Amplificador de guitarra: watts, decibéis, volume e o quanto essas variáveis influem na qualidade do timbre

Amplificador de guitarra: watts, decibéis, volume e o quanto essas variáveis influem na qualidade do timbre
março 11 18:18 2019

Amplificador de guitarra: watts, decibéis, volume e o quanto essas variáveis influem na qualidade do timbre

Enquanto algumas questões abordadas aqui se aplicam mais aos valvulado, outras delas são mais amplas e se aplicam aos transistorizados também, inclusive qualquer sistema de áudio em geral.

Watt

Watt é uma grandeza física muito usada para dar a idéia de quanto um amplificador pode falar alto. Mas ao mesmo tempo é uma grandeza ingrata, porque não informa de maneira absoluta, mas sim relativa. Complicado? Nem tanto! Watt é potência elétrica, não é potência sonora. O chuveiro elétrico gera watts, a lâmpada gera watts, até a potência de um carro ou de um avião pode ser expressa em watts. Isso é energia, mas apesar de nos dar uma idéia de volume sonoro, ainda falta informação para nós, guitarristas.

Impossível não falar sobre esse tema e não citar um mínimo de conceitos de matemática e física. Você escolheu ser guitarrista exatamente para poder fugir das ciências exatas amigo? Pois então se prepare, não existe fuga, existe conhecimento e quanto mais abrangente melhor. Não se restrinja!

Decibéis

Acontece que nossos ouvidos ouvem decibéis, não ouvem watts. O decibel é a grandeza que expressa volume sonoro. A tecnologia sempre caminha transformando a menor quantidade de watts na maior quantidade de decibéis possível. Isso requer otimização, aumentar o rendimento das partes envolvidas, um falante de maior sensibilidade, um circuito com menos perdas e principalmente entender que o sinal da guitarra é complexo, ele tem inúmeros harmônicos que compõem o seu espectro de freqüências e determinam a sua energia. O sinal com maior energia vai gerar mais decibéis na mesma potência e vai soar mais alto para nossos ouvidos. Amplificadores mais modernos rendem mais decibéis com os “mesmos watts” de outrora.

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E por falar em ouvidos, o fechamento do elo, a parte mais importante de tudo, com sua curva logarítmica de resposta (olha a matemática aí de novo!) o que complica um pouco o entendimento, eles são os responsáveis por fazer um amplificador de 5W soar apenas com metade da sensação sonora de um amplificador de 50W nas mesmas condições. Nossos ouvidos que apresentam baixa sensibilidade a baixas frequências em baixos volumes também explicam o porquê da existência da função Loudness nos sistemas de som e porquê a guitarra fica magra, xoxa num baixo volume, perde o peso dos graves, fica sem graça, pedindo pra aumentar o volume.

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Não culpe o seu amplificador por isso, e muito menos pelo fato dele ser valvulado, esse efeito é comum a qualquer sistema sonoro. Já tentou ouvir ACDC em volume baixo? Onde está o peso da bateria? E o baixo onde está? Sumiram! Aumente o volume e sinta a enorme diferença, agora os ouvidos percebem as freqüências baixas que antes eles tinham muito mais dificuldade de perceber, mas que estavam lá com certeza!

E muitos guitarristas vão perguntar: Mas e a saturação? Ela não fica sempre melhor num volume mais alto? E a famosa saturação de Power, santo graal da amplificação valvulada?

Posso dizer por mim mesmo e por milhares de guitarristas com os quais já convivi. Não existe nesse mundo guitarrista que por opção ou por gosto próprios passe a tocar em volume baixo. Ponto. Tocar alto é muito legal, muito mais legal do que se imagina, ainda mais quando existe aquela pitada de preocupação e a emoção de ser despejado do prédio a qualquer momento ou de que os vizinhos chamem a polícia. Sentir as notas com mais clareza num volume alto é uma das melhores sensações que a guitarra pode fornecer. Não adianta culpar o amplificador dizendo que ele só fica legal alto, que precisa saturar o Power porque só a saturação do Power e etc. Novamente é o nosso ouvido quem manda nesse assunto, o amplificador transistor não vai render igual no volume baixo também e o CD do ACDC a mesma coisa, os graves desaparecem a baixos volumes.

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Um equívoco muito comum é achar que um atenuador de potência pode resolver a questão do timbre magro em volume baixo. Isso é um engano. O atenuador pode mudar a forma da saturação incluindo a que vem das válvulas de saída, do Power, mas de forma alguma o som que era magro antes deixará de ser.

Os falantes vão continuar emitindo o mesmo timbre no volume baixo da mesma forma. Se era magro antes do atenuador, será magro da mesma forma depois. Isso sem contar o desgaste causado ao valvulado a médio e longo prazo, mas isso é assunto para outra matéria.

Saturação

Saturação de Power é praticamente um caso à parte. Muito difícil de ser distinguida, mas com certeza ela existe, porém nunca aparece sozinha. A saturação no valvulado acontece em cascata. O circuito de pré precisa estar com volume alto para gerar sinal suficiente, trazendo uma boa dose de distorção na maioria dos aparelhos, para a partir daí saturar as etapas seguintes até chegar nas válvulas de potência, o que ocorre em maior ou menor grau de acordo com o projeto do amplificador. Saturar o Power é apenas uma condição, mas nunca a única necessária para fazer o valvulado render o máximo do seu timbre. Isso é muito simples de se provar na prática com um valvulado limpo estilo modelos de 50W da década de 50 tocados em baixo e alto volume. O peso do som não depende de a distorção estar presente ou não porque o Power satura muito menos no amplificador limpo e o comportamento em volume baixo e som xoxo acontece também.

Esse texto de forma alguma tem a intenção de encerrar este assunto, pelo contrário, ele mostra uma síntese do que ocorre na prática e eu me mostro sempre aberto a opiniões complementares e discordantes de quem quer que seja. O importante é trazermos as questões para serem discutidas e não tratar qualquer tipo de abrangência de determinado assunto como verdade absoluta .

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Paulo Acedo
Paulo Acedo

Engenheiro elétrico formado pela FEI, técnico eletrônico formado pela ETFSP, é guitarrista de horas vagas, lida com eletrônica voltada a música desde 1983 e com circuitos e amplificadores valvulados desde 1993, além de proprietário da AcedoAudio fabricante de amplificadores valvulados.

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