Opinião: A lógica da expansão da música como negócio

Opinião: A lógica da expansão da música como negócio

por 19/02/2020

Em tudo que é prazeroso na vida, há imensa dificuldade de observar a movimentação comercial que aquilo que diverte, entretém e causa bem-estar possa ter, seja no âmago ou na questão periférica.

A existência do músico traz a necessidade de instrumentos e equipamentos, que trazem a necessidade de fabricação, importação, comércio, manutenção, aluguel, pesquisa tecnológica etc., que são inerentes à necessidade de a música existir e dão origem a uma cadeia de eventos, empregos diretos e indiretos, terceirização de transporte, armazenamento, propaganda, e por aí vai.

O músico faz a música, que por sua vez atinge o público em seu gosto pessoal e emocional, e nisso movimenta locais de shows, turismo musical, marketing, copyright e por aí vai.

O público observa o músico, se encanta com seu trabalho, e por vezes ingressando no meio musical amadoristicamente, adentra a mesma cadeia de consumo do músico, no quesito equipamentos básicos e de entrada, podendo inclusive haver o migrar para a profissionalização.

Quando uma pessoa não envolvida com o meio musical assiste a um show, os roadies, técnicos, carregadores, seguranças, montadores, empresários são invisíveis a ela, bem como os que assistem a um filme não entendem a movimentação intensa de profissionais responsáveis pela composição da trilha incidental, a trilha sonora, a captação do áudio e efeitos sonoros, que envolve desde compositores, arranjadores e músicos até engenheiros de som etc.

A cadeia produtiva é prolífica e extensa no mercado musical, e curiosamente invisível em sua totalidade aos mais desatentos.

As pessoas pouco ou nada conhecem sobre os materiais usados na fabricação de instrumentos e acessórios, sabendo apenas que os mais populares são de madeira, mas desconhecendo qualquer aprofundamento maior sobre isso.

O que o som representa

Se de uma hora para outra o mundo perdesse a capacidade auditiva, haveria um buraco imenso em desemprego e desocupação.

Games sem engenharia de som, efeitos sonoros e trilha sonora seriam emocionantes?

As salas de espera seriam melhores sem música?

Políticos se elegeriam sem jingles?

Produtos seriam vendidos numa concorrência mercadológica sem ajuda de jingles, spots e vinhetas de oferecimento da “marca tal”?

O mercado musical fez, faz e fará por você mais do que você percebe, mas você faz o que pelo mercado musical?

Consome algo que remunera músicos, vai a shows, toca algum instrumento?

O desenvolvimento cerebral de quem toca algum instrumento é cientificamente maior.

Você ficaria no trânsito das grandes cidades sem música por horas?

E as músicas folclóricas regionais? Como definir a cultura de um povo sem sua música de raiz?

Existe, mesmo na supracitada ausência de audição, a pulsação que estimula o corpo em dança ou marcha.

Como dançar sem música, ou, no mínimo, sem sua pulsação rítmica?

A música movimenta o mundo em muitas áreas, mas quem faz a música? O músico. E você acha que estamos realmente fazendo tudo que é possível para a formação de um mercado futuro? O ensino musical e a estabilidade da profissão são estimulantes?

A autoindulgência e cruzar de braços têm sido pecados inerentes ao mercado musical, mas também ao público comum.

Sem possibilidade de gerar profissionais, a música se torna hobby, e com isso perde grande parte de sua abrangência.

Música tem que ser lucrativa, e músicos, bem remunerados.

A atração surge de algo desejável, e na oferta e procura, profissionalmente a música deve ser prazerosa e, no mínimo, digna em sustentar seus expoentes.

E nisso tudo ainda nem citei as publicações didáticas.

Humor pautado em música.

Musicoterapia e estudo de Cymatics e sua aplicação na saúde.

A música pode criar por meio do som uma cena imaginária.

A importância da música está além da imaginação como arte, mas também como negócio.

Porém, ainda vale a máxima de que sem músico não há música, e a não observância disso é ingenuidade.

É tecla constante em minhas observações, porque tem sido comum alguns negociantes do ramo observarem o fluir do dinheiro, mas não de onde vem.

O músico, em sua humilde existência, cria ao redor de si uma cadeia de eventos que movimentam em efeito borboleta toda relação de oferta e procura que nomeamos como mercado musical.

Uma vez lembro-me de ver na rede social um luthier iniciante atribuindo uma importância maior ao instrumento e ao equipamento do que ao músico. Se um iniciante no ramo não percebeu sequer de onde vem a única cadeia de ações que movimenta o que faz, que dirá o público comum!

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