Lojista
Nova Musical encontra nicho de mercado na venda
Localizada em Ribeirão Preto, a loja Nova Musical soube encontrar novos métodos de venda para continuar crescendo, além de criar um interessante canal no YouTube para oferecer informações aos baixistas.
A Nova Musical foi fundada em 13 de novembro de 2013 pelos sócios Francine Zordan e Thiago Takeo, que após alguns anos atuando em uma loja de instrumentos musicais na cidade de Ribeirão Preto como vendedores e, em seguida, como gerentes, resolveram mudar de ramo partindo para outra área do comércio varejista.
“Porém, notamos que não era o que realmente amávamos e sabíamos fazer e resolvemos montar nossa própria loja de instrumentos musicais, seguindo nossos princípios e objetivos em atender nossos clientes que amam música, assim como nós”, explicou Thiago Takeo Matsumato, sócio-proprietário.
Além do grande conhecimento adquirido no mercado e por ter sido músico profissional, Thiago sempre viu os seus clientes de outra forma, encarando como se estivesse vendendo para si mesmo. “Sabíamos da grande dificuldade que os músicos têm em obter crédito e condições de compra para alcançar o sonho de ter um instrumento de qualidade e de uma forma que pudesse pagar. Esse foi um dos principais motivos para criarmos a Nova Musical, sermos parceiros de verdade de todos que, assim como nós, respiram música. Devido a isso, sempre tivemos muito critério e cuidado ao escolher as marcas que fariam parte de nossa história. Sempre buscando por qualidade e preço justo para nossos parceiros e clientes”, detalhou.

Esforços combinados
No começo, a ideia era trabalhar somente com acessórios de cordas, porém notaram que, se abrissem mais o leque, iriam atender um mercado mais amplo. “O propósito era somente a loja física, porém, devido à pandemia, que impediu o atendimento ao público, tivemos que nos reinventar e buscar outras saídas”, disse. “Assim, começamos a vender em marketplaces, como Mercado Livre, fizemos entregas por toda a cidade e região, algo que não fazíamos antes. Graças a Deus, em primeiro lugar, e aos colaboradores conseguimos vencer essa etapa com maestria.”
Thiago explicou que com a pandemia, o nicho de instrumentos vendidos mudou completamente. O violão era o carro-chefe, porém a busca por teclados, pianos digitais e produtos relacionados a gravação, como microfones condensadores e interfaces de áudio, praticamente dobrou. “Em questão de números, no começo da pandemia, houve uma queda, mas não tão brusca. Então, conseguimos bater as metas todos os meses.”
Antes da pandemia, o atendimento era praticamente todo físico. A partir disso, a loja também aderiu fortemente ao WhatsApp e às redes sociais. “Nosso atendimento virtual mais que dobrou. Mudamos nosso horário de atendimento e tivemos que adequar a empresa seguindo os protocolos de segurança. Devido ao momento econômico delicado, tivemos que formular novas formas de pagamento, prazos e descontos diferenciados”, destacou. “Houve o aumento do dólar, o alto reajuste no frete e, com isso, no custo final dos produtos. Tivemos que reduzir a margem para nos manter no mercado e não repassar aos clientes. Hoje, a Nova Musical segue firme e forte, expandindo seu mercado e atuando em vários segmentos.”

Produtos e marcas
A Nova Musical é parceira de reconhecidas marcas nacionais e importadas, sendo revenda autorizada de várias importadoras oficiais no Brasil, como Harman, Habro, Equipo, Royal, Pride, ProShows, Sonotec, Izzo e Musical Express, entre outras.
Também trabalha forte com marcas nacionais renomadas, como Tagima, Nagano, Giannini, Odery, Unic Pro Áudio, Meteoro, Borne, Oneal, Leacs, Fuhrman, Nig, Rozini e muitas outras.
“Trabalhamos com a maioria dos produtos que hoje são os mais procurados do mercado. Somos referência pela variedade em acessórios, principalmente encordoamentos, em que o cliente encontra uma enorme variedade”, conta o sócio-proprietário. “Temos um espaço de teclas desenvolvido pela Casio onde o cliente encontra todas as novidades e modelos da marca. Temos também um espaço dedicado aos bateristas e até uma vitrine de pedais que deixa qualquer guitarrista e baixista hipnotizado!”
Além disso, na loja os clientes podem encontrar serviços básicos de troca de cordas, troca de peles de bateria e montagem de cabos de áudio. Também fazem instalações de som ambiente em bares, restaurantes, lojas e até som profissional para igrejas e casas de show.
Thiago relata: “O mercado de instrumentos musicais é muito volátil, muito sazonal. Difícil definir momentos de vendas específicas. Como foi no caso do começo da pandemia, quando as vendas migraram totalmente para teclas e home studio. Hoje a procura para home studio, no nosso caso, caiu bastante. Voltaram as buscas por instrumentos de cordas e a venda da área de teclas continua em alta. Com a volta dos shows, cultos e missas, a procura por som profissional voltou a se aquecer”.

Mudança nas vendas
“Sentimos que cada vez mais o nosso mercado será virtual. Esse contato físico tende a diminuir, porém não acreditamos que isso irá acabar, pois a venda de instrumentos musicais é a realização de um sonho, assim como um automóvel, uma casa, um apartamento — o cliente quer ir até ele, ver pessoalmente, tocá-lo. Isso acredito que nunca irá acabar”, explicou
Como plano para um futuro breve, ele disse que “quanto à loja, a tendência é se aprofundar ainda mais nas vendas a distância, porém nunca deixando de lado o seu forte, que é o atendimento, seja ele físico ou virtual. E a loja física segue firme e forte como nunca”.
“A meu ver, hoje, o que falta mais nas pessoas é empatia, os lojistas se colocarem no lugar de seus clientes e buscar atendê-los em sua necessidade, e não encará-los apenas como um número. É melhor vender menos, porém vender sempre, do que realizar uma venda alta uma única vez e aquele cliente não voltar mais devido à sensação de ter sido, como dizemos no nosso ramo, ‘entubado’. A coisa mais difícil é ganhar a confiança de um cliente, mas perdê-la é um piscar de olhos. Ouvir mais e falar menos, sempre!”
Um diferencial da Nova Musical, em parceria com o baixista Marcio Herzer, é o seu canal no YouTube, chamado Bass Tube, voltado aos baixistas, com demonstrações, dicas e testes de produtos voltados ao mundo dos graves. Vale a pena se inscrever para ficar por dentro das novidades aos baixistas e também, por que não, aos apreciadores de informação com qualidade.
Lojista
Tecnologia em instrumentos musicais cria novas oportunidades para o varejo
Impressão 3D, inteligência artificial e realidade imersiva impulsionam novos modelos de negócio.
A adoção de tecnologias como impressão 3D, inteligência artificial (IA) e realidade virtual (VR) e aumentada (AR) começa a impactar diretamente o varejo de instrumentos musicais, abrindo novas frentes em portfólio, serviços e experiência do cliente.
No ponto de venda, a impressão 3D permite avançar em modelos de personalização sob demanda. Lojas especializadas já testam a produção de peças, acessórios e adaptações específicas, reduzindo a necessidade de estoque e ampliando a oferta sem aumento proporcional de capital imobilizado.
Segundo a NAMM, personalização e flexibilidade na produção estão entre os fatores que mais influenciam a decisão de compra no setor.
A inteligência artificial, por sua vez, ganha espaço como ferramenta de apoio comercial. Sistemas baseados em IA permitem analisar o perfil do cliente, nível técnico e preferências, tornando o atendimento mais direcionado e aumentando a taxa de conversão.
Além disso, a presença de IA em produtos — especialmente instrumentos digitais e softwares — cria oportunidades de venda adicional, elevando o ticket médio e incentivando a venda consultiva.
Já as tecnologias imersivas, como VR e AR, começam a transformar a experiência dentro das lojas. Essas soluções permitem simular o uso de equipamentos, realizar demonstrações virtuais e treinar equipes de vendas de forma mais eficiente.
Na prática, o ponto de venda evolui para um ambiente mais experiencial, no qual testar, aprender e comparar produtos passa a ser parte central da jornada de compra.
Especialistas indicam que essas tecnologias também contribuem para atrair novos públicos, ao reduzir barreiras de entrada no aprendizado musical.
Diante desse cenário, o principal desafio para o varejo está na implementação estratégica dessas ferramentas, priorizando aplicações com impacto direto em vendas, fidelização e diferenciação competitiva.
Como aplicar tecnologia em lojas de instrumentos em 30 dias
A adoção de tecnologias como inteligência artificial, impressão 3D e realidade imersiva pode ser feita de forma gradual no varejo musical. A seguir, um plano de ação dividido em quatro semanas, com foco direto em resultado comercial.
Semana 1: Diagnóstico e definição de foco
Objetivo: Identificar onde a tecnologia gera impacto em vendas.
- Analisar categorias com maior margem (ex.: guitarras, home studio, áudio pro).
- Mapear demandas recorrentes dos clientes (personalização, aprendizado, teste).
- Definir prioridade: vendas, experiência ou fidelização.
Ação prática: Escolher 1 categoria para projeto piloto.
Semana 2: Implementação rápida (baixo investimento)
Objetivo: Colocar soluções simples em operação.
- Implementar ferramentas básicas de IA (atendimento ou recomendação).
- Criar kits de venda (ex.: interface + microfone + fone).
- Testar personalização em itens simples.
Ação prática: Criar um fluxo de recomendação guiada (WhatsApp ou site).
Semana 3: Experiência no ponto de venda
Objetivo: Tornar a loja mais experiencial.
- Montar espaço de demonstração (ex.: setup de home studio).
- Oferecer testes assistidos.
- Usar recursos imersivos simples (vídeos, simulações).
Ação prática: Criar uma “zona demo” com produtos estratégicos.
Semana 4: Conversão e ajuste
Objetivo: Transformar experiência em receita.
- Medir ticket médio antes e depois.
- Ajustar abordagem comercial (venda consultiva).
- Oferecer serviços agregados (setup, treinamento).
Ação prática: Lançar combo: produto + serviço.
Indicadores principais
- Ticket médio
- Taxa de conversão
- Tempo de permanência na loja
- Venda de acessórios
Erros comuns
- Investir em tecnologia sem treinar a equipe
- Não acompanhar indicadores
- Implementar tudo ao mesmo tempo
- Focar na tecnologia e não no cliente
No varejo musical, tecnologia é meio, não fim. O diferencial continua sendo a experiência — agora ampliada por ferramentas digitais.
Lojista
Lojistas: O que o cliente espera da loja além do preço
Conhecimento técnico, clareza no atendimento e segurança na decisão pesam mais do que descontos.
O comportamento do consumidor mudou de forma significativa nos últimos anos. Hoje, grande parte dos clientes chega à loja depois de pesquisar preços, assistir a vídeos, ler comparativos e acompanhar opiniões em redes sociais. Nesse cenário, competir apenas pelo valor monetário se tornou não apenas difícil, mas insustentável para o varejo especializado.
Quando o cliente entra em uma loja física, ele já conhece o produto. O que ele busca no vendedor é confirmação, orientação e redução de risco. Quer saber se aquilo que pesquisou realmente atende à sua necessidade, se é compatível com o que já possui e se não vai gerar problemas após a compra.
Esse movimento muda o papel da loja. Ela deixa de ser apenas um ponto de venda e passa a funcionar como um filtro técnico entre a informação disponível na internet e a decisão final do cliente.
Clareza virou valor — não obstáculo à venda
Um dos erros mais comuns no atendimento é omitir limitações para “não atrapalhar a venda”. Na prática, o efeito costuma ser o oposto. Explicar claramente o que o produto faz, o que não faz, quais acessórios são necessários e quais cuidados devem ser tomados cria uma relação mais equilibrada.
O cliente atual prefere ouvir uma restrição antes da compra do que descobrir, em casa, que o equipamento não atende ao uso pretendido. Transparência reduz frustração, devoluções e conflitos no pós-venda — e aumenta a confiança na loja.
Experiência ainda importa — e muito
Apesar do avanço do comércio online, a experiência presencial continua sendo um diferencial relevante no varejo de instrumentos musicais e áudio. Poder testar, tocar, ouvir e comparar produtos com orientação técnica segue sendo um fator decisivo, especialmente em categorias onde o som, a ergonomia e a aplicação prática fazem diferença.
Quando essa experiência é bem conduzida — com explicações claras e sem pressão — o preço deixa de ser o único critério. O cliente passa a avaliar o conjunto da solução, e não apenas o valor final.
O novo valor do vendedor: reduzir incerteza
Mais do que convencer, o vendedor hoje precisa ajudar o cliente a tomar uma decisão segura. Isso envolve entender o contexto de uso, antecipar dúvidas e evitar erros comuns de especificação ou compatibilidade.
Nesse modelo, o atendimento deixa de ser apenas comercial e se torna consultivo. E lojas que adotam essa postura tendem a construir relacionamento, não apenas fechar uma venda pontual.
Dicas práticas para alinhar a loja às expectativas do cliente atual
- Parta do que o cliente já sabe Reconheça que ele pesquisou e use isso a favor do atendimento, complementando a informação com contexto técnico.
- Explique limites com naturalidade Falar sobre o que o produto não faz evita problemas futuros e fortalece a credibilidade da loja.
- Valide compatibilidades antes de vender Conferir conexões, potência, aplicações e uso real reduz erros e devoluções.
- Transforme teste em orientação Não basta testar: explique o que o cliente está ouvindo, sentindo ou comparando.
- Troque desconto por confiança Um cliente seguro da escolha tende a pagar mais e voltar.
O ponto central
O cliente atual não espera apenas um produto. Ele espera segurança na decisão. E isso não se entrega com desconto agressivo, mas com conhecimento técnico, clareza na comunicação e um atendimento consistente.
No varejo musical, preço atrai. Confiança sustenta.
Lojista
Lojas: Worship jovem impulsiona vendas de instrumentos no Brasil?
Igrejas se consolidam como um dos principais polos de formação de músicos e movimentação do varejo musical.
Nos últimos anos, lojistas de diversas regiões do Brasil relatam um padrão semelhante: boa parte das vendas de instrumentos de entrada e intermediários tem origem no ambiente religioso, especialmente no movimento jovem ligado ao worship contemporâneo.
A música nas igrejas não é novidade. O que mudou foi escala, profissionalização e impacto no mercado.
Formação musical dentro das igrejas
Enquanto escolas públicas reduziram ou eliminaram educação musical formal, muitas igrejas ampliaram:
- ministérios de louvor estruturados
- bandas fixas com ensaios semanais
- equipes técnicas de som e vídeo
- cursos internos de música
Isso criou um ambiente contínuo de aprendizado e prática musical.
Para muitos jovens, o primeiro contato com guitarra, teclado ou bateria acontece dentro da igreja — e não na escola.
Quais instrumentos mais giram?
Segundo relatos de varejistas, os produtos com maior procura nesse segmento incluem:
- guitarras e violões eletroacústicos
- teclados e pianos digitais
- baterias acústicas e eletrônicas
- contrabaixos
- sistemas de PA compacto
- microfones e interfaces básicas
Há também demanda crescente por:
- in-ear monitors
- pedaleiras digitais
- controladores MIDI
- mesas digitais de pequeno porte
Ou seja, o impacto vai além do instrumento tradicional e atinge áudio profissional.
Profissionalização do worship
O worship contemporâneo incorporou estética de produção moderna, com influência de pop e música eletrônica.
Isso elevou o nível técnico exigido:
- uso de tracks e playback
- integração com software
- gravações ao vivo
- transmissões em streaming
Consequentemente, igrejas passaram a investir em equipamentos mais sofisticados.
Movimento cultural e econômico
O Brasil possui um dos maiores mercados religiosos do mundo, com milhões de frequentadores ativos semanalmente.
Esse ambiente cria:
- demanda constante por músicos
- reposição de instrumentos
- formação de novos talentos
- consumo recorrente de acessórios
Para o varejo, trata-se de um fluxo contínuo, menos dependente de modismos temporários.
É o único motor de crescimento?
Não. O mercado também é impulsionado por:
- home studio
- produção digital
- criação de conteúdo
- ensino online
Mas, em diversas cidades médias e pequenas, o ambiente religioso tornou-se um dos principais polos de prática musical presencial.
O que o lojista precisa entender
Ignorar esse público significa deixar de compreender uma parte relevante da demanda atual.
No entanto, é importante:
- evitar estereótipos
- entender necessidades técnicas específicas
- oferecer soluções completas (instrumento + áudio + suporte)
- construir relacionamento de longo prazo
O worship não é apenas um estilo musical — é um ecossistema que envolve músicos, técnicos e produção.
Tendência estrutural?
Enquanto houver renovação geracional dentro das igrejas e investimento em música ao vivo, a influência desse movimento tende a continuar relevante no varejo.
Para muitos jovens brasileiros, a igreja é hoje o principal palco de formação musical.
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