Gope: percussão também tem ritmo feminino

Gope: percussão também tem ritmo feminino

por 06/03/2019

Narjara Campos Rodella, CEO da Gope, conta sobre a atuação e a força das mulheres no mundo da percussão.

Narjara Rodella

Narjara Rodella, CEO da Gope Percussão: força da nova geração

Narjara Rodella é CEO da Gope Instrumentos Musicais desde 2014, mas vem trabalhando na percussão desde muito antes, com forte contato com o segmento musical desde criança, por meio do seu pai, Humberto Rodella, fundador da empresa. A Gope é uma companhia brasileira — com fábrica em Embu-Guaçu (SP) — que produz instrumentos de percussão desde 1962 e exporta para o mundo.

Com personalidade forte e carisma, Narjara trouxe energia e liderança empresa, recuperando sua visibilidade no mercado. Agora, a Gope se prepara para alcançar vôos mais altos, com estratégias de marketing definidas e exportação mais acentuada.

Música & Mercado foi conversar com Narjara Rodella para, especificamente, saber mais sobre seu trabalho junto ao seu trabalho com as mulheres na percussão. Confira.

M&M: Como surgiu a ideia de contribuir para os programas de percussão feminina, como a Didá?  

Narjara Rodella: Sou uma mulher que preside uma grande empresa de instrumentos. É muito importante possibilitar maior visibilidade para as mulheres, sobretudo na percussão. Penso que esse seja um dos meus compromissos à frente da Gope. Além disso, meu pai e fundador da marca, Humberto Rodella, foi amigo pessoal do Mestre Neguinho do Samba, criador da Banda Didá e do samba reggae. Esse grande artista, com quem tive a alegria de conviver desde muito criança, escolheu a Gope como instrumento oficial do samba reggae. Fui somando esses fatores e, em uma viagem a Salvador, na inauguração da nossa loja no Pelourinho, conheci a sede da Didá e suas histórias. A decisão foi imediata: a Didá seria a protagonista de uma nova linha de instrumentos percussivos.

M&M: Empresas de diversas partes do mundo estão investindo na musicalização das mulheres. Qual é a visão da Gope sobre as mulheres na percussão?

Narjara: Os coletivos de mulheres são uma espécie de tendência no mundo. É importante pensar que o machismo é um problema mundial. Logo, toda ferramenta que inaugure um novo lugar de fala para as mulheres será bem recebido. Pensando no samba reggae, que tem mesmo por característica a possibilidade de incluir mais e mais pessoas, ele acaba funcionando como um movimento muito além da música. O samba reggae é um movimento de integração, de reunião em torno do tambor e, quando conduzido por mulheres, tende a fortalecê-las. Afinal, a luta que era de uma passa a ser a luta do grupo.

Para mim, a participação das mulheres na percussão vai muito além do tocar. Tenho um escritório composto apenas por mulheres, líderes mulheres no chão de fábrica e operárias mulheres. Admiro a garra, a força, o olhar positivo e acolhedor que as mulheres têm. É um momento de crescimento e evolução para nós. Acredito muito que esse progresso feminino seja resultado de uma não rivalidade. Esse é o novo olhar de uma mulher para outra.

M&M: Você já ouviu relatos de preconceito contra a mulher instrumentista? 

Narjara: Na própria Didá soube de casos bem horrendos. Elas contam que em suas primeiras apresentações ouviam piadas de tom machista como: “Já lavou os pratos hoje, minha filha?”. Outra coisa que elas sentiam era a pressão do assédio nos camarins. Outro aspecto é que, não diferente de outros mercados, os grupos de percussão feminina ganham cachês inferiores. Já ouvi também que o fato de ser mulher e escolher uma profissão dominada por homens as faz estudar mais, tocar com mais pressão e se esforçar para não errar, pois o julgamento negativo está ao lado, aguardando uma falha. Isso torna a caminhada mais pesada.

Humberto Rodella

Humberto Rodella, fundador da Gope

M&M: Qual é o impacto social que a percussão proporciona ao discurso feminino?

Narjara: É um novo lugar de discurso, um cenário novo, ou seja, a percussão é um espaço conquistado pelas mulheres. A percussão é território de poder, de protagonismo, de liderança, de afirmação. Uma vez conquistado, nós, mulheres, não abriremos mão dessa ferramenta.

M&M: Na sua visão, de que forma o mercado da percussão ganha com esta ação?

Narjara: Ganha no combate ao machismo, ganha na feminilização do fazer percussivo, ganha em cores, beleza, criatividade, sensibilidade, charme. Ganha com a presença das crianças que sempre acompanham suas mães. Ganha porque a percussão integra, abraça, fortalece, emociona. Ganha porque nós, mulheres, somos exigentes e queremos o melhor. Ganha porque tudo que envolve mulher vem carregado de futuro. Esse é um processo recente, então imagine o que ainda virá.


Site: http://www.gope.net

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