Indústria musical: As novas regras do jogo por 13/05/2020

Ame a música e aprenda sobre o negócio e a indústria. Uma nova realidade para os músicos.

Antes da revolução digital, as principais gravadoras perderam relevância em muitas áreas, sendo o investimento e a influência os pontos mais fortes. Elas não estão mais investindo tanto na área de desenvolvimento, como este é um negócio, se concentram mais na descoberta de talentos rentáveis.

Muitos artistas ainda seguem o padrão de antes, de colocar todo o seu esforço na criação da sua arte, sob a ilusão de que isso será suficiente para ser encontrado por um investidor, mas nesta nova era da música, você não deve mais esperar ser encontrado e escolhido. Você deve escolher a si mesmo e ser o capitão do seu barco.

A crescente indústria da música não se reflete apenas nas vendas globais, gerando US$ 17,5 bilhões em 2017, de acordo com informações da Federação Internacional da Indústria Fonográfica, mas também no surgimento de uma nova geração de criadores, conhecidos como artistas empresariais.

Fora da paixão pela música que leva à sua criação, é também um negócio que primeiro precisa de investimento, uma boa marca (o artista), um bom produto (a música), saber onde obter renda (Music Business) e um bom marketing para vender tudo isso corretamente para o público ideal.

O artista de hoje deve ser: auto-suficiente, multidisciplinar, comprometido e perseverante

A boa notícia para artistas independentes é que a maioria das funções das gravadoras já está ao seu alcance: criação, gerenciamento de direitos autorais, licenças editoriais, distribuição e promoção a baixo custo, graças à era digital e também à exploração.

Muitos artistas, quando assinam contrato, sentem que estagnam e perdem sua liberdade criativa. Houve casos em que, ao entrar para gravar músicas e depois não estar presente na mixagem e produção, ao receber o trabalho final não era o que imaginavam, uma vez que as empresas têm o poder de sugerir mudanças e as datas de lançamento.

Quando Sam Smith ganhou o Brit Awards em 2015, ele disse que tinha o equipamento, o dinheiro, a gravadora – tudo o que um artista deseja – mas ainda assim, ele não poderia continuar com isso… até que ele demitiu todos e criou a música que ressoava no seu interior.

O artista não tinha encontrado seu lado espirituoso até que parou de tentar criar música para a indústria e começou a fazer a música que ele queria fazer – música que somente ele poderia fazer. Uma música sobre ser solitário, gay e solteiro em Londres. Seu coração estava partido, e escreveu sobre isso.

O resultado disso foi que ele ganhou 4 Grammys, teve sucesso na Billboard e suas músicas se tornaram virais. E tudo porque ele teve a coragem de fazer a música que ele queria fazer.

Os artistas sem gravadora conseguiram gerar US$ 643,1 milhões em 2018, aumentando 35% em relação a 2017.

Então, qual a importância de assinar com uma gravadora?

De acordo com a pesquisa de “Independent Artist: The Age of Empowerment”, realizada pela MIDiA, 37% dos artistas independentes: pensam que não é importante; 34% mantêm uma posição neutra e 29% consideram que é importante.

Dos artistas de gravadores, 17% acham que não é importante, 30% mantêm uma posição neutra e 52% consideram que é importante.

A autogestão implica mais trabalho, menos exposição, mas mais liberdade.

Assinar com uma gravadora ainda é uma boa opção, porque você terá mais capital de investimento, maior exposição, uma equipe dedicada à venda de sua arte enquanto o artista se dedica à criação, mas também uma maior limitação sobre seu próprio trabalho.

Mas, para aumentar essa possibilidade, você deve ter uma proposta de valor que a diferencie do resto e de um público cultivado.

Aqueles que possuem e controlam o lado criativo e comercial de suas carreiras são um número pequeno, mas estão crescendo em quantidade, dando grandes contribuições à indústria.

Milhões de bons artistas e músicas não conseguiram ver a luz ou ficaram estagnados por depender de terceiros, devido à falta de conhecimento de oportunidades para projetar suas carreiras artísticas, que vai além de assinar com uma gravadora.

No caso de alguns artistas dominicanos, eles não alcançam internacionalização devido ao desconhecimento do setor e à má gestão de muitos pseudo-gerentes que não conhecem o negócio e estão lá apenas para pegar telefones e cobrar um percentual, além do fato de que a maioria de urbanos usa as mesmas estratégias de lançamento, investindo apenas no som do DJs, há pouca criatividade, investimento e cultivo do importante relacionamento com o público.

A música é imprevisível, por isso é necessário que a paixão persista, insista e não desista, e saber quais são as etapas corretas aumenta a possibilidade de alcançar esses objetivos.

 

Autora: Brandia Medina
Publicitária, especialista em marketing digital, event planner e ex-manager de jovens artistas.