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Luthier: arte de Igor Petinatti, da Petinatti Guitars

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Luthier: arte de Igor Petinatti, da Petinatti Guitars

8 min de leitura

Igor Petinatti é luthier e responsável pelo desenvolvimento e manufatura das belíssimas guitarras e contrabaixos que carregam seu sobrenome gravado no headstockPetinatti Guitars.

Todos os instrumentos são fabricados à mão, em oficina própria localizada em Americana/SP. Dentre as várias qualidades presentes nos produtos da marca, destaca-se o perfeito entrastamento, a excelente tocabilidade e o diferenciado acabamento, além da possibilidade de instalação do sistema de afinação “Buzz Feiten Tuning System”, presente em alguns instrumentos fabricador por renomadas empresas como Tom Anderson, Suhr e McPherson Guitars.

Ao longo do bate-papo, ele falou sobre o início de sua trajetória profissional, diferenciais de seus produtos e serviços, os desafios presentes no cotidiano profissional do luthier, espécies de madeiras nacionais e muito mais.

Camila e Igor Petinatti na Music Show

Quando você iniciou sua trajetória na luteria? Quais motivos te levaram a esse caminho?

 Igor Petinatti: Iniciei por volta de 1994, influenciado por um amigo. Ambos tínhamos começado a tocar e estudávamos no SENAI, o curso que eu fazia era de “Modelador de Fundição”, um tipo de marcenaria de precisão para produzir modelos em madeira, resina e metal para fundir peças em diversos tipos de metais, que posteriormente seriam usinadas.

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Esse curso me deu base para utilizar máquinas e ferramentas e, assim, iniciar as primeiras experiências. Em 1997 comecei a trabalhar como aprendiz na Ronay Guitar Works. Nessa época, a empresa tinha um diferencial marcado pelo alto padrão de qualidade e projetos arrojados. Foi um período extremamente importante para minha formação, um caminho sem volta. 

Dez anos depois fundei a Petinatti. Comecei a trabalhar em vários projetos bacanas que iam desde contornos completos em madrepérola natural a ouro maciço adornando os instrumentos.

Além da construção de guitarras e contrabaixos, quais são os outros serviços oferecidos ao público?

Igor Petinatti: Oferecemos serviços de regulagens, reformas, parte elétrica e manutenção em geral. Mas o principal é o nosso serviço de troca de trastes (níquel ou inox). Posso dizer que somos especialistas nisso, pois nossos nivelamentos são perfeitos e com acabamentos impecáveis.

Quais são as maiores qualidades de um instrumento Petinatti Guitars?

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Igor Petinatti: Nossos instrumentos são produzidos de forma que possam se ajustar às necessidades do cliente, e não o contrário. Por exemplo, ele pode escolher a medida e o formato do braço, o raio da escala, medidas e material dos trastes, dentre outras variáveis. Essas customizações podem ser feitas dentro dos nossos modelos base. Costumo dizer que nossos instrumentos já saem prontos para tocar. 

A atenção a todos os detalhes e o capricho está presente em todas as etapas, inclusive nas cavidades escondidas por tampas precisamente ajustadas aos rebaixos de encaixe. Além disso, nossos braços possuem entrastamento perfeito, permitindo qualquer regulagem.

Opcionalmente, oferecemos o sistema de afinação “Buzz Feiten Tuning System”. Fomos a primeira oficina no Brasil autorizada a instalá-lo e incluí-lo em nossos produtos.

Detalhes como os citados nos colocam lado a lado com marcas de boutique internacional.

Em sua opinião, quais são os maiores desafios enfrentados pelo luthier no cotidiano profissional? 

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Igor Petinatti: Podemos enumerar vários: matéria-prima, suprimentos, ferramentas, câmbio… Mas o maior ainda é educar o consumidor a enxergar a qualidade real dos instrumentos “handmade”. Esse termo tem sido cada vez mais banalizado com instrumentos feitos numa filosofia de “custo Brasil”, vendendo uma ideia de instrumento premium e entregando guitarras medianas, muitas vezes com nuts mal instalados, trastes que espetam as mãos, pinturas mal feitas e sem precisão de acabamento e outros problemas.

O principal desafio é fazer o cliente entender a diferença entre a produção em série – em que vários instrumentos são feitos de uma só vez -, e os fabricados individualmente, um a um. Obviamente essa diferença de produção afeta o preço final do produto. No entanto, há instrumentos de série com valor mais acessível que são muito honestos no que se propõem a oferecer, e também existem os instrumentos feitos individualmente que não oferecem a qualidade esperada. O cliente precisa aprender a diferenciar esses tipos de trabalhos e valores.

O que não se pode confundir é a existência da possibilidade de um “handmade” ser feito a preço similar. O luthier é um profissional que prima pelo diferencial e qualidade em suas obras. Não dá para fazer uma operação que precisa de uma hora em apenas 15 minutos mantendo a mesma excelência. No geral, as pessoas associam qualidade ao número de “endorser” de determinadas marcas. Qualidade custa, peças e madeiras boas são caras e mão de obra qualificada também é. Mas seguimos trabalhando para entregar o que há de melhor em todos os aspectos e mostrar que o Brasil tem um ótimo time de construtores.

 Falando um pouco sobre design de guitarras, qual é a importância de desenvolver modelos próprios e não ficar preso apenas ao formato de replicar os clássicos? É difícil inovar nesse quesito?

Igor Petinatti: Acredito na identidade visual que cada artista imprime em seus instrumentos, todos queremos deixar nossa marca. Uma réplica sempre vai te lembrar daquela marca que foi replicada. Veja bem, não me refiro a se basear em modelos já consagrados, mais sim a copiar integralmente seus formatos. Imagine uma guitarra no palco a uma distância em que não é possível ler a marca, se for uma réplica, você associa a marca original; já sendo modelo autoral, você tenta chegar mais perto para saber qual é aquele instrumento. É comum ouvirmos: “essa Music Man feita pelo fulano”… Esse é o tipo de frase que deprecia o trabalho do luthier. É claro que não dá para reinventar a roda, mas podemos trabalhar para inovar e expor novas formas. Fazer isso de forma acertada não é fácil nem rápido. Meu headstock, por exemplo, demorei um ano para concluir. Vejo muita coisa no mercado com visual inacabado, parecendo que faltou aquele toque final. No fim das contas, é gratificante ver que seu esforço em desenvolver algo autoral e original tem sido apreciado e elogiado por músicos e colegas de profissão.

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 O consumidor brasileiro ainda tem um pouco de preconceito com relação às espécies de madeiras nacionais? Com quais delas você gosta mais de trabalhar?

Igor Petinatti: Sim. Percebo uma generalização em relação às madeiras. Por exemplo, as pessoas pensam que todo e qualquer alder ou ash são bons, mas isso não é verdade, pois existem peças boas e ruins. O mesmo acontece com as espécies nacionais. Infelizmente elas foram relacionadas aos instrumentos de baixa qualidade fabricados por aqui no passado. Sendo assim, prefiro pensar na qualidade do bloco, nem tanto na espécie. Mas existem muitas questões envolvidas no resultado final: alinhamento dos veios, orientação de corte das pranchas, secagem e por aí vai. Prefiro uma madeira nacional bem selecionada a escolher uma importada de baixa classificação apenas por ser a famosa x ou y. Também prefiro corpos com duas peças de alta classificação a escolher uma peça única de segunda.

Acredito na diferença sonora entre as madeiras e acredito também que podemos trabalhar combinações não tradicionais e obter excelentes resultados. Em geral, por conta da versatilidade que apresentam, gosto de usar cedro e mogno nas minhas ST e TLKs.

De que forma o COVID-19 influenciou em sua rotina profissional? A demanda diminuiu?

Igor Petinatti: Essa pandemia nos fez mudar alguns hábitos de atendimento, pois ficou mais trabalhoso manter tudo mais higienizado para nos proteger e proteger aos nossos clientes. Por conta disso a produtividade caiu, mas não parou. Temos casos de pessoas prejudicadas pela incerteza ou pelo desemprego e elas realmente decidiram não investir em instrumentos. Por outro lado, os que continuaram a trabalhar, principalmente de casa, decidiram revisar e renovar suas guitarras, violões e baixos para usar durante a quarentena.

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Quais conselhos você daria para quem está começando a dar os primeiros passos na luthieria? 

Igor Petinatti: Paciência. Antes de procurar qualquer curso de luteria, para ter um bom embasamento prático e teórico, faça outros técnicos, como: marcenaria, mecânica e eletrônica. Depois sim, o desejado curso de luteria, para poder se concentrar em aprender a fazer o instrumento.

 Planeja o lançamento de algum novo produto para este ano?

Igor Petinatti: Sim. Pretendo usar alguns materiais alternativos nas construções dos corpos, mas ainda estamos trabalhando nisso.

Maiores informações no site, Facebook e Instagram da Petinatti Custom Guitars.

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*Autor: Álvaro Silva é apaixonado por música, guitarra e luteria. Criador do blog Guitarras Made In BraSil – espaço dedicado à divulgação dos trabalhos de profissionais brasileiros que produzem guitarras, contrabaixos e violões custom shop.

 

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