Opinião: Porque se valorizar é preciso

Opinião: Porque se valorizar é preciso

por 30/06/2020

É hora de ver nas questões do mercado musical que o alicerce de tudo está na criação e criador, e eu explico…

Música e Músico. Aluno e Professor. Instrumento e Luthier. Loja e Fabricante. São tantos exemplos, mas creio que a compreensão ocorra pela pontuação do tema.

A primeira coisa visível ao leigo é a música, e somente com o interesse mais aprofundado ele pode entender que na origem, há o músico, e creiam, embora pareça óbvio, na prática a distorção de ignorar a origem e obra é de praxe. As pessoas comem ovo sem lembrar da galinha.

Na prática as pessoas visualizam o estudante de música como um “hobbista” em potencial quando jovem, desestimulando o estudo com professores gabaritados, já que “internet é de graça “, e quando o estudante é mais velho, ele próprio se vê como “hobbista “, investe em equipamentos que sempre quis, mas NÃO investe em estudo, porque se acha velho demais, e na mesma linha de pensamento já dita, mas com um adendo, “internet é de graça se adequando ao horário”, e a origem da formação, que é o Formador/Professor/Músico/Mestre, fica esquecida e apagada enquanto ponto imprescindível.

No mercado musical essa questão da não observância de que não existe “isto ou aquilo”, mas que tudo gira em torno de criadores, criações e ferramentas, é sempre o fator “dificultador” do crescimento.

Porém na atual crise, anterior, presente e pós Pandemia, devemos avançar no óbvio.

Não nos interessa “parceria de aparelhamento político”, nem ser eternamente bancados pelo Estado, muito menos sermos pontos de cisão social ideológica, não nos interessa verbas que governos poderiam destinar à questões sociais, e etc… Nós queremos o que é CERTO!

Queremos que, em havendo verbas destinadas à Cultura, elas ajudem a formar um mercado futuro estável, com projetos abrangentes, não custeando “meia dúzia de amigos do rei” (metaforicamente ao descrever privilégios), mas agindo democraticamente nisso tudo.

Queremos menos impostos enquanto categoria que é industrialmente ativa, geradora de Cultura, de bens e benesses, para que valha a pena estar no mercado da música, tendo mais garantias, e perspectiva de futuro.

Querer o mínimo de respeito e cidadania para todos de sua área de trabalho é ponto pacífico de qualquer profissional.

Mas será que estamos fazendo “por onde” para que isso ocorra?

Não estamos procurando notoriedade no lugar de profissionalismo?

Não estamos buscando lucro fácil ao invés de alicerces inabaláveis de estabilidade?

Tem gente que só enxerga do seu próprio umbigo para cima, e na ausência de compreender o chão, quando tropeça, não levanta…

Precisamos criar metas, passos, e um direcionamento que transforme todas as “Missões” em um único PROPÓSITO…

Existem muitas metas, muitos “quereres”, que por vezes nos desviam como um todo, no quesito de engrenagens de mercado que giram opostas, de olhar a direção, mas cabe a nós perceber que música se trata de todos os fatores aqui expostos, portanto o mercado sem eles acaba.

Música é business que às vezes não é percebido assim pois tem enquanto produto a lúdica função de abrir as “janelas da alma” em vias de fato, mas que sem a sofisticação profissional, se torna o assoviar até onde a potência do mesmo chegar, ou o canto à Capela, sem microfones apenas, porque sem instrumentos, sem acessórios, sem gente construindo, empregando e seguro na sua área, as coisas não frutificam.

Já no exemplo anterior percebe-se que a música enquanto expressão não morre, mas enquanto arte, perde ferramentas, enquanto comércio, transforma-se em perda de investimentos, e enquanto profissão, se torna incerta, sem a valorização.

Valorize o que faz, valorize o que te fazem de bom, e levante, porque a luta nessa crise está só começando.

É com você, e somente você, com poder de mudar o seu “mind set”.

Parece “COACH”, mas não é, porque aqui pontuei fatos, mas os caminhos, devemos debater, e chegar nas conclusões do que queremos, e a dependência da China deve ser abolida, essa lição deve ser praticada pelo bem de todos.