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Tama e Ibanez: Musical Express assume a distribuição no Brasil

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Tama e Ibanez: Musical Express assume a distribuição no Brasil
6 min de leitura

Musical Express tem o desafio de criar um novo padrão de distribuição para marcas premium de guitarra e bateria

Tama e Ibanez, oriundas da renomada fabricante japonesa Hoshino Gakki, agora têm um novo desafio pela frente: a distribuição sob a chancela da paulista Musical Express.

A Musical Express, já consagrada como uma das gigantes do mercado brasileiro e responsável por marcas como D’Addario, Bose, Gibraltar e Evans, carrega em seu DNA uma forte veia de marketing. Durante anos, foi a referência quando se falava em D’Addario, tendo sido a grande responsável por reconstruir e solidificar a imagem da marca em terras brasileiras. E não parou por aí: no universo das peles de bateria Evans, também se destacou, assumindo a liderança no segmento premium.

Comentários sobre a mudança

Recentemente espalhou-se o burburinho no mercado musical que a Musical Express teria assumido as marcas japonesas. No entanto, a distribuidora, devido a um acordo com a Hoshino Gakki, manteve-se discreta e negou todas as incursões no assunto.

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Musical Express distribuindo instrumentos?

Sim e não é de hoje. Confesso que já ouvi diversos comentários sobre a Musical Express, especialmente quando a empresa anunciou a distribuição da Shure. Muitos duvidavam, dizendo coisas como “A Musical Express não sabe distribuir microfones” ou “Eles não entendem nada de áudio”. Mas o que muitos não percebiam é a expertise da Musical Express no setor, sua sensibilidade com as marcas e a incansável disposição para o trabalho. A parceria com a Shure e posteriormente com a Bose só reforçou isso, trazendo inovações, capilaridade e um marketing associado à marca que muitos não haviam visto até então.

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O que esperar da Musical Express com a Tama e Ibanez?

Se a importadora mantiver o padrão de excelência que já demonstrou com outras marcas, podemos esperar uma revolução no cenário de marcas premium para guitarra e bateria. A seguir, compartilho alguns pensamentos da Música & Mercado.

Contexto

A Musical Express tem um talento nato para o desenvolvimento de mercado e marcas e não é uma empresa de nicho, é uma distribuidora de escala. Logo, ela não aceitaria o convite de se tornar distribuidora da Tama e Ibanez se a direção das marcas não estivessem com disposição de assumir um compromisso em busca da liderança, mas para isso, desafios não faltam.

O esperado

Espera-se que a Ibanez apresente linhas com preços competitivos, prontas para rivalizar nas prateleiras com marcas como Tagima e Seizi. E com a Fender e Gibson focadas majoritariamente no marketing norte-americano, a Musical Express tem uma vasta oportunidade para consolidar a marca Ibanez no Brasil.

No mundo das baterias, a competição é acirrada. Não se trata apenas de enfrentar gigantes como Pearl, Gretsch e Odery, mas também de lidar com marcas de escala como D-One e Nagano, que têm se destacado pela qualidade e design. Se a Hoshino Gakki não caminhar lado a lado com a Musical Express, as vendas podem se concentrar apenas nos segmentos mais elitizados.

Desafios da Ibanez e Tama

O Brasil é um território peculiar. Poucas marcas globais conseguiram estabelecer uma relação genuína com o mercado. Muitas empresas estrangeiras ainda estão presas a conceitos antigos, que já não se aplicam ao cenário atual. Os empresários daqui evoluíram, e as marcas nacionais, mesmo as produzidas na Ásia, tornaram-se referência. Muitas marcas internacionais culpavam os altos impostos, mas ignoravam a real necessidade de uma parceria sólida com os distribuidores locais.

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O brasileiro sabe como seus pares atuam e como o jogo da economia se estabelece aqui. No entanto, muitas vezes, o maior empecilho é a falta de conhecimento do mercado local por parte das marcas. Aliás, permita-me fazer uma observação sobre a palavra “marca”.

Uma marca é algo que transmite valor para quem compra. Muitas vezes, uma marca nos Estados Unidos pode não ser encarado como uma “marca” num determinado país, mas sim um “forte nome”, por exemplo. A grande questão é: se a Hoshino Gakki decidir se posicionar elitista como BMW ou Mercedes, venderá apenas para um grupo seleto e reduzido que não sustentará a operação a longo prazo. Consumidores tendem a esquecer marcas distantes que não oferecem valor e a concorrência da Ibanez, ao se posicionar como uma BMW, será com os renomados luthiers brasileiros.

Por outro lado se, em um segundo momento, a marca optar por vender diretamente aos grandes varejistas, ótimo, mas perderá o branding, como está acontecendo com a Fender. Afinal, nenhum importador varejista deseja fazer propaganda para que outro varejista também se beneficie. Nesse jogo de empurra-empurra, o mercado sai perdendo.

Ibanez: Mercado brasileiro ficará mais competitivo

Outro ponto relevante, além do preço dos produtos, é sobre o padrão de consumo e desejo por marcas. O jovem de 16 a 18 anos não tem o mesmo apego às marcas que um adulto acima de 30 anos. A geração Joe Satriani e Steve Vai está em outra fase, e os ídolos da Tama não aparecem mais como nos anos 90 ou 2000. Qual é o planejamento da Hoshino Gakki junto à Musical Express? Que suporte será dado e será que a Musical será ouvida?

A resposta para estas perguntas será fundamental para estabelecer esta nova fase marca no Brasil. Qualquer posição arrogante da Hoshino Gakki (Tama e Ibanez) será mais um passo para o afastamento das marcas do consumidor final.

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1 – Se a Tama e Ibanez continuarem achando que o marketing é só “coisa do meu distribuidor”, será evidente a permanência do conceito da administração da marca como havia nos anos 90… Legal? Não! O mundo mudou, o Brasil também, e o jovem tem oferta suficiente de produtos. Me desculpe, Hoshino, mas o consumidor precisa de um posicionamento agradável, próximo, acessível, que entregue valor. Não esperem que o jovem brasileiro conheça seus produtos como ocorre nos EUA, Europa e Japão. Aqui é Brasil, rapá!

2 – Se a Hoshino Gakki for sensível e, pelo que parece, agora está inclinada a ser com o mercado brasileiro, conquistará o varejo, os consumidores profissionais, amadores, e as escolas também se beneficiarão. E, em 2024, quando a operação de Tama e Ibanez estiver consolidada com a Musical Express, será um ano repleto de emoções.

Vamos aguardar!

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