Violão de Sete Cordas de Aço: presente como nunca!

Violão de Sete Cordas de Aço: presente como nunca!
Fevereiro 26 09:55 2016

Artistas do passado e presente instigam músicos a investirem na compra de violão 7 cordas. Saiba mais.

A música brasileira tem destas coisas. Algumas ondas surgem, desaparecem, voltam… Mas alguns fundamentos jamais deixam de se fazer presentes. É o caso do violão de sete cordas de aço, que surgiu no início do século passado na música carioca, mas se firmou a partir da década de 1950 nas mãos do grande violonista Horondino Silva, o Dino 7 Cordas e rapidamente se espalhou por todo o Brasil.

Dino 7 cordas

Dino 7 Cordas: precursor dos violões 7 cordas

Dino não inventou o instrumento, mas criou uma forma de tocar que se tornou uma sólida escola na música brasileira. Suas milhares de gravações ao longo de quase seis décadas de trabalho fizeram do músico um recordista e uma referência. Gravou com todos os grandes nomes da musica brasileira de várias gerações, de Orlando Silva a Marisa Monte, de Inezita Barroso a Chico Buarque, de Luiz Gonzaga a Jacob do Bandolim. Foi presença quase

Rafael Rabelo

Rafael Rabelo

que obrigatória nos principais discos de choro, samba e muitos outros estilos.

O “Setão” firmou seu lugar na Música Brasileira, porém, a partir da década de 1980 muitos violonistas passaram a usar cordas de náilon. Isto proporcionou uma maior versatilidade ao instrumento, passando a ser uma variação do violão clássico com uma corda a mais. Abriu a possibilidade de ser um violão solista, uma vez que o sete de aço era

quase que exclusivamente acompanhador.

Surge em cena outro ícone do violão brasileiro: Raphael Rabello. Grande acompanhador e estupendo solista, dividiu sua alma entre os dois sete cordas: o de aço e o de náilon. Embora tenha nos deixado muito cedo, seu legado é riquíssimo.

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Violão 7 cordas: aço ou nylon?

Qual a diferença entre esses instrumentos tão parecidos?

Até alguns anos atrás os construtores do violão de aço priorizavam a sonoridade na região mais grave, pois a “maneira Dino” de tocar, rica em baixarias, raramente explorava notas mais altas, ou acordes ao longo de todo o braço.

Por isso a grande maioria dos instrumentos disponíveis chegava a apresentar deficiência de timbre e principalmente de afinação nas regiões média e aguda. Além disso, o violão com cordas de náilon são mais fáceis de serem regulados, o que proporciona – a princípio – um maior conforto em termos de tocabilidade.




Por outro lado, se o sete cordas de náilon funciona muito bem enquanto solista e como acompanhador em formações camerísticas, o setão de aço é insubstituível em grupos mais densos, principalmente ao lado de maior massa sonora de instrumentos de percussão.

As cordas de aço proporcionam uma incrível penetração sonora que o permite enriquecer qualquer gravação ou apresentação ao vivo. Possui uma sonoridade característica que o náilon raramente atinge.

Na virada do século surge em cena um músico que irá provocar não só o retorno definitivo do sete cordas de aço, como também uma revolução na luthieria deste instrumento: Rogério Caetano. Este goiano que passou importante período da vida em Brasília e vive há uma década no Rio de Janeiro é hoje, sem dúvida, o grande nome do instrumento.

 Ótimo músico e ótimo instrumento

Rogerinho trabalha ao lado de praticamente todos os grandes nomes da música brasileira.

Acompanhador e solista assombroso, sua forma de tocar sintetiza as escolas de praticamente todos os seus antecessores e propõe uma evolução poucas vezes vista na música brasileira. Isto, além de enriquecer a música, traz também dois efeitos colaterais maravilhosos:

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1º) O surgimento de uma legião de seguidores. A cada dia que passa aparecem excelentes instrumentistas que, sofrendo sua influência, solam, acompanham, harmonizam e improvisam de maneira ousada e apontam para novas fronteiras na música instrumental e na canção.

2º) A busca pela melhoria dos instrumentos, assim como de cordas, captadores, tarraxas e de tudo o que diz respeito ao tema. Afinal, se um grande piloto precisa de um grande carro, um grande violonista necessita de um grande violão. Eu e outros luthiers estamos nos empenhando no desenvolvimento desse novo desafiador instrumento. E os resultados saltam aos olhos – e aos ouvidos.




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Rogério Caetano: talento musical e influência para novas gerações de violonistas

O violão de sete cordas de aço está hoje absolutamente presente na música popular brasileira. Está em um patamar nunca antes visto. E quando eu penso que estamos apenas no meio do processo eu me pergunto: – Onde isso vai parar? E eu mesmo respondo: – Não vai parar.

Comparado ao violão clássico, este modelo de sete cordas de aço tem as dimensões da caixa um pouco maiores.

Os melhores resultados foram obtidos com as seguintes combinações:
– Tampo em Cedro Canadense, faixas e fundo em Jacarandá Indiano, escala elevada em Ébano
– Tampo em Abeto Europeu, faixas e fundo em Jacarandá Indiano, escala elevada em Ébano

 

 

 

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Lineu Bravo
Lineu Bravo

Lineu Bravo – é luthier autodidata, apreciador de boa música. Desde cedo desenvolveu intimidade com a madeira na marcenaria do pai. Construiu o primeiro instrumento aos 14. Desde então, seus violões, cavacos, bandolins e violas têm ido parar nas mãos de grandes músicos. Guinga, Marcus Tardelli, Marco Pereira, João Bosco, Yamandú Costa, Chico Buarque, Ulisses Rocha, Hamilton de Holanda, Ângela Muner, Rogério Caetano, Mauricio Carrilho, Luciana Rabello, João Lyra, Mauricio Marques, Edson Lopes, Alessandro Penezzi, Juarez Moreira, Fernando César, Jayme Vignoli, Flávio Apro, Giacomo Bartoloni, Swami Jr, Rosa Passos, Ana Carolina, Zé Paulo Becker, Douglas Lora e todos os integrantes do Quarteto Maogani são alguns deles.

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