Music Business
Fraude no streaming: Michael Smith admite culpa; acusação pede prisão
Após admissão de culpa em março, acusação pede pelo menos 46 meses de prisão. Caso envolve audiência artificial e mais de US$ 8 milhões em royalties fraudulentos.
O caso Michael Smith chegou à fase de definição da pena nos Estados Unidos. Depois de se declarar culpado, em março de 2026, de conspiração para cometer fraude eletrônica, o músico enfrenta um pedido da acusação de pelo menos 46 meses de prisão. A solicitação consta de documento apresentado à Justiça federal de Nova York em 29 de setembro; não é uma sentença.
O processo coloca em evidência um problema para gravadoras, editoras, distribuidoras e artistas: a manipulação de reproduções pode desviar recursos dos titulares que participam dos mesmos sistemas de remuneração.
O que foi admitido
Segundo o comunicado do Departamento de Justiça de 19 de março, Smith utilizou centenas de milhares de músicas geradas por inteligência artificial e contas automatizadas para produzir bilhões de reproduções artificiais. O esquema gerou mais de US$ 8 milhões em royalties fraudulentos.
Smith admitiu culpa em uma acusação de conspiração para cometer fraude eletrônica, cuja pena máxima prevista é de cinco anos. Também concordou com o confisco de US$ 8.091.843,64. Esse valor não deve ser confundido com uma multa já paga, nem o limite legal de prisão com uma pena já imposta.
Acusação e defesa discutem a pena
Na manifestação da acusação protocolada em setembro, os procuradores pedem ao menos 46 meses de prisão. O documento registra que a defesa solicita uma pena em liberdade, sob supervisão, e que o órgão responsável pelo relatório pré-sentença recomenda 24 meses de prisão. Cabe ao juiz decidir.
A mesma peça diferencia a receita bruta, superior a US$ 14 milhões, do prejuízo acordado de aproximadamente US$ 8,09 milhões. O cálculo deduz estimativas de reproduções legítimas e contribuições aos fundos de royalties por meio de assinaturas. Por isso, cifras de etapas diferentes do processo não são diretamente intercambiáveis.
O alerta para a cadeia da música
A discussão ultrapassa a ferramenta utilizada para criar as faixas. O núcleo do caso é a obtenção fraudulenta de pagamentos com audiência artificial. Confundir música feita com IA com fraude de streaming apagaria essa distinção.
Para empresas que administram repertórios e campanhas, o caso reforça a importância de documentar a origem do tráfego, conferir variações anormais nos relatórios e avaliar fornecedores de promoção. Promessas de reproduções garantidas merecem atenção: volume de plays, isoladamente, não comprova a existência de público real.
Trata-se de um processo norte-americano. Seus fatos não estabelecem automaticamente regras penais ou de distribuição de direitos no Brasil, mas oferecem um exemplo concreto dos riscos comerciais e de controle associados à audiência fabricada.
-
Empresas29 set 2026Fender diz que não vai recuar na guerra do Stratocaster e põe a PRS na mira
-
Music Business2 out 2026Música com IA e direitos autorais: o que conferir antes de usar o Suno
-
Empresas22 set 2026Score Rings: educador brasileiro leva pauta musical de chão à Music China
-
Audio Profissional29 set 2026Interfaces sem DSP proprietário: o modelo do estúdio profissional está mudando?
-
Guitarra25 set 2026Astryx, primeira guitarra signature de Dany Villarreal chega através da PRS
-
Captadores22 set 2026Set signature de Tom Morello da EMG com captadores 85 e H
-
Amplificadores23 set 2026VOX reduz o formato, mas tenta preservar a resposta dos AC no novo AC MINI
-
Conecta+ Música30 set 2026NAMM NeXT LATAM reunirá em São Paulo líderes da indústria musical latino-americana
