Empresas
Além da fachada: O varejo físico na era digital
Publicado
2 anos agoon
Por
Edgard Ribeiro
A dualidade entre as vendas em lojas físicas e on-line tem sido um tema de debate acalorado entre os varejistas há décadas.
Assim como um dos embates mais famosos e comentados da história do boxe nacional, Popó vs Bambam, os pontos de venda físicos vêm sofrendo golpes rápidos e brutais dos fortes players eletrônicos, que se armam de recursos como a comodidade da compra em qualquer lugar e a qualquer horário, valores baixos ou inexistentes de frete, entregas feitas em poucos minutos, maior oferta de produtos e serviços, oportunidade de comparação, entre muitas outras vantagens.
Todas essas vantagens já conquistaram o consumidor do mundo moderno, aquele que tem uma rotina insana e tenta equilibrar sua vida profissional e pessoal. Aquele que faz reuniões pelo Zoom enquanto dirige pelo trânsito caótico, que mal permite que ele ande a 30 km/h. É também aquele que, enquanto assiste a um filme em seu streaming preferido, ganha tempo e pede sua pizza pelo iFood.
Ao compararmos esse consumidor moderno com o estilo de compra digital, a decisão faz total sentido. Essa escolha supre muitas necessidades desse consumidor, mas será que supre todas?
A conexão
Você certamente já ouviu falar na pirâmide de Maslow e nas cinco necessidades básicas do ser humano. Essa teoria evoluiu para sete e, mais recentemente, para nove necessidades. Passou por diversas interpretações, mas algo comum a todas é a necessidade de estar em contato direto com outros seres humanos, de socializar e de receber atenção.
O digital não consegue proporcionar o calor de uma interação social, as sensações táteis da experimentação ou mesmo uma experiência visual e auditiva dentro do ponto de venda.
Segundo estudo realizado pela Kantar, A Vantagem da Experiência, 52% dos millenials, ou nascidos entre 1980 e 1995, preferem comprar de marcas que procuram estabelecer interações mais verdadeiras e profundas com seus consumidores.
Dado que o consumidor brasileiro possui prazer em frequentar lojas ou shoppings, fazendo desta atividade um lazer, a ida à loja continua sendo uma enorme oportunidade para aprofundar a conexão entre marcas e clientes.
Mais do que vendas
A marca de roupas masculina Reserva é conhecida pela experiência única que proporciona em suas lojas que não são meros pontos de venda, mas sim pontos de encontro, onde todos se sentem bem-vindos, bem atendidos e confortáveis. Para gerar essa atmosfera as lojas possuem música ambiente e atendimento autêntico, algumas lojas têm até frigobar com cervejas e videogame para os clientes.
Outro grande exemplo: a Kopenhagen, marca de chocolates premium, recentemente comprada pela Nestlé, transformou suas lojas ao introduzir seu próprio “cafezinho” há mais de uma década. Essa mudança não apenas aumentou o fluxo de clientes, mas também impulsionou as vendas de produtos de balcão, como barras de nuts, bombons e pães de mel. As lojas da Kopenhagen passaram a ser vistas como locais ideais para uma pausa após o almoço no trabalho ou durante um passeio de final de semana, mudando a dinâmica de uso para muitos clientes.
Certo, falamos bastante sobre como podemos mudar a experiência do cliente ao entrar no ponto de venda. Mas e como fazer para atrair esse cliente para a loja?
Bem, se não pode vencê-lo, junte-se a ele! Cada vez mais, o tempo de atenção desse consumidor está no digital, então faz todo sentido você lutar por ele nessa arena. Seja por meio de trabalho orgânico em mídias sociais, anúncios pagos no Google, Facebook, Instagram e – por que não – TikTok, ou campanhas com influenciadores.
Mas não se limite!
Estude seu cliente e faça com que o próprio comportamento de compra dele indique onde também é possível alcançá-lo: talvez no rádio? Em um podcast? Em eventos?
Atinja esse cliente, ofereça alguma vantagem real para que ele possa se deslocar em vez de comprar on-line, abordando temas que são grandes diferenciais em sua loja. Reflita sobre os pontos em que sua loja vence o comércio eletrônico (comentamos alguns acima) e os exalte. Não tem? Vai criar agora!
Em resumo, as lojas físicas têm o desafio de competir com o comércio eletrônico, mas também têm vantagens únicas que podem e devem ser muito bem exploradas. Ao oferecer uma experiência de compra diferenciada, se reinventar, investir em atendimento especializado e criar um ambiente acolhedor, as lojas físicas podem atrair e fidelizar clientes, garantindo sua relevância no mercado musical.
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Instrumentos Musicais
O “quiet tech” musical: como a tecnologia silenciosa está mudando a prática urbana
Publicado
6 dias agoon
26/01/2026
Equipamentos mais silenciosos, compactos e portáteis redefinem a forma de estudar, produzir e criar música nas grandes cidades.
A vida urbana vem transformando profundamente a relação de músicos, produtores e criadores com seus instrumentos e equipamentos. Em apartamentos, home studios e espaços compartilhados, o volume deixou de ser apenas uma questão artística para se tornar também um fator prático do dia a dia. Nesse cenário, ganha força uma nova tendência: o “quiet tech” musical.
O termo engloba uma nova geração de equipamentos pensados para reduzir o impacto sonoro sem abrir mão de qualidade, sensação e funcionalidade. Entre os exemplos mais visíveis estão as baterias híbridas e eletrônicas com soluções de prática silenciosa, os monitores de estúdio compactos otimizados para trabalhar em volumes moderados e as soluções de tratamento acústico portátil, voltadas para espaços temporários ou não dedicados.
A cidade como motor da mudança
O crescimento das grandes cidades, somado à consolidação do home studio como principal ambiente de produção musical, acelerou esse movimento. Cada vez mais músicos trabalham em apartamentos, quartos multifuncionais ou estúdios improvisados, onde o controle de ruído é tão importante quanto a qualidade sonora.
Diante dessa realidade, fabricantes vêm respondendo com produtos mais eficientes, compactos e silenciosos, que permitem estudar, gravar e produzir sem conflitos com vizinhos, horários ou limitações de espaço.
Menos volume, mais controle
As baterias híbridas e eletrônicas, por exemplo, deixaram de ser apenas ferramentas de palco ou estúdio e passaram a ocupar um papel central como instrumentos de prática silenciosa, preservando a sensação física da execução. O mesmo acontece com os monitores nearfield de nova geração, projetados para oferecer resposta precisa mesmo em níveis de pressão sonora mais baixos.
A isso se soma o crescimento das soluções de acústica modular e portátil, como painéis dobráveis, cabines móveis e sistemas de absorção temporários, que permitem transformar rapidamente um ambiente comum em um espaço de trabalho funcional.
Uma tendência com impacto direto no mercado
O “quiet tech” não é uma moda passageira, mas sim uma resposta estrutural às mudanças na forma de criar música. Para marcas, distribuidores e lojas especializadas, esse segmento representa uma oportunidade clara de crescimento, especialmente entre músicos urbanos, produtores independentes e criadores de conteúdo.
Mais do que vender potência e volume, o mercado passa a valorizar controle, eficiência, portabilidade e convivência. Nas grandes cidades, a tecnologia silenciosa deixa de ser diferencial e passa a fazer parte do novo padrão da produção musical.
Você tem algum produto quiet tech na sua loja? Conte-nos!
Distribuição
Sonotec celebra 55 anos conectando músicos brasileiros às melhores marcas internacionais
Publicado
1 semana agoon
23/01/2026
A Sonotec Music & Sound comemora em 2026 seus 55 anos de história, consolidando-se como uma das mais importantes distribuidoras de instrumentos musicais e equipamentos de áudio profissional no Brasil — com uma trajetória que começou em uma pequena loja e se transformou em referência nacional no setor.
Fundada em 21 de janeiro de 1971, em Presidente Prudente (SP), a Sonotec nasceu da visão empreendedora de Renato S. Silva, então técnico em eletrônica, que identificou uma oportunidade de negócio no segmento musical em expansão. Inicialmente um ponto de varejo com apenas 14 m², a empresa cresceu de forma constante ao longo das décadas, atendendo músicos, artistas e profissionais de áudio com marcas e produtos de alta qualidade.
Com o passar dos anos, a Sonotec expandiu sua atuação, passando a importar e distribuir instrumentos e equipamentos de marcas consagradas mundialmente. Desde os primeiros contratos exclusivos, como o da Takamine para o Brasil no início dos anos 1990, a empresa consolidou uma presença marcante nos palcos e estúdios brasileiros e latino-americanos.


Hoje, com mais de 20 marcas representadas — incluindo Takamine, Strinberg, Gretsch, Zeus, D One, Antares, Cadenza, LP, Orleans e muitas outras — o portfólio da Sonotec já supera mil itens, atendendo uma base ampla e diversificada de músicos, luthiers, lojas e integradores em todo o país.
Ao longo de mais de cinco décadas, a Sonotec também expandiu sua infraestrutura: em 2009 inaugurou sua sede com 3.900 m² em Regente Feijó (SP) e, diante do crescimento contínuo, ampliou essa estrutura para cerca de 8.000 m², reforçando capacidade logística, estoque e atendimento.


“Nosso compromisso sempre foi trazer ao público brasileiro o melhor do mercado, com profissionalismo, estoque robusto e um olhar atento às necessidades reais dos músicos”, afirma a direção da empresa, destacando a importância de se manter atualizada e próxima do mercado nacional.
A Sonotec celebra seu 55 aniversário com o reconhecimento adquirido ao longo de anos de trabalho dedicado — conectando músicos a instrumentos e soluções que fazem parte do som do Brasil.
Audio Profissional
Multilaser compra operação da Sennheiser no Brasil em aposta de R$ milhões no mercado de áudio profissional
Publicado
1 semana agoon
23/01/2026
Grupo que fabrica eletrônicos populares assume distribuição exclusiva de marca alemã premium, enquanto ex-parceira CMV sobe para comando regional na América Latina.
A Multilaser, conhecida por produzir TVs, computadores e eletroportáteis para o varejo de massa, acaba de entrar no segmento de áudio profissional pela porta da frente: assumiu a distribuição exclusiva da Sennheiser no Brasil, uma marca alemã de 80 anos que equipa estúdios, emissoras e salas de reunião corporativas no mundo inteiro.
O movimento não é uma simples troca de distribuidor. É uma reorganização estratégica que revela como fabricantes globais estão repensando suas operações na América Latina — e como empresas brasileiras com infraestrutura robusta podem capturar oportunidades em mercados de nicho e alto valor agregado.
Da parceria local ao comando regional
Por mais de uma década, a CMV Audio Group foi a parceira nacional da Sennheiser no Brasil. Agora, foi promovida a Regional Partner para toda a América Latina, exceto México. A mudança libera a empresa para focar em desenvolvimento de mercado e alinhamento estratégico regional, enquanto a Multilaser assume importação, logística, gestão comercial e estoque local.
Não é uma saída — é uma divisão de papéis. A CMV sobe na hierarquia e amplia território. A Multilaser entra com músculo operacional.
Para garantir a transição, Daniel Reis, sócio da CMV e executivo responsável pela operação latino-americana da Sennheiser, passa a integrar o quadro executivo da Multilaser. Parte da equipe técnica da CMV acompanha o movimento.
Por que a Multilaser?
A escolha tem lógica empresarial clara. A Multilaser opera um complexo industrial em Extrema (MG), duas fábricas na Zona Franca de Manaus e mantém laboratório de engenharia na China. Distribui mais de 3 mil produtos em 40 mil pontos de venda. Já trabalha com marcas internacionais como DJI, Targus e Toshiba.
Ou seja: tem escala, capilaridade e experiência em importação e logística. Exatamente o que faltava para a Sennheiser expandir no Brasil sem depender de estruturas externas ou prazos longos de importação.
O portfólio que a Multilaser passa a operar inclui microfones sem fio, sistemas de conferência, equipamentos de monitoramento e soluções para produção musical. O público-alvo não é o consumidor final, mas o canal profissional: integradores, locadores, revendedores e subdistribuidores.
O que está em jogo
Para a Sennheiser, trata-se de ganhar velocidade em um mercado que cresceu e se sofisticou. Eventos ao vivo voltaram com força, empresas investiram em salas de conferência híbridas, igrejas e universidades modernizaram infraestrutura de som. A demanda existe — mas só com operação local é possível atendê-la com agilidade.
Para a Multilaser, é a chance de migrar para segmentos de margem mais alta. Fabricar eletrônicos de consumo é um negócio de volume e margem apertada. Distribuir equipamentos premium para canais B2B é outra história: margens melhores, clientes recorrentes, contratos de maior ticket médio.
Para a CMV, representa consolidação regional. Sair da operação brasileira para assumir a América Latina não é rebaixamento — é expansão de mandato.
O desafio da execução
A infraestrutura está montada. A equipe de transição, definida. Mas resta a pergunta estratégica: a Multilaser conseguirá traduzir a filosofia de uma marca construída sobre precisão técnica e atendimento consultivo?
Áudio profissional não é mercado de prateleira. É relacionamento, suporte técnico, conhecimento de aplicação. A Sennheiser atende engenheiros de som, diretores técnicos de TV, gerentes de TI corporativo. Gente que não compra pelo preço — compra pela confiabilidade.
A Multilaser tem escala. Agora precisa provar que tem expertise.
Sinais de um mercado maduro
O acordo Sennheiser-Multilaser-CMV é sintoma de algo maior: o mercado brasileiro de tecnologia atingiu maturidade suficiente para que marcas globais confiem em estruturas nacionais para operar segmentos sofisticados.
Não é mais sobre importar e revender. É sobre ter capacidade de gerenciar cadeias complexas, manter estoque técnico, treinar canais especializados e garantir suporte pós-venda em escala nacional.
Para empresas brasileiras com ambição de crescer além do varejo de massa, esse é o caminho: capturar operações de marcas internacionais que precisam de infraestrutura local, mas não querem construí-la do zero.
A Multilaser apostou nisso. Agora é entregar.
Áudio
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