Music Business
Instituto Moreira Salles disponibiliza mais de 6 mil gravações em domínio público para download gratuito
O Instituto Moreira Salles (IMS) ampliou o acesso à história da música brasileira ao liberar gratuitamente, em seu site Discografia Brasileira, mais de 6 mil gravações sonoras digitalizadas para download.
O conteúdo está disponível desde dezembro de 2024 e inclui fonogramas em domínio público produzidos entre 1902 e 1964, período em que o disco de 78 rotações era o padrão da indústria fonográfica.
O acervo é parte de um universo estimado de 64 mil registros. Desses, 47 mil já contam com áudio disponível, e o restante está sendo progressivamente digitalizado. A plataforma oferece busca avançada e filtros específicos para facilitar a navegação por faixas em domínio público.
Para ser considerada de domínio público, uma gravação deve ter sido lançada há pelo menos 70 anos, e todos os autores da composição precisam ter falecido há, no mínimo, 70 anos. É o caso de músicas de nomes como Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Sinhô e Noel Rosa. Em contrapartida, obras como Pastorinhas (1937), parceria entre Noel Rosa e Braguinha, só estarão liberadas em 2077, pois Braguinha faleceu apenas em 2006.
Segundo Bia Paes Leme, coordenadora de Música do IMS, o projeto é comparável a um álbum de figurinhas. “Sabemos que os discos existem, temos os registros, mas ainda é preciso localizar os exemplares físicos e digitalizá-los”, explica. A digitalização da coleção Leon Barg — a maior do País em 78 rpm — é parte fundamental nesse processo de ampliação.
Entre os compositores e intérpretes já catalogados, destacam-se 18.231 nomes, somando mais de 26 mil artistas. O objetivo do IMS é democratizar o acesso a esse patrimônio sonoro e permitir que pesquisadores, músicos e o público em geral conheçam os primórdios da música brasileira. “É como descobrir a nascente de um rio”, resume Bia.
E-books gratuitos resgatam a fase mecânica da indústria fonográfica
Além do acervo online, o IMS lançou a série de e-books Discografia Brasileira – Os Pioneiros, coordenada pelo pesquisador Sandor Buys. O primeiro volume, já disponível gratuitamente no site, é dedicado à Discos Phoenix (1914–1923) e traz textos analíticos, imagens históricas e um catálogo comentado dos discos da época.
Ao todo, a série terá sete volumes ao longo de dez anos. Os próximos títulos abordarão selos como Casa Faulhaber, Discos Brazil, Jurity, Imperador, Casa A Electrica, Casa Edison e os norte-americanos Victor e Columbia — este último responsável por mais de 5.800 fonogramas só na fase mecânica.
O site da Discografia Brasileira pode ser acessado pelo endereço: discografiabrasileira.com.br. O material é livre para uso e representa uma iniciativa inédita de preservação e difusão da memória musical brasileira.
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