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Diário de um músico – Parte 2: As “redes sociais” antes das redes sociais eram mais eficazes

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Diário de um músico – Parte 2: As “redes sociais” antes das redes sociais eram mais eficazes
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Antes da Internet estar ao alcance de todos, as pessoas estavam em uma outra situação, e embora fosse difícil conseguir informações rápidas, os seres humanos estavam interagindo presencialmente uns com os outros, e ao alcance de seus amigos e entes queridos de forma mais intensa… 

Foram tempos onde as pessoas compreendiam melhor o peso de suas ações  e de suas omissões, de suas palavras, e que o olho no olho valia como compromisso no que se tratava interpessoalmente. 

Hoje em dia, com a possibilidade de alcançar mais pessoas, o engajamento à uma causa, ideia ou evento regional, tem sido ironicamente menor do que na época da “panfletagem de xerox”, e do telefone “discado”, porque se hoje você pode alcançar um milhão de likes, não necessariamente você coloca 100 pessoas num evento, mas no boca a boca, com panfletário e ajuda solidaria presencial de amigos, comuns antigamente, você divulgava com alcance de 1000, e tinha público de 200, e isso ocorria porque as pessoas tinham interesse real em desenvolvimento de uma cena musical nos anos 70, 80 e 90…

Quando descobríamos boa música, de bons músicos, sentíamos obrigação de divulgá-la,  e isso ocorria muito, já  que as pessoas se reuniam para ouvir um álbum novo do início ao fim. 

Era uma verdadeira celebração ir com um disco de vinil debaixo do braço para casa de um amigo, e “degustar” faixa à faixa de um disco, ouvindo mais de uma vez, olhando para capa, contra capa, encarte etc… Era um momento de apreciação,  bem diferente da banalização de hoje em dia, onde pessoas chegam a ter baixadas 1000 discografias completas, mas não ouviram nenhuma, banalizando a arte, sem dar valor. 

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Existem experiências inesquecíveis para mim pela música e amigos que ouviram comigo aqueles trabalhos. 

Me lembro como hoje, desde a motivação,  a compra, e a primeira audição,  de muitos álbuns, sem falar de quando, na ausência de conseguir adquirir todos os discos que queríamos, os gravavam, muitas vezes apenas às  músicas que tínhamos acesso via rádio,  “rezando” para o locutor não falar antes da música terminar. 

O termo “ouvir um disco até ele furar” tinha seu fundo de verdade, porque as vezes tantas eram as vezes que colocávamos uma faixa, que ela se danificada. 

Todos em geral compravam o vinil, mas também uma fita K7 para gravar o disco, por que assim ouvia no carro, no “walkman”, e até  nos gravadores portáteis de alto-falantes mono. 

Música não era “fundo” para disfarçar o silêncio, e sim uma trilha sonora da vida. 

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E falando no silêncio, me lembro inclusive da sensação ao ouvir a última faixa, do lado B de um excelente disco pela primeira vez, cujo silêncio seguinte era tão recheado de emoções,  de uma sensação de “que incrível foi isso”, em geral seguida da repetição da audição… 

Como comparar uma geração que ouvia Starway to Heaven inteira, com uma geração posterior que, pelas pesquisas, pode abandonar o interesse numa música, se ela não lhe chamar atenção nos primeiros 5 segundos? 

São coisas que foram denegrindo e tirando o encanto que pessoas sentiam com a música,  além do que, a própria valorização parece se perder na gratuidade e virtualidade, porque você ao ter um álbum em mãos,  com capa, ficha técnica,  fisicamente palpável,  percebia o valor, o esforço,  a arte, e isso com virtualidade, é compartilhamento em gratuidade, fica imperceptível, principalmente ao jovem, criado nessa realidade. 

Jovens que não têm paciência para 5 minutos de música, para 1 hora de estudo musical, mas jogam um videogame por 14 horas seguidas, a ponto de terem problemas de dor de cabeça,  depressão,  ansiedade, espasmos, convulsões,  e muitos outros problemas, que curiosamente,  uma hora de músico terapia diária curaram. 

Um conhecido perguntou a uma criança, irmão de sua namorada, sobre o que ele entendia ser música,  e a assustadora resposta foi que “eram ou barulhos e ruídos de fundo dos videogames enquanto ele jogava”. 

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Como em sã consciência pode-se achar que a produção artística de uma geração  não incentivada a nada, a não ser consumir e obedecer ideologias e modas, vai ser mais qualitativa e prolífica, do que de gerações que para ter qualquer coisa, precisavam de esforço pessoal, e nisso a meritocracia imperava. 

Eu confesso que quando em minha juventude observava alguém com um desconhecimento em algo, achava que lhe faltou um meio de obter aquela informação e aprendizado, mas quando isso ocorre hoje em dia, em geral é  apenas preguiça mesmo, ou o efeito rebanho das Redes Sociais, que criam bolhas de ignorância. 

Sem conhecimento o homem achou um dia que a terra era plana, e com todas as possibilidades de ter acesso a verdade, muitas pessoas escolher crer ainda a crença que a terra é plana, pois lhes interessa ter razão,  não certeza. 

Fica cada dia mais difícil superar o imenso abismo que separa a base de formação moral, cultural e espiritual das gerações anteriores, com os jovens de hoje, e isso vai piorar. 

Cresci com ideais, motivações e desejos, que me levaram  onde cheguei e ao que sou, com esforço, o mesmo ocorre com o jovem de hoje, mas com ausência do esforço na aquisição de bens culturais, e do aprendizado de conhecimentos,  então num mundo de tantas informações,  o conhecimento real fica em segundo plano de interesse, com a liberdade de escolha agregada à  preguiça de quem cresce hoje, sem esforço para obter bens intelectuais, mas não os almeja, ao contrário,  os banaliza. 

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Eu tive a sorte de ter brincado na rua, de ter lido estórias em quadrinhos,  de ter lido livros de histórias, e ser hoje muito mais pró-ativo do que muitos que limitam-se ao like após um view. 

A tecnologia não assistida, cria uma sociedade preguiçosa, e em geral, nos momentos mais difíceis,  a sociedade tem saltos de percepção, e basta vermos que a dor é dificuldade,  em geral, impulsiona o ser humano. 

Nessa linha de raciocínio, diante dessa “modernidade pandêmica”,  esperemos  que as pessoas aprendam, evoluam, e pratiquem, no mínimo, aquilo que desejam a si, em empatia ao próximo, porque o que essa doença viral expôs,  é  que estamos em um mundo que adoeceu em todos os aspectos.

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