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Maior loja européia reage à Fender e cobra fim de campanha sobre o formato da Stratocaster

A Thomann, maior varejista de instrumentos do mundo, cobra que a Fender encerre notificações contra fabricantes e lojistas europeus por causa do corpo da Stratocaster. Entenda o impacto.

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Thomann, a maior varejista de instrumentos do mundo, classificou de "formalidade" a decisão judicial que sustenta a ofensiva da Fender e pediu retorno a uma "parceria justa". O caso coloca em xeque quem pode fabricar e vender guitarras no formato S-style na Europa.

3 min de leituraThomann, a maior varejista de instrumentos do mundo, classificou de “formalidade” a decisão judicial que sustenta a ofensiva da Fender e pediu retorno a uma “parceria justa”. O caso coloca em xeque quem pode fabricar e vender guitarras no formato S-style na Europa.

A alemã Thomann, maior varejista de instrumentos musicais do mundo, divulgou nesta semana uma nota pública contestando a campanha de notificações extrajudiciais (cease-and-desist) movida pela Fender contra fabricantes, distribuidores e lojistas europeus por causa do formato do corpo da Stratocaster. As declarações foram reportadas pela publicação especializada MusicRadar.

No centro da disputa está uma decisão obtida pela Fender em março no Tribunal Regional de Düsseldorf contra uma empresa chinesa que comercializava guitarras no chamado “S-style” — o desenho consagrado da Stratocaster. Para a Thomann, o peso jurídico dessa decisão é frágil.

“A Fender obteve recentemente uma chamada sentença à revelia no Tribunal Regional de Düsseldorf contra uma empresa chinesa que negocia guitarras S-style. Essa decisão se baseia em prazos perdidos, ou seja, em puras formalidades, e não representa, em nossa opinião, uma análise abrangente das alegações legais”, afirmou a varejista.

Uma reivindicação sobre a forma do instrumento

Segundo a Thomann, a Fender estaria usando esse precedente para sustentar uma reivindicação de direito autoral sobre o próprio formato do corpo da Stratocaster — e mirando, em paralelo, revendedores e fabricantes europeus. A empresa alerta que fabricantes norte-americanos que vendem seus instrumentos na Europa também são atingidos.

A Thomann não é parte neutra. A varejista controla a Harley Benton, marca de entrada que vende grande volume de guitarras S-style a preços baixos — exatamente o tipo de produto no raio da ofensiva. O desfecho do caso afeta diretamente seu portfólio.

“Pedimos à Fender que pare de emitir notificações contra fabricantes, distribuidores e revendedores e que retorne a uma parceria justa e cooperativa”, conclui a nota da varejista.

A Fender nega processar concorrentes

Do outro lado, a Fender vem rejeitando a leitura de que estaria judicializando o setor. Em manifestação anterior, o CEO da companhia, Edward “Bud” Cole, afirmou que “a Fender não está processando ninguém”, tentando conter a controvérsia em torno das notificações.

A divergência expõe uma zona cinzenta do mercado: o formato S-style se tornou um arquétipo da indústria, replicado por dezenas de marcas há décadas. Reconhecer direito exclusivo sobre o desenho do corpo redesenharia as regras de quem pode produzir e comercializar guitarras desse tipo na Europa — um dos maiores mercados consumidores do mundo.

Por que isso importa para o Brasil

O desdobramento interessa de perto à cadeia brasileira. Fabricantes nacionais que trabalham com modelos S-style e T-style — caso da Tagima, que exporta para a Europa — passam a operar sob risco jurídico maior caso a tese da Fender prospere no continente. Para importadores e lojistas que distribuem marcas como a Harley Benton no Brasil, o caso também sinaliza possível pressão sobre catálogo e fornecimento.

Mais amplamente, a disputa alimenta um debate que vai além das guitarras: até onde vai a proteção de um design que virou padrão de mercado, e qual o limite entre defender uma marca histórica e travar a concorrência.

Redação
Autor: Redação

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