Audio Profissional
Grande review de fones – A teoria
Publicado
6 anos agoon
Por
Saulo Wanderley
Nesta primeira parte do nosso review vamos conhecer aspectos fundamentais e teóricos para compreender o funcionamento dos fones de ouvido, do ouvido humano e do cancelamento de ruído
Fones x monitores
Os transdutores — microfones e alto-falantes — são as duas extremidades do que costumo chamar de “congelamento sonoro”, isto é, a transformação do som em sinal e a retransformação deste em som novamente. Do lado dos microfones, as opções eram de tamanho, e só recentemente apareceram os eficientes de tamanho reduzido. Do lado dos alto-falantes, os fones existem há mais tempo, se bem que só agora são capazes de uma eficiência que os torna rivais dos monitores de áudio.
A polêmica é forte. Apareceram os home studios, em localizações nem sempre adequadas para se abrir volume, e audiófilos em movimentos aeróbicos exigindo fidelidade de graves, para ficar só em dois exemplos. Os fones podem mostrar a quem mixa detalhes mais invisíveis do que a própria onda sonora, e existem no mercado apps que pretendem transformar a audição em fones mais próximos do que em ambientes acusticamente tratados, e fones que tentam silenciar o som alienígena.
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Quando você ouve através de alto-falantes, seu ouvido direito recebe os sons tão bem quanto o esquerdo, mas algo atrasado em baixos volumes. Isso acontece por causa do efeito de “sombra” da cabeça, e também pela construção das partes externas dos ouvidos, que agem como complexos controles que dependem da direção. E você ainda ouve reflexões de paredes, tetos e pisos. São sons naturais, porque assim nós ouvimos desde que saímos do útero de nossas mães.

Já nos fones, ouvimos apenas o canal esquerdo no ouvido esquerdo e o direito no direito. Todos os sons cuja panorâmica foi definida na mix serão ouvidos nos seus respectivos canais, em ouvidos separados, o que pode soar algo pouco natural, e isso pode causar dores de cabeça e até náuseas em períodos de audição prolongada. Quando sons colocados no canal do meio são ouvidos por alto-falantes, eles são ouvidos na sua frente, mas os mesmos sons em fones parecem sair de dentro da sua cabeça.
Você pode se acostumar com essa resposta panorâmica estranha e até gostar dela, mas a impressão de ouvir apenas com um ouvido pode ficar desagradável para alguns. Alguns amplificadores de fones, acessórios e plug-ins produzem uma mistura que mescla um pouco do canal esquerdo ao direito e vice-versa, para imitar as suas duas orelhas — uma simulação acústica. Nossas cabeças e orelhas absorvem e refletem nas frequências altas, e essa simulação geralmente começa acima de 2 kHz.
Esse crossfeed pode fazer com que sons muito panoramizados pareçam vir de pontos iguais, como de um alto-falante à sua frente. Isso pode ser experimentado em gravações onde parece não rolarem nos fones, como os álbuns estéreo lançados nos anos 1960 e 1970, quando fones de alta qualidade ainda não existiam — pelo menos não a preços acessíveis. Bons exemplos são gravações dos Beatles, os primeiros LPs do Pink Floyd e outros lançamentos dessa época.
Uma boa experiência para se comparar fones e monitores são algumas gravações de orquestras de alta qualidade, efeitos sonoros e gravações de games de realidade virtual especificamente projetados para serem ouvidos em fones. Essas gravações “binaurais” são feitas usando uma cabeça artificial equipada com “microfones de ouvido”, como no Dummy Head KU100 da Neumann, e podem ser muito mais realistas do que sistemas de monitores estéreo.

Esses microfones capturam com precisão como ouvimos sons através de nossos dois ouvidos. Por isso, quando você está ouvindo uma gravação binaural em fones de ouvido, pode localizar sons vindos de trás e de frente, e até acima e abaixo da cabeça. No entanto, essa sensação desaparece quando você ouve as mesmas gravações em monitores, e por isso esse tipo de gravação binaural só é usado para testes de acústica e outras aplicações muito técnicas.
O som mono de um só ouvido é a maior encrenca para mixagens decentes feitas com fones de ouvido. Isso não é problema na maioria das tomadas de orquestras, porque elas são feitas com pares de microfones coincidentes, ou mesmo arrays de microfones estrategicamente colocados. E mesmo se microfones mais aproximados de solistas forem usados, é só quando se alterna entre solo e acompanhamento. Apenas em casos muito raros são panoramizados para a esquerda ou a direita.
Muita gente acha que não é possível compensar a diferença de impressão espacial de mixagens feitas nos fones para que rolem legal em monitores. Basta um pouco de prática para se acostumar a posicionar os instrumentos nos fones e lembrar que vão soar mais distantes do que nos monitores. Aquelas medidas de pan que você se acostumou a usar com monitores só precisam ser calculadas com as novas proporções para os fones, com a compensação certa.
Cuidado com instrumentos estéreo, como kits de bateria. Nunca tente espalhar os sons das peças por toda a panorâmica, o que pode ser interessante nos monitores, mas nos fones fica bem estranho, a não ser que você queira causar estranheza. Já os sons de sintetizador espalhados por padrão, principalmente com efeitos, podem matar sua mixagem, que só poderá ser ressuscitada com plug-ins de redução do estéreo, restringindo sua largura e deixando espaço para os outros instrumentos.
Alto-falantes e fones têm em comum o fato de que costumam soar diferentes, e aqui o preço costuma fazer jus à qualidade. Mas dá para encontrar fones de alto nível mais baratos do que um par de monitores pequenos ou médios, que todos costumam preferir para compor o visual de seu setup inicial e impressionar os audiominions. Somando a isso o fato de que seus próximos possam não gostar de ouvir loops como trilha sonora de suas noites de sono tranquilo, os fones levam vantagem…
O pessoal que projeta fones não tem como objetivo uma resposta de frequência plana, e na sua maioria costumam ter um hump de até 5 dB entre uns 35 e 500 Hz, para compensar um fato que a maior parte dos usuários de fones ou monitores não conhece: pelos fones o seu corpo não “sente” as frequências graves emitidas pelos alto-falantes de maior diâmetro de cone. Já nas frequências acima de 1 kHz a 20 kHz costumam ter 5 dB a menos, afinal, os drivers dos fones estão quase dentro do seu cérebro.
Aqui entra em cena a variedade de fones disponíveis no mercado, o que leva alguns a serem mais adequados para as mixagens. Tecnicamente, os mais comuns são chamados de dispositivos circunventais, cobrindo toda a orelha, enquanto outros são dispositivos supra-auriculares, na parte superior das orelhas. Esses dois tipos de dispositivos podem receber o nome de abertos ou fechados, uma denominação que pode induzir a múltiplas e nem sempre reais deduções.

Fones abertos colocam os drivers em contato com a paisagem sonora externa, reduzindo os efeitos ressonantes da cavidade da concha, o que acaba produzindo algum tipo de alimentação cruzada entre as orelhas, tornando sua sonoridade mais natural e, portanto, mais próxima à de monitores. Mas não são muito bons para monitoração, justamente porque seu som pode ir parar nos microfones, seja durante gravações em salas únicas de técnica e tomada de som comuns em home studios, seja em performances de apresentação.
Para monitorar, os fones fechados são melhores. Mas podem também ser melhores para mixar, se seu objetivo é evitar um ambiente onde penetrem ruídos diabólicos como os da obra aqui no meu prédio, com pedreiros quebrando o reboco do lado de fora da janela da sala onde estou escrevendo este review. Mas não se esqueça de que o preço desse silêncio pode ser o suor de suas orelhas, fazendo dos fones fechados uma tortura para mixagens prolongadas.
Acontece que os dispositivos de reprodução portáteis são vendidos com pequenos fones chamados earbuds para serem introduzidos no ouvido, com uma qualidade nem sempre interessante e pouco isolamento, para que atletas urbanos não sejam atropelados ouvindo “Fast Car”, da Tracy Chapman. E há ainda os fones in-ear, que ficam dentro do canal do ouvido e podem ser feitos sob encomenda. Os fones in-ear bem adaptados, personalizados ou não, podem fornecer um isolamento capaz de torná-los o juiz das frequências graves das mixagens.
Mas indo direto ao ideal para as mixagens, os fones abertos e circunaurais (graves profundos e naturais) são o bicho. Podemos citar a experiência de mais de uma década dos Sennheiser HD650, conceituados por sua sonoridade detalhada e neutra, e o alcance de graves, ou a clareza da linha AKG iniciada com o K701s, depois K702 e agora continuada como os novos K245 e K275. No caso de fones fechados para as mixes, há modelos Sony desde o MDR7509HD até os atuais WH1000M3 e XB900N, com cancelamento de ruído.
O cancelamento de ruído
Aqui entramos no assunto de cancelamento de ruído, ou noise-canceling. Nos fones, podem ser do tipo ativo ou passivo, que não devem ser confundidos com os monitores passivos (sem amplificador próprio) ou ativos (com amplificador embutido), que são outro assunto. O cancelamento passivo de um fone é feito pelo uso de materiais que bloqueiam algumas ondas sonoras, geralmente as mais agudas. São do tipo circunaural, com camadas de espuma de alta densidade, o que aumenta significativamente o seu peso.
O aumento de peso consegue reduzir o ruído externo até 20 dB, insuficiente para o caso dos meus queridos pedreiros ali fora da janela. Aí vem em meu socorro o cancelamento ativo, que além de barrar as altas frequências, consegue também diminuir as baixas, médio-baixas e médio-altas. O termo ativo vem da sua capacidade de criar ondas sonoras próprias que imitam direitinho o ruído externo, exceto pelo fato de sua fase ser invertida em 180 graus.

Para explicar como isso ocorre, observe no desenho acima que as duas ondas, a produzida pelo fone e a do ruído ambiente, têm a mesma amplitude e frequência, mas seus picos — as partes de cima e de baixo, ou compressões e rarefações — estão invertidas. Teoricamente, essas duas ondas se anulam, um milagre chamado de interferência destrutiva. Para operar o milagre, quatro anjos são enviados dos céus para combater o mal.
O anjo Microfone, colocado dentro da concha do fone, ouve os sons dos demônios externos que não podem ser bloqueados pelos escudos sagrados dos materiais da construção do fone. O anjo Cancelador, um circuito eletrônico que detecta os demônios, suas amplitudes e frequências, criando uma onda de fase invertida às desses seres malignos. O anjo Alto-Falante é enviado junto com o áudio normal e liquida os demônios sem afetar as ondas do bem. E o anjo Bateria, que gera a energia divina. Amém.
O milagre não é total, podendo chegar a barrar uns 20 dB dos sons externos, o que pode significar cerca de 70% de redução. Mas existem alguns efeitos colaterais, como mudanças na pressão do ar, aliviadas com aberturas no protetor auricular para liberar o ar preso atrás dos speakers, e que podem prejudicar a audição das frequências graves. Talvez isso possa ser compensado pela eliminação do ruído de fundo, ou seja, a soma de ruídos das marretas, do canto feliz e dos ringtones dos celulares dos pedreiros…
A sensação de mudança de pressão no ouvido com os fones de cancelamento vem da diferença entre a pressão do ar no ouvido interno e a do ar no ambiente. Quanto mais elevada a altitude, o ar interno tende a escapar; quanto menos elevada, ocorre o inverso. Isso pode ser percebido até em um carro subindo algumas centenas de metros numa estrada, ou em aviões. Quem nunca “estalou” os ouvidos equalizando sua pressão nessas situações?

Outro incômodo registrado pelos usuários dos fones com cancelamento de ruído é o chamado “efeito vácuo”, que pode desconfortável e até mesmo perturbador para o ser humano, que, como já apontei, desde o nascimento se acostumou com as reflexões e reverberações do som, percebidas pelas características peculiares da construção do aparelho auditivo humano. A necessidade de alimentação por bateria, e o peso desta, também podem ser apontados como um “contra” no cancelamento ativo.
Acusticamente falando, na audição de música, o cancelamento de sons “constantes”, cujos formatos de onda e sua sucessão no tempo possam ser facilmente anulados pela inversão de fase, não são uma constante. Isso pode resultar no seu não cancelamento. Sons rápidos e de alta frequência tendem a sobreviver ao cancelamento. E sons graves e/ou contínuos, facilmente trabalhados pelo cancelamento, podem induzir seu cérebro a percebê-los como mudanças de pressão do ar, e a uma necessidade de compensação.
Em vez de fones x monitores, melhor fones + monitores
Ouvir mixagens ou mesmo audições de entretenimento detalhadas com fones tem mais vantagens do que desvantagens. Voltando aos pedreiros ali fora da minha janela, nos fones foi possível detectar os cliques de suas ferramentas no áudio de um vídeo, que eu já tinha ouvido nos meus monitores Alesis e não percebi. E os ouvi de novo no estúdio, simplesmente porque tinha levado o mesmo Neumann NDH20 para lá. Isso quer dizer que ter fones conhecidos em toda parte elimina os possíveis desconhecimentos de mudança de salas e suas consequências, óbvio.
Em alguns casos, o som da sala onde você trabalha pode ser como o acabamento que os pedreiros colocam sobre os tijolos: o reboco, a massa fina e finalmente a tinta nas paredes. Sem falar nos revestimentos acústicos diversos nas paredes de diferentes salas. O grau de detalhamento nos fones pode, entretanto, tornar mais difíceis resoluções de mixagem que tratam de reverberações, que parecem ser maiores nos fones. Mas nada que a prática não ensine, bastando aumentar o reverb nos fones um pouco mais do que entregam os monitores.
Já alguns efeitos da compressão — tão usada nos dias de hoje —, como distorção, para ficar num só efeito colateral, podem também dificultar decisões de mixagem. Também a aplicação de reverbs fica muito nítida na audição com fones, em que pequenas quantidades de reverberação são percebidas de imediato, e o resultado disso é subestimar a quantidade de reverb que deve ser usada em mixagens feitas para soar em monitores de áudio, que precisam ser ouvidas junto com as características acústicas de uma sala.
Por outro lado, mixagens que são feitas para ser ouvidas em fones de ouvido — e aqui podemos acrescentar que a maioria dos ouvintes atualmente vai ouvir as composições populares e comerciais nesses dispositivos, nem sempre de boa qualidade — precisam de ajustes finais de reverb. Se um vocal, que é só o que a maioria dos ouvintes destreinados ouve — daí a expressão “a música que diz assim…” —, está seco nos monitores, pode ser adicionado um reverb com cerca de 40 dB abaixo do sinal direto para ser mais bem ouvido em fones.
Uma mix em fones é melhor para caprichar em detalhes sutis como ecos quase “psicológicos” mexendo com o tempo, efeitos de pan para criar movimento, percussão incidental, efeitos ambientais e até abusar de compressão pesada e distorção, sempre com muito critério e sutileza. A filha adolescente de um amigo descobriu uma percussão sutil que se movimentava pela panorâmica de uma mix minha olhando nos cantos da sala e soltando a frase que só eu entendi: “Pai, você não percebeu que esse bongô está passeando pela sala?”
Mas há efeitos que não funcionam nos fones, como os plug-ins de posicionamento 3D projetados para o uso em monitores. Estou me referindo aos efeitos beyond the speaker (além do alto-falante), que funcionam muito bem nos monitores, mas não nos fones. Da mesma forma, plug-ins 3D desenvolvidos para os fones não rolam bem nos monitores. Tais plug-ins têm sua aplicação ideal, desde que se considere o fenômeno de “sombra” a que já me referi anteriormente.
Os efeitos de posicionamento e movimento em 3D precisam ser projetados especificamente para a reprodução através de alto-falantes ou fones de ouvido para ser eficazes. Isso ocorre porque nos fones de ouvido apenas ouvimos o sinal do canal esquerdo no ouvido esquerdo e o canal direito no ouvido direito, enquanto nos alto-falantes cada ouvido também ouve o outro canal, um pouco mais tarde e com um nível ligeiramente reduzido.

Terminando nossa primeira e teórica parte do The Great Headphones Review, é bem possível e adequado fazer a maior parte de sua mix em fones de ouvido, desde que você possa verificá-la ocasionalmente através de monitores — o ideal seria aprimorá-la para os dois sistemas de reprodução. Lembre-se de que nas ruas, ônibus, Ubers, quartos de apartamento e milhares de outros locais, os “juízes” da sua mix estarão julgando seu trabalho, seu setup — e sua reputação — em modestos fones de ouvido que podem ter ganhado na última viagem de avião… Na próxima parte, vamos analisar marcas e modelos, não perca!
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Audio Profissional
EarAmp XD amplia opções de monitoramento pessoal no palco
Publicado
2 horas agoon
27/02/2026
Nova solução digital da Samson aposta em praticidade, áudio estéreo e conectividade flexível para palco.
A Samson apresentou o EarAmp XD, novo sistema digital sem fio de monitoramento in-ear voltado a músicos e técnicos que buscam uma solução prática para monitoramento pessoal em performances ao vivo, reduzindo o uso de cabos no palco.
O sistema opera na faixa de 2,4 GHz e foi desenvolvido para oferecer monitoramento em estéreo ou mono com qualidade profissional, permitindo maior liberdade de movimentação durante apresentações.
Aplicações práticas no palco
O EarAmp XD é indicado para shows, igrejas, ensaios e ambientes em que o monitoramento individual seja essencial. Ao eliminar cabos extras, o sistema simplifica o setup e melhora a mobilidade dos músicos.
O receptor tipo beltpack conta com saída estéreo de 3,5 mm para fones in-ear —incluindo os fones Zi50— além de saída de linha, possibilitando envio de sinal para wedges ou outros sistemas de monitoramento pessoal.
O usuário pode escolher entre modos mono e estéreo, adaptando o sistema às diferentes necessidades de mixagem.
Conectividade e alcance
O transmissor XT200, em formato half-rack, oferece entradas combo XLR/TRS e saídas loop de 1/4”, facilitando a integração em setups já existentes.
A transmissão digital alcança até cerca de 70 metros, cobertura suficiente para a maioria dos palcos e espaços de ensaio.
Outro destaque é a possibilidade de operar até oito sistemas simultaneamente no mesmo ambiente, além de permitir múltiplos receptores conectados a um único transmissor — recurso útil para bandas e grupos com monitoramento compartilhado.
Operação simplificada
O sistema inclui função de escaneamento automático para localizar rapidamente frequências disponíveis, reduzindo o tempo de configuração.
O receptor oferece até oito horas de funcionamento com duas pilhas AA, atendendo sessões prolongadas de ensaio ou apresentações.
Audio Profissional
Climatização em estúdios e home studios: como proteger equipamentos e melhorar o som
Publicado
2 dias agoon
25/02/2026
Temperatura, umidade e ruído ambiental influenciam diretamente a estabilidade do estúdio.
A climatização ainda é um dos aspectos menos considerados na montagem de estúdios e home studios, mas também um dos que mais impactam a durabilidade dos equipamentos, a estabilidade acústica e a qualidade das gravações. Não se trata apenas de conforto térmico: temperatura e umidade afetam diretamente instrumentos, microfones, monitores e eletrônicos sensíveis.
Em estúdios profissionais, o controle ambiental costuma fazer parte do projeto técnico desde o início. Já em ambientes domésticos, muitas vezes é resolvido de forma improvisada — o que, ao longo do tempo, pode gerar falhas, ruído adicional e desgaste prematuro do equipamento.
Temperatura e umidade: o equilíbrio invisível do estúdio
O objetivo principal não é atingir números extremos, mas manter estabilidade constante.
De forma geral, os intervalos recomendados são:
- Temperatura: entre 20 °C e 24 °C
- Umidade relativa do ar: entre 40% e 55%
Variações bruscas costumam ser mais prejudiciais do que valores levemente fora do ideal. Mudanças rápidas provocam expansão e contração de materiais, especialmente madeira e componentes mecânicos.
Impacto direto em instrumentos e madeiras
Guitarras, baixos, pianos acústicos e outros instrumentos com madeira natural respondem rapidamente ao ambiente:
- Umidade baixa → rachaduras, trastes aparentes e instabilidade de afinação
- Umidade alta → deformações, dilatação da madeira e perda de estabilidade estrutural
Em home studios que gravam instrumentos acústicos com frequência, manter a umidade controlada reduz ajustes constantes e problemas de entonação.
Equipamentos eletrônicos também sofrem com o clima
Não são apenas os instrumentos que exigem atenção. A eletrônica moderna é sensível a ambientes instáveis.
Microfones
- Microfones condensadores podem acumular umidade na cápsula.
- A condensação gera ruído, perda de sensibilidade ou falhas intermitentes.
- Microfones ribbon são particularmente sensíveis a mudanças rápidas de temperatura e umidade.
Interfaces e processadores
- Excesso de umidade favorece oxidação de conectores.
- Temperaturas elevadas reduzem a vida útil de fontes e componentes internos.
Monitores de estúdio
- Alterações térmicas influenciam a suspensão dos falantes.
- A resposta de graves pode variar ligeiramente conforme a temperatura do ar.
O inimigo silencioso: o ruído do ar-condicionado (HVAC)
Um erro comum é instalar sistemas eficientes termicamente, mas inadequados do ponto de vista acústico.
Sistemas de climatização podem introduzir:
- ruído constante de ventilação
- vibrações estruturais
- turbulência de ar captada por microfones sensíveis
Como evitar
- Priorizar equipamentos com modo silencioso ou tecnologia inverter
- Evitar fluxo direto de ar sobre microfones ou posição de audição
- Utilizar suportes antivibração nas unidades internas
- Criar trajetos indiretos de circulação de ar sempre que possível
Em gravações vocais ou acústicas, até ruídos baixos podem se tornar evidentes após compressão e processamento.
Recomendações práticas para home studios pequenos
Não é necessário um projeto complexo para obter melhorias relevantes.
- Use um higrômetro digital: Permite monitorar temperatura e umidade em tempo real.
- Evite extremos: Ambientes muito frios ou excessivamente secos aceleram o desgaste.
- Utilize desumidificador ou umidificador conforme o clima: Regiões úmidas pedem controle da umidade; regiões secas exigem reposição.
- Garanta circulação de ar leve e constante: Ar parado favorece condensação localizada.
- Desligue o ar-condicionado durante gravações críticas: Resfrie o ambiente antes e desligue durante a captação, se necessário.
- Isole vibrações: Evite contato direto entre compressores e paredes do estúdio.
Mais estabilidade, menos problemas técnicos
Um estúdio bem climatizado não apenas protege o investimento em equipamentos, mas também reduz problemas difíceis de diagnosticar, como ruídos intermitentes, desafinações frequentes ou variações na resposta sonora.
Em muitos casos, melhorar o controle ambiental traz resultados mais perceptíveis do que trocar equipamentos. A estabilidade térmica e de umidade permite que instrumentos e eletrônicos operem em condições previsíveis — algo essencial tanto em produções profissionais quanto em ambientes criativos domésticos.
A climatização, na prática, não é um detalhe técnico. É parte do sistema de áudio.
Audio Profissional
DAS Audio amplia série EVENT com mais opções para o palco
Publicado
2 dias agoon
25/02/2026
EVENT-30A, EVENT-S218A e EVENT-M12A adotam DSP comum para simplificar setups ao vivo e instalações fixas.
A DAS Audio anunciou a ampliação da série EVENT com três novos sistemas: o line array EVENT-30A, o subwoofer EVENT-S218A e o monitor de palco EVENT-M12A. Os modelos EVENT-30A e EVENT-M12A receberam o prêmio Best of Show durante a NAMM, reforçando a proposta da série como uma plataforma tecnológica voltada à operação simplificada e resultados sonoros consistentes.
A nova fase da série EVENT é baseada em uma plataforma DSP compartilhada, comum a todos os sistemas da linha. O objetivo é reduzir o tempo de configuração, facilitar processos de instalação e garantir previsibilidade de desempenho em turnês, festivais e instalações permanentes.

Plataforma DSP integrada e preparada para atualizações
O processamento inclui filtros FIR para otimizar a resposta do sistema e manter coerência tonal entre os diferentes componentes. A integração com o software DAScontrol e a arquitetura preparada para futuras atualizações de firmware permitem evolução contínua do sistema ao longo do tempo.
EVENT-30A automatiza configuração do line array
O EVENT-30A incorpora conectividade Wi-Fi integrada para atualizações sem fio e controle do sistema. A principal novidade é o recurso Smart Self-Tuning™, que permite que cada caixa identifique automaticamente sua posição dentro do array por sensores infravermelhos e carregue o preset correspondente — incluindo modos long throw e short throw — sem necessidade de ajuste manual.
A solução reduz erros operacionais e acelera a montagem em produções de grande porte.
O sistema utiliza dois alto-falantes de 10 polegadas e dois drivers de compressão com transdutores de neodímio desenvolvidos para a série, oferecendo maior alcance dinâmico e SPL elevado em um gabinete compacto.

EVENT-S218A amplia o desempenho em baixas frequências
O subwoofer ativo EVENT-S218A conta com dois transdutores de 18 polegadas em neodímio e compartilha a mesma arquitetura de controle da plataforma EVENT. Presets cardioides para configurações com duas ou três unidades ajudam a reduzir a energia sonora traseira, especialmente em aplicações ao ar livre.
O gabinete inclui posições de montagem horizontal e vertical, ampliando a flexibilidade de uso.
EVENT-M12A combina monitor de palco e point source
A linha é completada pelo EVENT-M12A, monitor coaxial de 12 polegadas projetado para monitoramento de palco e também utilizável como sistema point source graças ao encaixe integrado na alça.
O formato compacto, os conectores frontais e o ajuste tonal alinhado à série EVENT facilitam a integração visual e sonora em diferentes tipos de palco e instalação.
Áudio
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