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Opinião: Negócio da China? 

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Negócio da China

4 min de leitura

A fábula João e Maria me veio à cabeça como comparativo na questão comercial do mundo com a China, porque as crianças desse conto infantil, gulosas que foram, seduzidas pelos doces, não se questionaram que poderia ser uma armadilha.

No caso do comércio com a China, era óbvio já nos princípios éticos, porque os preços, sendo tão baixos, obviamente expunham um setor de produção que explora mão de obra barata, em nível injusto.

Mas a sedução é forte na terceirização de produtos. Afinal, começou a ser só projetar e colocarem sua marca, e eles faziam isso muito barato, depois nem isso, porque passaram a já oferecer o produto: você comprava e colocavam sua marca (sem falar nas falsificações).

Os empresários do mundo todo nem se deram conta do poder imenso que delegavam a um só lugar do planeta. Afinal, passou a ser algo tão lucrativo, e, de acordo com o local da terra, seus impostos, suas burocracias, para que desenvolver localmente o que se podia trazer mais barato de fora?

Em contrapartida, a quantidade imensa de matéria-prima importada pela China deixa os países “felizes”, porque, da agropecuária aos minérios, os chineses, tanto pela imensa população quanto pela produção gigantesca para exportação, são compradores principais.

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Num nível imperceptível ao cidadão comum, por outro lado, a China foi expandindo suas fronteiras com uma invasão comercial agressiva, adquirindo empresas abertamente ou mesmo tornando-se acionista de forma velada de incontáveis negócios, seguindo em direção à hegemonia em muitas áreas.

Resultado? As economias do mundo inteiro tornaram-se dependentes direta ou indiretamente deles, e no sistema de “a China faz, você vende”, empregos deixaram de ser gerados. Nações não se desenvolveram em todo o seu potencial tecnológico industrial porque o “doce” lucro, investindo pouco, cegou muitos homens de negócios, que, no fundo, delegavam à China toda a sua produção, e se achavam “espertos”.

Aí começa a crise da Covid-19, e não estou aqui para tecer veracidade das versões ou teorias conspiratórias. Mas o fato é que a economia mundial quebrou porque a Terra parou e adoeceu.

As economias locais necessitarão ser recuperadas, mas como fazer isso se até as máscaras cirúrgicas que usamos são na maioria chinesas? Os respiradores hospitalares são importados majoritariamente da China, e cada item do dia a dia, de forma direta ou indireta, tem algum componente chinês.

João e Maria comeram tanto doce que, sem perceber, foram colocados para ser devorados por quem lhes serviu.

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A economia mundial se fartou do banquete do self-service chinês e se esqueceu de encher a despensa e de aprender a cozinhar.

Ainda por cima, graças à internet, muitos produtos são disponibilizados virtualmente, deixando de desenvolver a economia local.

Se isso é realidade em todos os setores, não é diferente no mercado da música.

Chegou a hora de o mundo todo mudar, e cada um ser militante de seu próprio quintal, e perceber que, em vias de fato, qualquer dependência gera vício, e vice-versa.

O caminho partirá da recuperação do pequeno, da redução repensada do grande, do estímulo à qualidade em relação à quantidade e preço, e do estímulo ao desenvolvimento local.

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Não podemos ser globalistas em excesso nunca mais, com a economia das nações quebrada. Em verdade, temos de ser mais regionalistas, abraçando um patriotismo comercial, vendo o desenvolvimento do vizinho de pátria como imprescindível.

O erro foi esquecer de ter a manutenção da “cerquinha” do condomínio chamado País.

É coerente, louvável e necessário haver alianças comerciais, mas nunca dependência.

O mundo historicamente foi acostumado com a preguiça comodista, ora com a exploração de minerais e metais preciosos nas colônias nos séculos passados, ora com o lucro fácil da terceirização barata da produção, e isso tem um preço.

Países como Japão e Coreia dão exemplo, e já durante a crise, acordaram, e estão cortando laços de dependência com a China. Até a gigante Samsung deixou sua convergência com eles de lado. É um começo.

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Efetivamente todos os setores de todas as áreas precisam despertar.

Chegou o momento de expor que não será possível olhar só a quantidade dos “doces”, mas o mal que causam à saúde das empresas.

A qualidade e o nacionalismo como marketing, nos próximos anos, serão mais atraentes que o preço.

A geração de empregos tem de ser a meta.

A crise não chegou ao seu ápice econômico, mas a saída é previsível.

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João e Maria conscientemente têm de sair correndo do cativeiro, porque se voltarem a comer doces excessivamente, a “bruxa” os devora… Se é que já não devorou.

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