Saúde: Crenças limitantes no mercado da música por 13/08/2020

Você que é músico e/ou convive com músicos me responda essa pergunta: Você já ouviu histórias de questionamentos sobre a profissão de um músico?

Coisas do tipo, “sou músico, e a pessoa diz: mas você trabalha com que? ” Vamos nos aprofundar mais… outras coisas comuns de se ouvir são: músico não é profissão, porque você não procura um trabalho de verdade, e por aí vai…

Se uma pessoa desconhecida chega e te fala isso, possivelmente você irá ignorar, já que você nunca o viu, então a opinião dele pouco importa. Entretanto quando ouvimos esse tipo de coisa de uma pessoa que nos importamos, as consequências podem ser muito maiores. Quando temos intimidade com uma pessoa, entregamos para ela uma chave para acessar as nossas emoções, assunto esse que falaremos mais adiante, mas não posso deixar de te dar um alerta. Cuidado, não dê essa chave de intimidade para qualquer um.

O que são as crenças?

Quando uma pessoa que nos importamos fala algo assim, existe mais chances de criarmos uma crença. Mas o que são crenças? De maneira simplificada podemos dizer que são verdades individuais, coisas que de maneira subconsciente (ou não) acreditamos convincentemente, sem mesmo saber se aquilo de fato existe ou é verdade, e isso é capaz de definir diversos rumos da nossa vida, impedindo a ação e/ou servindo como justificativa para atos, ou seja, nossas crenças estão por trás do nosso comportamento e determinam nossas ações.

Basicamente elas podem ser criadas de duas formas, por repetição, ao ouvirmos ou vermos muitas vezes aquele evento podemos passar a acreditar fortemente que aquilo é verdade, ou por forte impacto emocional, como por exemplo um evento traumático na infância.

Como tudo na vida, sempre existem dois lados. Aqui falaremos apenas do lado negativo, o qual tem mais sentido com o contexto aqui exposto. Portanto falaremos das crenças limitantes, que como o próprio nome já diz, nos impedem de realizar determinada ação, até mesmo antes de tentar pois de maneira subconsciente essa ação é bloqueada.

Imagine uma família muito carente, onde um dos filhos é um artista que possui sonhos grandiosos, mas de maneira repetida ouve deles que isso é impossível, que somente ricos conseguem essa vida e que precisa parar de sonhar e trabalhar, senão, não será nada na vida. De tanto ouvir isso, acaba se conformando e se convence que aquilo de fato não é possível, ou seja, seu sonho morre ali.

Agora retornando a pergunta inicial, imagine um músico que cresceu ouvindo que músico não era uma profissão, quais crenças limitantes você acha que ele criou? Hoje, possivelmente se cobra por não ter um melhor planejamento e por não ter conseguido construir algo que desejava, mas no fundo ele tem uma justificativa, “música não é profissão, é um mercado muito difícil e informal, por isso que eu não consegui”.

Quando uma mãe diz ao filho que ele não será nada na vida, que é um “burro”, isso pode ter consequências, pois se uma crença for criada, o filho provavelmente de fato não será nada na vida, pois programou sua mente para isso, dessa forma a mãe acaba de ajudar a criar algo que ela não queria, um filho malsucedido e por esse motivo que diversos pesquisadores acreditam que não é o evento que perturba, e sim as crenças e expectativas ligadas a ele. Esse é um típico caso de crença de merecimento, pois o filho por mais que consiga progredir na vida sempre se sentirá não merecedor daquilo. Mesmo no auge não se sentirá 100% bem, como se aquilo estivesse errado de alguma forma.

Vamos para alguns exemplos: “Dinheiro é sujo, não coloque a mão filho. ” Se dinheiro é sujo, logo não é bom, você quer ter algo que não é bom? Muitas pessoas possuem problemas financeiros e não sabem o motivo, mas no fundo pensam que “dinheiro não traz felicidade”. “Olha aquele riquinho, deve ter roubado muito para ter aquele carro”, “olha que patricinha” e vários outros termos que dizem que ter dinheiro não é bom. Vamos ao lado lúdico, qual super-herói com exceção do Batman e Homem de Ferro que é rico? A sociedade sem querer acaba impondo limites, nos fazendo acreditar que o fato de ter dinheiro nos torna uma pessoa ruim, sendo que ele apenas potencializa aquilo que somos em nossa essência.

É importante citar que não eliminamos crenças, e sim as substituímos. Existem diversas formas de realizar isso, abaixo um gráfico simples que ilustra uma das ferramentas para realizar esse processo. Um evento, gera um pensamento negativo que cria um efeito indesejado. Nem sempre temos controle sobre o evento, mas podemos assumir o controle sobre os nossos pensamentos, mudando consideravelmente os efeitos, tornando eles positivos visando alcançar resultados melhores, que por sua vez comprovam e reforçam as crenças.

 

crenç

 

Músico não é profissão. A pessoa que te disse isso tinha um conhecimento profundo para fazer tal afirmação? Muitas vezes ela estava querendo protegê-lo com os recursos que tinha. Nesse exemplo, criamos um novo significado para o evento, pois se a pessoa que falou “não sabe do que está falando”, porque acreditar? Se a sociedade diz isso, então existe um consenso que há uma dificuldade nesse mercado, tendo isso em vista, qual o pensamento que você deve ter? “Serei malsucedido porque esse mercado é ruim, ou terei que me esforçar e me dedicar mais, pois não quero ser como essas pessoas? ”. O primeiro exemplo gera um resultado negativo, onde a pessoa se torna vítima da situação, já o segundo, a pessoa identifica a crença, modifica o seu pensamento usando essa dificuldade como alavanca para que consiga atingir os resultados esperados. Isso é fácil como parece? Em partes… algumas pessoas conseguem conduzir essa reprogramação sozinhas, mas grande parte, precisam de acompanhamento e ajuda.

Temos muitas crenças, precisamos identifica-las para que possamos refletir se aquilo faz sentido ou se estão nos impedindo de algo. Caso esteja impedindo, o primeiro passo é tentar identificar o evento que originou e tentar extrair um significado diferente. Lembre-se, você tem que ser o capitão da sua vida, e não o passageiro. Tome o controle e programe sua mente para alcançar resultados extraordinários. Não deixe que pensamentos sabotadores te impeçam de realizar seus sonhos, e esse será o tema do nosso próximo texto. O Ciclo da auto sabotagem.

*Autor: Tiago Rausini, especialista em desenvolvimento humano e análise comportamental, com certificações internacionais nas áreas de Coaching e PNL. Formado em marketing com especialização em inteligência de mercado orientada a resultados, e desenvolvimento de produtos, marcas e serviços. Gerente comercial e marketing da Luen, atuando em outras importantes empresas no segmento musical nos últimos 12 anos. Fundador e treinador do instituto Kocsi. Instagram: @kocsi.oficial / E-mail: tiagodaniel@gmail.com