A Music Show Experience e a pirâmide mercadológica

A Music Show Experience e a pirâmide mercadológica

por 24/09/2019

Num momento de metamorfose na indústria da música em todos seus segmentos, de forma certeira surge um espaço democrático, onde do importador de grandes marcas ao custom made de equipamentos, todos podem ter seu quinhão de oportunidades.

Evitando cair no clichê de “a união faz a força”, mas parafraseando inversamente a verdade inconteste de que “a desunião traz a forca”, é necessário frisar a importância desse evento como catalizador de esforços, e que se faça um chamamento ético, para a manutenção de um mercado futuro.

Numa sociedade de “pressa e impaciência”, a música só sobrevive se incentivada à seguir à frente, ou do contrário, estaremos discutindo preços, ao invés de ver que devemos tornar a entrada na música algo sedutor, porque se fosse apenas preço, smartphones e games caros não seriam os sonhos de consumo dos jovens.

Quando o consumidor quer, pelo que deseja ele se programa para alcançar, mas num “país que não entender o uso de meias”, cedo ou tarde quem as comercializar, ficará sem ter quem as compre.

Na pirâmide setorial é necessário ver na base, não só os músicos, mas também todo aquele que potencialmente pode vir a ser, seja em nível amador ou profissional, porque ali reside o crescimento.

Para isto, como tarefa quase que religiosa, o incentivo ao mercado futuro deve ser exercício de cada um, seja com workshops, apoio a shows e artistas, bem como a união em torno de profissionais e suas necessidades de campo de trabalho, porque quando um profissional não tem sua área de trabalho garantida, sua profissão morre, e com isso, toda cadeia de consumo à partir dali, se quebra, e a pirâmide sem base, não se sustenta.

Ver iniciativas como a FREMÚSICA, bem como entender a nova proposta de evento que é a Music Show Experience, se faz necessário, porque como convém lembrar, para os chineses, crise e oportunidade têm significado análogo, e talvez, se para nós assim for, muitas coisas melhorem.

O mundo não vai deixar de ter comércio virtual, mas se não oferecermos a “experiência” do prazer da compra, com melhores treinamentos aos vendedores, lojas sedutoras para visitação, e fazer com que as bases de funcionamento para os jovens que anseiam pela música, cheguem a vias de fato, saindo dos posts de redes sociais e atraindo pessoas para a vida real, seremos todos fabricantes de meias onde ninguém as quer.

A adaptação é necessária à sobrevivência, porém mudança jamais significou abandono de seus meios, porque músicos não são como amoladores de faca, que dia a dia foram sumindo das ruas por desuso de serviços, outrossim, a profissão de músico deveria ter um futuro melhor aos seus aspirantes, porque se tudo se relegar ao intangível e virtual, em algumas décadas não se venderá porque não haverão compradores.

Música é Show, que significa mostrar, e a experiência da vivência, do arrepio no braço, do frio na barriga ao subir no palco, e a emoção da lembrança de uma canção não podem se perder, porque até pela avaliação mais fria, tudo isso é o que movimenta o lucro de inúmeras empresas pelo mundo, que devem ser os guardiões dos músicos, porque estes lhes geram os ovos de ouro.

É indissociável força política, consciência de mercado, e união nesse momento, mas esse tripé só existe com as pessoas fazendo sua parte.

Nelson Junior

O Brasil pode ser um grande fornecedor de commodities, mas não de “acomodados”, porque o empreendedor brasileiro sobrevive apesar de tudo e é nisso que eu acredito.

A Anafima, a Música & Mercado, e as iniciativas no sentido de um novo ponto de referência, seja em evento, seja em união, bem como formação mercadológica, devem sempre ser maiores do que divisões de opinião, porque não basta apontar a direção, mas se em discordância, oferecer outras alternativas.

Daniel Neves, pioneiro nas publicações do ramo há décadas, optou por fazer de sua vida a música, e nos tem presenteado com trabalho duro, e cabe a nós a pergunta: Em que posso ajudar?

Se não pela música, se não pelos músicos, pelo simples fato de que o negócio da música ainda é um excelente negócio.

*Por Nelson Junior. Guitarrista, produtor, especialista de produtos, instrutor musical, sideman, atuante no mercado desde os 13 anos de idade, colaborador didático de publicações musicais e escritor. Instagram: @nelsonjuniorguitar

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