Cultura
Opinião: “LIVES – Todos falam em se reinventar… mas o que tenho visto não é nada novo”
4 min de leitura
O que você chama de ‘reinventar-se’? Me assusta quando alguns empresários apostam que as Lives possam ser a ‘única saída’ para o retorno do mercado de eventos.
Não é nenhuma novidade que nosso setor é um dos mais atingidos por essa pandemia. Fomos os primeiros a ter que parar de trabalhar e não sabemos quando voltaremos e como voltaremos.
São milhares de empresas que geram milhões de empregos (formal e, principalmente, informalmente) em todo país.
Infelizmente, não sabemos o tamanho do estrago que essa pandemia está causando e ainda poderá causar, talvez não existam mais alguns CNPJ dentre essas milhares de empresas.
[blockquote style=”3″]Todos falam em se reinventar… mas, o que tenho visto, não é nada novo. São produtos ou serviços já existentes e poucos explorados anteriormente. [/blockquote]
Algumas empresas tiveram que demitir todos seus funcionários para garantir e honrar os direitos desses trabalhadores, outras, aproveitaram a onda e simplesmente demitiram, se livrando do passivo e ficarem com seus caixas ainda mais fortes pós crise, se isentando e empurrando toda a responsabilidade para o governo.
Todos falam em se reinventar… mas, o que tenho visto, não é nada novo. São produtos ou serviços já existentes e poucos explorados anteriormente.
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Live (transmissão) e Cinemas ao ar livre
A transmissão via internet, por exemplo, que já era um serviço do nosso setor um tanto quanto saturado, e agora é visto e apresentada por muitos empresários como “uma ferramenta revolucionária”, e, nada mais é, do que uma tecnologia existente há anos no mercado e pouco explorada, até mesmo, pela saturação no mercado para tal serviço.
Sem dúvida alguma, que é uma oportunidade de gerar algum tipo de negócio, manter relacionamento, clientes e etc… mas, muito me assusta quando alguns empresários apostam ser a “única saída” para o retorno do nosso mercado.
Isso faz com que empresas que nunca tiveram esse serviço em seu portfólio, possam vir a ter (sem know-how e praticando preços ainda mais baixos aos que já eram antes e podendo “queimar” o produto), e, aqueles que tinham ou já tiveram, voltem a apostar nisso novamente de uma forma diferente, melhorando, acrescentando outras tecnologias e agregando valor.
Esse conjunto de serviços e tecnologias somados a transmissão podem e devem ser considerados como plataforma de serviços.
Cine Drive-in também tem sido umas das ideias que voltaram a ser uma forma de movimentar a economia visando um pouco nosso setor.
Mesmo sendo muito pequeno perto do número de eventos que tínhamos, já são iniciativas que animam e faz com que vários desses trabalhadores possam, ao menos, sonhar em ter seus jobs de volta.
Profissionais do setor precisam trabalhar e se não conseguirmos gerar trabalho a eles, acredito que teremos uma perda enorme de grandes profissionais e ocorrendo isto, teremos um problema ainda maior, pois, se já não tínhamos mão de obra suficiente antes, imaginem agora ou daqui pra frente com tanta gente tendo que sustentar suas famílias de outra maneira?
Aproveitar o tempo
Acredito ser o momento para tentarmos capacitar os técnicos, produtores, diretores, clientes e quem mais possa agregar para que possam ocupar um pouco suas mentes sem que esqueçam ou deixem completamente o nosso mercado.
Antes, ao tentarmos fazer isso, a grande desculpa era falta de tempo, agora essa desculpa não existe mais, pois, tempo, muitos tem de sobra.
Nosso mercado sempre teve uma distância enorme entre valor de mercado e valor praticado, e isso preocupa ainda mais com o cenário de hoje, pois, podem ter muitas empresas que tenham que fazer de tudo para não deixar de existir.
Como será isso? Não podemos voltar ao normal, temos que voltar melhores!
Foto: Dean Rutz
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