Música e educação com Eloy Casagrande

Música e educação com Eloy Casagrande
outubro 02 19:30 2017

Tocando hoje com o Sepultura, Eloy Casagrande continua focando o aprendizado de novas técnicas e ferramentas para melhorar sua música e estilo com a bateria

Originário de Santo André/SP, Eloy escolheu a bateria desde criança e nunca parou de aprender e se profissionalizar. Colaborando em diferentes bandas e com diversos artistas ao longo dos anos, um dos momentos mais importantes na sua carreira foi quando ingressou como baterista principal da reconhecida banda de metal Sepultura.

Mas Eloy é mais do que músico. Ele também participa ativamente do mercado educativo com workshops oferecidos pelas marcas patrocinadoras, além de se manter atualizado com novos produtos e tecnologias para melhorar ainda mais seu trabalho. Nesta entrevista, Casagrande conta mais sobre suas experiências e opiniões do mercado musical.

M&M: Quando como você percebeu que a bateria era o instrumento que queria tocar?

Eloy: Com 7 anos de idade eu tive interesse por bateria. Minha mãe comprou uma bateria de brinquedo e me encantei.

M&M: Depois de um ano ganhou uma ‘de verdade’. Qual foi esse primeiro modelo mais profissional? 

Eloy: O primeiro modelo ‘de verdade’ foi uma Tama Rockstar da década de 1980. Tenho essa bateria até hoje. Me lembro que ela tinha tambores bem grandes e na época eu era muito pequeno! Ela foi essencial para mim e me inspirou bastante.

M&M: Você estudou alguma coisa relacionada com bateria ou música?

Eloy: Sempre tive aulas particulares, com diferentes professores e bateristas. Todos foram muito importantes para o meu aprendizado. Tive muita instrução tanto na parte acadêmica como na prática.

M&M: Você está no Sepultura há seis anos, certo? O que significou para você entrar nessa banda?

Eloy: Foi demais. Eu já era superfã da banda. Quando tinha 12 ou 13 anos comecei a tocar metal e é quase impossível você tocar rock e não conhecer o Sepultura. É a banda de maior relevância no rock brasileiro. Depois que entrei para a banda, pude ver a importância que ela tem mundialmente. O convite aconteceu após o Rock in Rio 2011. Eles me viram tocando, me chamaram para fazer um teste e eu fui aprovado. Foi uma felicidade muito grande e pude mostrar minha identidade. Eles me escolheram por quem eu sou e não para ser cópia de alguém.

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M&M: E como está sendo essa experiência até agora?

Eloy: Está sendo incrível! Acabei de gravar o segundo disco com a banda. Já tocamos em inúmeros festivais, em vários países e continentes. Vivencio culturas diferentes e isso é demais. Está sendo uma experiência muito enriquecedora.

M&M: Toca também em outras bandas ou projetos?

Eloy: Atualmente não, apenas no Sepultura. E faço workshops.

M&M: Tendo visitado outros países e visto a realidade musical no exterior, o que você acha da indústria da música brasileira?

Eloy: O rock metal não é um estilo tão popular no Brasil quanto na Europa. Mas aqui também temos um público muito fiel. Vejo que o mercado do rock está crescendo, há muitos festivais pelo Sul, Nordeste, e onde o Sepultura vai conseguimos lotar. Nós adoramos o mercado brasileiro e adoramos tocar aqui.

M&M: Pensando nas lojas e na disponibilidade de marcas e instrumentos no País, como você vê essa situação?

Eloy: Acho que o problema do Brasil é que os instrumentos chegam com um valor muito alto devido aos impostos. Então é um pouco difícil adquirir instrumentos de um outro nível. Mas também vejo ótimas empresas lançando produtos nacionais.

M&M: Você é endorsee de alguma marca? 

Eloy: Sim, Yamaha de baterias eletrônicas, Tama de baterias acústicas, Paiste de pratos, Promark de baquetas, Evans de peles, fones da Xtreme Ears e outros parceiros.

M&M: Qual é o seu trabalho como embaixador da Yamaha?

Eloy: Eu utilizo as baterias eletrônicas da Yamaha e tento mostrar quanto esse instrumento pode ser útil na vida de qualquer músico em qualquer situação. São instrumentos práticos que fazem parte da minha rotina e a partir do momento em que tive um, não consigo mais viver sem. Acho a Yamaha uma empresa modelo em todos os sentidos, tanto em qualidade de instrumento, durabilidade, quanto assessorando o músico, então, não poderia estar mais feliz.

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M&M: Recentemente fizeram um live no Facebook da Yamaha. Como foi essa experiência?

Eloy: Achei incrível. É muito bom ter esse diálogo e oportunidade de interagir com os fãs, e eles tirarem dúvidas sobre os instrumentos e a bateria da Yamaha. A bateria que utilizo me inspira a estudar, pois foi preparada com desenvolvimento de músicos, projetistas, engenheiros e é algo muito especial. Até quando estava me preparando para a live tive que estudar o módulo para apresentar para as pessoas.

M&M: Falando em equipamento, qual é sua bateria preferida e por quê?

Eloy: Sou feliz com todas as marcas que uso. Todas são ótimas, tive muita sorte. Não uso apenas pelo patrocínio, eu realmente gosto e não mudaria nada.

M&M: E em baquetas e pratos?

Eloy: Há 12 anos sou patrocinado pela Paiste. Foi uma marca que acreditou em mim desde o início. Também uso baquetas Promark, gosto muito delas.

M&M: Como está formado o seu backline atualmente?

Eloy: Tenho vários kits. Tenho um backline que fica só com a banda, tenho kit acústico, kit de pratos, outro kit que fica em casa, enfim, tenho uns três ou quatro backlines diferentes.

M&M: O que você leva em conta no momento de escolher o equipamento para tocar ao vivo?

Eloy: Tem de ser algo com que eu me identifique. Um instrumento de que você goste vai mudar sua performance, seu jeito de tocar e o que você quer passar para as pessoas. Não só pelo fato de ser patrocinado. Vejo muita gente que só usa pelo patrocínio, mas acho que não vale a pena. É preciso algo que você defenda, esteja junto com a marca, um apoiando o outro.

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M&M: A escolha é a mesma no estúdio?

Eloy: Sim, a mesma. Muda alguns modelos de pele. Às vezes não quero a bateria tão morta, e quando estou na estrada escolho pratos que durem mais, mas só pequenas mudanças.

M&M: Que conselho daria para alguém que está começando no mundo da música?

Eloy: Tem que tentar achar uma identidade. Acho que é a melhor dica que posso dar. Embora todo mundo tenha uma referência, é importante absorver essa referência e incorporar à sua forma de tocar sem perder sua identidade.

M&M: Qual será o próximo passo na sua carreira? 

Eloy: Isso é uma coisa em que nunca penso. Acredito que estou sempre em desenvolvimento. Gosto de estudar bastante novas técnicas, novos ritmos, simplesmente deixo a música me levar. Eu só quero ser melhor do que fui ontem, esse é meu maior motivo para continuar.

 

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