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“The Final Countdown” – Um mercado em declínio

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“The Final Countdown” – Um mercado em declínio

5 min de leitura

Paremos para analisar o mercado atual. Devemos ter em mente as vendas, estratégias, marcas e ações diferenciadas para continuar crescendo no novo ano

No fim dos anos 80, uma banda sueca chamada Europe trouxe de volta o metal para as rádios (sim, não tínhamos Spotify nem Apple Music naquele tempo), dos países que não tinham esse estilo musical como principal cultura. A música que tomou conta das FMs na época se chamava “The Final Countdown” e inovava ao colocar uma frase de teclado como tema principal em vez das tradicionais guitarras distorcidas.

Para muitos “metaleiros”, isso era uma heresia. Mas a música permitiu que muitos músicos das teclas pudessem enfim expressar suas raízes mais hardcore sem ter que soar como seus pais ou avós. A inovação foi tamanha que muitas bandas seguiram a “moda” e outras tantas foram resgatadas do ostracismo. Até hoje a música é ouvida em diversas plataformas digitais e nas rádios do continente e continua a agradar crianças e jovens.

Com isso, sintetizadores tiveram seu momento de explosão, e os fabricantes destes investiram fortunas em aprimorar e desenvolver novos produtos. Yamaha, Roland, Korg e até mesmo a Casio, com o infame CZ 101 (meu primeiro Synth), surfaram na onda de sons eletrônicos e produtos voltados para esse mercado específico. Mas a música foi mudando e se adaptando aos gostos mais tradicionais e não demorou muito para que sons mais fiéis aos de instrumentos acústicos fossem cada vez mais solicitados. É, tudo não passou de uma moda e os sons acústicos voltaram a predominar como estilo musical, trazendo pianos, violinos, cellos e violas junto a órgãos e sons mais percussivos, característicos do novo estilo que nos anos 90 dividiu o rock em inúmeros outros estilos, cada um com seu nome particular.

Mas o foco desta matéria não é este, apenas peguei emprestado o título de maior sucesso do Europe para traçar um paradoxo entre a inovação da banda e o mercado de música no Brasil nos dias de hoje.

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O mercado da música hoje

Posso dizer que nos últimos meses, um pouco afastado da rotina de gestão que sempre tomou conta do meu tempo, pude observar o mercado com maior independência e imparcialidade.

Nisso percebo que apesar de ser um mercado canibal (em que todos parecem estar mais preocupados em destruir do que em construir), é também um mercado que pratica a autofagia.

Digo isso ao notar que não há qualquer intenção por parte do mesmo em inovar. Não há vontade de realmente criar caminhos que mantenham a cadeia de suprimentos viva. Não se veem ações ousadas ou visionárias para consolidar o mercado. Me parece (e deixo desde já claro que não sou dono da verdade nem pretendo sê-lo) que o mercado está em uma fase de regressiva final. Até quando o mercado tradicional, aquele em que o fabricante/importador/distribuidor vendem para uma rede de revendas, que então vendem ao consumidor, vai se sustentar?

E ainda: senhor lojista, o que tem feito para trazer mais clientes ao seu estabelecimento? Tem inovado seu mix de produtos ou se especializado em algum segmento? Tem apostado na excelência dos produtos fabricados no Brasil? Sim!! Os produtos fabricados no Brasil são de excelente qualidade! Reconhecidos e desejados no mercado exterior! Já aqui são tratados como “se não for barato, não vende”… Ou seja: o brasileiro investe uma fortuna em pesquisa e desenvolvimento, usa sempre os melhores componentes possíveis (já que de maneira subliminar deseja comparar-se aos produtos de maior qualidade do mercado), agrega componentes de primeira linha — os melhores possíveis —, mas tem que vender barato por ser nacional? Alguém, por favor, me explica? E novamente, senhor lojista: você tem aberto um espaço em sua vitrine, prateleira ou plataforma de venda a esses produtos, dando-lhes a mesma tratativa do que a concedida para as marcas importadas?

Fácil reclamar de crise. Fácil contratar mão de obra barata e esperar que dê certo.

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E, com isso, fabricantes, importadores e distribuidores vão acumulando estoque. Que um dia vão ter que ser vendidos. De algum jeito.

Ação inteligente

Lembro-me de um caso, quando estava à frente de uma empresa na qual oferecíamos uma marca e nenhuma (de verdade, nenhuma) loja queria vender. E aquelas que tinham comprado queriam devolver, pois “ninguém” (sic) sabia usar ou queria tal marca. Por outro lado, havia um enorme compromisso de compra junto ao fabricante que tínhamos que honrar. Então, eis que colocamos a marca para venda direta ao consumidor e subitamente ela explodiu com novos lançamentos e caiu na graça dos “ninguém” vendendo bastante.

Em vez de o mercado entender a nossa necessidade, fui alvo de muitos dedos apontados e acusado de querer “acabar” com o mercado (quem seria eu, tão poderoso para tanto?). Ah! E a marca continua vendendo bem, com produtos relativamente interessantes, tendo inclusive oferecido venda direta às lojas interessadas e capacitadas a importar.

Pois é que além de não valorizar marcas novas, tecnologia, fabricantes nacionais e nada que seja minimamente novo, a maioria das revendas vem insistindo em se tornar market places ou vender por plataformas de Cross Docking. O.k., pode vir a ser uma alternativa. Mas, me colocando no lugar do consumidor, pergunto: O que você tem a oferecer para que eu opte pelo seu website em vez de Amazon, Walmart, Mercado Livre etc.?

  • Qual a vantagem que eu tenho, em termos de atendimento, para comprar em seu site?
  • Qual a variedade de produtos ou o diferencial oferecido?
  • Qual é o tipo de responsabilidade de seu estabelecimento caso algo dê errado que me fará optar pelos seus serviços?

Curioso como este sistema de vendas, fabricante/lojista/consumidor, vem se obsoletando com o tempo. E me arrisco a dizer que se não se renovar e houver verdadeiros investimentos no setor, a coisa caminha para a contagem regressiva final.

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Isso sem falar nos produtos não oficiais, importados por terceiros e da famosa muamba… mas disso vou falar na próxima matéria.

Pensem, e Feliz 2018!

 

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