem dois modelos. O BandBox Solo é compacto: até 30W de saída, uma entrada de guitarra ou microfone, reprodução de música via Bluetooth, afinador, metrônomo, looper, pitch shifter, modelos de amplificador e efeitos clássicos como phaser, chorus, tremolo e reverb. A bateria dura até seis horas. Conecta ao computador por USB-C e funciona como interface de áudio direta para o DAW — sem equipamento adicional.

O BandBox Trio é o modelo para grupos: 135W com woofer de 6,5″ e dois tweeters de 1″, quatro entradas simultâneas para instrumentos e microfones, mixer de quatro canais com tela LCD integrada, efeitos de microfone, bateria substituível e até 10 horas de autonomia. Dá para plugar guitarra, baixo, microfone e ainda ter canal livre. Ambos se conectam ao app JBL One para controle avançado de equalização, modelos de amp e cadeia de efeitos — mas os recursos básicos funcionam sem ele, direto no hardware.
O enquadramento correto não é caixa Bluetooth, não é cubo de prática, não é amp de palco. É uma categoria nova: amplificador portátil inteligente, com ferramentas de prática, criação e gravação no mesmo bloco.
A Stem AI: o diferencial que a imprensa internacional foi testar
O recurso central da linha é a tecnologia Stem AI: separação em tempo real de vocais, guitarra e outros elementos de qualquer música reproduzida via Bluetooth, sem necessidade de internet e sem upload prévio de arquivo. O músico escolhe o que quer remover ou isolar — a guitarra para aprender um solo, a voz para cantar por cima, a bateria para trabalhar o groove — e o processamento acontece direto no hardware.
Aplicativos como o Moises fazem algo parecido, mas exigem que o arquivo seja enviado antes. O BandBox faz isso enquanto a música toca. Essa diferença tem consequência prática real em sala de aula, em sessão de prática e no palco de um evento como o que aconteceu ontem em São Paulo.
A imprensa especializada testou e foi direta. O Guitar World classificou a ferramenta como uma das melhores que já viu para prática com IA. O Sound on Sound, referência técnica do setor de áudio, destacou que a inclusão de separação de stems em hardware autônomo, sem dependência de processamento em nuvem, é genuinamente significativa. A ressalva presente nos testes é que a separação não é perfeita em músicas com arranjos muito densos — mas o ponto relevante é que ela funciona bem o suficiente para uso prático real, e isso a imprensa confirmou com produto em mão.

O que isso inaugura para o ecossistema
Há uma geração de músicos — estudantes avançados, professores, produtores que trabalham em casa, criadores de conteúdo musical — para quem o setup ideal precisa ser compacto, completo e capaz de gravar. Esses músicos vivem hoje entre soluções parciais: o cubo básico que amplifica mas não tem recursos, o pedalboard que tem recursos mas ocupa espaço, a interface de áudio que grava mas não amplifica.
O BandBox tenta condensar tudo isso. Para professores e escolas de música, o Trio tem apelo direto: quatro entradas, ferramentas de acompanhamento com controle de elementos, looper e interface de gravação em um único equipamento portátil que substitui um rig inteiro em aulas individuais ou em grupo pequeno. Para o criador de conteúdo musical, a interface USB-C e a Stem AI são o argumento principal — gravar direto no DAW e montar acompanhamentos customizados em tempo real são funcionalidades com encaixe direto nesse perfil. Para o músico profissional que leva o instrumento de um lugar para o outro, o Solo é o equipamento que ele não encontrava nessa faixa.
E para as lojas de instrumento, o BandBox inaugura uma conversa nova. Não compete com o cubo de entrada. Compete com a decisão de não comprar nada — porque o músico ainda não encontrou um produto que fizesse tudo que ele precisava em um formato que coubesse na sua rotina.
O essencial
O JBL BandBox chega ao Brasil num momento em que o mercado de instrumentos carece de produtos que traduzam tecnologia de software em hardware portátil sem inflar o preço além do razoável. A separação de elementos em tempo real sem internet, combinada com amplificação, efeitos e interface de gravação em um só dispositivo, não tem precedente direto nessa faixa de preço e formato no Brasil — e o lançamento de ontem, com músicos de verdade mostrando o produto em uso real, foi a forma mais honesta de apresentar isso ao mercado.

Audio Profissional
Audio-Technica amplia linha com novos microfones shotgun on-camera
Modelos ATV-SG1 e ATV-SG1LE focam na captura de áudio para produção de vídeo para criadores.
A Audio-Technica apresentou os microfones shotgun ATV-SG1 e ATV-SG1LE, desenvolvidos para uso direto em câmera e voltados a criadores de conteúdo, videomakers e produções audiovisuais.
Os dois modelos utilizam cápsula de 14 mm e tubo acústico de 100 mm, configuração que permite captação direcional do som, priorizando a fonte principal e reduzindo ruídos de ambiente.
Os microfones contam com suporte antivibração integrado e tecnologia de proteção contra interferências, com o objetivo de minimizar ruídos gerados por movimentos da câmera ou por equipamentos eletrônicos próximos.
O modelo ATV-SG1 oferece recursos adicionais, como controle de ganho, filtro de corte de graves e gravação de pista de segurança, atendendo a usuários que buscam maior controle durante a captação.
Já o ATV-SG1LE adota uma abordagem mais simples, com operação plug-and-play e alimentação direta pela câmera, dispensando bateria.
Ambos os modelos podem ser montados diretamente em câmeras DSLR ou mirrorless, reforçando a proposta de soluções compactas para captura de áudio em vídeo, em um contexto de crescimento da produção de conteúdo digital.
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