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2015 – Um ano inesquecível: a queda de um continente 

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2015 – Um ano inesquecível: a queda de um continente 

7 min de leitura

Prezados leitores: 2015 está quase no fim. Que ano doido. Não custa se lembrar de momentos marcantes deste que foi um ano de contrastes e definições importantes para o mercado global

Não apenas lembrar momentos da economia ou da política brasileira, mas sim tentar relembrar momentos de mercado que se fizeram notar pelo mundo.

Janeiro: Uma odisseia ao desconhecido. Um mês de estranhos contrastes: para alguns, resultados apimentados e ‘calientes’ melhores que em janeiro de 2014! Para outros, o prenúncio do que viria a seguir. O início da depressão e contração econômica em escala exponencial. Traduzir o mês de janeiro de 2015 nos remete ao piloto de um avião que dorme na altitude de cruzeiro com seu piloto automático ligado e não vê a tempestade à frente.

Fevereiro: Já dizia Jorge Ben Jor: em fevereiro tem carnaval. Mercado aquecido, boas vendas e esperança de recuperação. Será que estávamos todos loucos? Éramos todos pessimistas? Peru, Chile e até o Equador eram citados como as referências na América Latina. Como assim? Para que isso fosse o mínimo de crível, teríamos de ter cada habitante desses países nascendo com um microfone, uma caixa amplificada e diversos instrumentos. Ou seja: seríamos o continente mais musical do universo!

Março: A realidade começa a mostrar sua cara e as notícias dão a pista de que nem tudo será um mar de rosas e de que algo mais profundo nos espera. Tentamos não cair no abismo e o pessimismo anterior vai se confirmando. O céu já não é tão azul e o comandante é acordado com raios e trovões. O crédito se fecha. Tradicionais representantes do prazo alongado fazem um downsizing considerável nos termos de crédito e este se torna mais difícil.

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joeyAbril: Um avião à deriva? Vagando pelos ares sem rumo aparente. Mais do que isso, é todo um mercado tentando acreditar que algo iria melhorar. Negócios fechados e selados são abertos e revistos. Planos de compras revisados. Começa o corre-corre de adivinhar resultados. Muitos ainda alheios à crise parecem torcer por um mercado em caos. O dólar no Brasil se consolida na casa dos R$ 3 e poucos. Na América Latina a subida é racional e de acordo com o desempenho da economia americana. O crédito começa a ficar mais raro.

Maio: A certeza de que a coisa degringolou. Chilenos, equatorianos e peruanos parecem não mais querer que cada habitante seja dono de um PA profissional completo com instrumentos e backline. O dólar alto empurra a ‘muamba’ de volta e aqueles que eram considerados os melhores compradores do continente, que, por sua vez, começam a reanalisar seus números e compromissos. Os prazos de venda caem dramaticamente. A inadimplência mostra suas garras de maneira feroz!

Junho: A pequena reação de toda uma nação se torna inútil e é ineficaz no combate à deterioração de sua economia, nesse mês, já considerada oficialmente recessiva no maior país do continente. Os mercados se retraem e a presidente do Brasil tenta diversas cartadas junto a alguns empresários americanos. Mais tarde, seria considerada como uma visita desastrosa e apenas com o propósito de isentar seu nome das descobertas da operação Lava-Jato junto a importantes nomes de seu partido. A carne bovina começa a faltar e os preços disparam.

Agosto: Este sim foi um mês em que o mercado musical se redimiu de alguns meses opacos. Uma prévia de promoções de feira (Expomusic, TDT e o encontro promovido pela Música & Mercado em setembro seguinte) aqueceu de forma bucólica um mercado perdido em fluxos de caixa complicados. Empresas atrasando salários ao mesmo tempo que promoviam queimas espetaculares. Tradicionais nomes contabilizando o estoque e o dólar médio disso tudo para verificar o que seria promovido e até quando. Estoques mais antigos se tornando muito atrativos e marcas tradicionalmente mais caras subitamente mais acessíveis dentro do universo de mercado. E tome mais cancelamentos de compras junto a fornecedores estrangeiros. Estes, em reação, contra-ataque ou seja lá qual sentimento, começam a sondar todo e qualquer candidato a distribuidor que ofereça um mínimo de compras ainda em 2015. Novos gerentes para a América Latina apresentando credenciais sem ter a menor noção do que acontecia no maior país de seu território.

Setembro: Dólar a R$ 4,00 e uma calmaria assustadora nos primeiros 15 dias do mês. A agricultura e os bancos dão risada. Por aqui, os estoques antigos (de quem os tinha) se tornam a moeda de troca para movimentar um mercado em transe. Quase que de maneira raquítica, o mercado se rende a boas promoções desses estoques mais velhos e no compasso dos eventos paralelos à feira de música, temos o que podemos considerar um mês normal em 2009. Sim! Pois para 2015 continuamos no rumo do precipício. A dita ‘muamba’ não sabe o que fazer. Os preços estão melhores aqui do que nos Estados Unidos! Números de compra são revistos por todos os países que escoavam parte da produção para o Brasil. Agora se vê que talvez não seja mais possível ‘desovar’ uma parte a um mercado faminto, pois esse mercado está à beira da morte. A Shure Microphones inaugura a Shure Brasil. Movimento esperado. Mas será que na hora certa?

Outubro: Seria hipócrita de minha parte escrever a história antes que ela aconteça. Mas já 15 dias de outubro se foram (no momento de escrever este texto) e nenhuma nova perspectiva no horizonte. Nem todas aquelas que venderam bem em setembro vão repetir o resultado em outubro. O Q4 do ano fiscal brasileiro começa na torcida de um impeachment: da Dilma, da Cristina, do Evo e do Maduro. As populações que esses líderes representam vão afundando cada vez mais num isolamento e, se nada for mudado, em breve estarão em miséria pior que a anterior. Os Estados Unidos fecham um acordo histórico com dez países, entre eles Peru e Chile. Ambas as economias que buscam consolidação, mas que agora não têm onde escoar o ‘extra’. O Brasil passa longe de tal acordo e perde a oportunidade de abrir o maior mercado mundial a seus produtos. Que ruim para nossos fabricantes. Que ruim para o continente. O continente caiu!

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Novembro e dezembro: A torcida existe, o compromisso e a dedicação de trabalhar por resultados se encontram estampados na cara de todo brasileiro. As lágrimas daqueles que estão desempregados tentando explicar aos filhos o que houve com o espetáculo do crescimento não são poucas e um continente mais frio se nota, apesar do El Niño, apesar dos políticos. E nada tende a ser tão diferente, exceto talvez a comprovação do sucesso de movimentos estratégicos feitos por algumas grandes empresas que esbravejam não ter demitido ninguém, mas que na verdade não têm reconhecido a capacidade dos que ainda permanecem ou contratado uma mão de obra barata demais em função das consequências da crise. Mas espero que enquanto você lê este último parágrafo, eu esteja absoluta e totalmente enganado e algo tenha acontecido neste último trimestre que mudou da água para o vinho a situação, e que aquela lágrima do pai seja de alegria por ter conquistado o emprego dos seus sonhos. Não custa pensar assim, não é? Até 2016, que Deus lhes traga alegrias e saúde. Muita saúde!

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