Palhetas Schultz quer “bater de frente com as importadas” por 08/04/2020

Com material de longa durabilidade e formatos especiais, as Palhetas Schultz quer “bater de frente com as importadas” a um preço bem menor.

Santiago Schultz

Santiago Schultz, proprietário da Plásticos Schultz, é guitarrista desde a adolescência e até estudou na Universidade Livre de Música Tom Jobim, em São Paulo.

Apesar disso, a vida o levou para o ramo industrial — ele é proprietário de uma empresa de injeção de termoplásticos há 15 anos, com ferramentaria de precisão, onde são feitos moldes de injeção de plástico. Mas ele nunca se esqueceu da música e de como era complicado achar palhetas que se encaixassem no seu estilo de tocar, além do alto valor que devia ser pago, o que acontece até hoje.

“Desde que comecei no ramo de transformação do plástico, mantive a ideia de fazer algumas palhetas. Fui construindo os moldes aos poucos e com calma. Desenvolvendo algo com design inovador e sempre pensando em chegar ao ponto ‘ideal’”, conta Santiago. “Tive um insight com relação ao produto. Desenvolvi esse material por satisfação totalmente pessoal e quero colocá-lo na mão de quem precisa a preço acessível.”

A fábrica

A linha de fabricação está situada em São Paulo, no bairro do Jabaquara. Trata-se de uma planta de 800 metros quadrados, distribuída em três setores:

1. injeção de termoplásticos (sete máquinas injetoras, que transformam os polímeros em produtos), onde são fabricados vários produtos, de peças técnicas para a indústria automobilística até outras de utilidade doméstica, como copos, bandejas, prateleiras de geladeira e mais;

2. estamparia de chapas;

3. ferramentaria: onde são construídos os moldes de injeção e as ferramentas de estamparia.

“Temos uma estrutura verticalizada completa, em que não dependemos de serviços terceirizados para realizar nosso trabalho”, explica o proprietário.

Modelos das palhetas Schultz

O material utilizado para a fabricação das palhetas é uma mistura de polímeros, fruto de pesquisa intensa. Santiago conta: “Consegui um resultado muito interessante, pois desenvolvi um material super-resistente que provê um timbre único, além de promover ótimo acabamento. São polímeros que possuem moléculas mais próximas umas das outras, ou seja, é um material mais denso, de difícil desgaste — ou alta durabilidade. Pesquisei muito para atingir esse ponto”.

Com o polímero definido e os moldes prontos, chegou o momento de fabricar as palhetas. O resultado? Vamos lá! O modelo Fast tem um design mais agressivo, com a ponta mais aguda, “já que eu lixava as que eu comprava para que ficassem dessa forma”, explicou. “Gosto de palhetas mais pontiagudas. Elas me permitem atacar as cordas sem ter de aproximar demais a palheta. A ponta mais pontiaguda diminui o atrito com as cordas. Menos atrito e mais precisão.”

Outro modelo disponível é o Matra, com design ergonômico, algumas curvas tênues e ponta um pouco menos acentuada do que a Fast, e tamanho levemente menor, promovendo mais conforto para quem gosta desse estilo de palheta.

Ambos os modelos possuem tamanho aproximado de 3 cm de altura x 2,5 cm de largura. A Matra vem em espessuras de 3,0 mm, 2,0 mm e 1,5 mm e a Fast, em 2,3 mm, 1,6 mm, 1,25 mm e 0,80 mm.

Santiago adiciona: “Também tive a ideia de produzir um recipiente para guardar as palhetas. Tivemos o cuidado de fazer uma caixinha muito legal, com um design atrativo, muito bonito, em um tamanho interessante, onde se podem guardar aproximadamente 15 palhetas ou mais”.

Disponíveis no mercado

Com máquinas de alta produção, a empresa tem palhetas em pronta entrega, podendo fazer aproximadamente 10 mil peças em apenas um dia.

“Queremos bater de frente com as importadas, democratizar esse material e colocá-lo em todas as lojas do Brasil”, disse. “Vale ressaltar que fazemos palhetas para quem realmente toca. Não são palhetas com qualidade promocional, mas, sim, de alta performance e altíssima qualidade, e estamos preparados para atender o mercado de forma imediata.”

Com o site pronto no ar, os clientes não só estão fazendo pedidos por aí, mas também pelas redes socias e Whatsapp, com envío disponível para todo o Brasil. “No site, também teremos uma aba para lojistas interessados em revender nossas palhetas”.

As novas palhetas começaram a aparecer nas redes sociais em setembro de 2019 e tiveram boa recepção entre os usuários, estando já nas mãos de Lulu Santos, Lobão, Ricardo Marins (Preta Gil), Cacau Santos, Pedro Cassini (Jota Quest), Camilo Macedo (Os Mutantes), Marcelo Barbosa (Angra) e muitos outros músicos reconhecidos. “Nosso futuro é muito promissor e já estamos projetando mais alguns modelos de palhetas para lançar. Nossas palhetas se destacam pelo fato de terem surgido da vontade de um músico guitarrista (eu) de fazer algo direcionado e alinhado para guitarristas, baixistas, violonistas e afins, que estão sempre em busca de produtos de qualidade para desempenhar seu trabalho, como músicos profissionais ou não. O que quero dizer é que criei um produto para músicos sendo músico. Portanto, a sensibilidade ao longo do processo foi muito maior, aliada à experiência de 15 anos na indústria de transformação do plástico. Assim, o conceito por trás desse material é muito mais coeso e direcionado”, finalizou Santiago.

Fotos de Bruno Kanashiro