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Propriedade intelectual e IA entram no centro do debate da Trends.Music 2026

Ilustração da Redação Música & Mercado

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Propriedade intelectual e IA entram no centro do debate da Trends.Music 2026
5 min de leitura

Priscila Gonzalez, do SBT, abordará licenciamento, vídeos curtos, inteligência artificial e a expansão da biblioteca musical do SBT Music.

A gestão de direitos autorais ganhou novo peso estratégico na indústria musical. Com a ascensão das plataformas de vídeos curtos, a fragmentação do consumo e o avanço da inteligência artificial, a proteção das obras passou a exigir mais domínio técnico, jurídico e operacional.

Esse será um dos temas abordados por Priscila Gonzalez, gerente de Propriedade Intelectual do SBT, durante a Trends.Music 2026, que acontece nos dias 24 e 25 de junho, no Novotel São Paulo Center Norte, em São Paulo. A executiva integrará o painel “Quem Define o Próximo Formato, Gerações, Plataformas e a Nova Lógica da Atenção”, dentro da programação do congresso.

A Trends.Music, também conhecida como Trends Brasil Conference, se apresenta como uma conferência voltada à indústria musical brasileira, com foco em conteúdo técnico, networking e discussões estratégicas sobre o setor. A edição de 2026 está marcada para os dias 24 e 25 de junho, em São Paulo, com ingressos nas categorias VIP e Acesso.

A nova lógica da atenção

Com TikTok, Instagram, YouTube Shorts e outros formatos de vídeo curto, a música passou a circular em trechos, recortes, memes, coreografias, trends e conteúdos publicados por usuários. Essa dinâmica ampliou o alcance das obras, mas também tornou mais complexa a identificação de usos, a cobrança de direitos e a prevenção de passivos jurídicos.

“Hoje, um trecho de uma música viraliza em horas mundialmente. É fundamental entender como o mercado está trabalhando para continuar protegendo a propriedade intelectual nesse ambiente multiplataforma”, afirma Priscila Gonzalez.

A executiva defende que a premissa central do direito autoral permanece válida no ambiente digital: se uma obra é utilizada, é necessário licenciar. Mesmo trechos curtos, como poucos segundos de uma música, podem exigir autorização prévia, dependendo do contexto de uso. Embora redes sociais mantenham catálogos negociados com editoras e gravadoras, conteúdos fora desses bancos licenciados podem gerar riscos para marcas, produtores, influenciadores e empresas.

Para autores, compositores e titulares de direitos, o desafio também envolve metadados, identificação de obras e rastreamento. Em um mercado movido por algoritmos, não basta registrar uma música; é preciso garantir que seus dados estejam organizados para que a execução seja localizada, reconhecida e monetizada.

Inteligência artificial como ferramenta, não como autora

A inteligência artificial será outro ponto de discussão. No mercado musical, a tecnologia já aparece em processos de edição, mixagem, restauração de áudio, criação de stems, geração de ideias, composição assistida e produção de trilhas. O debate mais sensível está na autoria.

Priscila Gonzalez defende que a IA pode funcionar como ferramenta de apoio, mas alerta para o impasse jurídico quando a criação é atribuída à máquina. Pela lógica da legislação brasileira de direito autoral, a obra protegida está ligada à criação do espírito humano. Isso exclui, em princípio, máquinas e pessoas jurídicas da condição de autoras.

“Se a autoria está ligada à emoção e ao intelecto humano, como fica uma criação feita por máquina? Enquanto não houver um autor definido, o direito autoral não será distribuído e o dinheiro ficará retido no Ecad”, explica.

A questão atinge diretamente a cadeia audiovisual. Trilhas produzidas por IA podem parecer soluções rápidas e de baixo custo, mas levantam dúvidas sobre titularidade, licenciamento, remuneração e uso comercial. Segundo Priscila, feedbacks de sonoplastas do SBT indicam resistência a trilhas geradas integralmente por IA, muitas vezes descartadas por soarem “robóticas e sem sentimento”.

SBT Music fará rodada de negócios

Além da participação no painel, Priscila Gonzalez comandará uma rodada de negócios voltada a produtores musicais e estúdios. O objetivo é ampliar a biblioteca musical do SBT Music, braço que engloba a editora e a gravadora da emissora.

Desde o final de 2022, o SBT Music vem estruturando um acervo para atender produções nacionais e regionais. A busca é por profissionais que compreendam a linguagem do audiovisual, área em que uma mesma trilha pode exigir diferentes versões, durações, climas e formatos de entrega.

“Precisamos de pessoas confiáveis, com repertório e experiência em trilhas para audiovisual. Queremos criar uma biblioteca robusta, com sonoridades diferentes e, acima de tudo, feitas por pessoas”, destaca a gerente.

A rodada é direcionada a produtores e estúdios capazes de entregar material com qualidade técnica e diversidade estética, em gêneros que podem ir do erudito ao pop. Para o SBT Music, a expansão do catálogo também representa uma forma de reduzir dependência de soluções genéricas e fortalecer a criação musical vinculada ao mercado audiovisual brasileiro.

Propriedade intelectual como ativo da economia criativa

Para Priscila, a gestão de propriedade intelectual deixou de ser um tema restrito ao departamento jurídico. Em um ambiente de circulação acelerada, licenciamento fragmentado e novas tecnologias de criação, PI passou a ser parte da estratégia comercial de artistas, editoras, gravadoras, produtoras e empresas de mídia.

“É a gestão bem-feita que faz a arte monetizar. A proteção do que é criado pelo intelecto humano precisa ser 100% garantida por especialistas, pois a propriedade intelectual é o grande ativo da economia criativa”, pontua.

A presença do tema na Trends.Music 2026 indica uma mudança de prioridade no setor. A discussão sobre futuro da música não passa apenas por plataformas, formatos e audiência, mas também por quem controla os direitos, como as obras são identificadas e de que forma a remuneração chega aos titulares.

  • Datas: 24 e 25 de junho de 2026
  • Local: Novotel São Paulo Center Norte, São Paulo
  • Ingressos: VIP e Acesso
  • Vendas: site oficial da Trends.Music

O ingresso VIP inclui acesso às sessões plenárias e workshops, coffee break, participação em rodadas de negócios, acesso às gravações das sessões, crachá de identificação e certificado de participação.

Redação M&M
Autor: Redação M&M

Música & Mercado é uma publicação empenhada em promover e divulgar o mercado e negócios para o music business, indústria de áudio profissional, iluminação e instrumentos musicais. Nós amamos o que fazemos.

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