Music Business
Startup brasileira lança detector de inteligência artificial na música
A startup brasileira TuneTraders desenvolveu uma tecnologia pioneira capaz de detectar a presença de inteligência artificial na produção musical.
A ferramenta, criada integralmente no Brasil, identifica se uma música foi gerada por IA e quais obras foram usadas no treinamento dos modelos, apontando inclusive os trechos correspondentes.
O lançamento ocorre em meio à crescente preocupação no setor fonográfico. Segundo a plataforma Deezer, cerca de 20 mil músicas produzidas por IA são publicadas diariamente. O dado acende um alerta para artistas, gravadoras e entidades de gestão coletiva.
A tecnologia, desenvolvida pelos sócios Carlos Gayotto e Maurício Magaldi, começou a ser estruturada em 2020, inspirada por pesquisas da Berklee College of Music, dos Estados Unidos, em parceria com o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). O sistema oferece uma acurácia superior a 75% na detecção de conteúdo gerado por IA.
“O detector identifica se há componentes de outras obras usados no aprendizado da máquina. Isso permite, no médio e longo prazos, remunerar corretamente os autores cujas músicas foram utilizadas no treinamento dos modelos de IA”, afirma Gayotto.
O grande diferencial do sistema está na integração com a tecnologia blockchain. O protocolo permite rastrear toda a cadeia de criação, distribuição e execução das músicas, garantindo segurança, transparência e auditoria. “É como um cartório digital onde nada pode ser alterado sem o consenso dos participantes”, explica.
A TuneTraders não busca impedir o uso da IA, mas propõe critérios claros e éticos para sua aplicação na música. A ferramenta pode ser incorporada por entidades como o Ecad e associações de direitos autorais, ajudando a regulamentar o setor e equilibrar interesses.
Apesar de conversas em andamento com órgãos reguladores e o governo, Gayotto admite que há resistência por parte das gravadoras. “Nosso objetivo é criar um ambiente mais justo, no qual artistas e criadores sejam devidamente remunerados pela sua contribuição”, ressalta.
A startup convida músicos, distribuidores e plataformas a aderirem ao protocolo. A proposta busca estabelecer um novo padrão na indústria musical, alinhando inovação tecnológica e proteção à criatividade humana.
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