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Guitar Center lança marca própria e promete fugir do “clone” no varejo

Maior rede de instrumentos dos EUA lança a Guitar Labs com a promessa de não fazer clones — e enfrenta polêmica sobre os direitos das ideias enviadas por clientes.

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Guitar Center lança marca própria e promete fugir do “clone” no varejo
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Maior rede varejista de instrumentos dos Estados Unidos quer uma guitarra de até US$ 1.000 “demonstravelmente melhor” do que a concorrência. A estratégia de verticalização vem acompanhada de uma cláusula polêmica sobre as ideias dos clientes.

A Guitar Center, maior rede varejista de instrumentos musicais dos Estados Unidos, está desenvolvendo a Guitar Labs, sua marca própria de guitarras elétricas. O projeto foi detalhado pelo CEO da companhia, Gabe Dalporto, em entrevista à publicação especializada Guitar World.

A aposta tenta romper com a lógica tradicional das marcas de varejo, que costumam reembalar produtos genéricos a preço mais baixo. “A maioria dos varejistas simplesmente faz produtos cópia e cobra um pouco menos. Isso é completamente desinteressante para mim”, afirmou Dalporto, que diz não querer “mais um clone de Les Paul ou Telecaster”.

A meta: a melhor guitarra abaixo de US$ 1.000

O briefing interno, segundo o executivo, foi direto. “Eu dei a eles um desafio: se vamos lançar uma nova marca de guitarra, ela precisa ser demonstravelmente melhor do que qualquer coisa por aí. Precisamos trazer inovação de verdade — façam a melhor guitarra abaixo de US$ 1.000 que o mundo já viu, que não seja um clone de algo que já existe.”

O desenvolvimento ainda não tem data de lançamento. Dalporto afirma que a equipe está “cerca de 90%” do caminho na identificação dos pontos de atrito enfrentados pelos guitarristas, mas apenas “50%” na engenharia e nas especificações, que seguem sem definição fechada.

Para o executivo, o erro comum das marcas próprias é a falta de compromisso de longo prazo. “Se vamos construir uma linha de produtos, que seja uma marca de verdade. Falar com muitos músicos, encontrar uma necessidade não atendida, definir o que você representa, projetar os produtos segundo esses padrões e testar protótipos com clientes”, disse.

A polêmica dos direitos sobre as ideias

O ponto mais sensível do projeto está na forma como a Guitar Center abriu o desenvolvimento à participação do público. A página da Guitar Labs no Reddit deixa claro, em linguagem jurídica, que qualquer ideia enviada passa a pertencer integralmente à empresa.

“Ao enviar sua Ideia, você cede, transfere e renuncia à Guitar Center todo direito, título e interesse sobre a Ideia (…) sem qualquer remuneração”, diz o termo. Na prática, quem ajuda a desenhar o produto não recebe nada quando ele virar lucro.

A cláusula gerou reação negativa entre usuários. Dalporto rebateu as críticas: “Você preferiria que não ouvíssemos os clientes? Que nos escondêssemos em nossos escritórios em busca da mediocridade?”

Por que isso importa para o Brasil

A movimentação reforça uma tendência que o varejo brasileiro de instrumentos acompanha de perto: a verticalização, com redes e marketplaces criando marcas próprias para ampliar margem e diferenciar catálogo. O caso da Guitar Labs oferece dois aprendizados práticos.

O primeiro é de posicionamento: marca própria que se limita a copiar e baratear tende a competir só por preço; a aposta da Guitar Center é construir valor de marca e inovação real — caminho mais difícil, porém mais defensável. O segundo é de governança: a forma como a empresa tratou a propriedade das ideias dos clientes vira um alerta sobre transparência e relação com a comunidade, ativo cada vez mais relevante para varejistas que querem engajar músicos.

Para lojistas e redes no Brasil, onde a carga de importação encarece a guitarra de entrada, o segmento abaixo de US$ 1.000 com proposta de valor clara é justamente o território mais disputado.

Redação
Autor: Redação

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