Opinião: Mercado musical – O difícil recomeço 

Opinião: Mercado musical – O difícil recomeço 

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O País está passando por um momento difícil, todos sabemos disso, mas, além de criticar, o que estamos fazendo para estabelecer a ordem e começar de novo?

Algumas pessoas me escrevem com elogios, críticas e perguntas que nem sempre posso responder. Há pouco, uma pergunta me chamou muito a atenção pela simplicidade e, por que não, certa inocência.

“Joey, como você vê o mercado do Brasil? O que você acha que vai acontecer?”

Puxa. Se eu soubesse o que vai acontecer provavelmente ganharia muito com isso. Certeza ninguém pode ter. Porém, opinião e especulação, todos podemos arriscar. Prefiro fazer uma analogia curiosa e realista.

Eu vejo o Brasil como um casamento de muitos anos em que um dos cônjuges acaba sendo infiel e descoberto pelo outro. Ou seja, existe um relacionamento, existe amor, mas talvez tenha existido insatisfação, cansaço e até mesmo liberdade excessiva.

Mas, agora, também existe muita decepção. E o casamento então começa a desmoronar. Mas nenhum dos dois quer isso. Houve, sim, uma falha, mas não é motivo para um fim. É necessário um recomeço.

Creio que de certa maneira houve uma grande traição ao povo brasileiro por governantes anteriores. A maneira esdrúxula, corrupta, desleal e manipuladora como o País vinha sendo conduzido nos levou a um ponto de exaustão.

Sem entrar em ideologias ou polemizar com frases politizadas, o período é bem complicado. E, em tempos assim, querer mexer nas feridas às vezes causa muito mais dor.

Então, vamos ao ponto em questão: a reconstrução de algo intangível se dá à medida que o esforço coletivo é posto em prática. Nada existe além da boa vontade de querer reconstruir e se empenhar nisso. Vejo empresários apostando e confiando na mudança, mas, melhor ainda, vejo empresários comprometidos em fazer isso acontecer, mesmo após terem perdido quase tudo e estarem afogados em questões fiscais e tributárias.

O cidadão de esquerda ou de direita, e o que mais estiver aí no meio, tem de sobreviver. Tem de ter uma fonte de renda (seja qual for), tem de comer, alimentar seus filhos, prosperar e por isso é hora de ter uma DR com este País.

No momento, parece que estamos na fase de “você é isso, você é aquilo, você fez isso, você fez aquilo”, ou seja, apenas acusações sem sentido que não vão devolver a paz necessária para a reconstrução. E não haverá uma única solução. Isso tem que ficar claro. Serão diversas mudanças que teremos de atravessar: a maneira de agir, de pensar. Parar de procrastinar o que deve ser resolvido!

O curioso são os fanáticos. Puxa! Parecem sogras tentando minar uma relação com a qual nunca concordaram. Acordem! Este casal necessita de vocês ou, que tal, os netos são seus! Ajudem-nos.

De dentro para fora

A crítica, bem elaborada e sem partido, é um instrumento de medida quanto ao que temos de reconstruir. Não podemos continuar inertes vendo o que acontece. E convenhamos, passeatas ou serenatas não trazem de volta seu amor. Nem videntes ou esotéricos que prometem tal coisa. Mais ainda, mobilizar 200 milhões de pessoas não é tarefa fácil, e qualquer manifestação com 10 mil pessoas parece vazia quando analisamos o tamanho deste país.

Somos um país rico, somos um país de pessoas de bom coração. Mas criamos a ruptura e sucumbimos ao desejo de ser quem não somos. Tornamo-nos indiferentes e nos nivelamos por baixo. Igual à parte que traiu. Sentimo-nos grandes por ilusão e agora temos de lidar com o fracasso.

Olhe adiante. Planeje sua reconquista. Dê-lhe flores ou agrados novamente. Procure ver o amor à pátria e não ideologias passageiras, seja do lado que for. Sejamos práticos e responsáveis. Maduros para encarar a situação de maneira madura. Aprender com o erro e fazer valer nosso voto a cada eleição.

Ao depositar nossos votos em uma relação até que a morte nos separe, devemos exercer o direito de mudar o que aí está. Lutar por um país que é gigante, que muito orgulho me dá pelas belezas e alegria de sua gente. Somos fortes e persistentes. É o que dizem (e muitos bradam com a mão no peito). Mas no momento de contribuir e apostar, preferimos tirar a mão do peito e apontar para aqueles que pensamos ser a causa do fim. Isso não traz de volta a união.

O passado se foi. Ou aprendemos com ele ou não. Fim da questão.

O presente aí está e o futuro nos aguarda, juntos ou não.

Faça sua parte. Proteste ou se manifeste, mas procure melhorar de dentro para fora. Ajude a educar. Persista em seu objetivo. Crie, inove. Busque juntar os opostos, tente relevar detalhes. Não procure defeitos, busque paz.

Ah! Quanto ao que vai acontecer: em minha opinião, estamos formando um dos países mais fortes e poderosos do planeta. Não! Não por causa deste ou de outro governo qualquer, é porque quando dói, fazemos de tudo para parar de doer. A lição foi dada a este adolescente de 520 anos. E quando pensamos assim… quantas provações mais ainda teremos pela frente? Mas vamos superá-las. Tenho certeza.

 

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