Opinião: A mídia tradicional e o mercado musical

Opinião: A mídia tradicional e o mercado musical

por 07/08/2020

Não importa o assunto,  quando se trata da mídia tradicional, as pessoas foram perdendo a “confiança” em nível mundial, e isso tem um porque,  afinal, seja por militância política ou mesmo “interpretatividade monocromática”, muitas matérias de veículos de imprensa têm se tornado crônicas ao invés de cobertura de fatos.

Com relação às artes então, a cobertura é sempre do glamour, da fama, e nada do nicho ou mercado, e com isso as pessoas tem acesso a uma realidade maquiada.

A música e o mercado musical, e seus profissionais, de forma extremamente rara, são retratados por jornalismo de conteúdo sério, e de forma realista.

Nem comento a questão sobre críticos de música,  porque nunca li uma crítica realmente técnica, ou realista, sobre algo bom ou inovador, e falar mal do que é ruim, não é virtude jornalística de crítico, já que se trata de obviedade.

Sempre foram escassos os meios de divulgação,  porque os fins não eram a divulgação da música, e sim o fomentar de especulação artística financeira.

O artista em si é um produto, mas o mercado musical oferece toda uma plêiade de itens que orbitam ao redor do músico e da música,  que sempre permanecem ocultos.

Noticiam-se LIVES bancadas por grandes empresas durante a pandemia, onde o salário dos artistas é pago, mas não se noticia que essa panelinha de meia dúzia não movimentam a economia no mercado musical,  e que do fabricar, vender, comprar, ensinar e tocar, sem falar nos técnicos,  a crise do “virus” da paga do tapinha nas costa, é bem antiga e anterior ao Covid19.

O mercado musical se divide entre poucos “bancados” que não  incentivam formação de mercado futuro, e muitos formadores de opinião, que em geral formam mercado futuro,  mas não são assegurados na balança.

O mercado musical consegue ser como um imenso iceberg, onde a imponência da parte emersa na superfície não chega à 10% do que as águas frias ocultam.

O mercado musical não se trata do artista de “autotune”, e sim do engenheiro de som que afina a voz do “destalentado”, nem se trata da dupla sertaneja somente, mas daqueles que atuam para que o show ocorra.

O mercado de shows é  uma fração do mercado da música apenas.

E ai notamos também o quão perdidos parecem os departamentos de marketing das empresas do mercado musical.

Vemos empresas investindo em “YouTubers”, e toda sorte de “Digital Influencers” e não percebem que “like” não gera venda, e se é bacana o lado institucional, a formação de mercado futuro é imprescindível.

As empresas NÃO perceberam que NÃO se trata de um milhão de inscritos, mas de mil que gerem lucro, que dêem resultado, e o investimento deve ser no músico,  enquanto incentivador de mercado futuro,  enquanto formador de opinião, enquanto inspirador de fins, cujos meios levam ao consumo.

Quando a música popular “cai” em qualidade, e não há  nenhum artista que inspire outros a seguir seu aprendizado,  de forma inteligente, as empresas do mercado da música deveriam intervir como verdadeiros “mecenas “, e colocar os artistas “certos” em seus lugares… Nos anos 80 o “boom” da guitarra ocorreu com grandes marcas investindo nas “peças” do jogo, e isso deu muito certo.

Ser um “Real Player” na área musical significa entender que música tem que cativar, e  como dito no “Pequeno Príncipe”,  “és responsável por aquilo que cativas”, mas eu acrescento  também pelo que deixe de cativar.

Uma empresa que fabrique Oboés pode quadruplicar suas vendas, se o mercado tiver um nome de destaque popular no instrumento, e vemos isso a olhos vistos com relação a “moda” do Ukelelê, que surgiu naturalmente na virtualização,  mas poderia ter sido algo planejado.

O que ocorre curiosamente é  que as empresas se preocupam demais com suas marcas, e pouco com o consumo de seu produto.

A preocupação parece ser em “roubar” o cliente do vizinho,  e não fazer mais clientes consumirem seus produtos,  e com isso, tanto ele, quanto o concorrente terem mais vendas.

É hora do mercado musical ditar as regras midiáticas da Cultura,  e não surfar nas marolas que sobram na Praia, porque a União dos setores criando o incentivo certo,  geraria um tsunami, onde a mídia tradicional ou não,  seriam apenas coadjuvantes, porque quem comandaria o espetáculo seria “quem de direito”…